Mostrar mensagens com a etiqueta #professores. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta #professores. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, setembro 24, 2025

#TOLERÂNCIA269 - A TOLERÂNCIA NO 1.º DIA DE ESCOLA, NA PONTA DUM LENCINHO

 #TOLERÂNCIA269 - A TOLERÂNCIA NO 1.º DIA DE ESCOLA, NA PONTA DUM LENCINHO

Por várias razões, estou a ter uma semana muito especial [duma das ocorrências dei conta no #TOLERÂNCIA267) — e ainda só vou na 4.ª-feira. Tal como na 2.ª-feira e ontem me despedi dos alunos do 7.º ano… ao segundo dia de aulas!, hoje despedi-me duma turma do 9.º ano; e amanhã vou despedir-me da outra, também ao segundo dia de aulas.

Com a turma de hoje, na aula da semana passada eu tinha-lhes mostrado, já não sei a propósito de quê, a fotografia do nascer-do-sol desse dia (Há mais de 5 anos que tiro, todos os dias, fotografias ao nascer-do-sol, esteja onde esteja). Ora, aconteceu que hoje, vários alunos trouxeram fotografias do nascer-do-sol e do pôr-do-sol (uma das alunas fez mesmo questão de tirar uma fotografia ao nascer-do-sol de hoje). Pedi-lhes que me mandassem as fotografias por email, e no início do 2.º tempo da aula eu projectei-as no quadro e estivemos a conversar a propósito delas. Há pouco, já em casa, verifico que mais um aluno tinha acabado de me mandar mais duas fotografias do pôr-do-sol, fotografias que ele tirou há pouco tempo. A este aluno, mas também aos outros que partilharam as suas fotografias nas aulas, eu respondo por email, agradecendo a iniciativa do contributo para a aula de Cidadania e Desenvolvimento, e remato com a afirmação de Konrad Lorenz (o fundador da Etologia e Prémio Nobel da Medicina e Fisiologia de 1973) que ao longo de 36 anos de magistério de professor transmiti aos meus alunos: «Tanto a beleza do mundo natural como a beleza do mundo cultural são essenciais para manter o Homem espiritualmente são.»

O que os alunos hoje fizeram, trazendo as fotografias para a aula, é um preciosíssimo testemunho de como não é difícil, pelo contrário, envolvê-los com entusiástica e inteligente motivação para as dinâmicas das salas de aula. Sebastião da Gama dizia que a aula acontece. Nem mais, isto hoje foi a aula a acontecer a partir da notável iniciativa pessoal dos alunos, livremente realizada e fazendo todo o sentido, em perfeita sintonia com a aula anterior e também em perfeita sintonia com o espírito da disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

Entretanto, a aula tinha começado com uma situação em que à volta do reconhecimento dum erro dum aluno (que vinha da aula da semana passada) e da reacção que alguns dos colegas hoje tiveram perante o reconhecimento por parte do colega do erro. Aproveitei para falar acerca da tolerância aos erros e enganos dos outros. Sei que fui feliz na abordagem da situação porque todos me escutaram com quase arrepiante atenção, sorrindo boamente à medida que eu avançava na minha explanação. Acabámos todos por agradecer ao aluno que se autocorrigiu e aos colegas que se tinham atirado logo a ele, como que reclamando vitória, por tão importante oportunidade de aprendizagem para todos: ficámos todos, de certeza, a partir daquele momento, um bocadinho mais tolerantes.

Depois desta ocorrência durante a manhã, repare-se na coincidência — maravilhosa! — do que eu recebi à tarde duma muito querida colega e amiga. É verdade, já lá vão quase 50 anos... A mensagem veio pelo WhatsApp. Repare-se como partilha muito a natureza e a essência do que acabo de relatar da aula de hoje da turma do 9.º ano. Fiz apenas uns pequeninos ajustamentos para passar o escrito duma mensagem pessoal a um texto público, a minha colega não lhe passava, de certeza, pela cabeça que eu quereria publicar o texto.

«História…….

»Por causa dos teus textos, sobre Tolerância, de repente, há uns dias relembrei o meu primeiro dia de Escola… tinha 6 anos. [Era um] Colégio de freiras franciscanas. Usava farda e um bibe cor de rosa.

