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sábado, novembro 15, 2025

#TOLERÂNCIA321 - A VIDA POLÍTICA ESTÁ MAIS INTOLERANTE?

 #TOLERÂNCIA321 - A VIDA POLÍTICA ESTÁ MAIS INTOLERANTE?

Parece-me que a jornalista São José Almeida — que actualmente preside ao Conselho Deontológico do Sindicato dos Jornalistas —, na edição de hoje do Público alerta os leitores precisamente para isso: a intolerância crescente dos dirigentes políticos. O artigo tem o título "Como a convocação de uma greve geral clarifica a viragem à direita do PSD".

Ora bem, é preciso que as coisas com que se governa a 'Res publica' se clarifiquem, ainda não me parece que seja altura de deitar as ideologias para o lixo, o que o candidato a Presidente da República António José Seguro insistentemente respondeu às jornalistas que o entrevistavam, negando-se a posicionar-se à direita ou à esquerda do espectro partidário (ele que é, sempre foi do Partido Socialista!), é, na minha opinião, lamentável e é espelho das dificuldades que os políticos têm de se definir com clareza. Por isso os movimentos "inorgânicos" radicais e populistas campeiam.

Que escreve São José Almeida? O seguinte:

«A viragem à direita na sociedade portuguesa é um facto. Mas há uma mudança mais profunda em

curso, que vai para além da viragem política à direita. Há um conservadorismo em crescendo, um reaccionarismo mesmo, em paralelo com um escalar de uma mentalidade antidemocrática e de pendor intolerante, até autoritário. Isso tem sido manifesto, por exemplo, nas reacções ao anúncio, pela CGTP e pela UGT, de uma greve geral conjunta, contra a reforma da legislação laboral proposta pelo Governo.

»Por mais radicalização que se vá instalando, a verdade é que aquilo que é a democracia não passa apenas pelo princípio de uma pessoa, um voto. A democracia caracteriza-se também pela existência de diálogo político e de diálogo social. Ora, o que se vive, neste momento, em Portugal, é o início de um processo, aberto pelo Governo, para alterar de forma profunda a legislação laboral. Neste momento, as negociações e o diálogo processam-se em sede de concertação social, após o que, atingido ou não um acordo, o Governo aprovará, em Conselho de Ministros, a legislação para alterar as leis laborais, ao que se segue o processo de debate, negociação e aprovação dos diplomas pela Assembleia da República.

»É nesta fase de negociação, em concertação social, com as confederações patronais e com as
confederações sindicais, que faz sentido ser convocada e realizada uma greve geral. É ignorância ou
má-fé defender que uma greve geral se faz depois das leis aprovadas. Hoje em dia, em democracia, uma greve geral já não é revolucionária, como conceptualizou Georges Sorel, nem é uma forma de protesto, é um método, um recurso, um instrumento negocial dos trabalhadores, é uma forma de fazer pressão durante negociações, de forçar negociações. Mais. A greve tem como objectivo demonstrar o peso do trabalho e logo de quem o produz, os trabalhadores. Daí a lógica desta greve geral convocada para 11 de
Dezembro. [...]

»[...] O primeiro-ministro reagiu ao anúncio da convocação da greve geral vitimizando-se e até
adulterando o conceito de greve geral. Logo no domingo, Luís Montenegro começou por querer
partidarizar a questão, acusando o PCP e o PS de instrumentalizarem as centrais sindicais. [...]»

Todo o artigo me parece claro, bem estruturado, sistematicamente argumentado, bem construído.

Concordo com o "escalar de uma mentalidade antidemocrática e de pendor intolerante". Preocupo-me com o que vou vendo na Comunicação Social e na Vida Pública portuguesa; e mais: sou mais pessimista que a jornalista, esse tipo de mentalidade não marca só a vida política e a governação portuguesa, é assim também em muitos outros países do Mundo.

Que os Governos governem — com ética, com respeito e honestidade. Que os Sindicatos lutem — com firmeza, solidariedade e lucidez.

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sábado, agosto 16, 2025

#TOLERÂNCIA230 - ACUSAR OU DENUNCIAR TOLERANTE OU INTOLERANTEMENTE

 #TOLERÂNCIA230 - ACUSAR OU DENUNCIAR TOLERANTE OU INTOLERANTEMENTE

Que nas redes sociais as pessoas soltem as línguas e soltem as emoções, já tenho jeito de muito treino de passar ao largo. Agora, que nos meios de comunicação social, idóneos, jornalistas também idóneos soltem línguas e emoções em prosas ou falas de, digamos, contundência negativa, isso já me pede outra reflexão e cuidado, pois são os protagonistas da experiência social alargada que tendo a propor aos meus alunos — quantos deles, todos os anos, se sentem motivados pela formação e carreira em Jornalismo! —como profissionais sociais da Comunicação que devem respeitar, dar atenção e ouvir.

Hoje, mais uma vez, um dos mais consagrados jornalistas da nossa praça — ele é jornais diários, ele é semanários, ele é canais de televisão, ele é livros... O asco que tem aos professores é também conhecido e de longa data — vem de prosa bem rija e contundente zurzir, pimba-pimba-pimba, como ele gosta tanto de fazer.

O jeito ruidoso do jornalista — não digo o nome dele porque não quero dar-lhe a mais pequenina ponta de publicidade — põe-me a pensar o que é acusar ou denunciar na Comunicação Social com tolerância

ou com intolerância...

Em jeito — sim, também tenho os meus jeitos — de pensamento crista da onda do mar dolente do calor das férias de Agosto — ondas baixinhas, baixinhas, baixinhas — direi que quando se acusa ou denuncia com tolerância, o foco está na acção errada, não na pessoa. O objectivo é buscar justiça e corrigir o problema, não humilhar ou ferir o outro.

Pôr o foco na acção é dizer que a denúncia é posta no acto (por exemplo, "fulano cometeu uma fraude"), e não sobre o carácter da pessoa ("fulano é uma pessoa horrível e desonesta"), as acções diferenciam-se pelo motivo, pela forma e pelo objectivo. A tolerância, nesse contexto, não significa conivência com um erro ou crime, mas sim a capacidade de agir com respeito e equilíbrio, mesmo diante de algo que se discorda. Já a intolerância manifesta-se de maneira agressiva e preconceituosa.

A intolerância, por outro lado, transforma a acusação ou a denúncia numa forma de agressão. O foco muda-se do acto para o indivíduo, parece que busca a desqualificação da pessoa ou da entidade, a destruição da reputação ou a punição esmagadora. Focar na pessoa: é atacar o indivíduo (a pessoa ou a entidade) com base em preconceitos (por exemplo, "fulano fez isso porque é da religião X" ou "porque pertence ao grupo Y").

Pode-se dizer que, no fundo, a diferença fundamental entre a acusação/denúncia tolerante e intolerante está na motivação: o que pretende o jornalista? A acusação/denúncia com tolerância é um acto de responsabilidade cívica, que visa a justiça e a protecção da sociedade. Já a acusação/denúncia carregada de intolerância é um acto provavelmente de vingança, de preconceito, procura de protagonismo social; e que tem como efeito o dano pessoal, a disseminação do ódio e o afastamento do diálogo que aproxima, produz reparação, congrega, faz avançar no sentido da melhoria da situação e da da promoção do bem-estar pessoal de todos.

Há aqui razão para a Educação se ocupar? Sim, no meu entender há. É mesmo uma necessidade cada vez mais pressionante, não lhe podemos virar as costas nas salas de aula, nos grupos de jovens, nos clubes desportivos e em todos os demais lugares que juntem adultos — de todas as idades!

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