KENSHIN, 09SET26. AS EXPECTATIVAS E AS REALIDADES
Caro Kenshin, falo-te de realidades, no plural, porque existem duas dimensões distintas que deves dominar, e é fundamental que tenhas plena consciência de ambas: a realidade da tarefa escolar e a realidade do teu próprio empenho nessa tarefa.
A realidade da tarefa é o mundo exterior: a nova escola em si, os colegas, os professores, o horário, as disciplinas, a exigência do ritmo de aula, o cumprimento dos manuais e dos materiais de estudo. Queres tu acrescentar mais algum elemento a esta minha enumeração?
A realidade do teu empenho, por seu lado, é a tua postura interior. Trata-se da tua motivação para otrabalho, do foco atento nas aulas — aquele Zanshin de que já falámos —, do prazer em aprender, do esforço empregue e do tempo dedicado em casa. E, acima de tudo, é essa sensação de tranquilidade por responderes a tempo aos deveres, ou, pelo contrário, essa inquietação desagradável de sentires que estás sempre a correr atrás do prejuízo, sem conseguir dar conta do recado. Aqui também podes acrescentar algo mais, se quiseres.
A entrada num novo ciclo é como cruzar o pórtico de um novo Dojo: representa um novo patamar de desenvolvimento e um desafio renovado. Chegamos a ele com expectativas — umas mais optimistas, outras nem tanto. A realidade que encontramos cá fora e aquela que descobrimos dentro de nós vêm confirmar, ou não, aquilo que fomos alimentando durante as longas férias.
Que consciência tens hoje das diferenças entre o que imaginavas e o que estás de facto a viver? São surpresas que te agradam ou ajustamentos que te custam aceitar?
Como sentes que estás a reagir? Estás satisfeito com a tua conduta? Se for preciso exigir de ti o que não previas, acreditas que terás a flexibilidade necessária para te adaptares? Um verdadeiro guerreiro não cede à rigidez; molda-se à situação para a poder dominar.
Seja qual for o cenário, encarar o presente é um desafio que tens capacidade para abraçar e vencer. Como tantas vezes te disse, acredito profundamente nos teus recursos. Falta apenas que tu próprio confies em ti com a mesma convicção.
Sobretudo, tira da cabeça a falsa ideia de que um samurai combate sempre sozinho. Reconhecer que se precisa de auxílio não é sinal de fraqueza nem anula o teu valor. Pedir ajuda no momento certo é uma demonstração de inteligência, humildade e sabedoria — virtudes essenciais de quem busca o aperfeiçoamento.
Saber servir-se da força dos outros para crescer só dignifica quem o faz. Afinal, como terá dito Aristóteles, «O ser humano é um ser eminentemente social. Aquele que é capaz de bastar-se a si mesmo, ou é um deus, ou uma besta, mas nunca um ser humano.»

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