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quarta-feira, agosto 20, 2025

#TOLERÂNCIA234 - INCÊNDIOS: EXIBICIONISMO INTOLERÁVEL

 #TOLERÂNCIA234 - INCÊNDIOS: EXIBICIONISMO INTOLERÁVEL

Penso que a tragédia dos incêndios desperta nos cidadãos, primeiro, um sentimento de aflição; depois, um sentimento de impotência.

É um tema que muitas vezes recorre, nas falas e nos escritos, à palavra "Tolerância", sobretudo para dizer que não há tolerância para mais, que «Basta!». Ficamos incrédulos, estupefactos com coisas que ouvimos ao sr. Presidente da República: «Cada caso é um caso...» Isto é uma justificação?... É uma generalização desculpante?... «[Com o que se tem passado nos últimos 10 anos, que é o tempo do seu magistério] Aprendemos que é preciso preservar vidas humanas...» É mesmo preciso aprender isso?!... Não se sabe isso desde sempre?!... «Aprendemos que é preciso prevenir mais...» Não, não aprendemos! Aprender é fazer diferente, fazer diferente de forma continuada, mas, afinal, continua-se a fazer o que se fazia, ou melhor, o que não se fazia e era preciso fazer-se! «Há reflexões a fazer porque se aprende...» Andamos há 10 anos a fazer reflexões! «Admito que quem chegou há 2 meses — está a referir-se à sr.ª Ministra da Administração Interna — esteja a descobrir os problemas e esteja a descobrir as respostas a dar...» A sr.ª Ministra está a descobrir os problemas que se repetem, repetem, repetem, ao longo de anos, anos, anos? Bem, por alguma razão a senhora é ministra e eu não: eu seguramente não estou preparado, não conheço e não sou competente. Além disso, a senhora não está sozinha no Ministério: tem secretários, equipas, técnicos... Não, senhor Presidente, eu vi-o em Pedrógão Grande! O sr. Presidente está de consciência tranquila? Tem a certeza de que de lá até agora fez o que devia ter feito, com uma magistratura de influência, para que a aprendizagem e a prevenção fossem, de facto, adquiridas e consolidadas?

Hoje li assim no Público, num artigo de opinião escrito pelo biólogo Jorge Paiva:

«Os nossos governantes e políticos, além de palavrearem em vez de governarem, passaram a ter a preocupação de aparecer nas
televisões, num exibicionismo intolerável. Há alguns que aparecem todos os dias. Nos telejornais, esses exibicionistas falam abanando constantemente a cabeça para os vários microfones e rodeados de
aduladores.

»Camões já refere estes aduladores n'Os Lusíadas (Canto IX.27), que não eram mais do que uns inúteis do Reino, incapazes de mondar o trigo florescente: "Vê que esses que frequentam os reais/paços por verdadeira e sã doutrina/vendem adulação, que mal consente/mondar-se o novo trigo florecente."

»Para me informar, leio diariamente jornais porque não vejo noticiários televisivos, principalmente na época estival. Isso porque, além dos exibicionistas, estão transformados em pirotelejornais, incentivadores à piromania por apresentarem imagens de fundo de pavorosos incêndios enquanto o locutor noticia e fala com os pirorrepórteres regionais que se colocam de modo a que os pirómanos vejam pavorosas imagens da vegetação e habitações a arderem.»

O resto do artigo não é mais do mesmo, desabafo atrás de desabafo, é enumerar de razões, é lembrar o que tantas vezes já foi dito e redito. Sabe, sr. Presidente, porque dei destaque a esta parte do "exibicionismo intolerável"? É porque eu tenho tido repetidamente vontade de escrever uma coisa assim.

A minha questão, a minha interrogação, é como é que se passa da palavra do sentimento de intolerância, legítimo!, para a acção que concretiza o «Basta!» que todos, todos, todos, andamos há muitos anos a proclamar?

Fico a pensar na Educação para uma Cidadania Activa... O que tolerar? O que não tolerar? O que fazer quando o vermelho do vermelho da Tolerância acende? Acende e queima!

Os governantes, como o sr. Presidente da República anda desde ontem a fazer, têm sempre justificações e atenuantes. Dizem que são julgados pelo Povo depois, mais tarde, nas eleições seguintes.

