Hsiang-Chin Wang, I had no camera with me... :-( Please, accept this as a little tribute to the so nice performance you all had in Horta (Faial, Portugal), in Feast of Semana do Mar, the 8th august 2013. Thank you very much!
sábado, agosto 10, 2013
Belo momento de Danças Tradicionais na Horta!
Hsiang-Chin Wang, I had no camera with me... :-( Please, accept this as a little tribute to the so nice performance you all had in Horta (Faial, Portugal), in Feast of Semana do Mar, the 8th august 2013. Thank you very much!
terça-feira, abril 03, 2012
"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar." lê-se na Casa Manuel de Arriaga, na Horta
Hoje, quando procurava absorver tudo o que a espantosa exposição que a Casa Manuel de Arriaga, na Horta, tem para mostrar aos seus visitantes, reencontrei, entre as coisas que a exposição revela, duas dessas tiradas, que guardei como testemunham as fotografias que aqui junto.
A primeira é, hoje em dia, como que um dos arquétipos que formam a identidade, a individualidade e a idiossincrasia dos portugueses enquanto povo. É um quase-arquétipo quer quer fazer-nos crer que estas coisas têm a ver com os genes, certamente, mas também com o chão que pisamos e que nos alimenta; e também com o Sol que nos ilumina e aquece; finalmente, tem ainda a ver com com os horizontes geográficos - dum lado, a secura de Castela e, do outro, a lonjura do mar.
"Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar." afirmou (terá afirmado) Júlio César.
Se o tema dos arquétipos me atraiu por formação académica, a segunda afirmação atraiu-me a atenção pela minha própria identificação ao nome do seu autor e à escola a que me dedico na minha profissão de todos os dias: a escola Eça de Queirós. Diz ele na citação que alguém quis destacar na projeção de slides que, num dos cantos da Casa-Museu, homenageia e consagra Manuel de Arriaga:
"Que fazer? Que esperar? Portugal tem atravessado crises igualmente más: - mas nelas nunca nos faltaram nem homens de valor e carácter, nem dinheiro ou crédito. Hoje crédito não temos, dinheiro também não - pelo menos o Estado não tem: - e homens não os há, ou os raros que há são postos na sombra pela política. De sorte que esta crise me parece a pior - e sem cura."
quinta-feira, abril 01, 2010
A Páscoa, a partir da Horta, na ilha do Faial
Nós somos sete irmãs.Cinco justas e uma santa,E a outra é tão pequenina,Porque o riso a ataranta.
sábado, março 06, 2010
Parabéns, João Henrique!
domingo, janeiro 31, 2010
Os vizinhos dos colegas da Mariana
- Vou agora à Praia do Norte, vou lá comprar uma massa sovada.
- Posso ir contigo?, tio, perguntou-me a Mariana.
Para a minha sobrinha, na ilha do Faial, nos Açores, ir da Horta à Praia do Norte é como ir da cidade para o campo, numa perspectiva que nunca antes eu tivera da ilha, não obstante as minhas tantas visitas lá, de há quase vinte anos para cá.
Fomos da Horta ao Capelo, pelo lado sul da ilha. Na Feteira perguntou-me se depois voltávamos pelo outro lado. Percebi que lhe apetecia dar a volta à ilha, ia muito pensativa sobre a geografia da ilha e sobre a vida que se leva fora da sua cidade.
Acabou por reconhecer que há muito tempo não se deslocava para aquela zona, que não saía para fora da cidade; e reconheceu que entrava num mundo outro, diferente do dela, um mundo que muitos dos seus colegas de escola falavam e que ela desconhecia e, se calhar pela convivência com eles, agora queria entender melhor.
Fez-me lembrar os meus tempos de escola, e os meus colegas dessa altura, que vinham das aldeias ali à volta de Abrantes, e chegavam a andar sete e mais quilómetros a pé todos os dias para virem para as aulas.
- Ó tio, agora é que eu estou a ver bem o que é eles irem todos os dias para a escola assim de tão longe!... Mesmo que vão de transportes é muito tempo.
Lembrei-me do Luís, que no ano passado connosco subiu o Pico, que, em São Jorge, para uma distância de cerca de 20 quilómetros, faz, todos os dias, mais de uma hora para cá e outro tanto para lá na carreira, entre a sua casa e a sua escola. E lembrei-
-me dos meus velhos – que saudades me sobrevêm, meu Deus!... – colegas, que saíam de casa, a caminho da escola, pelo menos hora e meia antes de eu sair da minha… todos, todos os dias, enquanto as aulas duravam.
