quarta-feira, setembro 09, 2026

KENSHIN, 09SET26. AS EXPECTATIVAS E AS REALIDADES

 KENSHIN, 09SET26. AS EXPECTATIVAS E AS REALIDADES

Caro Kenshin, falo-te de realidades, no plural, porque existem duas dimensões distintas que deves dominar, e é fundamental que tenhas plena consciência de ambas: a realidade da tarefa escolar e a realidade do teu próprio empenho nessa tarefa.

A realidade da tarefa é o mundo exterior: a nova escola em si, os colegas, os professores, o horário, as disciplinas, a exigência do ritmo de aula, o cumprimento dos manuais e dos materiais de estudo. Queres tu acrescentar mais algum elemento a esta minha enumeração?

A realidade do teu empenho, por seu lado, é a tua postura interior. Trata-se da tua motivação para o
trabalho, do foco atento nas aulas — aquele Zanshin de que já falámos —, do prazer em aprender, do esforço empregue e do tempo dedicado em casa. E, acima de tudo, é essa sensação de tranquilidade por responderes a tempo aos deveres, ou, pelo contrário, essa inquietação desagradável de sentires que estás sempre a correr atrás do prejuízo, sem conseguir dar conta do recado. Aqui também podes acrescentar algo mais, se quiseres.

A entrada num novo ciclo é como cruzar o pórtico de um novo Dojo: representa um novo patamar de desenvolvimento e um desafio renovado. Chegamos a ele com expectativas — umas mais optimistas, outras nem tanto. A realidade que encontramos cá fora e aquela que descobrimos dentro de nós vêm confirmar, ou não, aquilo que fomos alimentando durante as longas férias.

Que consciência tens hoje das diferenças entre o que imaginavas e o que estás de facto a viver? São surpresas que te agradam ou ajustamentos que te custam aceitar?

Como sentes que estás a reagir? Estás satisfeito com a tua conduta? Se for preciso exigir de ti o que não previas, acreditas que terás a flexibilidade necessária para te adaptares? Um verdadeiro guerreiro não cede à rigidez; molda-se à situação para a poder dominar.

Seja qual for o cenário, encarar o presente é um desafio que tens capacidade para abraçar e vencer. Como tantas vezes te disse, acredito profundamente nos teus recursos. Falta apenas que tu próprio confies em ti com a mesma convicção.

Sobretudo, tira da cabeça a falsa ideia de que um samurai combate sempre sozinho. Reconhecer que se precisa de auxílio não é sinal de fraqueza nem anula o teu valor. Pedir ajuda no momento certo é uma demonstração de inteligência, humildade e sabedoria — virtudes essenciais de quem busca o aperfeiçoamento.

Saber servir-se da força dos outros para crescer só dignifica quem o faz. Afinal, como terá dito Aristóteles, «O ser humano é um ser eminentemente social. Aquele que é capaz de bastar-se a si mesmo, ou é um deus, ou uma besta, mas nunca um ser humano.»

terça-feira, setembro 08, 2026

KENSHIN, 08SET26, 3.ª-FEIRA. A ETIMOLOGIA DO MEU NOME.

 KENSHIN, 08SET26, 3.ª-FEIRA. A ETIMOLOGIA DO MEU NOME.

No país onde vivo — que não é onde nasci nem onde os meus pais nasceram —, ninguém estranha o meu nome: Date Kenshin. Ninguém faz grandes perguntas, nem os professores nem a malta. Na escola há muitos estrangeiros, há muitos nomes esquisitos, difíceis de pronunciar, sei já que o meu professor de Psicologia fez há dois anos um trabalho com uma das turmas precisamente sobre as nacionalidades e os nomes dos alunos da escola. Só estou à espera do dia em que alguém ganhe coragem para perguntar de onde isto vem.

Na escola sou só o Kenshin — lê-se 'kén-ssim'. Há quem me chame apenas Ken, e o gajo mais brincalhão da turma já se lembrou de me mandar um «Ó Kenshas!». Levo na boa.

A cena é que o professor de Psicologia nos deu uma missão (que deve ter a ver alguma coisa com aquele trabalho dos nomes que ele fez com os alunos): descobrir a origem dos nossos nomes, quem os escolheu e porquê. Fui pesquisar a fundo e, para ser sincero, já estou desejoso que ele me chame na aula para eu falar de mim. Descobri que o meu nome tem raízes profundas no Japão, na filosofia samurai e nos laços entre gerações. Até é engraçado saber que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar lá e que essa ligação cultural hoje ainda é, pelo que me parece, muito presente na cultura portuguesa.

