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domingo, março 30, 2014

A educação sexual não deve ser ativa

"A educação sexual não deve ser activa. Deve o adulto explicar à criança aquilo que ela quer saber e isso dizia-o Claparède e deve falar-se sempre seriamente nos assuntos. O adulto pode brincar com a criança, brincar com as palavras, fazer trocadilhos e toda a espécie de jogos verbais que entender. Mas quando trata de assuntos sérios deve-os tratar seriamente. Se o adulto for capaz de falar seriamente dos problemas sexuais e dos problemas que se deparam à criança, então, realmente ele está em condições de fazer a educação sexual. A educação sexual não é educação para ser feita a crianças, mas para ser feita a adultos, os pais é que devem ser educados sob o ponto de vista sexual para terem um comportamento capaz de inspirar uma atitude normal na criança." (João dos Santos, texto recolhido da gravação de uma conferência proferida no Porto, na Ordem dos Médicos, em 14 de março de 1957; texto não revisto pelo autor)
Não é por acaso que trago para aqui este pensamento do dr. João dos Santos no mesmo dia em que levei para o blogue "Mais Pessoa Pouco a Pouco" um pequeno apontamento sobre os três princípios da Educação tradicional romana, segundo Cícero -  http://maispessoapoucoapouco.blogspot.pt/2014/03/os-tres-imortais-principios-da-educacao.html

quinta-feira, janeiro 09, 2014

"Homenagem a Eusébio" - Luís Filipe Borges - 5 Para a Meia Noite

Aos poucos, irei aqui enumerando as razões porque considero que este pequeno discurso tem uma miríade de potencialidades pedagógicas, que podem ser tranquilamente exploradas na educação, também tranquila, das crianças e dos jovens.

domingo, abril 28, 2013

Qual é a medida do infinito?

No mesmo documentário que nos mostra um magnífico ritual de passagem, vivido na experiência direta entre o pai e o filho (http://fernandonaescola.blogspot.pt/2013/04/no-principio-e-vida.html); ainda no cimo da majestosa duna a que o mais velho alcandorou o rapaz que começava a descobrir o mundo, este, sem olhar o progenitor, mas enchendo-se da imensidão do que a sua vista alcançava, quis fazer-lhe uma pergunta, confiante na resposta que viesse a ouvir. Naquele momento de adolescer, seguramente o jovem sentiria ter ao seu lado o homem mais sábio que alguma vez conhecera, que tanto já lhe ensinara e muito teria ainda para lhe ensinar:
http://lianautinguassu.blogspot.pt/2013/01/assim-sinto.html
- Pai, como é o mar?...
O pai não demorou na humilde resposta:
- Nunca o vi, Rabdoulah...
E depois de uma breve pausa continuou:
- Dizem que é como o Ténéré, mas de cor azul.
Provavelmente neste instante o rapaz, a fazer-se homem e a conhecer o mundo, tomou para si a medida do infinito, do que é grande, grande para além do que o seu pensamento nascente conseguia conceber. Conhecemos a partir do que experimentamos; se noutros Rabdoulah's, de outras partes do mundo, a experiência sensível é a do mar, em Rabdoulah a experiência é a do deserto a ir para além do horizonte que a sua vista alcança. Seja deserto, seja mar, a vivência afetiva e a vivência cognitiva são as mesmas; são as vivências das crianças a crescerem. Que os homens, os mais velhos, saibam sempre fazer assim: dizer com afeto e dizer com inteligência o que aqueles de quem cuidam querem saber, enfrentando todos os desconhecidos com verdade e segurança.

Senta-te aí...

CONVERSA SÉRIA NA MANIFESTAÇÃO DO 25 DE ABRIL.
A camisola (estou a deixar de usar o termo 't-shirt') da menina legenda a fala do pai: "I want to tell you something" (Quero dizer-te uma coisa). Esta fala (a fotografia é testemunho da minha coscuvilhice...), se não acontecesse na manifestação do 25 de abril, seria assim, em casa; mas a seriedade dos rostos seria a mesma:
http://www.youtube.com/watch?v=baxj_eVPEe8