E pus-me a pensar se a vontade que ela tem mostrado nestes dias de ir a pé para a escola teria alguma coisa a ver com isto tudo ou não. Ir a pé para a escola é bom, se o fizer com colegas, ainda melhor.
Nas suas ruminações geográficas, procurando tirar o melhor partido desta viagem para esclarecer coisas que aos poucos lhe povoaram a cabeça de interrogações e reflexões mais ou menos indefinidas e sedentas de esclarecimento, pediu-me que a ajudasse a localizar a Feteira de Cima e a Feteira de Baixo. A Dalila, a empregada lá de casa, falava-lhe da de Cima e tinha colegas que lhe falavam da de Baixo.
Foi nesta altura que eu claramente tomei consciência do meu papel, e que percebi que aquela conversa da Mariana era mesmo importante para ela. Na verdade, foi nesta altura que eu percebi que talvez não estivesse à altura do papel que ela me atribuía: a do tio que sabia porque era mais velho e porque era tio; que conhecera o Faial ainda antes dela mesmo; o tio que um dia foi o sábio que falou ao irmão, o João, sobre o mar dos Açores.
Afinal, aquela ilha, mesmo que muito pequenina na minha representação mental, não era para a minha sobrinha açoriana aquilo que eu pensava que era; nem era para mim aquilo que a Mariana pensava que fosse… Por exemplo, não me passava sequer pela cabeça que houvesse ali uma Feteira de Cima e outra de Baixo!...
E consciencializei que estava perante uma situação engraçada, desafiadora, em que um desconhecimento se dispunha alia à minha frente, pronto para ser conhecido se ao encontro dele avançasse. E assim decidi fazer.
Onde me faltava experiência sensorial, física, de passos calcorreados por aqueles lugares, a trazer para dentro da pele a realidade daqueles lugares e daquelas pessoas, tornando-os parte de mim; dizia eu, onde me faltavam essas coisas, pus eu o poder da análise dos meus esquemas mentais, adquiridos noutros lugares e com outras pessoas, ao longo de muitos anos.
O que resultou em cheio!... Acabámos por concordar, na volta a casa, com as massas sovadas descansando no banco de trás do carro, que a estrada dividiria a povoação para cima e para baixo e a Mariana, apontando agora já com esclarecimento e segurança com a ponta do dedo, localizou a Feteira de Cima e a de Baixo, a da Dalila e a dos colegas de escola.
Esta pequena viagem era mesmo uma necessidade para a menina da cidade. A incursão nos territórios de vida dos colegas e da experiência social de muitos deles trouxe-lhe à mente e aos sentimentos um novelo bem enrodilhado de interrogações e fantasias.
A Mariana ouvia-os lá na escola e hipnotizava-se com o que diziam. Tentava chegar a pôr-se na pele deles para entender – sentir mesmo! – o que eles diziam mas era muito difícil.
- Tio, eles falam dos vizinhos deles… Eu já pensei por mim, eu não sei o que são vizinhos, eu não sei os nomes de quem mora ao pé de mim, nem sei quem são… e acho que era engraçado ter vizinhos…
Na verdade, a minha sobrinha mostrava uma vaga tristeza por não poder fruir a experiência social e afectiva que ela adivinhava nas conversas, nos risos e nos entusiasmos dos seus colegas do campo. Eles falam de tanta coisa, conhecem os nomes das pessoas que moram ao pé deles, vão para o café ou para a associação e conhecem os nomes dos velhotes que lá estão e falam com eles todos. “E eu não conheço ninguém… não posso falar de ninguém…”
Eles têm de tratar dos animais e das coisas lá do campo, falam do que plantam e do que apanham. “E ainda têm que estudar…”
Não sei se na cabeça da minha sobrinha a vida dos seus colegas tinha tomado proporções hercúleas: iam de longe para a escola, o que lhes tomava, todos os dias, muito tempo; tinham de tratar das coisas dos animais e das tarefas agrícolas dos seus pequenos pedaços de terreno; juntavam-se aos vizinhos e falavam com eles; e tinham ainda de estudar as coisas da escola. E nem ao domingo os animais e outros trabalhos davam descanso!... E ela não sabia fazer nada, nem com o leite das vacas, nem com couves que se apanham…
Não sei se ela chegaria a invejar os seus colegas por isso, mas seguramente que ela se deixava fascinar pela “sabedoria” e pelo prazer com que os ouvia a falar uns com os outros, solidários numa experiência de vida, que lhes alimentava o desenvolvimento pessoal com um húmus que a Mariana não tem dúvidas nenhumas que é muito importante na formação das pessoas.