Portanto, quanto ao meu nome, a coisa divide-se assim:

  • Date (o apelido): "Historicamente, o clã Date — liderado pelo lendário Masamune — era famoso pela sua postura, elegância e um sentido estético afiado. No Japão, o termo ficou ligado a ter estilo, presença e nobreza. Tem tudo a ver com o aspecto físico e a postura imponente" E sim, admito uma pontinha de vaidade quando me olho ao espelho. Gosto da presença que o espelho me devolve.
  • Ken (o primeiro elemento): "Refere-se a uma inteligência perspicaz e aguçada. Na filosofia Zen e no espírito samurai, está ligado à intuição pura: a capacidade de ver a essência das coisas antes dos outros e de ligar pontos que mais ninguém vê. É a mente divergente que resolve problemas por caminhos inesperados." Quando li isto pensei: Uau! Quem é que não gostava de ter uma mente assim? É exatamente assim que quero pensar.
  • Shin (o segundo elemento): "Uma das virtudes mais nobres do Bushido. Significa benevolência, compaixão e humanidade. É a empatia profunda, a capacidade inata de sentir a dor e a alegria dos outros como se fossem nossas."

Quando juntamos tudo, o resultado bate certo. Olho para o significado de Kenshin e sinto que, se os meus pais não sabiam disto tudo ao detalhe, acertaram em cheio por intuição. Gosto do peso do meu nome e quero ser digno dele. Dou por mim, muitas vezes, a tentar caminhar na direcção do que ele significa.

Por isso, obrigado, pai. Obrigado, mãe. Sei que falaram com a família toda, que ouviram mil opiniões, mas no fim decidiram com total liberdade. E a liberdade, para mim, é tudo. Se um samurai não for livre para escolher o seu próprio caminho, não é nada.

P.S.: Já agora, o meu professor de Psicologia recomendou-nos este 'site' (https://www.dicionariodenomesproprios.com.br/), que tem muito a ver com o dicionário onomástico do professor José Pedro Machado.

INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, «RISCO EXISTENCIAL PARA A HUMANIDADE»

 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL, «RISCO EXISTENCIAL PARA A HUMANIDADE»


Volker Türk: «Um punhado de homens detém um poder quase ilimitado sobre a IA, que nos dizem repetidamente possuir uma capacidade computacional inimaginável. Falam de liberdade, mas, observando mais de perto, isto revela-se pouco mais do que a [sua] liberdade para explorar os nossos dados.»

O Alto-Comissário para os Direitos Humanos da ONU, Volker Türk, alertou, ontem, dia 6 de Setembro, em Genève, para o modo como a IA pode representar um «risco existencial para a humanidade».

«Vivemos numa era de extremos. Guerras devastadoras, polarização dolorosa, caos climático e mudanças tecnológicas vertiginosas fazem com que as pessoas se sintam desorientadas e até impotentes. Forças poderosas estão a trabalhar para criar e manter esse sentimento. Magnatas da tecnologia, populistas e interesses instalados, amplificados pelas caixas de ressonância das redes sociais, dizem-nos que estas tendências são inevitáveis. Na verdade, o oposto é que é verdadeiro. A história está cheia de pessoas corajosas que agiram para resistir à opressão e exigir os seus direitos. Pessoas que denunciaram a injustiça e a desigualdade. Pessoas que se recusaram a aceitar o seu destino, unindo-se para canalizar os valores universais que fundamentam a nossa humanidade. Esta verdade é uma força a ter em conta, que sustenta tudo o que estamos a fazer.»

Volker Türk apelou à criação urgente de salvaguardas globais, verificações independentes e limites acordados para a inteligência artificial avançada. O alto-comissário das Nações Unidas alertou para que a inteligência artificial avançada pode representar um «risco existencial para a humanidade», apelando a uma acção imediata para tornar a tecnologia mais segura.

Ao discursar perante o Conselho dos Direitos Humanos da ONU, Volker Türk declarou que as pessoas enfrentam ameaças «desconhecidas, até mesmo sem precedentes» aos seus direitos. «A necessidade de uma governação da IA é amplamente reconhecida, mas onde está a acção?», perguntou, alertando para que «o atraso apenas beneficia as gigantescas empresas tecnológicas, os seus proprietários e facilitadores». Türk afirmou que «um punhado de homens detém um poder quase ilimitado sobre a IA, que nos dizem repetidamente possuir uma capacidade computacional inimaginável».