No princípio era a vida

http://www.allposters.com/-sp/Sand-Dunes-of-Ilekane-in-Tenere
-Part-of-Sahara-Desert-Near-Agadez-Posters_i7898176_.htm
Num documentário que pude visionar no canal Odisseia, "Caravanas" - documentário com fotografia magnífica, mas, no meu entender, composição infeliz -, é extraordinário o modo como tomamos noção de que aqueles homens, os Tuaregues, concebem que a Vida está em tudo e antes de tudo; até do Verbo.
O moço protagonista da aventura no mítico, no colossal Ténéré (deserto, na língua tuaregue), parte pela primeira vez com o seu pai para a longa jornada, jornada essa que ficará registada em documentário vídeo, permitindo-nos tomar um pouco dela para nós mesmos. É, há neste trabalho cinematográfico planos de imagem que nos fazem sentir o calor do deserto e tudo o mais que pai e filho pensam e conversam.
Quando atingem as primeiras dunas, o pai diz ao filho que suba com ele até à mais alta, para que possa ver a imensidão que vai para lá do horizonte.
É nessa altura que acontece o momento extraordinário, que faz passar de uma geração para a seguinte o modo de sentir que o ancestral Povo a que pertencem foi tecendo na relação entre os homens, os outros animais e os elementos.
O pai poderia ter dito ao filho: "Rabdoulah, meu querido filho, como podes ver com os teus próprios olhos, aqui não há nada; para encontrares alguma coisa que mostre a presença dos homens ou de alguma coisa com interesse, terás de vencer esta terra de nada e de ninguém."
Mas não. O pai, com o filho a beber-lhe as palavras, diz-lhe: "Esta é a terra vazia, onde só o vento, a areia e o silêncio conseguiram sobreviver."
Extraordinário, este momento, já o escrevi! Não sei se a tradução das palavras do pai, que leio nas legendas do documentário, reproduz fielmente o que o pai disse ao filho. Tomemos a tradução como correta.
Este pai, que tem como missão levar o filho ao coração da cultura que recebeu dos seus ancestrais, mostra ao que se está fazendo homem que o deserto não é um espaço vazio, totalmente ausente de vida. Os elementos que ele enumera - o vento, a areia e o silêncio - são sobreviventes, isto é, são possuidores de vida. Nada mais sobrevive porque a terra está vazia; mas, ao insuflar a ideia de vida ao vento, à areia e ao silêncio, o sujeito transmissor de cultura admite que o que não está lá agora pode já lá ter estado, ou pode vir a estar lá. Esta crença na presença da Vida é que é o elemento essencial daquele momento precioso de Cultura. O que poderia ter sido dito como uma resignação é dito como uma esperança, um alento; no lugar do dramatismo derrotista deixa a esperança estimulante.
No final do documentário, pai e filho regressam ao "refúgio das montanhas". Mas depois de descansar, contar as histórias da sua aventura e de voltar a brincar com os seus amigos, o jovem tuaregue, que passou a sentir o vento, a areia e o silêncio de outro modo, deixa-se levar na imaginação, preso à magia do deserto, do Ténéré, e descobre que o desejo de a ele voltar passou a fazer parte dele.
Que pai fantástico este, que mostra ao filho como é o Mundo, como há que sonhá-lo; e, pelo seu exemplo, como enfrentá-lo!
(Considero a composição do documentário infeliz porque os seus autores, tanto tentaram fazer um paralelo constante entre duas caravanas, entre duas aventuras diferentes, que acabaram por prejudicar a assimilação da dinâmica cultural complexa, humanamente muito exigente de ambas)

terça-feira, março 19, 2013

DIA DO PAI, DE VOLTA EM 2013


DIA DO PAI, com dedicatória especial para os pais, avós e filhos que amam os seus filhos, netos e pais de maneira especialmente complicada. Plagiando o dr. Luís Patrício, "amar não é complicar".
Um abraço especialmente apertado a todos os meus filhos "in pectore". E ao meu pai.