Escreve Jorge Paiva quase a concluir o seu artigo de opinião: «Sinto-me um condenado à prisão perpétua no meu país, pois já quase não tenho natureza com biodiversidade para me deliciar a estudar, a não ser residual no meio urbano, para onde alguns animais selvagens estão a migrar.»

Há pouquinho, no Joker, o concurso da RPT1, o concorrente disse que se tem ocupado a ir com a filha à praia apanhar os lixos. Porque a filha reclama que assim ele faça com ela. Ela aprendeu na escola que se deve fazer assim. Quantos dos actuais governantes também já aprenderam assim? Há cerca de 40 anos, eu já levava grupos a participarem em actividades de limpezas de praia (o projecto Europeu Coastwatch). Quer dizer que há um momento a partir do qual o que se aprende em pequeno se desaprende em grande. Um ou vários. Não estando nas mãos da Educação resolver esses momentos de desaprendizagem, pelo menos que a Educação saiba alertar quem tiver de alertar para a Prevenção da(s) Desaprendizagem(ns). Não será nada fácil, mas a Educação não deve furtar-se a este esforço, mesmo que hercúleo.

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sexta-feira, agosto 08, 2025

#TOLERÂNCIA222 - TOLERÂNCIA E ÁLCOOL

 #TOLERÂNCIA222 - TOLERÂNCIA E ÁLCOOL

Fui ao Redondo ver a Festa das Ruas Floridas, há muito que andava a falhar a festa.

Depois de ter percorrido muitas das ruas, e depois de muitas fotografias, fui ver os 'stands' de venda de vinho, chamou-me a atenção da quantidade de vinhos biológicos neles apresentados.

Num dos stands, pus-me à conversa com o jovem que ali dava o seu melhor para informar e convencer os visitantes acerca dos méritos dos vinhos expostos no seu balcão. Fazendo-me lembrar os meus alunos e sendo rapaz de conversa fácil, perguntei-lhe se me sabia informar acerca da tolerância do organismo humano ao álcool, se possível, a tolerância diária.

Não, não sabia. A jovem do 'stand' ao lado também não sabia. Falei-lhes em unidades de bebida, e perguntei-lhes se tinham ideia de qual era a unidade-padrão (UBE - unidade de bebida estandardizada). Não, não sabiam o que era, a rapariga arriscou dizer 1 litro por dia. Esclareci-os de que é, em geral, 1 cerveja (33 cl) ou 1 copo de vinho (15 cl).

Informei-os de que não há um número "seguro" de unidades de álcool que o organismo possa tolerar diariamente; e que, inclusivamente, a Organização Mundial da Saúde (OMS) afirma que não existe um

nível de consumo de álcool sem riscos para a saúde. De qualquer modo, pode-se considerar que o organismo tolera entre 2-3 (mais 2 que 3) para o homem e 1-2 (mais 1 que 2) para a mulher, e a diferença justifica-se pelas diferenças bio-fisiológicas entre os sexos (o corpo da mulher geralmente possui uma menor quantidade de água e enzimas que metabolizam o álcool, o que faz com que a concentração de álcool no sangue seja maior, mesmo com a mesma quantidade consumida). Rematei que, no caso de mais do consumo de mais de uma unidade, a segunda deve ser consumida algumas horas depois da primeira; e que se deve fazer um jejum 1 dia (ou mesmo 2) por semana.

Também os alertei para o tradicional brinde, o do «À NOSSA [SAÚDE]!» Não, a bem da nossa saúde, devemos brindar à ALEGRIA de estar juntos, ao PRAZER da comida ou do convívio, MAS NÃO À SAÚDE.

Eles gostaram de ouvir o que lhes disse. Alguns visitantes dos 'stands', e também alguns dos promotores estiveram atentos ao que disse aos dois jovens. Lembrei-me dos calendários-cartas da Mala da Prevenção do dr. Luís Patrício, e tive pena de não ter algumas ali comigo. Fiquei a desejar passar a andar sempre com algumas delas no bolso.

Como o dr. Luís Patrício insiste em dizer, «Prevenção é Educação». É, não sei se voltarei a uma feira com 'stands' de vinhos sem levar comigo as tais cartas-calendários (ou ao contrário).

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