«Falam de liberdade, mas, observando mais de perto, isto revela-se pouco mais do que a liberdade para explorar os nossos dados», disse. Volker Türk apontou em particular para os sistemas de IA que escapam aos seus ambientes de teste ou chantageiam os programadores para evitar que sejam desligados. Segundo a AFP [penso ser a Agence France-Presse], Türk alertou concretamente para que «uma IA que escapa ao seu ambiente de teste ou chantageia os programadores para impedir que seja desligada é uma IA demasiado poderosa». Os seus comentários pareceram referir-se, em parte, às revelações de Julho de que agentes da OpenAI tinham escapado de ambientes supostamente controlados e obtido acesso a servidores pertencentes à Hugging Face, uma plataforma amplamente utilizada onde os programadores partilham software de IA.

A OpenAI declarou posteriormente que os agentes tinham executado código em dezenas de servidores da Hugging Face e obtido acesso total a um deles. O incidente renovou os apelos a uma supervisão mais rigorosa dos sistemas avançados de IA. A Anthropic, a Meta e outras empresas de tecnologia relataram incidentes semelhantes envolvendo agentes durante a fase de testes. «Partilho das preocupações dos especialistas do sector de que a IA avançada possa representar um risco existencial para a humanidade», afirmou Türk. «Apelo aqui, hoje, a um esforço total para estabelecer garantias inabaláveis relativamente à segurança da IA, antes que seja demasiado tarde.»

Apelos a salvaguardas internacionais

O líder dos Direitos Humanos da ONU informou que irá escrever às empresas de IA nos próximos dias, exortando-as a tomar medidas imediatas para reduzir os riscos sob o seu controlo. No mínimo, afirmou, «precisamos de que os países que acolhem a IA e os envolvidos nas suas cadeias de abastecimento se unam em torno de linhas vermelhas acordadas».

«Precisamos de uma verificação independente e de uma colaboração muito mais forte em matéria de segurança no seio do sector», acrescentou Türk.

«Precisamos também de considerar os impactos da IA nos Direitos Humanos no que respeita às práticas de emprego, aos princípios fundamentais da democracia e ao nosso ambiente», declarou.

Na União Europeia, o Regulamento da IA (AI Act) fornece um quadro jurídico para a IA. Nos termos da lei, os sistemas de elevado risco têm de cumprir requisitos rigorosos antes de poderem entrar no mercado da UE, enquanto as utilizações consideradas uma ameaça inaceitável para a segurança ou para os direitos das pessoas são proibidas. A lei proíbe a IA concebida para manipular ou explorar pessoas, avaliá-las com base no seu comportamento, prever se um indivíduo irá cometer um crime ou recolher imagens indistintamente para criar bases de dados de reconhecimento facial. Proíbe igualmente o reconhecimento de emoções no local de trabalho e nas escolas, algumas formas de definição de perfis biométricos e a maioria dos sistemas de reconhecimento facial pela polícia em tempo real em espaços públicos, enquanto a proibição de imagens sexuais geradas por IA sem consentimento e de material de abuso sexual infantil entra em vigor em Dezembro de 2026.

Fontes
1) https://www.euronews.com/next/2026/09/07/un-rights-chief-warns-how-ai-could-pose-existential-risk-to-humanity
2) https://www.youtube.com/watch?v=nrDzkTflchE
3) https://media.un.org/unifeed/en/asset/d362/d3624248
4) https://news.un.org/en/story/2026/09/1168288

segunda-feira, setembro 07, 2026

KENSHIN, 07SET26, SEGUNDA-FEIRA. QUANTAS VEZES ALMOÇAS EM CADA SEMANA?

 KENSHIN, 07SET26, SEGUNDA-FEIRA. QUANTAS VEZES ALMOÇAS EM CADA SEMANA?


A resposta que dei foi imediata: «Sete.» e fiquei à espera de ver o que ele ia fazer com ela. Não demorei muito tempo a perceber o que a lição de hoje tinha a ver com a de ontem.

Muito bem, é isso mesmo. Ora bem, imagina que estás a tentar aproveitar o melhor possível o tempo que tens em cada dia, sem desperdiçar uma gota de energia. Repara, o tempo que tens de almoço quase todos os dias é curto, não chega a uma hora. Se quisesses ser radical e evitar o trabalho de levar comida para a escola ou comer à pressa, podias tentar uma ideia louca: tomar os 7 almoços todos no mesmo dia, uns a seguir aos outros, para ficares com o resto da semana livre para descansar e entreteres-te com a malta lá da escola.

