#TOLERÂNCIA243 - A INTOLERÂNCIA É A RAIZ DA TOLERÂNCIA
Já algures disse que gosto muito, em geral, dos autores italianos. Por exemplo, o livro que há alguns anos mais conseguiu ajudar-me a ter uma concepção da longa História da Europa, desde os seus primórdios, até à Europa das duas Guerras Mundiais e que desembocou na Europa que vivemos hoje, é dum autor italiano.
Em boa hora hoje folheei a edição, de hoje também, do Corriere della Sera. Lá encontrei um texto interessantíssimo do consagrado jornalista italiano Paolo Mieli, que começou no jornalismo aos 18 anos e agora tem 76. Com a ajuda do DeepSeek, li o artigo e trago para aqui o título e o primeiro parágrafo.
O título: "A Cruzada (em curso) contra o Passado. O subtítulo: Os efeitos da 'Cancel Culture' [Cultura de Cancelamento] segundo Frank Furedi"
O primeiro parágrafo: «Em 1691, o bispo francês Jacques-Bénigne Bossuet defendeu que o catolicismo era a menos tolerante de todas as religiões, como observa o sociólogo Frank Furedi — nascido na
Hungria, mas durante muito tempo professor na Universidade de Kent, no Reino Unido — em "A Guerra contra o Passado. Cultura do Cancelamento e Memória Histórica", recentemente publicado pela Fazi Editore [a edição inglesa é de 2024; a italiana de 2025]. «Tenho o direito de vos perseguir», dizia Bossuet, «porque eu estou certo e vós estais errados». Os protestantes não ficavam atrás. Henry Kamen, em Nascimento da Tolerância (il Saggiatore), chamou a atenção para o facto de o sínodo valão de Leida, constituído principalmente por refugiados huguenotes, ter condenado como se fosse uma forma de heresia a abertura à profissão de outras religiões.»Não havia nada de natural na tolerância. Nem sequer se concebia. Pode deduzir-se que, sem o predomínio de comportamentos intolerantes e sem sermos forçados a enfrentar as suas consequências destrutivas, o ideal da tolerância nunca teria existido. A idealização da intolerância precede a valorização da tolerância, escreve Furedi, «não só cronologicamente, mas também logicamente». De certo modo, é a intolerância que gera a tolerância. E isto não se aplica apenas a ela. Todos os valores importantes do mundo contemporâneo, como a liberdade e a igualdade, surgiram como «resposta ao seu contrário».
»Foi a «capacidade de aprender com a experiência do passado» que permitiu à civilização desenvolver atitudes fundamentais que hoje influenciam o nosso modo de vida. A certa altura, o desconforto e o sofrimento de uma parte da sociedade — face à intolerância, à ausência de liberdade, à desigualdade e assim por diante — suscitaram um sentimento de repulsa num número relativamente restrito de indivíduos. No entanto, com o passar do tempo, a sensibilidade deste número restrito de indivíduos impôs-se e influenciou sectores mais amplos da sociedade. Para nós, deveria ser uma obrigação aprofundar a ligação entre estes conceitos. E quão importante é não renunciar ao que conquistámos.»
Tomo nota: procurar os livros de Frank Furedi (húngaro); ler "O Nascimento da Tolerância" (1967), de Henry Kamen (britânico, nascido em Mianmar); ler o "La civiltà delle buone maniere. La trasformazione dei costumi nel mond" [a edição original ("Über den Prozess der Zivilisation: Soziogenetische und psychogenetische Untersuchungen"), em alemão, é de 1939], de Norbert Elias (alemão de ascendência judaica).
E leio outra vez: «Tenho o direito de vos perseguir», dizia Bossuet, «porque eu estou certo e vós estais errados». Estou seguro de que esta presunção radicalmente presunçosa e imperialista está viva em muitos dos líderes políticos e religiosos que (des) governam os Povos e os Credos.
A estação de hoje deixa um valiosíssimo potencial de informação e reflexão para a Pedagogia e a Educação.
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