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domingo, março 23, 2014

"Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"

O Facebook e o Twitter beneficiam ou prejudicam a nossa felicidade?
http://stewards.snre.umich.edu/sites/alumni.snre.umich.edu/
files/styles/large/public/articles/lama-spring08.jpg?itok=iiTSYrhQ
Dalai Lama: - "Depende do modo como os usamos. Se a pessoa tem uma certa força interior, uma certa confiança, não há problema. Mas se a mente de uma pessoa é fraca, então existe mais confusão. A culpa não é da tecnologia. Depende do utilizador da tecnologia."
(Em Portugal, ver revista Visão, n.º 1098, 20 a 26 de março de 2014, p. 106)


O Dalai Lama tem sido um muito ativo animador de encontros entre gentes de todo o mundo, de muitas especialidades científicas, para reflexão sobre o cérebro, a força das emoções e o poder da inteligência e a mente; na senda da promoção do bem-estar. Tem sido mesmo um esforço notável, por exemplo, no âmbito do Mind  Life Institute.


Do Facebook and Twitter help or hurt our happiness?
It depends on how you use them. If the person, himself or herself, has a certain inner strength, a certain confidence, then it is no problem. But if an individual’s mind is weak, then there is more confusion. You can’t blame technology. It depends on the user of the technology.

terça-feira, agosto 13, 2013

A generosidade das pessoas pobres

The poor people are often the most generous.
                Foi uma versão desta fotografia publicada pelo Rui Ferreira no seu mural do Facebook, no sábado, dia 7 de agosto, que fez riscar o fósforo para mais um pequeno lume de escrita.
                Há uma história que trago por passar ao papel desde a aventura Comenius em Rzeszów, na Polónia, no princípio de junho de 2011. Como me pareceu logo que seria uma história simples de contar, e de que seria fácil lembrar-me, fui adiando…
                A fotografia que prendeu a atenção do Rui e que ele quis mostrar a todos exibe o rosto de uma velhinha sorridente que desperta ternura e boa disposição. É em mãos assim que a gente gosta de encontrar a tentação das maçãs, em vez de as recebermos da bruxa má da Bela Adormecida. Simpática em si mesma, por toda a composição, a fotografia no mural do Rui acrescenta, à esquerda da querida velhinha, a afirmação, em inglês, “As pessoas pobres são, muitas vezes, as mais generosas.” Penso que não é só porque sejam pobres, é também porque têm um modo muito particular de estar na vida, que em ambientes de vida simples e essencialmente gregária é, felizmente, comum. Temos tendência a pensar que essa é a ambiência dos campos, onde os modelos de desenvolvimento humano marcado pela ávida acumulação material ainda não tomou domínio. Sendo possivelmente verdadeira esta ideia, a Internet, hoje em dia, também repete outras imagens sobre a generosidade da pobreza, como esta, a do rapaz e do cão.
                Para mim, a imagem desta velhinha tem um extra de carinho e ternura; e de saudade: a senhora parece-se muito, na expressão do rosto, na cor e nas formas das roupas e do lenço na cabeça… Na varanda!... Sim, na posição do corpo à varanda, a senhora, dizia eu, parece-se muito com a minha avó materna, a avó Rosa.
                A história que a fotografia do Rui me trouxe de volta passou-se, como já disse, na Polónia, em Rzeszów, quando ali estava com colegas e alunos numa aventura do projeto escolar Comenius.
                Num momento livre de programa oficial, andava eu com alguns alunos na praça central da cidade, deambulando, sem propósito claro a conduzir-nos; passeávamos, pura e simplesmente, por isso, ora aqui ora ali, um de nós se afastava um pouco e logo depois se juntava ao resto do grupo.
                Numa das vezes de ser eu a estar um pouco afastado, quando olhei à procuro do grupo, ele estava ali bem perto, e reparei que alguns dos miúdos se encolhiam encostados uns aos outros. Todos olhavam na mesma direção: ali bem à frente deles estava um sujeito de ar vagabundo e era seguramente o seu aspeto que intimidava os jovens portugueses. Aproximei-me devagar, esforçadamente desejando não acelerar o passo, mostrando toda a tranquilidade do mundo. O senhor tentava que os jovens portugueses lhe respondessem, alguns deles faziam aqueles esgares que todos nós fazemos quando algum cheiro nauseabundo nos sensibiliza a pituitária.
                Meti-me na conversa e percebi que o senhor tentava falar com a rapaziada em português. Não foi difícil tornar-me o principal interlocutor do senhor. Percebi que ele tinha tentado o sonho de uma vida melhor em Portugal mas as coisas não tinham corrido bem. Falou de várias localidades portuguesas; não foi Lisboa a principal povoação a acolhê-lo, isso sim, uma povoação do interior do País. Teve de desistir e voltar para a terra natal tão ou ainda mais pobre do que quando de lá (cá) saíra. 

