O ABSURDO DA ATENÇÃO E DA ERRADA EDUCAÇÃO
O autor que a seguir cito diz que a capacidade de se concentrar em profundidade é a supercompetência do século XXI.
Não o nego, não o desminto, não o contrario; ao invés, concordo com ele quanto à superimportância da concentração e da atenção.
Por que razões falo eu em «absurdo» e «errada»?
Qualquer mãe ou pai razoavelmente dedicada/o aos filhos bebés observa facilmente a notável capacidade de concentração e atenção com que os bebés nascem.
Por outro lado, todo o saber acumulado pela investigação psicológica e educacional tem já, no mínimo, 200 anos de evidências que confirmam aquilo que os progenitores podem, repito, facilmente observar.
Por isso, quando agora se dá tanta importância à concentração e à atenção — repito: ainda bem! —, que a Educação saiba mesmo o que fazer. E o que há a fazer tem a simplicidade do relato anedótico do Ovo de Colombo: basta ir atrás da natureza curiosa, atenta, reflexiva da criança!
Repare-se: qual é a origem etimológica da palavra «pedagogo»? Eis a resposta:
«A palavra vem do grego παιδαγωγός (paidagōgós), composta por paîs, paidós (“criança, rapaz”) e agōgós (“o que conduz, guia”), do verbo ágein (“conduzir, levar”). À letra, o pedagogo é, portanto, “aquele que conduz a criança”.
O sentido original era muito concreto e bastante mais humilde do que o actual. Na Grécia antiga, o paidagōgós não era o professor: era geralmente um escravo encarregado de acompanhar o rapaz de casa até à escola, levar-lhe os objectos, vigiar-lhe o comportamento na rua e zelar pelas boas maneiras. Quem ensinava era o didáskalos (o mestre das letras) ou o paidotríbēs (o mestre de ginástica). O pedagogo era, por assim dizer, o guardião do caminho, não o dono do saber.» (ANTHROPIC – Claude Opus 5.5 [em linha]. Resposta à pergunta «Qual é a etimologia de pedagogo?». [Consult. 29 Set. 2026]. Disponível em: https://claude.ai)
Foi há 50 anos que comecei a ter contacto com os velhos pedagogos europeus que assim se constituíam como mestres dos seus alunos e de quem o meu mestre João dos Santos tanto gostava de falar.
Sejamos todos pedagogos, sigamos atrás da criança, ou ao lado dela, mas não à frente. Ela não precisa de treinar a atenção; precisa, sim, de não a perder nem de ser desviada dela... pelos pais, pelos educadores e pelos professores!
Na escola, quantas crianças são acusadas de não prestarem atenção ou de estarem distraídas! Pois é: começam logo desde pequeninas a ser (des)educadas no estímulo e treino do processo cognitivo da atenção!
Num comentário reproduzirei o texto na íntegra; por agora, destaco apenas o essencial sobre esta questão:
Raphaël Zaffran (professor da Universidade de Genève): «A minha tese é que a capacidade de se concentrar em profundidade está prestes a tornar-se, se não for já o caso, a supercompetência do século XXI.»
P.: O que quer dizer com isso?
Raphaël Zaffran: «Que a capacidade de se concentrar e de dominar a sua atenção constitui uma metacompetência, a qual sustenta um grande número de outras aptidões. Dito de outro modo, a capacidade de se concentrar em profundidade é uma condição indispensável para a aprendizagem, a criatividade, a deliberação democrática, bem como para encontrar soluções para problemas complexos.»








