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segunda-feira, dezembro 22, 2025

#TOLERÂNCIA358 - TOLERÂNCIA E NATAL

 #TOLERÂNCIA358 - TOLERÂNCIA E NATAL

Hoje aproveitei — inesperadamente, tive uma folga de tempo — para, digamos, brincar um pouco: cheguei-me aos 'chatbots' e perguntei-lhes o que encontravam eles por aí que relacionasse Tolerância com Natal.

Perguntei ao Gemini, ao AskGPT, ao ChatGPT, ao Perplexity.AI e ao DeepSeek. Por esta ordem. Os que, aparentemente, menos se esforçaram foram o AskGPT e o ChatGPT, pelo menos tendo em conta o tamanho do texto e também, é verdade, o conteúdo. O DeepSeek foi o que mais escreveu, a seguir foi o Perplexity.Ai. A melhor resposta, a que mais me agradou, a que mais nos faz pensar, foi a do Gemini. Vou escrevê-la a seguir, integralmente. O pedido era este: "Quero saber se agora na época de Natal, no mundo inteiro, há mais notícias a falarem da tolerância do que no resto do ano. Responde em português de Portugal."

«A resposta curta é: provavelmente não. Na verdade, se analisarmos as notícias em Portugal, a palavra "tolerância" aparece muito mais nesta época, mas não com o sentido moral que estás à espera.

»Aqui está o que realmente acontece nas notícias durante o Natal, distinguindo a realidade dos factos da nossa percepção emocional:

  1. O "Falso Positivo" Português: "Tolerância de Ponto"
    Em Portugal, há um pico enorme de notícias com a palavra "tolerância" em Dezembro, mas refere-se quase exclusivamente à "tolerância de ponto" (a dispensa de trabalho para a função pública).

»Se pesquisares agora por "tolerância" nos jornais portugueses, a vasta maioria dos resultados será sobre os despachos do Governo para os dias 24, 26 ou 31 de dezembro, e não sobre aceitação ou respeito pelo próximo.

  1. A Palavra Real [no sentido de acção concreta], do Natal é "Solidariedade" (não Tolerância)
    Os 'media' e os discursos oficiais (do Papa, do Presidente da República, etc.) mudam de facto o tom, mas a palavra-chave não costuma ser "tolerância". As palavras que estatisticamente
    dominam a época são:

»Solidariedade: Campanhas de recolha de alimentos, apoio aos sem-abrigo e donativos.
Paz/Reconciliação: Especialmente em mensagens religiosas (como a 'Urbi et Orbi' do Papa) ou sobre conflitos internacionais (Gaza, Ucrânia).
Consumo/Preços: Este ano, em particular, muitas notícias focam-se na inflação, no preço do bacalhau e nas compras.

  1. Quando é que se fala mais de Tolerância?
    Curiosamente, é provável que haja mais notícias sobre "tolerância" (no sentido moral) em novembro do que no Natal.

»Isto acontece porque o Dia Internacional da Tolerância celebra-se a 16 de Novembro. Nessa data, há uma concentração real de artigos, 'workshops' e discursos focados especificamente nesse tema, algo que no Natal se dilui em mensagens mais genéricas de "amor ao próximo".

»Resumo da Análise
Embora tenhamos a sensação de que o mundo fica mais "tolerante" no Natal, as notícias não reflectem necessariamente isso. O jornalismo tende a focar-se no caos das viagens, no consumo e, no caso português, na burocracia das folgas. A "tolerância" é um tema de fundo, mas raramente é a manchete principal.»

Gostei do que li. Alarga-nos o pensamento sobre as coisas, não é?

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quarta-feira, novembro 12, 2025

#TOLERÂNCIA318 - A BIOÉTICA DA PAZ

 #TOLERÂNCIA318 - A BIOÉTICA DA PAZ

Ontem fizemos uma breve visita à estação da tolerância do sofrimento humano. Hoje, como que em jeito de acrescentar alguma coisa mais ao assunto, e olhando o futuro, focamo-nos numa coisa que faz parte de algumas das muito modernas tentativas de aliviar o sofrimento humano.

No número que saiu hoje da revista "As Artes e as Letras", na página da Ciência, a 23, é publicada uma entrevista que tem por título "A reflexão bioética é essencial".

Lê-se assim na primeira parte da entrevista:

«Liubliana, capital da Eslovénia, recebe de 24 a 26 de Novembro próximo a 17.ª Conferência Mundial de Bioética. Co-presidida pelo Professor Doutor Rui Nunes, que também preside à respectiva cátedra por
si criada na Faculdade de Medicina do Porto, esta Conferência reúne durante 3 dias especialistas do mundo inteiro, desde a Austrália à Índia, com forte representação portuguesa, francesa, alemã, brasileira e eslovena. Também a Argentina, a Bélgica, Itália, Paquistão, Croácia, Malásia, Israel, Bósnia/Herzgovina e Países Baixos estarão presentes.

