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sábado, agosto 10, 2013

Belo momento de Danças Tradicionais na Horta!

CHINESE ARTS DANCE ENSEMBLE.
Que momentos tão bonitos!... Belo espetáculo ao vivo na Semana do Mar, na Horta!...
Hsiang-Chin Wang, I had no camera with me... :-( Please, accept this as a little tribute to the so nice performance you all had in Horta (Faial, Portugal), in Feast of Semana do Mar, the 8th august 2013. Thank you very much!
 

sábado, abril 24, 2010

Já se celebrava no 25 de Abril antes do 25 de Abril

Volto à Procissão dos Cornos. Ou ao Dia de Cornos.
Tem a ver com o 25 de Abril. Quando o dia 25 de Abril era apenas o Dia de São Marcos e ainda não era para nós, portugueses, o Dia da Liberdade.
Talvez a dimensão e a solenidade que a data adquiriu (por mim, sou dos que digo "25 de Abril, sempre!") tenha apressado o desaparecimento da outra celebração. Que já foi muito forte, pelo menos em algumas localidades de algumas das ilhas dos Açores.
Curiosamente, talvez essa outra celebração também tivesse a ver com a recusa do povo em se simplesmente se submeter aos ditames dos poderosos políticos e religiosos, que sempre determinaram e decidiram em proveito próprio, precisamente à custa do povo.
25 de Abril, sempre!
Este ano, o texto a que se pode aceder através da hiperligação no título deste apontamento, é a minha contribuição para o Dia da Liberdade. Com a ajuda preciosa de alguns amigos, como são o Chefe Jaime e o Jonas
Está dividido da seguinte maneira:
  1. Introdução – como cheguei à Procissão dos Cornos
  2. Pesquisa exploratória do assunto – os testemunhos pessoais
  3. A religiosidade açoriana – a oficial e a profana
  4. O surgimento de uma explicação sedutora
  5. Terá futuro este assunto?
  6. Bibliografia e webgrafia
  7. Anexo 1 - Procissão dos Cornos (por Manuel Dionísio)
  8. Anexo 2 – O Dia de Cornos

quinta-feira, abril 01, 2010

A Páscoa, a partir da Horta, na ilha do Faial

O que de mais concreto tenho encontrado de sinais da Páscoa dos Açores, aqui na Horta, é... a notícia dos ensaios do meu querido amigo L.C., jovem quase guardador de rebanhos em tempo de férias escolares, que se prepara para participar numa representação pascal na sua terra. E não é cá! É noutra ilha, tão perto daqui e tão difícil de lá chegar!
E é o anúncio de um concerto de música clássica na igreja de S. Francisco, praticamente aqui à porta, onde, afinal, nunca entrei em quase 20 anos de constantes viagens aos Açores - só me falta pisar a ilha de Santa Maria, se tudo correr bem, será no próximo verão. O concerto é no sábado, de tarde, vou tentar ir. A entrada é livre.
De manhã, antes de entrar na padaria, fui à Biblioteca da cidade e pus-me à procura... Percorri lombadas, folheei algumas obras. Encontrei coisas, aqui e ali, sobre a Quaresma e a Pascoela; e assim que me parecia que ia encontrar uma descrição ou um estudo da Páscoa nos Açores, as descrições das celebrações do Espírito Santo sobrepunham-se e abafavam tudo o mais.
Apanhei um pequenino texto - muito engraçado!, vou relê-lo -, do séc. XVII, sobre os "impérios" no Faial, relatando acções muito empenhadas de irmãs religiosas. Os ''impérios'' parecem ser uma festividade de origem continental, talvez do Alto Alentejo.
Encontrei também um curiosíssimo texto, quase etnográfico, sobre uma Procissão dos Cornos (sim, leram bem, c-o-r-n-o-s), no Faial, em 25 de Abril de 1900, em que o autor quase pede desculpa de tão ímpia celebração. Mas, diz ele, ele não podia faltar à verdade.
Na padaria, onde fui depois, mais uma vez não encontrei nenhum bolo da época, o folar que lá se vende é igual ao de tantos outros no continente. Perguntei à senhora que me atendeu, que me confirmou que, não senhor, não há mais nada da Páscoa.
Na pressa da consulta na Biblioteca - em que nem os funcionários tinham ideia de qualquer obra sobre a época da Páscoa - apenas encontrei a versão açoriana de uma velha adivinha continental, em forma de quadra:

Nós somos sete irmãs.
Cinco justas e uma santa,
E a outra é tão pequenina,
Porque o riso a ataranta.