»No primeiro dia de aulas a minha Mãe foi levar-me . No bolso do bibe colocou um lencinho branco, lindo, com uma rendinha. Não me recordo do meu estado emocional.

»Levaram-me para uma sala grande onde estavam outras meninas e uma pianista. Ela tocou, cantámos, rezámos e no fim, em fila, com música de marcha, fomos para a respectiva classe.

»Chegou a hora do recreio, fui para um pátio onde haviam baloiços. Aproximei-me à espera da minha vez. Estava por perto outra menina, um pouco mais velha, que se chegou ao pé de mim e bateu-me na cara. Fiquei espantada, tirei o lencinho do bolso e limpei alguma lágrima, mas a menina rapidamente tirou-me o lenço da mão, rasgou-o, fez uma bola e devolveu-mo. Ainda disse a uma freira "Aquela

menina"… e a resposta foi "Não quero queixinhas."

»Quando a minha Mãe me foi buscar [eu não disse nada] e só em casa contei o sucedido e mostrei o lencinho. Ela, com a sua calma, respondeu: "Filha, tens de ser tolerante com algumas colegas. A menina deve ser aluna interna e está triste. Fica sempre um pouco afastada dela e não lhe batas."

»O termo tolerante era muito usado na minha casa. Seria um termo habitual da época??? Nós éramos muitos em casa??? E de certeza a história terminou com a frase lapidar usada na minha Família: "Filha, há coisas piores na vida"… O que nos fica na cabeça… ou na alma???? E de repente aparece…»

Estamos perante dois preciosos testemunhos de que a Tolerância se cultiva em casa e se cultiva na escola. Voltando a Sebastião da Gama, se ele diz na entrada do dia 24 de Janeiro (de 1949), a rematar o texto, com letras maiúsculas "A AULA DE PORTUGUÊS ACONTECE.", eu digo, por analogia, "A TOLERÂNCIA ACONTECE", vem pela relação face a face, pelo contacto pessoal, pela comunicação, pelo diálogo. Vai-se vivendo, e à medida que se vai vivendo, vai-se construindo a Tolerância.

#tolerância, #tolerance, #Tolerancia, #tolérance, #tolleranza, #toleranz, #tolerantie, #宽容, #寛容, #관용, #सहिष्णुता , #סובלנות, #हष्णत, #Ανοχή, #Hoşgörü, #tolerans, #toleranță, #толерантность, #التس 

terça-feira, setembro 23, 2025

#TOLERÂNCIA268 - AI, QUEM ME DERA O FIO DE ARIADNE!

 #TOLERÂNCIA268 - AI, QUEM ME DERA O FIO DE ARIADNE!

A partir de hoje, bastam-me números de dois dígitos para falar das etapas que me faltam até ao lugar de chegada da viagem.

Não preciso dum fio de Ariadne para os passos que faltam, já que não vou voltar para trás, mas às vezes sinto-me na iminência de perder o norte das ideias e nessas alturas tenho vontade de ter o fio comigo e ir desenrolando-o. Hoje é um desses dias: o Minotauro é a cada vez mais agressiva e, a um tempo, descarada e sofisticada guerra de informação dos poderosos da Política, do Dinheiro e da Guerra; os 7 rapazes e 7 raparigas dos sacrifícios são todos os jovens estudantes das escolas; o Teseu são os professores — portanto, eu também —; a Ariadne é a lucidez do Pensamento Crítico que por vezes me sinto prestes a perder de vista.

O Fio de Ariadne de que eu aqui falo é, no fundo, o simbólico fio condutor da liberdade, da iniciativa e da acção, aquele ponto que é lugar, que é momento e que é decisão de tolerar ou não tolerar — sem perder o norte, sem perder a orientação do caminho.

Na série documental que conta o salvamento dos rapazes e do seu treinador na gruta tailandesa, foi tecido um fio de Ariadne para orientar o salvamento de todo o grupo, um a um. No último salvamento, o da criança mais pequena, a trama atinge o paroxismo num momento em que o médico-nadador larga o fio e durante alguns segundos nós, os espectadores, observamos com angústia os gestos em que ele desesperadamente procura agarrá-lo outra vez. (Bem, será mais razoável pensar que ele não terá procurado recuperar o fio com desespero, mas com um autocontrolo bem dominado. O desespero está certamente bem mais no sentir do espectador, que se sente bastante desamparado) O momento era absolutamente crítico, tudo se alinhava cada mais contra o objectivo de salvar também aquela criança. Finalmente o dr. Richard Harris consegue recuperar o fio. Que alívio para todos!

