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domingo, abril 30, 2017

OS PROFESSORES SÃO OS BOMBOS DA FESTA

Bombos da festa, ou maus da fita?
  • A festa é a Educação do Futuro, ou do Século XXI, ou outra qualquer, Rumo a Qualquer Coisa...
  • Nunca houve tanta gente preocupada e gente ocupada (os "especialistas") a produzir textos, materiais gráficos, vídeos - todos postos gratuitamente nas nossas mãos, de todas as formas e feitios! - e disponibilizar essa parafernália toda aos professores. A UNESCO é uma dessas honradas, competentes e bem-intencionadas instituições; mais: oficial e mundial!
  • Um exemplo de sugerida Pedagogia para a Aprendizagem (infelizmente e dramaticamente - estou a falar a sério!) muito necessária, a bem do Ambiente, e a bem do Futuro:

Estão vendo?, é fácil!, está tudo aqui, nem há que pensar mais, é só fazer... Nem o inglês é limitação, o que não falta por aí é uma bem numerosa colecção de tradutores automáticos. Ah, pois! Há também os colegas, os professores de Inglês, eles, quem sabe?, poderão dar uma ajudinha.
Bem a sério: qual é o pecado original desta sugestão gráfica? Vá, vamos pensar um bocadinho...
  • Uma pista para quem aceitar seguir a minha sugestão: é esta notícia que Ken Robinson "tuïtou" há 2 dias, "Primary school head and deputy quit over 'bland and joyless' curriculum" (em inglês, outra vez?...). (1)
    No fundo, o que dizem estes professores directores da sua escola: que estão fartos de directivas oficiais, de disposições legislativas, de planificação e normalização; de currículos essenciais, que façam a gestão economicista dos recursos escolares (humanos incluídos) - e, lá vem o poderoso aceno-papão!, preparem as crianças e os jovens para o Futuro!
  • Que fez, então, o casal de professores? Escreveram aos pais dizendo-lhes: "Assim não dá. Assim não é educar os vossos filhos..."
  • É mesmo, é simplesmente isto que se insiste em pedir aos professores - a bem da sacrossanta economia de mercado, da necessidade de produzir força de trabalho bem distribuída de acordo com antevisões e projecções bem excelianas - que façam tudo sem terem liberdade para nada.
  • Sejam criativos!, Honrem a nobre missão social de que estão investidos!, Levem às crianças que as sociedades vos confiam à Expansão Pessoal da Criatividade, da Alegria, da Realização Pessoal, da Solidariedade!, da Amizade!, do Amor pelo Ambiente! E, pois claro, que sejam Empresários de Sucesso!
Sim... é só mesmo isto que se pede hoje aos professores... Só isto.


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(1) A tradução automática do Twitter escreve-nos assim: "Cabeça de escola primária e vice para no currículo 'sem graça, sem alegria'

quarta-feira, outubro 05, 2011

Dia Internacional do Professor, 2011

Na edição desta ano do Dia Internacional do Professor, proponho a leitura dos seguintes textos:

O primeiro é de um jovem do Canadá, de 15 anos de idade, lido no Dia Internacional do Professor, em 2002, nas Nações Unidas:
"What we need are good teachers who can get you to question yourself and what you know about the world, and who build communities in schools. Good teachers are what we need" (Nikki Sanchez-Hood, 15yrs, Canada)
(http://portal.unesco.org/education/en/ev.php-URL_ID=5217&URL_DO=DO_TOPIC&URL_SECTION=201.html)


O segundo tem a chancela do mestre Agostinho da Silva, que tive ainda a felicidade de conhecer pessoalmente e de o visitar em sua casa:
O Professor como Mestre
Não me basta o professor honesto e cumpridor dos seus deveres; a sua norma é burocrática e vejo-o como pouco mais fazendo do que exercer a sua profissão; estou pronto a conceder-lhe todas as qualidades, uma relativa inteligência e aquele saber que lhe assegura superioridade ante a classe; acho-o digno dos louvores oficiais e das atenções das pessoas mais sérias; creio mesmo que tal distinção foi expressamente criada para ele e seus pares. De resto, é sempre possível a comparação com tipos inferiores de humanidade; e ante eles o professor exemplar aparece cheio de mérito. Simplesmente, notaremos que o ser mestre não é de modo algum um emprego e que a sua actividade se não pode aferir pelos métodos correntes; ganhar a vida é no professor um acréscimo e não o alvo; e o que importa, no seu juízo final, não é a ideia que fazem dele os homens do tempo; o que verdadeiramente há-de pesar na balança é a pedra que lançou para os alicerces do futuro.
A sua contribuição terá sido mínima se o não moveu a tomar o caminho de mestre um imenso amor da humanidade e a clara inteligência dos destinos a que o espírito o chama; errou o que se fez professor e desconfia dos homens, se defende deles, evita ir ao seu encontro de coração aberto, paga falta com falta e se mantém na moral da luta; esse jamais tornará melhores os seus alunos; poderão ser excelentes as palavras que profere; mas o moço que o escuta vai rindo por dentro porque só o exemplo o abala. Outros há que fazem da marcha do homem sobre a Terra uma estranha concepção; vêem-no girando perpetuamente nos batidos caminhos; e, julgando o mundo por si, não descobrem em volta mais que uma eterna condenação à maldade, à cegueira e à miséria; bem no fundo da alma nenhuma luz que os alumie e solicite; porque não acreditam em progresso nenhuma vontade de melhorar; são os que troçam daquilo a que chamam «a pedagogia moderna»; são os que se riem de certos loucos que pensam o contrário.
Ora o mestre não se fez para rir; é de facto um mestre aquele de que os outros se riem, aquele de que troçam todos os prudentes e todos os bem estabelecidos; pertence-lhe ser extravagante, defender os ideais absurdos, acreditar num futuro de generosidade e de justiça, despojar-se ele próprio de comodidades e de bens, viver incerta vida, ser junto dos irmãos homens e da irmã Natureza inteligência e piedade; a ninguém terá rancor, saberá compreender todas as cóleras e todos os desprezos, pagará o mal com o bem, num esforço obstinado para que o ódio desapareça do mundo; não verá no aluno um inimigo natural, mas o mais belo dom que lhe poderiam conceder; perante ele e os outros nenhum desejo de domínio; o mestre é o homem que não manda; aconselha e canaliza, apazigua e abranda; não é a palavra que incendeia, é a palavra que faz renascer o canto alegre do pastor depois da tempestade; não o interessa vencer, nem ficar em boa posição; tornar alguém melhor — eis todo o seu programa; para si mesmo, a dádiva contínua, a humildade e o amor do próximo. (Agostinho da Silva, in 'Considerações')