O que é?...

Claro!... As Semanas da Quaresma.
Já agora, alguém quer saber - ou quer explicar - porque é que uma delas "é tão pequenina porque o riso a ataranta"?

Páscoa feliz, saborosa de amêndoas e folares!

sábado, março 06, 2010

Parabéns, João Henrique!

O João Henrique, meu afilhado, fez anos no dia 1 de Março. 17 anos.
Quando ele tinha 7 anos, eu estava na Horta, de propósito para lhe cantar os parabéns. Calhou, num momento, ele estar comigo no carro da mãe, de pé, no banco de trás, com os braços apoiados no meu banco. Eu conduzia lentamente, descendo do hospital para as Angústias, com uma panorâmica magnífica, muito nítida, sobre o mar. Essa visão impôs-se a ambos e proporcionou um diálogo que reproduzi de memória assim que cheguei a casa.
- Ó ti Jóge, o mar é grande, não é?... perguntou-me, lá do banco de trás do carro, a olhar o mar em frente e com o Pico a aparecer do lado esquerdo, o João Henrique, de 7 anos de idade, neto do Peter.
- É, João, é grande e às vezes é mesmo muito grande...
- O mar nos Açores é grande, ti Jóge?
- OLha para ali, João, a gente olha lá para o fundo, vê sempre o mar e depois lá no fundo a gente não vê mais mas o mar continua ainda mais, parece que nunca mais acaba. Mas, se tu olhares ali para o Pico, o mar fica pequenino e se tu um dia quiseres e o mar estiver mansinho, tu podes ir o mar todo até ao Pico, a nadar.
- Ti Jóge, o mar tem um nome?
- Tem, tem muitos nomes, é que há muitos mares. E quando os mares ficam muito grandes já não se chamam mar, chamam-se oceanos.
O João Henrique olhou lá para o fundo, para onde eu dissera que o mar continuava e perguntou:
- O mar dos Açores é um oceano?
- O mar dos Açores ali para o fundo já se chama oceano Atlântico. Ali em baixo, tu sabes, chama-se Praia de Porto Pim, daquele lado ali, quando vamos para o Pico, chama-se Canal, onde tu estiveste ontem com o teu irmão e os vossos amigos chama-se Praia do Almoxarife...
- Quantos oceanos há no mundo? interrompeu-me o João.
- Um dia, na escola, a tua professora vai mostrar-te num mapa grande o oceano Atlântico, o oceano Pacífico, o oceano Índico, o oceano Glacial Ártico e o oceano Glacial Antártico.
- Este aqui dos Açores é o mais grande ou não, Ti Jóge?
- É quase o mais grande. O mais grande de todos é o oceano Pacífico.
- O oceano dos Açores não é o mais grande, Ti Jóge?... A voz e o rosto do João Henrique traziam, nem era bem um desapontamento, era mesmo uma aflição.
- Não, não é... mas já viste bem as coisas bonitas que o mar dos Açores tem? As baleias, os golfinhos, a doca onde tu, o teu pai e os teus irmãos tomam banho, os peixes que a gente pesca com o Chefe Jaime, não é João?...
- Ó To Jóge, tu sabes tanta coisa!...
A voz e o rosto do meu afilhado recuperavam já o ar ruminativo e espantado que as crianças tomam quando pensam intensamente. E parece que, quanto ao mar, por agora bastava. Agora era eu, o sábio daquele momento, o objecto da sua curiosidade:
- Ó Ti Jóge, quem é que sabe mais, és tu ou é o avô?...

Horta, Agosto de 2000

quinta-feira, janeiro 21, 2010

Ao meu amigo Jaime, ao Chefe Jaime

Calhou estar no Faial no dia dos Amigos. Pela primeira vez. Forçadamente.
Calhou bem.
Vive-se aqui o dia dos Amigos como eu nunca o vivi.
As rádios locais falam constantemente no Dia dos Amigos, dizem que hoje está um bom dia para festejar o Dia dos Amigos.
O João Henrique, o meu afilhado, nascido faialense, hoje de manhã, ainda estremunhado, cumprimentou-me como nunca o fizera antes e saudou-me com um "Bom dia, amigo!"
Com o meu amigo Chefe Jaime vou logo, depois de aconchegar a minha mãe no fim do seu jantar, tomar um gin no Peter, à saúde dos amigos. O primeiro de que me vou lembrar - perdoem-me os outros - é do Zeca Barroso, que também vive muito intensamente na sua terra, o Redondo, no Alentejo, o Dia dos Amigos.
Aos outros amigos, de boa vontade os abraçaria a todos hoje. E sinto a alegria de saber que não teria tempo para todos. São já muitos! Estou certo que, ao longo da vida, muitos tenho juntado e praticamente nenhum eu tenho perdido.
A todos dedico o poema de Alexandre O'Neill