Os Dias disto e daquilo são ocasiões celebrativas que visam alertar, agradecer, fazer pedadogia.
Tendem a extremar os os sentimentos despertados, seja idealizando as imagens mentais, seja acentuando as vivências tristes associadas.
O Dia do Pai é dos que mais dificilmente escapa a este efeito de acentuamento dos pensamentos e dos afetos.
Resolvi, desta vez, trazer - por variadíssimas razões, de que falarei se vierem a propósito - um trecho de Rómulo de Carvalho, sobre o seu próprio pai, num livro de memórias que ele escreveu para os "queridos filhos dos netos dos meus netos":

"Dir-se-ia, ao vê-lo, que era um homem indiferente, insensível ao que se passava em seu redor. Raramente falava. Quando estava acordado preparava-se para dormir. Não tinha uma conversa, não trocava uma opinião. Talvez sentisse acanhamento em fazê-lo e se envergonhasse de descobrir os seus sentimentos. Se houvesse telefone, no tempo, talvez fosse capaz de, por ele, dizer que nos estimava muito a todos e que eram [penso que o autor quereria escrever "era"] muito nosso amigo. Depois desligava. Só de longe, e encoberto, se atreveria a isso. Não me recordo que me fizesse nenhuma carícia, mas um dia ele teve que ir a Évora, e de lá mandou uma carta, e dentro da carta vinha um poema, um acróstico, dactilografado, dirigido a mim, que era seu filho querido, e que tinha sete anos. Era assim o poema:

R apaz vivo e inteligente,
O enlevo de toda a gente,
M enos de oito anos tem,
U m eterno falador,
L endo sempre com amor
O livro que à mão lhe vem.

Repare-se como as primeiras letras dos seis versos formam o meu nome, e o texto decorre sem esforço, fluente e bem ritmado, tudo sinais de viva sensibilidade. Mas, embora enviasse os versos por carta, de longe, não teve mesmo assim coragem para acrescentar o seu nome ou o seu título de pai por debaixo do que escrevera. Mas mandar aquele papel, assim, sem mais nada, também não lhe parecia correcto. Teve uma ideia, escondido atrás dela, sentiu-se então capaz de manifestar o seu amor pelo filho que muito estimava. Assinou; "Votre Père". Conservo esse papel."

Eu avisaria: o que é certo é que Rómulo de Carvalho se veio a tornar, certamente por esta e por outras, no suave poeta António Gedeão.

sexta-feira, abril 09, 2010

Pensar interessantemente, agir divertidamente

Bem... pelo menos é divertido ver. A "Fun Theory" é engraçada, e os outros vídeos são também giros, para além de informativos e muito formativos. Dão ideias!... Aos pais de família e aos gestores sociais.

terça-feira, dezembro 08, 2009

Pais, filhos e a Educação Sexual: falam pouco, falam tarde

Parents' Sex Talk with Kids: Too Little, Too Late

Fui buscar este artigo à revista TIME.
Para já, transcrevo-o para aqui (tradução Google, a que darei ainda "uns toques" brevemente), tal qual ele aparece na revista.
Vale a pena ler. É claro e informativo.
Em tempos de aplicação nas escolas portuguesas do programa de Educação Sexual do governo português, parece-me que ajuda a discussão.