Foi uma garrafa destas que o senhor me deu.
                Gostou de estar a conversar connosco e de me ter como ouvinte ativo que lhe sorriu, o cumprimentou e não teve relutância em o tocar com afeto. O senhor tinha na mão um usado saco de plástico. Quando nos preparávamos para despedir, olhou difusamente, e remexeu-se nervosamente, como a gente olha e se agita quando percorremos com a mente o que temos nos bolsos das calças ou noutra coisa qualquer que tenhamos connosco, à procura às vezes nem sabe bem a gente de quê. Meteu a mão direita ao saco e de lá tirou uma cerveja. O saco ficou vazio. Estendeu a garrafa na minha direção e disse mais ou menos assim: “Tome, é para si, é tudo o que tenho, fico muito contente que o senhor a beba, eu depois arranjo outra para mim.” Mostrei-me satisfeito e agradeci-lhe carinhosamente a cerveja, prometendo-lhe bebê-la quando estivesse com amigos e pudesse falar de quem me tinha dado a cerveja; e que, depois, guardaria comigo, em minha casa, a garrafa, para sempre me poder lembrar da conversa agradável que com ele tive na sua terra. O senhor afastou-se de nós. Ia certamente contente; a rapaziada toda agora também estava de rosto alegre por ter participado naquela pequena experiência social que - imagine-se! – levou todos, por uns instantes, pelo protagonismo de um pobre homem, à terra natal de todos. Que situação!... Parecia que as coisas estavam ao contrário: quem tinha aspeto de pedinte era quem dava uma esmola a quem mostrava ser turista em condições de a dar!
                Decidi que não beberia a cerveja sem antes escrever a história. Aqui está.
                Rui, meu querido amigo, quando voltar, daqui a dias, para Lisboa (estou na Horta) vou, seguramente com alguma ansiedade, olhar o prazo de validade da cerveja. Espero que ainda esteja em condições de ser bebida; esteja ou não, será aberta ao pé de amigos, aos quais falarei da história. E porque não saborear a cerveja contigo e mais malta da nossa, Rui? Estás nessa?...


terça-feira, agosto 02, 2011

Mais informação, menos conhecimento

Este texto foi-me endereçado pela minha querida amiga Maria João Cordeiro, que tem mantido sempre uma sensibilidade muito arguta e e colaborante relativamente às minhas preocupações científicas e pedagógicas. Muito obrigado, João!
Não subscrevo integralmente as apreciações que o texto contém, nem do autor, nem das pessoas referidas no texto. Mas a reflexão de Mario Vargas Llosa tem o condão de ser clara e muito aberta, a deixar-se no ponto ótimo para induzir a discussão. Por mim, seguramente vou usá-lo, seja junto de alunos, de colegas professores e de pais.