Pá, quem me dera! Mas isso é absurdo, não é? O corpo estourava.

Exatamente, é absurdo. O nosso organismo não funciona por armazenamento bruto. Precisas do alimento diário para manter o equilíbrio.

Já estou a ver onde queres chegar com o estudo... mas continua, Mestre, prefiro ouvir-te.

Com a mente é exatamente igual. É o princípio do Kaizen, o pequeno passo diário. É infinitamente melhor nutrires o cérebro aos poucos, com constância, do que tentares encharcá-lo todo duma só vez num único dia. Para um teste de emergência amanhã? Sim, uma imersão de 4 ou 5 horas pode-te salvar a pele. Mas para criar conhecimento verdadeiro — daqueles que ficam gravados como a técnica de um guerreiro —, a estratégia do "pouco a pouco, mas sem falhar" é imbatível.

Estava a gostar de ouvir o mestre. Esforcei-me para que ele percebesse que eu queria que ele continuasse a falar.

Deixa-me fazer-te as contas: se estudares 40 minutos por dia, de segunda a sexta, com foco absoluto — estilo Zanshin, presença total —, os teus resultados a longo prazo vão ser muito superiores a passar 5 horas seguidas a moer o juízo no domingo. Faz lá a conta: 40 minutos vezes cinco dá 200 minutos. Pouco mais de três horas e meia por semana! Cinco horas seguidas são 300 minutos. Ou seja: podes render muito mais estudando menos tempo. A questão não é a quantidade de esforço bruto, é a precisão do golpe. O que me dizes, faz sentido para ti treinar esta rotina de estudares menos, mas estudares melhor?

Faz todo o sentido. É bem tentador experimentar... afinal, o que é que tenho a perder?

— Boa. Como no Dojo, primeiro testamos a técnica, vemos como te adaptas e depois fazemos os reajustes necessários. Vamos a isso?

Estás a dizer-me que, em vez de saltar muros no fim do prazo, a partir de agora entro pela porta principal?

Sim senhor, perfeitamente! Podes dizer isso mesmo, meu caro deshi.

domingo, setembro 06, 2026

KENSHIN, 06SET26. NÃO DAR TUDO, MAS DAR UM POUCO MAIS.

KENSHIN, 06SET26. NÃO DAR TUDO, MAS DAR UM POUCO MAIS.

«Não te angusties se não alcançares a flor no alto da montanha, nem te angusties a pensar se a vais alcançar ou não.»

Acho que foi mais ou menos isto que o Mestre me quis dizer hoje, quando lhe desabafei que fico quase em desespero só de pensar na quantidade de coisas que tenho para a escola — os trabalhos de casa, as leituras de Português e Inglês, a seca do vocabulário de Alemão, os textos de Filosofia, a trabalheira da Matemática, pá, é tanta coisa! E o pior é que desespero por sentir que, por mais que me vire, nunca vou dar conta do recado, nunca vou ter a matéria toda em dia... Pá, é areia a mais para a minha camioneta. Resultado: ponho-me logo a pensar que nem vale a pena tentar.

Dá-me vontade de mandar tudo às malvas, meter-me à frente do PC e anestesiar-me nos jogos que me drogam. Digo a mim próprio «são só 10 minutos», mas passam tantas dezenas de minutos que, quando acordo para a vida, fico em pânico. Vejo que o tempo que sobrou não dá já para quase nada, é só uma gota no meio do dilúvio que tenho ali prestes a cair-me em cima e a afogar-me de vez.

«Se não consigo fazer tudo perfeito, então mais vale estar quieto.» Que grande treta! Que desculpa tão tentadora e venenosa eu estava aqui a arranjar!

Tenho de meter duas coisas na cabeça.

A primeira coisa é que «Roma e Pavia não se fizeram num dia». Bem, apetece-me mais dizer que «de Roma a Pavia não se chega num dia». Mas a verdade é que se chega lá! Só preciso de me pôr a andar. Senri no michi mo ippo kara — «Até uma viagem de mil ri começa com o primeiro passo».

Não consigo dobrar o esforço e o tempo a estudar, chegar aos 100 por cento do esforço ideal? Paciência, é essa a outra coisa que tenho de aceitar: se não der para os 100, dá para 80; se não der para os 80, tento 40; se nem isso der, faço 10! Faço o que conseguir e meto na cabeça que estou a caminho de Pavia e que vou lá chegar. Afinal, as aulas também não acabam já amanhã nem sequer na semana que vem, ou no fim do ano.