A conversa do sexo nunca é fácil. Não é confortável para todos os envolvidos - os pais têm medo de que, as crianças são mortificada por ela - que é provavelmente porque a falar tantas vezes vem depois do fato. No mais recente estudo sobre o pai-filho fala sobre sexo e sexualidade, os investigadores encontraram que mais de 40% dos adolescentes tinham tido relações sexuais antes de falar com seus pais sobre sexo seguro, controle de natalidade ou doenças sexualmente transmissíveis.
Essa tendência é preocupante, dizem os especialistas, uma vez que os adolescentes que falar com seus pais sobre sexo são mais propensos a atrasar a sua primeira experiência sexual e para a prática de sexo seguro quando elas se tornem sexualmente ativas. E, ironicamente, apesar de sua aparente medo, as crianças realmente querem aprender sobre sexo de seus pais, de acordo com o estudo após estudo sobre o tema.
(Veja fotos de adolescentes na América Latina.)
"Os resultados não me surpreendem", diz o Dr. Mark Schuster, um dos autores do novo estudo, publicado na revista Pediatrics, eo chefe da pediatria geral do Hospital Infantil de Boston. "Mas há algo sobre ter dados reais que serve como um alerta aos pais que não estão falando com seus filhos sobre questões muito importantes até mais tarde do que nós pensamos que seria melhor."
O estudo envolveu 141 famílias cadastradas no pais conversando, programa Teens Saudável, organizado pela Universidade da Califórnia em Los Angeles / Rand Centro de Saúde do Adolescente Promoção e supervisionado por Schuster. Pais e filhos, com idades entre 13 a 17, respondeu a 24 perguntas sobre questões relativas ao sexo e sexualidade, incluindo a forma como as mulheres engravidam mudanças, o corpo que ocorrem durante a puberdade, como usar preservativos e controle de natalidade, assim como as questões em torno da homossexualidade.
(Veja as 10 principais ídolos teen.)
Os pesquisadores perguntaram aos pais e seus filhos, em separado, quando eles tinham discutido pela primeira vez a cada tema, e compararam essas informações para auto adolescentes de relatórios sobre seu envolvimento em três categorias específicas de comportamento sexual - de mãos dadas ou beijar, tocar ou sexo oral genital ; sexual e. As famílias foram entrevistados quatro vezes, uma no início do estudo, em seguida, novamente em três, seis e 12 meses.
Ao final do estudo, mais da metade dos pais relataram que não havia discutido 14 do sexo 24 tópicos relacionados a seu tempo os adolescentes tinham começado tocando genitais ou sexo oral com parceiros. Quarenta e dois por cento das meninas relataram que não havia discutido a eficácia do controle de natalidade e 40% admitiram que não tinha falado com os pais sobre como recusar o sexo antes de se envolver no toque genital. Quase 70% dos meninos disseram que não havia discutido como usar um preservativo ou o nascimento de outros métodos de controle com os pais antes de ter relações sexuais. No entanto, apenas metade dos pais dos meninos, ao contrário, disseram que não havia discutido o uso do preservativo ou de controle de natalidade com seus filhos.
(Veja fotos da evolução do dormitório da faculdade.)
Essa diferença evidencia um problema principal no diálogo entre pais e filhos sobre sexo."Muitos pais pensam que eles tiveram uma conversa, e as crianças não se lembra em tudo", diz a Dra. Karen Soren, diretor da medicina do adolescente de Nova York Presbyterian Morgan Stanley Children's Hospital. "Os pais às vezes dizem coisas mais vagamente, porque eles se sentem e pensam que já abordados alguma coisa, mas as crianças não ouvem o tema em tudo."
É incrivelmente difícil de abordar o tema do sexo, admite Soren, que tem três filhos dela própria. "Seus filhos olham para você como você é louco, e você sente como você deseja executar", diz ela. "Mas é importante porque nós sabemos que boa mãe-criança dá às crianças uma melhor resiliência mais tarde na vida."
Como mostra o estudo mais recente, fala dos pais sobre sexo e sexualidade precisam ocorrer muito mais cedo do que eles fazem, mas isso não significa necessariamente que os pais têm apenas uma chance de acertar. Para facilitar as coisas, e tomar alguma da pressão fora da situação, dizem os especialistas, os pais devem pensar fala o sexo como um diálogo permanente, em vez de uma discussão incômoda que eles devem cruzar fora de sua lista. E eles devem ter em mente que eles provavelmente já internalizou o mesmo desconforto e evitar que seus próprios pais exibido em falar sobre sexo - mas fala de sexo não precisa ser tão preocupante. Especialistas dizem também que os pais devem discutir certos assuntos com seus filhos em idade momentos adequados, e que o debate deve evoluir como filhos maduros."A 12-year-old vai olhar para o sexo de forma muito diferente do que um 15 - ou um 18-year-old", disse Soren. "Para as crianças entre 10 e 13, a idéia do sexo agrega-los. Então, você provavelmente não vai dizer a um 13-year-old necessariamente tudo sobre os diferentes métodos de controle de natalidade".
Em vez disso, as conversações devem se concentrar no que a criança é capaz de absorver, e que a criança pergunta sobre. Os pais também devem aproveitar cada desculpa para abordar o assunto difícil - uma menção a sexo ou sexualidade em um programa de TV, uma gravidez na família, as aulas de educação sexual na escola ou uma visita ao médico na época da puberdade. "Se você acabar com a dificuldade de partida, em seguida, uma vez que a conversa começa indo, você encontrará muitas vezes é mais fácil do que o esperado", diz Schuster."Portanto, use qualquer desculpa que quiser, mas apenas superar o obstáculo inicial e começar a conversar com seus filhos, porque é realmente importante."

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