KENSHIN, 07SET26, SEGUNDA-FEIRA. QUANTAS VEZES ALMOÇAS EM CADA SEMANA?
A resposta que dei foi imediata: «Sete.» e fiquei à espera de ver o que ele ia fazer com ela. Não demorei muito tempo a perceber o que a lição de hoje tinha a ver com a de ontem.
— Muito bem, é isso mesmo. Ora bem, imagina que estás a tentar aproveitar o melhor possível o tempo que tens em cada dia, sem desperdiçar uma gota de energia. Repara, o tempo que tens de almoço quase todos os dias é curto, não chega a uma hora. Se quisesses ser radical e evitar o trabalho de levar comida para a escola ou comer à pressa, podias tentar uma ideia louca: tomar os 7 almoços todos no mesmo dia, uns a seguir aos outros, para ficares com o resto da semana livre para descansar e entreteres-te com a malta lá da escola.
— Pá, quem me dera! Mas isso é absurdo, não é? O corpo estourava.
— Exatamente, é absurdo. O nosso organismo não funciona por armazenamento bruto. Precisas do alimento diário para manter o equilíbrio.
— Já estou a ver onde queres chegar com o estudo... mas continua, Mestre, prefiro ouvir-te.
— Com a mente é exatamente igual. É o princípio do Kaizen, o pequeno passo diário. É infinitamente melhor nutrires o cérebro aos poucos, com constância, do que tentares encharcá-lo todo duma só vez num único dia. Para um teste de emergência amanhã? Sim, uma imersão de 4 ou 5 horas pode-te salvar a pele. Mas para criar conhecimento verdadeiro — daqueles que ficam gravados como a técnica de um guerreiro —, a estratégia do "pouco a pouco, mas sem falhar" é imbatível.
Estava a gostar de ouvir o mestre. Esforcei-me para que ele percebesse que eu queria que ele continuasse a falar.
— Deixa-me fazer-te as contas: se estudares 40 minutos por dia, de segunda a sexta, com foco absoluto — estilo Zanshin, presença total —, os teus resultados a longo prazo vão ser muito superiores a passar 5 horas seguidas a moer o juízo no domingo. Faz lá a conta: 40 minutos vezes cinco dá 200 minutos. Pouco mais de três horas e meia por semana! Cinco horas seguidas são 300 minutos. Ou seja: podes render muito mais estudando menos tempo. A questão não é a quantidade de esforço bruto, é a precisão do golpe. O que me dizes, faz sentido para ti treinar esta rotina de estudares menos, mas estudares melhor?
— Faz todo o sentido. É bem tentador experimentar... afinal, o que é que tenho a perder?
— Boa. Como no Dojo, primeiro testamos a técnica, vemos como te adaptas e depois fazemos os reajustes necessários. Vamos a isso?
— Estás a dizer-me que, em vez de saltar muros no fim do prazo, a partir de agora entro pela porta principal?
— Sim senhor, perfeitamente! Podes dizer isso mesmo, meu caro deshi.

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