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terça-feira, novembro 04, 2025

#TOLERÂNCIA310 - UM CERTO TIPO DE BONDADE E UM CERTO TIPO DE TOLERÂNCIA

 #TOLERÂNCIA310 - UM CERTO TIPO DE BONDADE E UM CERTO TIPO DE TOLERÂNCIA

Em 1959, a 2 meses de completar 87 anos, Bertrand Russell (que viveria ainda mais cerca de 11 anos), deu uma entrevista de 20 e poucos minutos à BBC, e o entrevistador, John Freeman, faz-lhe uma última pergunta:

«Suponha, Lord Russell, que este filme fosse visto pelos nossos descendentes como um pergaminho do Mar Morto daqui a mil anos. O que acha que valeria a pena contar-lhes acerca da vida que viveu e as lições que aprendeu com ela?»

Bertrand Russell, dá a seguinte resposta, logo de seguida, parece que quase sem pensar:

«Gostaria de dizer-lhes duas coisas, uma intelectual e uma moral:

»A coisa intelectual que gostaria de lhes dizer é esta: quando estudarem qualquer assunto ou considerarem qualquer filosofia, perguntem-se apenas «quais são os factos e qual é a verdade que os

factos comprovam?» Nunca se deixem desviar nem por aquilo em que desejam acreditar, nem pelo que julgarem poder ter efeitos socialmente benéficos se fosse aceite. Mas olhem apenas e exclusivamente para: «Quais são os factos?» Esta é a lição intelectual que gostaria de transmitir-lhes.

»A coisa moral que gostaria de lhes dizer é muito simples. Diria: o amor é sábio, o ódio é insensato. Neste mundo, que se está a tornar cada vez mais interligado, temos de aprender a tolerar-nos uns aos outros. Temos de aprender a aceitar o facto de que algumas pessoas dizem coisas de que não gostamos. Só assim podemos viver juntos. E se temos viver juntos e não morrer juntos, precisamos de aprender um tipo de bondade e um tipo de tolerância absolutamente vitais para a continuação da vida humana neste planeta.»

Em Setembro de 1961, com quase noventa anos, Bertrand Russell esteve preso durante uma semana por incitar à desobediência civil, por ter participado de uma grande manifestação chamada 'ban-the-bomb" [Não à Bomba (nuclear)], no auge da Guerra Fria e da Corrida ao Armamento Nuclear, no Ministério da Defesa britânico, mas a sentença foi anulada tendo em conta a sua idade.

Não sei se colegas professores levam estas afirmações (só mesmo elas ou a entrevista completa) às aulas de Filosofia ou de Cidadania e Desenvolvimento, mas o que é certo é que temos aqui matéria pedagógica de formação humana, cívica e política de grande valor.

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quarta-feira, setembro 10, 2025

#TOLERÂNCIA255 - QUANTA AGRESSÃO O MUNDO TOLERA MAIS?

 #TOLERÂNCIA255 - QUANTA AGRESSÃO O MUNDO TOLERA MAIS?

Ouvi de manhã esta carta. Quando pude, fui procurá-la na Net. Traduzi-a depois no DeepSeek para português de Portugal.

O título do texto é mesmo este: "A Última Mensagem de Bertrand Russell: A Guerra Israel-Palestina"

Esta declaração sobre o Médio Oriente tem a data de 31 de Janeiro de 1970 e foi lida a 3 de Fevereiro, no dia seguinte à morte de Bertrand Russell, numa Conferência Internacional de Parlamentares, no Cairo:

«A última fase da guerra não declarada no Médio Oriente baseia-se num profundo erro de cálculo. Os bombardeamentos profundamente em território egípcio não vão persuadir a população civil a render-se, mas vão fortalecer a sua determinação para resistir. Esta é a lição de todos os bombardeamentos aéreos. Os vietnamitas, que suportaram anos de intensos bombardeamentos americanos, responderam não pela capitulação, mas por abater mais aeronaves inimigas. Em 1940, os meus próprios

compatriotas resistiram aos bombardeamentos de Hitler com uma unidade e determinação sem precedentes. Por esta razão, os actuais ataques israelitas irão falhar no seu propósito essencial, mas, ao mesmo tempo, devem ser vigorosamente condenados em todo o mundo. O desenvolvimento da crise no Médio Oriente é simultaneamente perigoso e instrutivo. Durante mais de 20 anos, Israel expandiu-se pela força das armas. Depois de cada etapa desta expansão, Israel apelou à "razão" e sugeriu "negociações". Este é o papel tradicional do poder imperial, porque deseja consolidar com o mínimo de dificuldade o que já tomou pela violência. Cada nova conquista torna-se a nova base da proposta de negociação a partir da força, que ignora a injustiça da agressão anterior.

»A agressão cometida por Israel deve ser condenada, não apenas porque nenhum estado tem o direito de anexar território estrangeiro, mas porque cada expansão é uma experiência para descobrir quanto mais agressão o mundo tolerará. Os refugiados que rodeiam a Palestina às centenas de milhar foram recentemente descritos pelo jornalista de Washington I.F. Stone como "a mó moral à volta do pescoço do judaísmo mundial". Muitos dos refugiados entram agora na sua terceira década de existência precária em assentamentos temporários.

»A tragédia do povo da Palestina é que o seu país foi "dado" por uma Potência estrangeira a outro povo para a criação de um novo Estado. O resultado foi que muitas centenas de milhares de pessoas inocentes foram permanentemente tornadas sem-abrigo. A cada novo conflito, o seu número aumentou. Por quanto tempo mais está o mundo disposto a suportar este espectáculo de crueldade gratuita? É abundantemente claro que os refugiados têm todo o direito à pátria de onde foram expulsos, e a negação deste direito está no cerne do conflito continuado. Nenhum povo em qualquer parte do mundo aceitaria ser expulso em massa do seu próprio país; como pode alguém exigir que o povo da Palestina aceite um castigo que mais ninguém toleraria? Um reassentamento justo e permanente dos refugiados na sua pátria é um ingrediente essencial de qualquer acordo genuíno no Médio Oriente.

»Dizem-nos frequentemente que devemos simpatizar com Israel devido ao sofrimento dos judeus na Europa às mãos dos Nazis. Não vejo nesta sugestão qualquer razão para perpetuar sofrimento algum. O que Israel está a fazer hoje não pode ser desculpado, e invocar os horrores do passado para justificar os do presente é uma hipocrisia grosseira. Israel não só condena um vasto número de refugiados à miséria, não só muitos árabes sob ocupação são condenados ao governo militar; mas Israel também condena as nações árabes, que apenas recentemente emergiram do estatuto colonial, a uma contínua empobrecimento, uma vez que as exigências militares têm precedência sobre o desenvolvimento nacional.

»Todos os que querem ver um fim ao derramamento de sangue no Médio Oriente devem garantir que qualquer acordo não contenha as sementes de um conflito futuro. A justiça exige que o primeiro passo para um acordo seja uma retirada israelita de todos os territórios ocupados em junho de 1967. É necessária uma nova campanha mundial para ajudar a trazer justiça ao tão sofrido povo do Médio Oriente.»(1)

Esta carta tem mais de 55 anos, quase 56.

Repito: "A tragédia do povo da Palestina é que o seu país foi "dado" por uma Potência estrangeira a outro povo para a criação de um novo Estado." A conivência dos poderosos continua a prevalecer sobre o concerto das nações e o desejo da Paz e Justiça mundial. Quanta agressão, imperial e colonialista, o Mundo aguenta mais?

(1) https://abdelmoumenchouichi.medium.com/bertrand-russells-last-message-israel-palestine-war-694eb7a7a99e

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