A terceira proposta de leitura vem do meu grande mestre e amigo João dos Santos:
[Renúncia ao educador perfeito]
A minha formação como homem e a minha carreira como profissional, devo-a tanto às interferências positivas dos meus educadores e mestres, como, sobretudo, aos erros educativos que eles cometeram para comigo. Aprendi por intuição e experiência na vida que as atitudes erradas são tão válidas em educação como as atitudes corretasO educador em que me tornei renunciou há muito à crença mágica do educador perfeito, como o profissional que sou renunciou a esconder a ignorância com a erudição. Aprecio, portanto, os homens mais por aquilo que são (para o meu sentir) do que por aquilo que dizem.
Texto não revisto pelo autor(João dos Santos, in "Ensinaram-me a ler o mundo à minha volta", Assírio € Alvim, p. 306)



segunda-feira, outubro 04, 2010

Dia Mundial do Professor


DIA MUNDIAL DO PROFESSOR.
A 5 de Outubro.
A UNESCO celebra, desde 1994, o Dia Mundial do Professor, a 5 de Outubro. Este ano, sob o lema "A RECUPERAÇÃO COMEÇA COM OS PROFESSORES"

Endereço da página oficial da UNESCO na Internet: aqui

Para além de uma saudação muito cordial e solidária com todos os professores do mundo, permitam-me que este ano abrace muito especialmente, muito carinhosamente, uma colega, já reformada, que conheci este ano na ilha do Faial, no passado dia 29 de Setembro, que dedicou a sua vida ao nosso tão delicado e honroso ministério. A nossa colega, aos 8 anos de idade, prometeu ao Divino Espírito Santo, muito em segredo, que se um dia chegasse a ser professora, não faltaria nunca à celebração religiosa anual na ilha que era a sua, São Miguel. Enquanto pode, a nossa colega cumpriu a sua promessa.
Enviuvou cedo e, a certa altura da sua vida, tinha os seus quatro filhos a estudarem em Lisboa. Pelo Natal, era ela que vinha a Lisboa juntar-se a eles para a Consoada. Não era financeiramente suportável para a economia familiar que os filhos fossem, todos à uma, passar o Natal a São Miguel.

sexta-feira, junho 12, 2009

O dia mundial contra a exploração do trabalho infantil e o Cristiano Ronaldo

  • As televisões, hoje, têm falado em muitos milhões de crianças exploradas nas mais diversas formas de trabalho infantil, em todo o mundo;
  • as televisões, hoje, também têm falado dos muitos milhões de euros que o Cristiano Ronaldo está a fazer mexer com a sua transferência do Manchester United para o Real Madrid;
  • certamente que o Cristiano Ronaldo não tem culpa da exploração das crianças;
  • seguramente que, se o Cristiano Ronaldo repartisse todos os milhões de euros a que está ligado nesta transferência do mundo do futebol por todos os milhões de crianças exploradas em todo o mundo, o problema da exploração das crianças não se resolveria;
  • mas que, no mundo absurdo em que vivemos, os milhões de euros do Cristiano têm a ver com os milhões de crianças exploradas... é impossível que não tenham!...
Num dos noticiários que vi à hora do almoço, uma criança de dois anos (!) partia pedra (não tem nada de sentido figurado) ao lado da sua mãe, ao que parece, numa ocupação de sol a sol.
Que dizer perante isto, quer fazer perante isto?... A minha resposta - louvável, seguramente - não é muito diferente da resposta que o CR7 daria, mas o que é mesmo verdade é que
  • vão continuar muitas crianças a partir pedra, todos os dias, de sol a sol;
  • vão continuar milhões de crianças a serem exploradas todos os dias;
  • e o Cristiano Ronaldo - e outros! - vai continuar a ganhar muitos milhões de euros todos os dias.
Disto tudo, ninguém tenha dúvidas nenhumas de que vai continuar a ser assim!
Feliz seja o Cristiano Ronaldo que realizou o seu sonho de ir jogar para o Real Madrid!
Que bom seria que as crianças exploradas pudessem também realizar os seus pequeninos sonhos!

E o que é absolutamente espantoso, ao cabo disto tudo, é que muitas das crianças que vão continuar a trabalhar enquanto o CR7 (talvez, no futuro, CR9... questão filosófica dramática...) continuar a jogar à bola, vão sorrir quando virem o Cristiano Ronaldo sorrir com as suas jogadas e os seus golos!...

P.S. - Hoje é dia de voltar a ver este trabalho da Sissy (que deveria ser visto todos os dias!):