Pergunta: »Confirmada que está a importância do tema “Bioética”, sobretudo em contexto internacional de várias guerras e de tantas violações aos direitos humanos, o que espera desta Conferência?

Resposta: »A 17th World Conference in Bioethics, Medical Ethics & Health Law é o maior evento

mundial de bioética e conta com participantes de mais de uma centena de países de todos os continentes. Ao pretender ser as “Nações Unidas da Bioética” a conferência tem diferentes eixos de actuação. Por um lado, a promoção do ensino da bioética, e dos seus valores, a nível transversal. Ou seja, em todos os países e culturas da humanidade. Naturalmente que este é o fórum indicado para a comunidade internacional se mobilizar em torno de valores essenciais, como os direitos humanos, a igualdade e a não discriminação, a sustentabilidade ambiental, ou os direitos das futuras gerações. Mas, por outro lado, este é também o espaço ideal para — com tolerância e respeito — promover a paz mundial e a harmonia entre os diferentes povos. Hoje, falar de bioética é falar de “bioética da paz”.»

Repare-se que o que, na opinião do Professor Rui Nunes, é a pedra de toque, que faz toda a diferença, é a «tolerância» e o «respeito».

Mais à frente, em resposta a outra pergunta, o Professor Rui Nunes diz assim: «a reflexão bioética é essencial para auxiliar a sociedade a tomar as melhores opções legislativas em áreas complexas, por vezes
mesmo disruptivas, como a interrupção de gravidez, a eutanásia, a transplantação de órgãos, as novas técnicas de reprodução assistida, tal como a gestação de substituição. Em todo o caso, o que importa é informar e esclarecer a sociedade para que cada cidadão tome decisões informadas e esclarecidas. E para que a medicina seja mais humanizada.»

Anoto: "Educação: da Tolerância e do respeito. Pedagogia: do informar e do esclarecer.

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terça-feira, agosto 05, 2025

#TOLERÂNCIA219 - AMOR E PAZ SÃO PALAVRAS IRMÃS DA TOLERÂNCIA

 #TOLERÂNCIA219 - AMOR E PAZ SÃO PALAVRAS IRMÃS DA TOLERÂNCIA

No dia em que o Papa Leão XIV iniciou o seu pontificado assinei a 'Newsletter Vatican News'. A ideia era tentar acompanhar tão completamente quanto possível o tempo de liderança religiosa dum Papa. Nunca o fiz, mas agora que o tempo da reforma está cada vez mais próximo, talvez tivesse um pouco mais de disponibilidade pessoal para acompanhar a dinâmica sociológica dum fenómeno cultural e humano em todas as suas etapas: surgimento, desenvolvimento, consolidação, consagração ou... decadência.

Bem, por cada vez que olho os títulos das notícias da 'newsletter', tenho 15 que não olho. Seja. Adiante.

Hoje olhei a newsletter. O título da primeira notícia "As armas nucleares ofendem a comum humanidade: Papa recorda Hiroshima e Nagasaki" prendeu-me a atenção e levou-me a lê-la na íntegra. Não me satisfez, não apresentava a mensagem do Papa Leão XIV. Fui então ao 'site' do Vaticano à procura dela. Lá a encontrei:

«Ao Reverendíssimo Alexis M. Shirahama
Bispo de Hiroxima

Dirijo cordiais saudações a todos reunidos para comemorar o octogésimo aniversário dos bombardeamentos atómicos de Hiroxima e Nagasáqui. De modo especial, manifesto os meus sentimentos de respeito e afeto pelos 'hibakusha' — sobreviventes cujos relatos de perda e sofrimento constituem um apelo urgente a que todos construamos um mundo mais seguro e promovamos um clima

de paz.

»Embora tenham passado muitas décadas, estas duas cidades permanecem como testemunhos vivos dos horrores profundos causados pelas armas nucleares. As suas ruas, escolas e lares ainda exibem cicatrizes — tanto visíveis como espirituais — daquele fatídico agosto de 1945. Neste contexto, apresso-me a reiterar as palavras tantas vezes proferidas pelo meu amado predecessor, o Papa Francisco: "A guerra é sempre uma derrota para a humanidade".

»Como escreveu o Dr. Takashi Nagai, sobrevivente de Nagasáqui:
"A pessoa do amor é a pessoa 'corajosa' que não empunha armas" (Heiwato, 1979). Na verdade, a paz autêntica exige a corajosa renúncia às armas — especialmente àquelas com poder para causar catástrofes indescritíveis. As armas nucleares ofendem a nossa humanidade partilhada e traem a dignidade da criação, cuja harmonia somos chamados a salvaguardar.

»Neste tempo de crescentes tensões e conflitos globais, Hiroxima e Nagasáqui erguem-se como "símbolos de memória" (cf. Francisco, Carta ao Reverendíssimo Alexis-Mitsuru Shirahama, Bispo de Hiroxima, 19 de maio de 2023), que nos exortam a rejeitar a ilusão de segurança baseada na destruição mútua assegurada. Em vez disso, devemos forjar uma ética global alicerçada na justiça, na fraternidade e no bem comum.