Lembrei-me do extraordinário documentário sobre Konrad Lorenz, em que ele diz, a certa altura, “Onde as rãs sobrevivem, as crianças medram”.
Tenho dito repetidamente que me reconheço como psicólogo praticamente desde os meus dez anos de idade. E a Mariana agora estava a ser também sabiamente empática dos outros e da importância das experiências sociais precoces no desenvolvimento das pessoas. Penso mesmo que se lhe desse uma ou outra dica para isso, ela consciencializaria em palavras certas e ajustadas o paradoxo que é, provavelmente, viver na rua principal em comércio e serviços da cidade da Horta, com a densidade populacional no máximo, e isso nada lhe valer do ponto de vista das relações de vizinhança. Pelo contrário, precisamente ao contrário dos seus amigos de escolas provenientes de regiões com muito menos habitantes por unidade de espaço geográfico.
A minha sobrinha é seguramente uma “campeã” de telemóveis, usa-os, estraga-os, descontenta-se com eles quase à velocidade da luz. Tem já na Internet uma experiência de redes sociais no Hi5 e no Messenger de grande dimensão, que domina com elevada perícia. Tantos contactos!... tantas mensagens!... tantas fotografias!...
Tanta comunicação… virtual… mas nenhuma destas coisas lhe traz a experiência, pela voz, no olhar, no toque, no cheiro, nos jogos, nas brincadeiras, nas tarefas, nas conversas, da presença dos vizinhos. Que tipo de húmus é este, o das crescentes e consolidadas urbanizações?...
Horta, 24 de Janeiro de 2010.
sexta-feira, dezembro 25, 2009
2009, o meu conto de Natal
25 de Dezembro. Vêm duas senhoras ao quarto para lavar a minha mãe e arranjarem-lhe a cama. Aproveito para ir tomar um café. Talvez o bar da entrada do hospital esteja aberto. Mas é Natal… talvez não esteja…Sim, estava aberto. O lugar que parecia naturalmente destinado a mim era ali, naquele espaço de balcão entre dois sujeitos, qualquer um deles mais alto do que eu. O da minha esquerda, nitidamente mais velho. O da minha direita, nitidamente mais novo. Ambos vestiam aparentando ser pessoas “remediadas”, como ainda há bem pouco se costumava dizer.
O homem mais novo, o da minha direita, queria pão, perguntou à senhora do lado de lá do balcão se tinha pão. Sim, tinha, mas não era de hoje. O senhor hesitou, se não era de hoje… Parecia que vinha buscar pão para o almoço do dia de Natal, para a mulher e os filhos, queria uns sete ou dez, mas assim, de ontem…
O homem mais velho, à minha esquerda, disse que o pão de véspera era pão bom. O outro concordou, sim, o pão do dia anterior às vezes até sabia melhor que o do dia. Parecia que queria matar dois coelhos de uma só cajadada: ser simpático para com o outro senhor e convencer-se a si próprio de que o pão da véspera era bom.
Sim, ia levar o pão. Se a senhora tivesse, olhe, ele até levava doze. Ai tinha?... Então eram mesmo doze.
Enquanto a senhora foi lá dentro ensacar o pão e eu bebia o meu café, o sujeito da minha esquerda, como que para ocupar o vazio de silêncio que parecia querer cair ali no meio de nós os três, lembrou que no tempo dele – e eu imaginei-o nesta altura a pensar nos seus netos – o pão era de mais dias, era mesmo de muitos mais dias, até o pão com bolor se comia todo.
Aquecia-se água, deixava-se ferver um pouco o pão nessa água e o bolor “ia-se todo naquela água”. Depois arrefecia e comia-se. Por isso achava engraçado que hoje em dia as pessoas achassem que o pão da véspera já não prestava.