AMIGO

Mal nos conhecemos
Inaugurámos a palavra amigo!

"Amigo" é um sorriso
De boca em boca,
Um olhar bem limpo,
Uma casa, mesmo modesta, que se oferece,
Um coração pronto a pulsar
Na nossa mão!

"Amigo" (recordam-se, vocês aí,
Escrupulosos detritos?)
"Amigo" é o contrário de inimigo!
"Amigo" é o erro corrigido
Não o erro perseguido, explorado,
É a verdade partilhada, praticada!

"Amigo" é a solidão derrotada!
"Amigo" é uma grande tarefa,
É um trabalho sem fim,
Um espaço sem fim,
Um espaço útil, um tempo fértil,
"Amigo" vai ser, é já uma grande festa!

Alexandre O'Neill, No Reino da Dinamarca

sexta-feira, dezembro 25, 2009

2009, o meu conto de Natal

25 de Dezembro. Vêm duas senhoras ao quarto para lavar a minha mãe e arranjarem-lhe a cama. Aproveito para ir tomar um café. Talvez o bar da entrada do hospital esteja aberto. Mas é Natal… talvez não esteja…
Sim, estava aberto. O lugar que parecia naturalmente destinado a mim era ali, naquele espaço de balcão entre dois sujeitos, qualquer um deles mais alto do que eu. O da minha esquerda, nitidamente mais velho. O da minha direita, nitidamente mais novo. Ambos vestiam aparentando ser pessoas “remediadas”, como ainda há bem pouco se costumava dizer.
O homem mais novo, o da minha direita, queria pão, perguntou à senhora do lado de lá do balcão se tinha pão. Sim, tinha, mas não era de hoje. O senhor hesitou, se não era de hoje… Parecia que vinha buscar pão para o almoço do dia de Natal, para a mulher e os filhos, queria uns sete ou dez, mas assim, de ontem…
O homem mais velho, à minha esquerda, disse que o pão de véspera era pão bom. O outro concordou, sim, o pão do dia anterior às vezes até sabia melhor que o do dia. Parecia que queria matar dois coelhos de uma só cajadada: ser simpático para com o outro senhor e convencer-se a si próprio de que o pão da véspera era bom.
Sim, ia levar o pão. Se a senhora tivesse, olhe, ele até levava doze. Ai tinha?... Então eram mesmo doze.
Enquanto a senhora foi lá dentro ensacar o pão e eu bebia o meu café, o sujeito da minha esquerda, como que para ocupar o vazio de silêncio que parecia querer cair ali no meio de nós os três, lembrou que no tempo dele – e eu imaginei-o nesta altura a pensar nos seus netos – o pão era de mais dias, era mesmo de muitos mais dias, até o pão com bolor se comia todo.
Aquecia-se água, deixava-se ferver um pouco o pão nessa água e o bolor “ia-se todo naquela água”. Depois arrefecia e comia-se. Por isso achava engraçado que hoje em dia as pessoas achassem que o pão da véspera já não prestava.
O sujeito à minha direita quedou-se a pensar. E eu quedei-me a vê-lo pensar. Voltei-me para o “meu avô” e ele agora olhava para lá da parede em frente dele, perdido no longínquo mar das memórias... Até que desabafou: “Dizem que é ó tempo volta p’ra trás, não é?... Ainda bem que não…”
O “meu pai” pegou no saco com as doze carcaças, perguntou quanto devia e pagou.
Eu tinha decidido demorar o meu café para não perder bocadinho que fosse daquele diálogo. Pela minha visão periférica, apercebia-me dos movimentos de cabeça de um e de outro, ora a olharem-se um ao outro, ora a olharem em frente, só com a parede do fundo à frente deles.
Mas agora que o sujeito do pão se ia embora olhei-o directamente. Por cima do meu olhar, sem que do meu olhar se apercebesse, ele olhou o “avô” seu interlocutor, fez-lhe um aceno e desejou-lhe boas-festas. O outro esboçou vagamente um sorriso e voltou a envolver-se com as suas memórias, as memórias do que foram duros natais, natais de tantos dias, dos tais tantos dias do ano que, assim, com o pão bolorento, nos demonstram que, afinal, o natal não é sempre que um homem quiser.