Promedio (30 votes)
Por: Mario Vargas Llosa
Nicholas Carr estudió Literatura en Dartmouth College y en la Universidad de Harvard y todo indica que fue en su juventud un voraz lector de buenos libros. Luego, como le ocurrió a toda su generación, descubrió el ordenador, el Internet, los prodigios de la gran revolución informática de nuestro tiempo, y no sólo dedicó buena parte de su vida a valerse de todos los servicios online y a navegar mañana y tarde por la red; además, se hizo un profesional y un experto en las nuevas tecnologías de la comunicación sobre las que ha escrito extensamente en prestigiosas publicaciones de Estados Unidos e Inglaterra.
Un buen día descubrió que había dejado de ser un buen lector, y, casi casi, un lector. Su concentración se disipaba luego de una o dos páginas de un libro, y, sobre todo si aquello que leía era complejo y demandaba mucha atención y reflexión, surgía en su mente algo así como un recóndito rechazo a continuar con aquel empeño intelectual. Así lo cuenta: “Pierdo el sosiego y el hilo, empiezo a pensar qué otra cosa hacer. Me siento como si estuviese siempre arrastrando mi cerebro descentrado de vuelta al texto. La lectura profunda que solía venir naturalmente se ha convertido en un esfuerzo”.
Preocupado, tomó una decisión radical. A finales de 2007, él y su esposa abandonaron sus ultramodernas instalaciones de Boston y se fueron a vivir a una cabaña de las montañas de Colorado, donde no había telefonía móvil y el Internet llegaba tarde, mal y nunca. Allí, a lo largo de dos años, escribió el polémico libro que lo ha hecho famoso. Se titula en inglés The Shallows: What the Internet is Doing to Our Brains y, en español: Superficiales: ¿Qué está haciendo Internet con nuestras mentes? (Taurus, 2011). Lo acabo de leer, de un tirón, y he quedado fascinado, asustado y entristecido.
Carr no es un renegado de la informática, no se ha vuelto un ludita contemporáneo que quisiera acabar con todas las computadoras, ni mucho menos. En su libro reconoce la extraordinaria aportación que servicios como el de Google, Twitter, Facebook o Skype prestan a la información y a la comunicación, el tiempo que ahorran, la facilidad con que una inmensa cantidad de seres humanos pueden compartir experiencias, los beneficios que todo esto acarrea a las empresas, a la investigación científica y al desarrollo económico de las naciones.
Pero todo esto tiene un precio y, en última instancia, significará una transformación tan grande en nuestra vida cultural y en la manera de operar del cerebro humano como lo fue el descubrimiento de la imprenta por Johannes Gutenberg en el siglo XV que generalizó la lectura de libros, hasta entonces confinada en una minoría insignificante de clérigos, intelectuales y aristócratas. El libro de Carr es una reivindicación de las teorías del ahora olvidado Marshall McLuhan, a quien nadie hizo mucho caso cuando, hace más de medio siglo, aseguró que los medios no son nunca meros vehículos de un contenido, que ejercen una solapada influencia sobre éste, y que, a largo plazo, modifican nuestra manera de pensar y de actuar. McLuhan se refería sobre todo a la televisión, pero la argumentación del libro de Carr y los abundantes experimentos y testimonios que cita en su apoyo indican que semejante tesis alcanza una extraordinaria actualidad relacionada con el mundo del Internet.
Los defensores recalcitrantes del software alegan que se trata de una herramienta y que está al servicio de quien la usa y, desde luego, hay abundantes experimentos que parecen corroborarlo, siempre y cuando estas pruebas se efectúen en el campo de acción en el que los beneficios de aquella tecnología son indiscutibles: ¿quién podría negar que es un avance casi milagroso que, ahora, en pocos segundos, haciendo un pequeño clic con el ratón, un internauta recabe una información que hace pocos años le exigía semanas o meses de consultas en bibliotecas y a especialistas? Pero también hay pruebas concluyentes de que, cuando la memoria de una persona deja de ejercitarse porque para ello cuenta con el archivo infinito que pone a su alcance un ordenador, se entumece y debilita como los músculos que dejan de usarse.