O sujeito à minha direita quedou-se a pensar. E eu quedei-me a vê-lo pensar. Voltei-me para o “meu avô” e ele agora olhava para lá da parede em frente dele, perdido no longínquo mar das memórias... Até que desabafou: “Dizem que é ó tempo volta p’ra trás, não é?... Ainda bem que não…”
O “meu pai” pegou no saco com as doze carcaças, perguntou quanto devia e pagou.
Eu tinha decidido demorar o meu café para não perder bocadinho que fosse daquele diálogo. Pela minha visão periférica, apercebia-me dos movimentos de cabeça de um e de outro, ora a olharem-se um ao outro, ora a olharem em frente, só com a parede do fundo à frente deles.
Mas agora que o sujeito do pão se ia embora olhei-o directamente. Por cima do meu olhar, sem que do meu olhar se apercebesse, ele olhou o “avô” seu interlocutor, fez-lhe um aceno e desejou-lhe boas-festas. O outro esboçou vagamente um sorriso e voltou a envolver-se com as suas memórias, as memórias do que foram duros natais, natais de tantos dias, dos tais tantos dias do ano que, assim, com o pão bolorento, nos demonstram que, afinal, o natal não é sempre que um homem quiser.
Atrás de mim, a minha mãe agora dorme. Já há algum tempo, no ecrã que mostra a informação que os fios que caem sobre ela recolhem, os números que se actualizam constantemente mantêm-se na cor verde e não apitam mais no amarelo, nem no vermelho. As apitadelas dos números vermelhos punham enfermeiros e enfermeiras a entrarem no quarto correndo. Os gráficos sinusoidais são menos claros para mim, mas parecem-me agora, sem dúvida, mais harmoniosos entre si.
Não sei se alguma vez ela comeu pão com bolor fervido, ainda um dia lho perguntarei. Mas lembro-me, por exemplo, das histórias da sardinha - uma só - repartida com um dos irmãos. E outras histórias.
Como escreve David Mourão-Ferreira, um dia haverá um primeiro Natal que será feito para sempre sem ela.
Consola-me a inquebrantável certeza que, se a lei natural da saúde e das gerações o permitir, até que esse venha, nenhum ela passará sem a presença aconchegadora de um dos filhos. Se calhar, colhe o que semeou. O que pôde semear.
Fernando Pinto, Horta (Faial) 25 de Dezembro de 2009
quinta-feira, dezembro 24, 2009
Cadeia de poemas de Natal - 10, para o Alentejo do Zé Geadas
Obrigado, Zé, pelos teus votos.
Aqui te deixo, como se de um abraço grande se tratasse, para ti, teus pais, mano e avós, um poema de Natal, que colhi ontem na linda Biblioteca Municipal da Horta, para onde corri a proteger-me da valente chuva.
Diz que o Natal é de todos, em todo o lado. É em Dezembro, mas pode ser em todo o ano. O que é verdade.
domingo, agosto 10, 2008
Só Fórró... Que momento tão agradável!
Vou direito ao assunto de agora. A seguir a ter gravado em filme imagens fantásticas de botes baleeiros a competirem (saudavelmente) entre si no Canal de Vitorino Nemésio e de tantas gerações de açorianos, a caminho de casa cruzei-me com um pequeno grupo de homens que tocava e cantava, parados à frente de um dos restaurantes de rua montados na avenida marginal da cidade, propositadamente para as festividades da semana, e assim animava e fazia sorrir quem à sua volta estava.
Meus queridos alunos (os que foram e os que serão), no pequeno acontecimento que vão ver a seguir, há alegria, há inteligência, há prazer no convívio social, há espontaneidade; e o seu contrário, a ritualização. São a espontaneidade e a ritualização que estão na base da (re)criação da cultura que consolida os laços e os afectos entre os membros das comunidades humanas.
As imprecisões do documento resultam do momento ter sido inesperado, não poder ser interrompido e repetido em replay; resultam também do fundo musical que vinha de um pouco mais longe daquele local, em que uma banda musical jovem, mais "pesada", estava a ensaiar e a experimentar as colunas de som potentíssimas para a sua actuação à noite; e resultam também da inabilidade técnica do autor das imagens.
Obrigado ao grupo Só Fórró, que todos poderão conhecer melhor clicando no título deste apontamento. Serão reencaminhados para o blogue do grupo.
Repito, muto obrigado ao grupo Só Fórró! Desejo-vos muitas felicidades no futuro!

