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domingo, novembro 25, 2018

"A Europa" de Eça de Queiroz - edição quadrilingue

A EUROPA  *  L’ OUROPA  *  L’ EUROPE  *  EUROPE
Homenagear o patrono da escola com a edição quadrilingue de “A Europa”, de 1888. A tradução inédita do texto, quanto mais em 4 línguas!
português: A «crise» é a condição periódica da Europa.
mirandês: La «crise» ye la cundiçon quaije regular de l’Ouropa.
francês: La « crise » est la condition périodique de l’Europe.
inglês: “Crisis” is the almost standard condition in Europe.
1888 é também o ano de “Os Maias”, que a Gulbenkian e os CTT vão celebrar no dia 30.
Mas o dia de Eça é hoje: - Parabéns, Eça de Queiroz!

Com a colaboração entusiasta de portugueses valentes, de dentro e de fora da escola; e outros notáveis europeus. A todos eles agradeceremos publicamente como merecem.

A primeira partilha será na próxima semana, no Parlamento Europeu, em Estrasburgo, com alunos e professores dos outros países da União Europeia.

terça-feira, fevereiro 14, 2017

Pensar a paixão, o amar e o namorar com a ajuda de Eça de Queiroz

Um acaso engraçado juntou o Dia dos Namorados ao meu mestre João dos Santos e ao patrono da
"Breakfast", 2015, pertence à série O Primo Basílio, feita a partir do romance de Eça de Queirós
 com o mesmo nomeCORTESIA: GALERIA MARLBOROUGH FINE ARTS, LONDRES
minha escola, Eça de Queiroz.
Na semana passada, uma reflexão de Sérgio Niza pôs-me à procura de um texto de João dos Santos. Já o li - mas que texto! Um dia dele falarei.
A procura, muito difícil, fez-me saber de outro; e nova procura. Chegou-me hoje pelo correio! No Dia dos Namorados. No velho caderno de "O Tempo e o Modo" encontrei três excertos de "O Primo Basílio"!
O caderno de "O Tempo e o Modo" é sobre... precisamente, o casamento! Por isso a minha ênfase ao Dia dos Namorados.
A subir a escada rolante do Metro dos Olivais, a seguir ao almoço - e depois de ter passado a manhã no Tivoli com alunos a assistir ao espectáculo "Europa: que paixão!" (onde, diga-se de passagem, com muito pouco jeito se tentou fazer a analogia do título da peça musical à celebração dos namorados), um antigo e muito querido aluno abanou-me num susto pelas costas. Trocámos um abraço e algumas palavras a saber como vai a vida de um e do outro.
Já a despedida: "Para onde vai, professor, vai para a escola?", "Sim, vou.", "Vai dar aulas?", "Não. Olha, vou escrever uma coisa sobre o Dia dos Namorados.", "Olha o Dia dos Namorados! Oh... pois sim, eu é que estou sempre sozinho...", "Sozinho, é até ao dia chegar, não te preocupes - e já quase a gritar, depois do abraço de despedida -, tantas vezes as coisas vêm quando a gente menos espera." Só não quis foi dizer-lhe "Não te preocupes, não tenhas pressa." É um conselho muito ambivalente, que cada vez mais pais usam com filhos... na casa dos trinta anos!
Voltando ao caderno de "O Tempo e o Modo", se João dos Santos nele escreveu respondendo ao convite-desafio de três perguntas que lhe foram dirigidas na qualidade de psicanalista, Eça, por seu lado, viu-se arbitrariamente escolhido por alguém - que teria dito ele sobre o assunto do casamento se sobre isso fosse directamente solicitado para o fazer?
Ora bem, na minha opinião, no conjunto geral do caderno, publicado em Março de 1968, os excertos - três, todos retirados de "O Primo Basílio - são interessantes, harmonizam-se bastante bem com tudo o mais escrito neste livro extra-colecção de "O Tempo e o Modo".
Vejam lá se o que Eça escreve conserva ou não - tanto no conteúdo como na forma - pleno sentido para os dias de hoje:
É que o amor é essencialmente perecível, e na hora que nasce começa a morrer. Só os começos são bons. Há então um delírio, um entusiasmo, um bocadinho do céu. Mas depois!... Seria pois necessário estar sempre a começar para poder sentir?... Era o que fazia Leopoldina. E aparecia-lhe então nitidamente a explicação daquela existência de Leopoldina, inconstante, tomando um amante, conservando-o uma semana, abandonando-o como um limão espremido, e renovando assim constantemente a flor da sensação! (in "O Tempo e o Modo", Extra-colecção, 2.º Caderno, «O Casamento», Março de 1968, p. 183)
Curiosamente, o texto - notável! - de João dos Santos ajuda-nos a entender a vivência destes sentimentos breves, efémeros; paroxísticos, quase - que a intensa e viperina publicidade das sociedades consumistas modernas exploram à saciedade - mas o texto de João dos Santos ficará para outra redacção, que em breve aqui sinalizarei.




