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quinta-feira, julho 24, 2025

#TOLERÂNCIA207 - INTOLERÂNCIA, DAS PALAVRAS À ACÇÃO

 #TOLERÂNCIA207 - INTOLERÂNCIA, DAS PALAVRAS À ACÇÃO

O que está a acontecer na Faixa de Gaza, em razão do que Israel (o Estado de Israel, não estou a falar dos judeus, não me venham com a acusação de antissemitismo) tem mantido de destruição e morte, desafia-nos a todos, nas palavras que dizemos e nas acções que praticamos.

Nunca como agora os líderes políticos europeus negaram a identidade histórica dos Direitos Humanos e dos Valores da Paz e da Solidariedade da União Europeia. É intolerante o comportamento do Estado de Israel; e é intolerante o comportamento da União Europeia e dos seus membros. O Reino Unido envergonha a Magna Carta e os Estados Unidos da América os princípios constitucionais fundadores.

Reconheço que o protesto e as manifestações dos cidadãos, em todo o mundo, têm sido muitos, mas sem qualquer sucesso prático, têm sido, em geral, bem educadinhos. Daquele jeito que os Governos gostam para mostrarem que garantem a liberdade de expressão.

Há uma banda desenhada da Mafalda em que a mãe lhe diz que vai à lavandaria e pede à Mafalda que tome conta do bebé por um minuto. A Mafalda anui com um simples «Claro.» A seguir, chega-se ao bebé e, marota, tira a chupeta da boca ao bebé. Resultado: o bebé rompe num berreiro de mil decibéis, a Mafalda entra em pânico, volta a pôr a chupeta na boca do bebé, o bebé sossega. Desabafa a Mafalda: «Se os povos soubessem usar os pulmões como tu, os ditadores iriam ver como é que elas lhes mordiam!»

Pois é, os cidadãos ainda não berraram o suficiente. Fazes falta, Quino... Fazes muita falta! Para nos pores ao espelho e tomarmos consciência das nossas contradições. Dos ditadores e dos (des)governantes do Mundo já não vale a pena falar.

No Público de hoje, Manuel Serrano, que é apresentado como analista de assuntos europeus, políticа
internacional e processos eleitorais, diz que «O silêncio europeu sobre Gaza não é apenas ensurdecedor - é uma humilhação que nos compromete, um olhar para o outro lado intolerável.
Comparativamente, fomos rápidos a levantar a voz contra Moscovo, firmes a condenar, ágeis a sancionar, apesar de Orbán e Fico. Porém, diante de Telavive, tornámo-nos hesitantes. Este é o sintoma de um contágio moral que já não conseguimos disfarçar: o continente que se orgulha dos seus princípios universais aplica-os consoante o rosto do agressor ou o interesse do momento. Dois pesos, duas medidas. Dois códigos que não se anulam, mas se acumulam, fragilizando-nos, porque cada incoerência deixa uma cicatriz que nenhum discurso consegue apagar.
Mais do que uma omissão, a Europa assiste ao avanço de um projeto que redefine, sem pudor, a barbárie no século XXI. A "cidade humanitária" - expressão cínica do ministro da Defesa israelita para designar a construção sobre as ruínas de Rafah - não passa de um eufemismo para um campo de concentração.
São palavras do próprio Ehud Olmert, ex-primeiro-ministro israelita, que não hesita em dar-lhe nome: uma prisão em grande escala, uma limpeza étnica disfarçada de política. Forçar a população palestiniana a viver enclausurada, proibida de sair - salvo para um exílio forçado - é um crime que não admite desculpas.»

12 páginas mais à frente, no mesmo jornal, Rita Siza escreve assim de Bruxelas: «Os termos do acordo que a chefe da diplomacia europeia fechou com o Governo de Israel para um reforço significativo da ajuda humanitária à população da Faixa de Gaza não foram tornados públicos, mas, num ponto de informação aos Estados--membros da União Europeia, ontem, os serviços dirigidos por Kaja Kallas admitiram que "os números estão muito abaixo" das metas estabelecidas, e "são muito inadequados" para responder a uma situação que a cada dia se torna mais "intolerável".»

