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sexta-feira, março 24, 2017

TRATADO DE ROMA, IDEAL EUROPEU, PAPA FRANCISCO

TRATADO DE ROMA, IDEAL EUROPEU, PAPA FRANCISCO

Notável discurso, a lembrar os pensamentos, os valores, as vontades e as acções, tão preciosos!, que tantos de nós têm esquecido, começando por tantos líderes e dirigentes, nacionais e europeus, da própria União!
Cita o Papa: «A Comunidade Económica Europeia – declarou o Primeiro-ministro do Luxemburgo Bech - só viverá e terá êxito se, durante a sua existência, se mantiver fiel ao espírito da solidariedade europeia que a criou e se a vontade comum da Europa em gestação for mais forte que as vontades nacionais.» Discurso pronunciado por ocasião da assinatura dos Tratados de Roma (25 de Março de 1957)

(o discurso integral ainda não está disponível em português, mas a síntese da Pastoral da Cultura está muito bem)

terça-feira, junho 17, 2014

Papa Francisco: - Sabe a diferença que existe entre Terrorismo e Protocolo?

Quando (entrevista em 11 de junho) o jornalista Henrique Cymerman questionou o Papa Francisco sobre a sua relação difícil com o "protocolo", o Papa deu-lhe uma resposta magistral! Assim:
Papa Francisco: - Sabe a diferença que existe entre Terrorismo e Protocolo?
Cymerman: - Não...
Papa Francisco: - É que com o Terrorismo pode-se negociar...
Ui!... Que aviso!... Como costumamos dizer, que chapada de luva branca!... As escolas estão cheias de protocolos; a política está cheia de protocolos; as relações institucionais, em geral, estão cheias de protocolos... É evidente que alguns são necessários. Em certa medida, os rituais sociais e culturais são protocolos. Como dizia Konrad Lorenz, servem o objectivo de controlar a agressividade. Mas há rituais, há protocolos; e há muitos exageros de protocolos.
Veja-se hoje como um homem que, como ele próprio um dia disse, "não foi tocado pelo dom da fé - estou a falar de Mário Soares - fala hoje do Papa Francisco num artigo que faz publicar no Diário de Notícias.

quinta-feira, maio 02, 2013

MANDEI VIR OS ÁCIDOS, AS BASES E OS SAIS...


MANDEI VIR OS ÁCIDOS, AS BASES E OS SAIS...
1.º de Maio. Dia de muitos e longos discursos. Depois de ouvir alguns deles - seguramente não os ouvi a todos -, os discursos inflamados dos dirigentes sindicais, dos governantes, do Papa, dos genuinamente sonhadores do proletariado, dos especialistas comentadores das televisões, fiz à Rómulo de Carvalho: mandei vir os ácidos, as bases e os sais, as drogas usadas em casos que tais. Deu-me, afinal, esta coisa simples, já um dia apresentada e descrita no laboratório da simplicidade de António Aleixo:
"O mundo só pode ser
Melhor do que até aqui,
Quando consigas fazer
Mais p'los outros que por ti!".
Por mim, meus queridos poetas, está confirmado o produto desta observação!

domingo, março 31, 2013

Um pensamento para esta Páscoa

http://ventor.blogs.sapo.pt/63608.html
Foi em José Saramago que tomei contacto com a afirmação de Pitigrilli (Dino Segre, pseudónimo) que diz que "O homem é o único animal que consegue distinguir a água benta da água da torneira". Esta afirmação, que choca tanto crente em Deus e em Cristo, parece-me oportuno recordá-la hoje, num dia de celebração tão antiga na nossa cultura.
Mais do que nunca, o homem - os homens poderosos, sobretudo - vivem negando a espiritualidade tremenda que pode ser vislumbrada na afirmação de Pitigrilli. O comportamento de tantos confirma a condição animal, bruta, de que somos feitos; e que apenas o esforço da tradição, da cultura e da educação renovadamente tenta que consigamos, enquanto espécie, enquanto seres gregários, ir um pouco mais além.
Os dizeres bíblicos são, no fundo, bem mais radicais do que a afirmação de Pitigrilli pode apontar.
"Pulvis es, tu in pulverem reverteris: Sois pó, e em pó vos haveis de converter. Sois pó, é a presente; em pó vos haveis de converter, é a futura." relembra o Padre António Vieira (Sermão de Quarta-Feira de Cinzas). Que radicalismo maior pode, na verdade, haver do que este?
A capacidade de simbolização que a frase de Pitigrilli implica é o extraordinário recurso do Homem para ir além da sua condição física essencial. Que o Padre António Vieira esgrime a propósito dos pensamentos e das verdades de Aristóteles. Mais uma vez, como ainda há dias citei a propósito da morte do padre José Fernando, vale bem a frase que um dia Fernando Pessoa ouviu a alguém com quem se cruzou à mesa de um café: "Assim é a vida, mas eu não concordo."
Quantos dos homens que abominam Saramago, que renegam a animalidade recordada por Pitigrilli, e que se benzem enfaticamente depois de tocarem, com gesto lento e delicado, na água benta da pia da igreja; dizia eu, quantos desses homens tratam o Próximo (no mais pleno sentido dos mandamentos das Tábuas do Antigo Testamento) com a mais voraz das animalidades?... Cada vez mais selvaticamente.
Estou curioso, à espera de  ver como o Papa Francisco vai tocar neste estado de coisas...
Mas que os comuns dos mortais não fiquem à espera. A luta de muitos milhares de homens, há muitos milhares de anos, continua a ser o principal fautor das transformações no sentido de melhores condições de vida para um cada vez maior número de seres humanos.