domingo, janeiro 15, 2017

Um contemplativo não é um místico

A afirmação não é minha, é de Antonio Muñoz Molina, escritor espanhol.
Explica logo a seguir a sua ideia, sendo muito claro no que diz.
«Un contemplativo no es un místico. Es alguien que se queda extasiado de pura atención ante una maravilla cualquiera del mundo exterior: un río, la gente que pasa tras las ventana de un café, un cuadro, un árbol, una pieza de música, la belleza de alguien, el extrarradio de una ciudad desplegándose en la ventanilla de un tren, la tipografía de un cartel, el reflejo de la calle en un escaparate, un libro.»
«Um contemplativo não é um místico. É alguém que cai extasiado de pura atenção em face de uma maravilha qualquer do mundo exterior: um rio, as pessoas que passam do lado de lá da vidraça de um café, um quadro, uma árvore, uma peça de música, a beleza de alguém, a paisagem que envolve a cidade que vemos passar por nós através da janela de um comboio, os escritos de um cartaz, o reflexo da rua numa montra, um livro.»
Reconheço-me no que diz, penso que sou um contemplativo de todos os dias da semana; mas já seria bom que a generalidade das pessoas o tentassem ser, no mínimo, ao domingo - por isso seria importante, por exemplo, voltar ao tempo de todo o comércio estar encerrado ao domingo (e contra mim falo, que tantas vezes faço compras nesse dia tão curioso, ao mesmo tempo, primeiro e último: é o primeiro a seguir ao tal sétimo dia em que Deus descansou da Sua obra de criação do Mundo; e é o segundo e último do fim-de-semana que a organização comercial do mesmo Mundo acabou impondo - um dia terei de procurar por aí a origem do composto nome, "fim-de-semana"...).
Quanto ao que diz sobre Eça de Queiroz, vale bem a pena tudo o que diz; e não deixo de realçar algo sobre o que tantas vezes acontece nas nossas vidas, e de que podemos ou não tirar partido: a circunstância de um acaso, do encontro fortuito com uma pessoa ou um livro; ou outra coisa qualquer.
Yo pasaba horas leyendo La ciudad y las sierras, estremecido por esa maestría a la vez jubilosa y ácida de Eça de Queiroz, un novelista que tiene la alegría del joven Dickens de los Pickwick Papers, la desmesura cómica de Cervantes, la agudeza quirúrgica en la observación social de Flaubert y Zola; y además una desvergüenza erótica y una irreverencia religiosa que no tiene equivalencia en el siglo XIX, y que viene más bien de los enciclopedistas y los libertinos del XVIII, de Diderot y Choderlos de Laclos, con un amor idéntico por los placeres terrenales y por la libertad de espíritu.
Texto integral: http://cultura.elpais.com/cultura/2017/01/12/babelia/1484247035_988185.html?id_externo_rsoc=FB_CC 

Um abraço bem cordial ao António Eça de Queiroz, que me pôs na pista deste tão agradável e interessante artigo.