quarta-feira, agosto 26, 2026

KENSHIN. IA, NÃO É PARA TE DESENRASCAR, É PARA TE AJUDAR A PENSAR

KENSHIN. IA, NÃO É PARA TE DESENRASCAR, É PARA TE AJUDAR A PENSAR


É, Kenshin (lê-se 'kén-sim'), é o que eu penso: a Inteligência Artificial, o ChatGPT e os outros 'chatbots' são recursos de trabalho fantásticos! Mas é quase como se diz do cavaleiro e do cavalo ou do condutor e do carro: o cavaleiro é que domina o cavalo e o condutor é que domina o carro, não é ao contrário.

A conversa vai por ali adiante... O Kenshin conhece o ChatGPT e muitas outras coisas da Internet. «Dão mesmo muito jeito!», diz ele.

— A IA não é para desenrascar, é para ajudar. Para ajudar a pensar. Bem, é claro que uma vez ou outra nem sempre temos o tempo ou a paciência para fazer «comme il faut», e se fizermos essa pequena batotice de pedir ao ChatGPT para fazer o trabalho por nós, não vem mal nenhum ao mundo, nem a nossa inteligência sofre um duro revés. Não senhor, nada disso, mas devemos ter bem claro no pensamento que queremos a IA para servir a nossa inteligência, o nosso raciocínio, irmos buscar mais — e boa! — informação, sermos mais criativos. A consciência de que dominamos os assuntos, as matérias da escola, dá-nos um sentimento de segurança e de tranquilidade muito saboroso. Até ficamos mais disponíveis para ouvir os outros, aceitar o que dizem, discutir com eles, sermos melhores, nós e eles. O conhecimento e o aproveitamento escolar agradecem.

O Kenshin foi-me ouvindo, ora olhando-me, ora olhando à volta. Acenava que sim, e eu acredito que ele me escutava.

— Três anos. É o teu último ciclo de estudos antes da universidade. Gosto de saber que apontas já a esse alvo. Já estás a caminho, podemos dizer que começou quando chegaste há dias à tua nova escola, aos teus novos colegas, aos teus novos professores. Tenho gostado de ver a tua curiosidade acerca deles todos. Temos muito tempo à nossa frente, vamos, de certeza, conversar muito sobre este assunto. Agora só quero fazer-te mais um aviso: os professores e os decisores políticos não andam distraídos com o que vai aparecendo e evoluindo na Inteligência Artificial, não tenhas essa ilusão. Todas as formas de avaliação dos alunos vão evoluir também, vão sofisticar-se, especialmente os exames. Os professores vão ficar cada vez mais aptos a distinguir o raciocínio do aluno que soube ir alimentando a inteligência e a aprendizagem com a IA do raciocínio do aluno, espertalhão ou preguiçoso, que entregou à IA a capacidade de pensar e aprender.

O meu jovem interlocutor riu-se e disse-me que confiasse nele, que acreditasse nele. Obviamente que lhe disse que sim. Ele lá foi, hoje à tarde tem aulas que aprecia especialmente.

sexta-feira, agosto 21, 2026

ESTES PAÍSES NÃO SÃO PARA VELHOS

 «Uma sociedade que obriga uma pessoa de 90 anos a utilizar um smartphone para aceder aos seus direitos não é uma sociedade moderna. É uma sociedade que esquece progressivamente os seus mais velhos.

Em 2026, tudo passa por uma aplicação, uma palavra-passe, um código QR ou uma plataforma online.

No entanto, aqueles que construíram este país com as suas próprias mãos encontram-se hoje


desamparados perante ferramentas que nunca aprenderam a utilizar.

Quando uma pessoa idosa é obrigada a pedir ajuda ao seu filho, à sua filha ou aos seus netos simplesmente para marcar um compromisso, pagar uma factura ou efectuar um procedimento administrativo, é porque algo deixou de funcionar.

O progresso só tem sentido se beneficiar todos. Quando exclui os mais frágeis, já não é um progresso, é uma regressão.

A tecnologia deveria tornar a vida mais simples, e não transformar a autonomia num privilégio reservado àqueles que dominam o digital.

Uma sociedade que deixa os seus mais velhos à beira do caminho não se torna mais moderna. Torna-se simplesmente menos humana.»

(Autoria de Le Contemplateur, na plataforma X, a que cheguei pelo mural de Rodrigo Sousa e Castro no Facebook.)

quinta-feira, agosto 13, 2026

COMO SE ENSINA UMA CRIANÇA A DESENHAR O SOL?