Que tarefa hercúlea as guerras de informação, a contra-informação e a desinformação hoje em dia

exigem aos professores! O que podem os professores fazer? Na minha opinião, têm de se multiplicar nas escolas os grupos de discussão nas escolas: discutir conteúdos de aprendizagem, discutir estratégias pedagógicas, discutir consistência da informação científica, discutir ideologias. Tudo com muita tolerância, ouvindo mais do que falando; e sem exigir a necessidade de consensos.

Não, na Educação ninguém vai lá sozinho, e quem decide acerca do trabalho dos professores e acerca da cultura e dos ambientes de aprendizagem nas escolas tem de ter a coragem e a determinação governativa para fazer empenhar as equipas de professores neste importantíssimo trabalho de reflexão crítica acerca da informação e dos conteúdos de aprendizagem.

#tolerância, #tolerance, #Tolerancia, #tolérance, #tolleranza, #toleranz, #tolerantie, #宽容, #寛容, #관용, #सहिष्णुता , #סובלנות, #हष्णत, #Ανοχή, #Hoşgörü, #tolerans, #toleranță, #толерантность, #التس 

segunda-feira, setembro 22, 2025

#TOLERÂNCIA267 - O GOSTOSO SABOR DA BONDADE DA TOLERÂNCIA

 #TOLERÂNCIA267 - O GOSTOSO SABOR DA BONDADE DA TOLERÂNCIA

Nunca imaginei esta experiência pessoal, mas fiquei muito contente por me ter acontecido.

Para se perceber bem o contexto: a) avisada há muito da minha intenção de me reformar até ao final deste mês, a Direcção da escola, obrigada a atribuir-me um horário (e só depois da minha saída pode pedir a minha substituição), muito correctamente, deu-me turmas em que a eventualidade de os alunos não terem imediatamente um outro professor não lhes trouxesse grandes danos (sim, grandes danos, já que há sempre danos quando alunos ficam privados de aulas, mesmo que durante pouco tempo). Calharam-me, então, duas turmas do 7.º ano e outras duas do 9.º ano na disciplina de Cidadania e Desenvolvimento.

A disciplina de Cidadania e Desenvolvimento, na Eça, reparte com a disciplina de TIC as turmas em 2 turnos, e decorre no regime de semestres: durante o 1.º semestre Cidadania e Desenvolvimento tem um dos turnos e a de TIC tem outro; no segundo semestre, trocam.

Às 4 turmas que me foram atribuídas, dei na semana passada duas aulas, a abrir o semestre; e nesta semana dei (e darei) as duas aulas a "fechar" o semestre. Quer dizer, a fecharem as aulas comigo, já que estarei reformado a partir do dia 1 de Outubro. Portanto, na semana passada dei as boas-vindas aos alunos, e nesta semana despedi-me deles.

Na primeira aula da semana passada (que foi também a primeira aula do ano lectivo tanto para os alunos

do 7.º A como para mim), 3 alunos (um rapaz e duas raparigas) interpretaram erradamente o horário (pensaram que teriam uma hora de Cidadania e Desenvolvimento e outra de TIC, uma a seguir à outra, quando, na verdade, têm duas de CD ou duas de TIC, trocando os turnos entre si lá para o mês de Fevereiro).

No final da primeira aula acompanhei os 3 alunos à aula de TIC, não sem dizer à minha colega que, se eles quisessem e ela também o quisesse, eu não me importava que eles continuassem comigo, até teria gosto nisso. Os 3 alunos ficaram na aula de TIC por opção da minha colega — correcta opção.

Hoje, precisamente uma semana depois, o aluno que se enganou na aula da semana passada, logo ao toque de entrada (eu já estava na sala de aula) assomou à porta e perguntou-me se podia ficar na aula, que iria na hora a seguir à aula de TIC. Boamente eu agradeci-lhe o interesse em estar na minha aula, mas ele não podia ficar, tinha mesmo de ir para a aula de TIC. O rapaz aceitou prontamente, sem qualquer insistência ou sinal de desalento.

