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terça-feira, setembro 23, 2025

#TOLERÂNCIA268 - AI, QUEM ME DERA O FIO DE ARIADNE!

 #TOLERÂNCIA268 - AI, QUEM ME DERA O FIO DE ARIADNE!

A partir de hoje, bastam-me números de dois dígitos para falar das etapas que me faltam até ao lugar de chegada da viagem.

Não preciso dum fio de Ariadne para os passos que faltam, já que não vou voltar para trás, mas às vezes sinto-me na iminência de perder o norte das ideias e nessas alturas tenho vontade de ter o fio comigo e ir desenrolando-o. Hoje é um desses dias: o Minotauro é a cada vez mais agressiva e, a um tempo, descarada e sofisticada guerra de informação dos poderosos da Política, do Dinheiro e da Guerra; os 7 rapazes e 7 raparigas dos sacrifícios são todos os jovens estudantes das escolas; o Teseu são os professores — portanto, eu também —; a Ariadne é a lucidez do Pensamento Crítico que por vezes me sinto prestes a perder de vista.

O Fio de Ariadne de que eu aqui falo é, no fundo, o simbólico fio condutor da liberdade, da iniciativa e da acção, aquele ponto que é lugar, que é momento e que é decisão de tolerar ou não tolerar — sem perder o norte, sem perder a orientação do caminho.

Na série documental que conta o salvamento dos rapazes e do seu treinador na gruta tailandesa, foi tecido um fio de Ariadne para orientar o salvamento de todo o grupo, um a um. No último salvamento, o da criança mais pequena, a trama atinge o paroxismo num momento em que o médico-nadador larga o fio e durante alguns segundos nós, os espectadores, observamos com angústia os gestos em que ele desesperadamente procura agarrá-lo outra vez. (Bem, será mais razoável pensar que ele não terá procurado recuperar o fio com desespero, mas com um autocontrolo bem dominado. O desespero está certamente bem mais no sentir do espectador, que se sente bastante desamparado) O momento era absolutamente crítico, tudo se alinhava cada mais contra o objectivo de salvar também aquela criança. Finalmente o dr. Richard Harris consegue recuperar o fio. Que alívio para todos!

Que tarefa hercúlea as guerras de informação, a contra-informação e a desinformação hoje em dia

exigem aos professores! O que podem os professores fazer? Na minha opinião, têm de se multiplicar nas escolas os grupos de discussão nas escolas: discutir conteúdos de aprendizagem, discutir estratégias pedagógicas, discutir consistência da informação científica, discutir ideologias. Tudo com muita tolerância, ouvindo mais do que falando; e sem exigir a necessidade de consensos.

Não, na Educação ninguém vai lá sozinho, e quem decide acerca do trabalho dos professores e acerca da cultura e dos ambientes de aprendizagem nas escolas tem de ter a coragem e a determinação governativa para fazer empenhar as equipas de professores neste importantíssimo trabalho de reflexão crítica acerca da informação e dos conteúdos de aprendizagem.

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segunda-feira, maio 26, 2025

#TOLERÂNCIA148 - INTOLERÂNCIA À INFORMAÇÃO

 #TOLERÂNCIA148 - INTOLERÂNCIA À INFORMAÇÃO

Certamente a pressão de trabalho acrescido que é própria do final do ano escolar contribui para o sentimento que se foi instalando devagarinho e que parece ter vindo para ficar: é o sentimento da intolerância à informação; ou, como muito modernamente se diz, à pouca informação e à muita desinformação.

Para um professor, a actual condição de acesso à informação e às maneiras como ela é produzida é um desafio a uma das dimensões mais importantes do seu magistério: a de filtro ou de pára-raios entre, por um lado, os alunos e, por outro lado, o conhecimento consolidado, as hipóteses em estudo, a informação disponível e, cada vez mais, a agressiva desinformação (vestida das mais diversas formas, a mais

disponível, fácil, rápida, impessoal e não-certificada, é a que vem agora pelos omnipresentes telemóveis pessoais. Não só nos custa cada vez mais deixá-los, como, assim que a gente os liga, logo algum sinal de chegada de informação nos prende a eles).

Se o tempo dedicado a receber a informação — estou, naturalmente, a falar de quem sente necessidade de estar a par dos desenvolvimentos na sua área de especialidade científica, profissional — já só por si é muito, cada vez mais tem-se necessidade de comprovar a veracidade da informação, cujas trapaças são cada vez mais sofisticadas. O ritmo a que os produtores de informação e desinformação chegaram está também em nível impossível de digerir. Além disso, já o tenho dito, estou a ficar profundamente preocupado com a sofisticação que a criação de imagens e filmes está a atingir, facilmente enganando até o mais céptico dos cépticos e desconfiados.

Um dos meus próximos desafios, a que me entregarei assim que acabem as aulas, é o da dieta informativa. Não vai ser fácil, tenho a certeza. Craig Wright, no livro "Os Traços Escondidos dos Génios", a páginas tantas, interroga-se acerca do que é mais importante no criação dum génio: se a inteligência, se a curiosidade. Pessoalmente, não me preocupo com a minha inteligência, estou muito contente com a que penso que tenho. O problema é que me tomo por insaciavelmente curioso, por isso vai ser muito difícil decidir acerca do que devo pôr de lado, do que devo aceitar parar de procurar.

Mas só tenho estado a falar do futuro, e ainda não falei de dietas. Nem vou falar.

Como quis dizer logo no primeiro parágrafo, agora o que me começa a avassalar é o sentimento de intolerância: há temas que já me custa muito ouvir, há programas, jornalísticos ou outros, que já me custa tanto ver e ouvir que eles vão passando no écran da televisão com o som desligado; e há pessoas que já me custa muito, muito, muito, ouvir.

Acho que, olhando-me bem, estou mesmo a entrar em regime de serviços mínimos no que à informação diz respeito. Atenção! Estou a entrar em regime de serviços mínimos com a informação, não em regime de serviços mínimos de comunicação com as pessoas. Por exemplo, pudesse eu dar aulas sem estar, assim como os alunos, preocupado com as avaliações formais!

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