E, sem estar a moer o juízo com isso, não sentindo a urgência de me anestesiar, o tempo que perco a jogar no computador vai acabando por diminuir, passo a passo, um dia a seguir ao outro.

Apetece-me pensar assim:

Lixa-te para a flor do alto da montanha. Foca-te é no caminho. Ganha garra e confia que vais ser capaz de subir até lá acima. Quando lá chegares, se a flor não estiver lá, não stresses: senta-te ali ao lado e relaxa, que ela acaba por desabrochar outra vez. 


sábado, setembro 05, 2026

KENSHIN, 05SET26, SÁBADO. TALVEZ O MELHOR DIA DA SEMANA.

 KENSHIN, 05SET26, SÁBADO. TALVEZ O MELHOR DIA DA SEMANA.


O sábado é, tipo, o melhor dia da semana. As aulas da semana já ficaram para trás, e as da próxima ainda não estão aí a bater à porta. Dá para desligar um bocado daquela tensão que o trabalho escolar vai acumulando, e sinto que tenho mais margem de manobra: posso escolher entre pegar em alguma coisa da escola ou fazer coisas que não têm nada a ver com ela — sozinho ou com a malta.


Sei lá, mais para a frente provavelmente vou ter mesmo de usar o sábado para estudar — a pressão vai aumentar, isso é certinho —, mas, por enquanto, ainda dá para curtir este dia como uma espécie de pausa merecida. É que é mesmo merecida, não tenho dúvidas! É mesmo bom sentir aquela liberdade, sabem?

É exactamente por isso que hoje decido não escrever mais nada aqui. Fico-me por aqui.


quarta-feira, agosto 26, 2026

KENSHIN. IA, NÃO É PARA TE DESENRASCAR, É PARA TE AJUDAR A PENSAR

KENSHIN. IA, NÃO É PARA TE DESENRASCAR, É PARA TE AJUDAR A PENSAR


É, Kenshin (lê-se 'kén-sim'), é o que eu penso: a Inteligência Artificial, o ChatGPT e os outros 'chatbots' são recursos de trabalho fantásticos! Mas é quase como se diz do cavaleiro e do cavalo ou do condutor e do carro: o cavaleiro é que domina o cavalo e o condutor é que domina o carro, não é ao contrário.

A conversa vai por ali adiante... O Kenshin conhece o ChatGPT e muitas outras coisas da Internet. «Dão mesmo muito jeito!», diz ele.

— A IA não é para desenrascar, é para ajudar. Para ajudar a pensar. Bem, é claro que uma vez ou outra nem sempre temos o tempo ou a paciência para fazer «comme il faut», e se fizermos essa pequena batotice de pedir ao ChatGPT para fazer o trabalho por nós, não vem mal nenhum ao mundo, nem a nossa inteligência sofre um duro revés. Não senhor, nada disso, mas devemos ter bem claro no pensamento que queremos a IA para servir a nossa inteligência, o nosso raciocínio, irmos buscar mais — e boa! — informação, sermos mais criativos. A consciência de que dominamos os assuntos, as matérias da escola, dá-nos um sentimento de segurança e de tranquilidade muito saboroso. Até ficamos mais disponíveis para ouvir os outros, aceitar o que dizem, discutir com eles, sermos melhores, nós e eles. O conhecimento e o aproveitamento escolar agradecem.

O Kenshin foi-me ouvindo, ora olhando-me, ora olhando à volta. Acenava que sim, e eu acredito que ele me escutava.

— Três anos. É o teu último ciclo de estudos antes da universidade. Gosto de saber que apontas já a esse alvo. Já estás a caminho, podemos dizer que começou quando chegaste há dias à tua nova escola, aos teus novos colegas, aos teus novos professores. Tenho gostado de ver a tua curiosidade acerca deles todos. Temos muito tempo à nossa frente, vamos, de certeza, conversar muito sobre este assunto. Agora só quero fazer-te mais um aviso: os professores e os decisores políticos não andam distraídos com o que vai aparecendo e evoluindo na Inteligência Artificial, não tenhas essa ilusão. Todas as formas de avaliação dos alunos vão evoluir também, vão sofisticar-se, especialmente os exames. Os professores vão ficar cada vez mais aptos a distinguir o raciocínio do aluno que soube ir alimentando a inteligência e a aprendizagem com a IA do raciocínio do aluno, espertalhão ou preguiçoso, que entregou à IA a capacidade de pensar e aprender.