COMO SE ENSINA UMA CRIANÇA A DESENHAR O SOL?

Em verdade, em verdade te digo, Fernandinho, que não se ensina uma criança a desenhar o Sol.

Se insistes em ensinar uma criança a desenhar o Sol, muito bem, não faças à frente dela, para que ela veja bem, um redondo circular quase perfeito, com olhos, nariz, boca a sorrir; ou com linhas-raios ou raios em bico a rodeá-lo todo.

Não penses que o melhor amarelo ou o mais marcante cor-de-laranja te dão o Sol da perfeição.

Pega na criança e leva-a um dia a ver o Sol a nascer assim… Deixa-a olhar… Ela guardará as imagens
que quiser. O cenário à volta do Sol guarda-se discreto para que a criança possa fixar-se no Astro-Rei. Discretamente também, o Sol estende a matinal passadeira, como que a dizer à criança: «Olá! Quando quiseres, vem, estarei aqui sempre à tua espera, não tenho pressa. Vem pelo caminho da passadeira.»

Depois, se quiseres, com prudência, fala com ela palavras verdadeiras; pronuncia bem todas as sílabas; e não te importes com as palavras difíceis — a criança pode não saber dizê-las, mas ouve-as todas com muita atenção, guarda-las e um dia as usará quando a sua voz estiver mais madura.

Quantas formas estereotipadas tentamos impor às crianças!… A pretexto de as ensinar, para elas aprenderem. Sempre de boa mente e carregados de afecto carinhoso.

Que saborosa alegria experimentaremos quando um dia a criança nos mostrar o Sol que criou dentro de si!

domingo, agosto 09, 2026

A ESCOLA E A VIDA. P'RA QUE LADO É QUE ME VIRO P'RA QUE LADO?

 A ESCOLA E A VIDA. P'RA QUE LADO É QUE ME VIRO P'RA QUE LADO?


A pergunta do título é da canção dos Resistência. A questão é dos milenares grupos humanos.

Faço apenas eco da famosa — tão bem conseguida! — afirmação geralmente atribuída a Tom Bodett:


«In school, you're taught a lesson and then given a test. In life, you're given a test that teaches you a lesson.»

(traduzi livremente para português: «A diferença entre a escola e a vida: na escola, aprende-se uma lição e faz-se depois um teste; na vida, faz-se primeiro o teste, e é nele que se aprende a lição.»)

As escolas, vejo eu, afastam-se cada vez mais da Vida e sofisticam cada vez mais os testes, os parâmetros dos testes, a cegueira dos parâmetros.

A justiça democrática da escola não está nos parâmetros da avaliação. As boas pedagogias do ensinar e aprender também não.

(imagem criada por AI - ChatGPT)

quinta-feira, agosto 06, 2026

É ESPANTOSO FALAR ASSIM ACERCA DE DEUS

 Bem, o relato é do pai — e é difícil ele não ser pai-coruja; e o pai é filósofo — e é difícil não ser um filósofo-pai-coruja.

Mesmo levando em linha de conta estes condicionalismos, reproduzo tão fielmente quanto possível este pedacinho que li há tempos no muito interessante livro "Como Educar um Filósofo, as grandes pergunta dos mais pequenos". Ora, escute-se:

«DEUS É REAL?», perguntou o Rex. Tinha quatro anos. Não estávamos muito longe da revelação do Woody.

Já tínhamos tido esta conversa muitas vezes, por isso saltei directamente para a pergunta: «O que é que achas?»

«Acho que, a sério, Deus é a fingir, e a fingir, Deus é real», anunciou o Rex.

Fiquei estupefacto. É um pensamento profundo para uma criança de quatro anos. Também é um pensamento profundo para alguém de quarenta. Pedi ao Rex que explicasse o que queria dizer.

«Deus não é real», disse ele. «Mas quando fazemos de conta, ele é.»

VERSÃO ORIGINAL:

“IS GOD REAL?” Rex asked. He was four. We weren’t far past the Woody revelation.We’d had this conversation a lot, so I skipped straight to the question: “What do you think?”“I think that, for real, God is pretend, and for pretend, God is real,” Rex announced.I was stunned. That’s a profound thought for a four-year-old. It’s a profound thought for a forty-year-old too. I asked Rex to explain what he meant.“God isn’t real,” he said. “But when we pretend, he is.”