Ora bolas!,
a gente a pensar que isto era mesmo dos portugueses!...
O VIAJANTE SENDENTO
[adaptado; no fundo o velho ditado que diz que quem conta um conto, acrescenta-lhe um ponto]
Lentamente, o sol tinha-se ocultado e a noite tinha caído por completo. Pela imensa planície da Índia deslizava um comboio, como uma descomunal serpente queixosa. Vários homens compartilhavam um vagão e, como faltavam muitas horas para chegar ao destino, decidiram apagar a luz e porem-se a dormir. O comboio prosseguia a sua marcha. Passaram alguns minutos e os viajantes começaram a conciliar o sono. Levavam já um bom número de horas de viagem e estavam muito cansados. A certa altura, começaram a escutar uma voz que dizia:Ora bem, há outras versões por aí espalhadas; das que entretanto pesquisei entretanto, constante, só mesmo os queixumes em volta dos quais o conto, a anedota ou lição se tece.
- Ai que sede que eu tenho! Ai que sede que eu tenho!
Assim, uma e outra vez, insistente e monotonamente. Era um dos viajantes que não cessava de queixar-se da sua sede, impedindo de dormir ao resto de seus companheiros. Já resultava tão molesta e repetitiva a sua queixa, que um dos viajantes se levantou, saiu, foi ao lavabo, e trouxe-lhe um copo de água. O homem sedento bebeu com avidez a água. Outra vez apagaram a luz. Os viajantes, reconfortados, dispuseram-se a dormir. Transcorreram mais uns minutos. No silêncio que se instalou, surpreendentemente, insinuou-se a mesma voz de antes, que começou a dizer:
- Ai, que sede que eu tinha, mas que sede que eu tinha!
O Grande Mestre disse: A mente sempre tem problemas. Quando não tem problemas reais, fabrica problemas imaginários e fictícios, tendo inclusivé que buscar soluções imaginárias e fictícias.
Fará parte dos estereótipos culturais do nosso País, da maneira de ser dos Portugueses, que faça mais sentido que os queixumes sejam feitos por uma mulher do que por um homem. Seja, mas isto também nos alerta para o facto poderoso da miscigenação das culturas, que levou a que as Nações Unidas, a partir de certa altura, por pressão das realidades políticas e sociais mundiais, também passassem a tomar como uma das suas grandes bandeiras o lema "Todos diferentes, todos iguais."