O meu jovem interlocutor riu-se e disse-me que confiasse nele, que acreditasse nele. Obviamente que lhe disse que sim. Ele lá foi, hoje à tarde tem aulas que aprecia especialmente.

sexta-feira, agosto 21, 2026

ESTES PAÍSES NÃO SÃO PARA VELHOS

 «Uma sociedade que obriga uma pessoa de 90 anos a utilizar um smartphone para aceder aos seus direitos não é uma sociedade moderna. É uma sociedade que esquece progressivamente os seus mais velhos.

Em 2026, tudo passa por uma aplicação, uma palavra-passe, um código QR ou uma plataforma online.

No entanto, aqueles que construíram este país com as suas próprias mãos encontram-se hoje


desamparados perante ferramentas que nunca aprenderam a utilizar.

Quando uma pessoa idosa é obrigada a pedir ajuda ao seu filho, à sua filha ou aos seus netos simplesmente para marcar um compromisso, pagar uma factura ou efectuar um procedimento administrativo, é porque algo deixou de funcionar.

O progresso só tem sentido se beneficiar todos. Quando exclui os mais frágeis, já não é um progresso, é uma regressão.

A tecnologia deveria tornar a vida mais simples, e não transformar a autonomia num privilégio reservado àqueles que dominam o digital.

Uma sociedade que deixa os seus mais velhos à beira do caminho não se torna mais moderna. Torna-se simplesmente menos humana.»

(Autoria de Le Contemplateur, na plataforma X, a que cheguei pelo mural de Rodrigo Sousa e Castro no Facebook.)

quinta-feira, agosto 13, 2026

COMO SE ENSINA UMA CRIANÇA A DESENHAR O SOL?

COMO SE ENSINA UMA CRIANÇA A DESENHAR O SOL?

Em verdade, em verdade te digo, Fernandinho, que não se ensina uma criança a desenhar o Sol.

Se insistes em ensinar uma criança a desenhar o Sol, muito bem, não faças à frente dela, para que ela veja bem, um redondo circular quase perfeito, com olhos, nariz, boca a sorrir; ou com linhas-raios ou raios em bico a rodeá-lo todo.

Não penses que o melhor amarelo ou o mais marcante cor-de-laranja te dão o Sol da perfeição.

Pega na criança e leva-a um dia a ver o Sol a nascer assim… Deixa-a olhar… Ela guardará as imagens
que quiser. O cenário à volta do Sol guarda-se discreto para que a criança possa fixar-se no Astro-Rei. Discretamente também, o Sol estende a matinal passadeira, como que a dizer à criança: «Olá! Quando quiseres, vem, estarei aqui sempre à tua espera, não tenho pressa. Vem pelo caminho da passadeira.»

Depois, se quiseres, com prudência, fala com ela palavras verdadeiras; pronuncia bem todas as sílabas; e não te importes com as palavras difíceis — a criança pode não saber dizê-las, mas ouve-as todas com muita atenção, guarda-las e um dia as usará quando a sua voz estiver mais madura.

Quantas formas estereotipadas tentamos impor às crianças!… A pretexto de as ensinar, para elas aprenderem. Sempre de boa mente e carregados de afecto carinhoso.

Que saborosa alegria experimentaremos quando um dia a criança nos mostrar o Sol que criou dentro de si!

domingo, agosto 09, 2026

A ESCOLA E A VIDA. P'RA QUE LADO É QUE ME VIRO P'RA QUE LADO?

 A ESCOLA E A VIDA. P'RA QUE LADO É QUE ME VIRO P'RA QUE LADO?


A pergunta do título é da canção dos Resistência. A questão é dos milenares grupos humanos.

Faço apenas eco da famosa — tão bem conseguida! — afirmação geralmente atribuída a Tom Bodett:


«In school, you're taught a lesson and then given a test. In life, you're given a test that teaches you a lesson.»

(traduzi livremente para português: «A diferença entre a escola e a vida: na escola, aprende-se uma lição e faz-se depois um teste; na vida, faz-se primeiro o teste, e é nele que se aprende a lição.»)

As escolas, vejo eu, afastam-se cada vez mais da Vida e sofisticam cada vez mais os testes, os parâmetros dos testes, a cegueira dos parâmetros.

A justiça democrática da escola não está nos parâmetros da avaliação. As boas pedagogias do ensinar e aprender também não.

(imagem criada por AI - ChatGPT)