Atrás de mim, a minha mãe agora dorme. Já há algum tempo, no ecrã que mostra a informação que os fios que caem sobre ela recolhem, os números que se actualizam constantemente mantêm-se na cor verde e não apitam mais no amarelo, nem no vermelho. As apitadelas dos números vermelhos punham enfermeiros e enfermeiras a entrarem no quarto correndo. Os gráficos sinusoidais são menos claros para mim, mas parecem-me agora, sem dúvida, mais harmoniosos entre si.
Não sei se alguma vez ela comeu pão com bolor fervido, ainda um dia lho perguntarei. Mas lembro-me, por exemplo, das histórias da sardinha - uma só - repartida com um dos irmãos. E outras histórias.
Como escreve David Mourão-Ferreira, um dia haverá um primeiro Natal que será feito para sempre sem ela.
Consola-me a inquebrantável certeza que, se a lei natural da saúde e das gerações o permitir, até que esse venha, nenhum ela passará sem a presença aconchegadora de um dos filhos. Se calhar, colhe o que semeou. O que pôde semear.
Fernando Pinto, Horta (Faial) 25 de Dezembro de 2009

sexta-feira, julho 31, 2009

Uma verdadeira Fénix!


Nem sempre, durante as férias, o sol brilha como nos postais ilustrados.
Este é o farol dos Capelinhos, uma verdadeira Fénix Renascida. Reergueu-se das próprias cinzas.
Debaixo dele acolhe agora um muito interessante centro de interpretação do Vulcão dos Capelinhos e da formação dos Açores. E, mais em geral ainda, da formação da Terra. Recomendo vivamente.
Entretanto, quem não puder ir já lá, ou não pode tão cedo lá regressar, espreite aqui:
O site precisa de ser actualizado, flexibilizado e dinamizado. Que tal aconteça o mais depressa possível, é o que se deseja. Recomendo especialmente o filme.

domingo, agosto 10, 2008

Só Fórró... Que momento tão agradável!

Hoje foi um dia fantástico de mostra (Eu ia dizer "cultura popular", mas não digo; porque, na minha ideia, a noção de cultura popular está associada a uma cultura menor, que as culturas mais pensantes e eruditas toleram. Por isso direi...) capacidades humanas, de prazer de convívio, de celebração da ligação harmoniosa entre gentes de terra com o mar que as cerca. Foi na Horta, no penúltimo dia da Semana do Mar.
Vou direito ao assunto de agora. A seguir a ter gravado em filme imagens fantásticas de botes baleeiros a competirem (saudavelmente) entre si no Canal de Vitorino Nemésio e de tantas gerações de açorianos, a caminho de casa cruzei-me com um pequeno grupo de homens que tocava e cantava, parados à frente de um dos restaurantes de rua montados na avenida marginal da cidade, propositadamente para as festividades da semana, e assim animava e fazia sorrir quem à sua volta estava.
Meus queridos alunos (os que foram e os que serão), no pequeno acontecimento que vão ver a seguir, há alegria, há inteligência, há prazer no convívio social, há espontaneidade; e o seu contrário, a ritualização. São a espontaneidade e a ritualização que estão na base da (re)criação da cultura que consolida os laços e os afectos entre os membros das comunidades humanas.
As imprecisões do documento resultam do momento ter sido inesperado, não poder ser interrompido e repetido em replay; resultam também do fundo musical que vinha de um pouco mais longe daquele local, em que uma banda musical jovem, mais "pesada", estava a ensaiar e a experimentar as colunas de som potentíssimas para a sua actuação à noite; e resultam também da inabilidade técnica do autor das imagens.
Obrigado ao grupo Só Fórró, que todos poderão conhecer melhor clicando no título deste apontamento. Serão reencaminhados para o blogue do grupo.
Repito, muto obrigado ao grupo Só Fórró! Desejo-vos muitas felicidades no futuro!