É outra vez o desafio que leva das palavras à acção: que fazem os líderes da União Europeia perante o que se torna a cada dia mais intolerável? Repito: os que eles fazem envergonham os Valores Europeus.

E nós — profissionais do Ensino, da Educação, da Acção Social, da Psicologia Comunitária — que fazemos? Quando as Mafaldas, os Guis, os Filipes, as Liberdades, os Manelitos, as Susanitas e os Miguelitos vierem ter connosco e nos pedirem respostas para as suas acutilantes perguntas e reflexões, que lhes vamos dizer? Vamos também envergonhar a riquíssima tradição pedagógica de tantos Mestres e Mestras que povoam a História Europeia desde que a reconhecemos na Antiguidade Clássica?

Que Pedagogia pedem estas realidades nas aulas de Educação para a Cidadania?

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segunda-feira, julho 21, 2025

#TOLERÂNCIA204 - OS "AMIGOS" QUE NEGAM A TRAGÉDIA HUMANITÁRIA EM GAZA

#TOLERÂNCIA204 - OS "AMIGOS" QUE NEGAM A TRAGÉDIA HUMANITÁRIA EM GAZA

A questão é: que fazer com os amigos que negam a tragédia humana em Gaza? Quais são os limites que a Tolerância deve ter?

Defender o direito de Israel a defender-se da incursão perpetrada pelo Hamas no dia 7 de Outubro de 2023, é uma coisa. Inclusivamente, tomando-se esse dia como o primeiro depois de um tempo em que tudo estava justo naquela região do mundo entre Palestinianos e Judeus.

Calar-se perante o que Israel está a fazer na Faixa de gaza é outra coisa. Se um dia Jesus respondeu a Pedro que deveria perdoar 70 vezes 7 a um irmão que pecasse contra ele, o que se vê na Faixa de Gaza é que parece que o governo israelita esta determinado a castigar 70 vezes 7.

Mais uma vez, hoje dou uma pequena volta, bastou uma pequena volta, ao mural do Facebook, e encontro risos a publicações que mostram o que se passa na Faixa de Gaza. Encontro também publicações que dizem que são mentiras, boatos, tolices, disparates e balelas o que se conta da fome, das mortes por inanição, a destruição dos cuidados de saúde de pessoas martirizadas por serem palestinianas.

Fico incrédulo perante os requintes de desumanidade que gente de bom nome, de boas famílias, diz, escreve, reage perante tanto sofrimento humano, perante a tragédia daqueles pais e mães que querem dar comida e protecção aos filhos. Tais pessoas nem sequer têm o pudor de se remeterem ao silêncio. Ostensivamente negam-no, para tais pessoas não se passa nada — apoiam que os governantes e militares israelitas continuem a barbárie, destas tais pessoas, eles, os governantes e militares, recebem "educada" anuência.

O mínimo que posso fazer é "desamigar" pessoas assim. Foi o que acabei de fazer. Desisti de qualquer intenção e esforço de mudar ideias e pontos de vista. Aquelas pessoas sabem que querem que as coisas sejam assim. A minha tolerância chegou ao limite. Repito: desamiguei um "amigo" do Facebook. Infelizmente, não é nada que ajude o tão sofrido povo palestiniano.

Àqueles que perversamente, desumanamente negam a tragédia do Povo Palestiniano, permito-me lembrar a fórmula completa do Talmude (Sanhedrin 4:4-5, Rabi Jack Abramowitz), que o filme "A Lista de Schindler" popularizou numa forma bem mais abreviada: "Quem salva uma vida salva o mundo inteiro".

É esta, então, a forma completa que os autores e os apoiantes do massacre do Povo Palestiniano evitam olhar e tomar consciência:

«Apenas um homem, Adão, foi originalmente criado para nos ensinar que, se alguém destruir uma única vida, é como se tivesse destruído um mundo inteiro, enquanto que, se alguém salvar uma única vida, é como se tivesse salvo um mundo inteiro.»

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