»É, pois, a minha oração que este solene aniversário sirva de apelo à comunidade internacional para renovar o seu compromisso com a paz duradoura para toda a família humana — "uma paz desarmada e desarmante" (Primeira Bênção Apostólica 'Urbi et Orbi', 8 de maio de 2025).

»Sobre todos os que assinalam esta data, invoco de bom grado abundantes bênçãos divinas.

Do Vaticano, 14 de julho de 2025
LEÃO PP. XIV»
(publicada hoje no 'site' do Vaticano)

O Papa Leão XIV não fala em Tolerância, mas fala em duas palavras que são irmãs dela: o Amor e a Paz. Amor (e Empatia), Paz (e Entendimento) são desejos ou ideais de Humanidade. O Diálogo e a Colaboração são as ferramentas da Acção Humana para a eles chegar.

Amanhã, se tiver oportunidade, vou ver o que dizem os outros líderes religiosos do Mundo acerca de tão trágicos dias para a Humanidade.

Que a Pedagogia e a Educação da Tolerância não esmoreçam nos seus esforços de fazer cada vez mais presente nas relações entre todos os Homens.

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quarta-feira, maio 28, 2025

#TOLERÂNCIA150 - A TOLERÂNCIA E A MÚSICA

 #TOLERÂNCIA150 - A TOLERÂNCIA E A MÚSICA

Folheei ao acaso, e por ser para mim uma novidade, a revista "As Artes entre as Letras", a edição n.º 387, precisamente com a data de hoje, e fiquei satisfeito por nela encontrar uma notícia que tem directamente com a viagem, sem rumo pré-definido, da Tolerância.

Num artigo assinado por Miguel Leite (divulgador musical) li assim:

Zubin Metha. O extraordinário Maestro, Chefe de Orquestra, prestes a completar 90 anos (1936) que, ao longo de toda sua vida pugnou pela Paz, de forma séria, empenhada e corajosamente, com a Orquestra Filarmónica de Israel, de que é Maestro Titular Vitalício onde, entre muitas outras coisas,
tem lutado desde há longos anos pela integração de músicos árabes israelitas na mesma.

Pela sua luta pela Paz, obteve em 1999 o Prémio de Paz e Tolerância pelo Conjunto da Obra, das Nações Unidas.

Durante a Guerra dos Seis Dias, em 1967, Zubin Metha foi para Jerusalém reger a Orquestra Filarmónica de Israel diante de uma plateia protegida por máscaras anti-gás.

Durante todas as crises e guerras em Israel, ele não hesitou em cancelar todos os seus outros compromissos nos mais diversos pontos do mundo (literalmente) e correr para estar junto com a sua Orquestra, encorajando-a com concertos especiais na linha da frente, na fronteira libanesa, e em muitas comemorações nacionais, como o concerto que fez em Massada, em Outubro de 1988, quando regeu a Sinfonia n.º 2 “Ressurreição” de Gustav Mahler (1860-1911).

Em 2013 foi com a Orquestra Nacional Bávara à região de crise de Caxemira, num apelo à reconciliação indo-paquistanesa. «Sempre que a Orquestra Filarmónica de Israel percorre o mundo, toca cada nota
em nome da paz. Não há outra razão para viajarmos tanto. Queremos espalhar a fraternidade. A paz depende dos políticos, mas nós, da orquestra, fazemos questão de semear a boa vontade», explicou o
Maestro em entrevista que deu no Brasil.

Zubin Metha é o símbolo vivo e maior da Paz na Música ou da Paz Pela Música. «Não podemos jamais subestimar o poder da música. Para mim, a música é amor.» — disse.

(Alguns elementos informativos relativos à carreira musical de Zubin Metha foram obtidos através da consulta de entrevistas jornalísticas concedidas pelo mesmo).

Eu não conhecia este prémio das Nações Unidas. Fiz uma busca rápida na Net, e o Gemini disse-me o seguinte:

O "Prémio de Paz e Tolerância" das Nações Unidas refere-se, de forma mais proeminente, ao "Prémio UNESCO-Madanjeet Singh para a Promoção da Tolerância e Não-Violência". Este prémio bienal, no valor de 100.000 dólares americanos, é administrado pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) e distingue actividades significativas nos campos científico, artístico, cultural e da comunicação que visam promover um espírito de tolerância e não-violência. Inaugurado em 1996, na sequência do Ano das Nações Unidas para a Tolerância (1995) e em conexão com o 125.º aniversário do nascimento de Mahatma Gandhi, o prémio reconhece realizações exemplares que servem de modelo para a construção da paz global. O seu propósito central é honrar e recompensar conquistas criativas extraordinárias na promoção da tolerância, sublinhando o papel fundamental destes valores para a coexistência pacífica e a solidariedade humana.

Guardo um apontamento no meu bloco-notas. Quero aqui voltar.

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