Durante a aula, eu disse aos alunos que estávamos numa situação muito pouco vulgar: na aula anterior eu tinha dado as boas-vindas, e agora estava a fazer as despedidas.

No início do segundo tempo, o jovem aluno apareceu outra vez à porta e disparou a pergunta: «'Stôr, nós podemos vir todos para aqui quando faltarem 15 minutos para a aula acabar?... É que gostamos todos muito de si e queremos estar todos aqui.»

Percebi que os colegas do turno que tinha tido aulas comigo "tinham dado com a língua nos dentes" e disseram aos colegas do turno de TIC que seria a minha última aula. «Por mim, tudo bem, mas têm de falar com a minha colega e ela tem de autorizar.» «Já falámos, a 'stôra' disse que vem connosco.» «OK, então, apareçam.» O rapaz lá foi para a aula em bom correr.

Impreterivelmente, aos 15 minutos para acabar aquele tempo de aulas, oiço baterem à porta. Entraram todos, a minha colega de TIC por último. Sentaram-se e mantivemos uma conversa animada. A certa altura, eu disse-lhes: «Vocês não têm ideia da coisa extraordinária que me proporcionaram, nunca mais me vou esquecer de vocês!» É claro, sem perceberem onde eu queria chegar, pediram-me que lhes explicasse. «É que, mesmo a acabar o meu tempo de professor, consegui ter uma coisa que nunca pensei ser possível, e vocês deram-me essa experiência incrível!...» A atenção deles redobrava. «É que, com a presença de todos aqui, especialmente do turno 1, eu consegui dar uma aula de despedida sem ter dado a aula de boas-vindas, e a última aula foi mesmo a primeira! A primeira e única! Estou mesmo contente com este presente de despedida que vocês me deram!» Os alunos perceberam, riram-e e todos aplaudimos.

Um aluno do turno de Cidadania e Desenvolvimento disse então: «'Stôr', logo, quando eu chegar a casa, eu vou chorar, aqui não, não consigo.» Os colegas riram-se e eu, deliciado com a provocação que lhes ia fazer, perguntei se havia alguma carpideira entre eles, daria muito jeito. Pois claro, ninguém sabia o que era uma carpideira. Dei-lhes uma primeira pista, bem pequena pista, eles lançaram coisas para o ar, e uma muito arguta aluna concluiu tratar-se de uma pessoa que é paga para chorar. Acrescentámos depois alguns pormenores, sempre aproveitando o que eles livremente diziam. É claro, falámos dos funerais e das pessoas que querem chorar mas não conseguem. Que belo momento de aprendizagem cultural aconteceu! Aconteceu antes, aconteceu naquele instante e aconteceu nos momentos que se seguiram, até a aula acabar. É verdade, 10-12 minutos de aula podem ser realmente muito ricos!...

À saída, houve beijinhos e abraços. Depois de tão pouquinhas aulas!...

O segredo deste tão precioso momento de relação pedagógica: a bondade tolerante da minha colega de TIC, que teve a sensibilidade sábia de perceber o que estava a acontecer naquela dinâmica escolar tão precoce. Deliberadamente, conscientemente, assumiu a humilde discrição pessoal e profissional que a dinâmica solicitava. Como lhe estou grato!

A determinação daquele rapazinho, que mal teve tempo de me conhecer... Moveu uma montanha, envolveu toda a turma, ganhou para si os professores. Que alma grande ali está!

Vieram-me à consciência as tão preciosas e muito amorosas palavras de Sebastião da Gama no seu Diário... Que todos os professores as leiam e releiam. Que todos os deputados, governantes e decisores da Educação as leiam e releiam. Todos os anos, à entrada do novo ano escolar.

Quando fiquei sozinho, senti-me grato, recompensado, feliz. Emergiu depois o lado divertido: «Bem, nunca pensei que isso me acontecesse, mas hoje consegui fazer a quadratura do círculo!...»

#tolerância, #tolerance, #Tolerancia, #tolérance, #tolleranza, #toleranz, #tolerantie, #宽容, #寛容, #관용, #सहिष्णुता , #סובלנות, #हष्णत, #Ανοχή, #Hoşgörü, #tolerans, #toleranță, #толерантность, #التس