No es verdad que el Internet sea sólo una herramienta. Es un utensilio que pasa a ser una prolongación de nuestro propio cuerpo, de nuestro propio cerebro, el que, también, de una manera discreta, se va adaptando poco a poco a ese nuevo sistema de informarse y de pensar, renunciando poco a poco a las funciones que este sistema hace por él y, a veces, mejor que él. No es una metáfora poética decir que la “inteligencia artificial” que está a su servicio, soborna y sensualiza a nuestros órganos pensantes, los que se van volviendo, de manera paulatina, dependientes de aquellas herramientas, y, por fin, en sus esclavos. ¿Para qué mantener fresca y activa la memoria si toda ella está almacenada en algo que un programador de sistemas ha llamado “la mejor y más grande biblioteca del mundo”? ¿Y para qué aguzar la atención si pulsando las teclas adecuadas los recuerdos que necesito vienen a mí, resucitados por esas diligentes máquinas?
No es extraño, por eso, que algunos fanáticos de la Web, como el profesor Joe O’Shea, filósofo de la Universidad de Florida, afirme: “Sentarse y leer un libro de cabo a rabo no tiene sentido. No es un buen uso de mi tiempo, ya que puedo tener toda la información que quiera con mayor rapidez a través de la Web. Cuando uno se vuelve un cazador experimentado en Internet, los libros son superfluos”. Lo atroz de esta frase no es la afirmación final, sino que el filósofo de marras crea que uno lee libros sólo para “informarse”. Es uno de los estragos que puede causar la adicción frenética a la pantallita. De ahí, la patética confesión de la doctora Katherine Hayles, profesora de Literatura de la Universidad de Duke: “Ya no puedo conseguir que mis alumnos lean libros enteros”.
Esos alumnos no tienen la culpa de ser ahora incapaces de leer La Guerra y la Paz o el Quijote. Acostumbrados a picotear información en sus computadoras, sin tener necesidad de hacer prolongados esfuerzos de concentración, han ido perdiendo el hábito y hasta la facultad de hacerlo, y han sido condicionados para contentarse con ese mariposeo cognitivo a que los acostumbra la red, con sus infinitas conexiones y saltos hacia añadidos y complementos, de modo que han quedado en cierta forma vacunados contra el tipo de atención, reflexión, paciencia y prolongado abandono a aquello que se lee, y que es la única manera de leer, gozando, la gran literatura. Pero no creo que sea sólo la literatura a la que el Internet vuelve superflua: toda obra de creación gratuita, no subordinada a la utilización pragmática, queda fuera del tipo de conocimiento y cultura que propicia la Web. Sin duda que ésta almacenará con facilidad a Proust, Homero, Popper y Platón, pero difícilmente sus obras tendrán muchos lectores. ¿Para qué tomarse el trabajo de leerlas si en Google puedo encontrar síntesis sencillas, claras y amenas de lo que inventaron en esos farragosos librotes que leían los lectores prehistóricos?
La revolución de la información está lejos de haber concluido. Por el contrario, en este dominio cada día surgen nuevas posibilidades, logros, y lo imposible retrocede velozmente. ¿Debemos alegrarnos? Si el género de cultura que está reemplazando a la antigua nos parece un progreso, sin duda sí. Pero debemos inquietarnos si ese progreso significa aquello que un erudito estudioso de los efectos del Internet en nuestro cerebro y en nuestras costumbres, Van Nimwegen, dedujo luego de uno de sus experimentos: que confiar a los ordenadores la solución de todos los problemas cognitivos reduce “la capacidad de nuestros cerebros para construir estructuras estables de conocimientos”. En otras palabras: cuanto más inteligente sea nuestro ordenador, más tontos seremos.
Tal vez haya exageraciones en el libro de Nicholas Carr, como ocurre siempre con los argumentos que defienden tesis controvertidas. Yo carezco de los conocimientos neurológicos y de informática para juzgar hasta qué punto son confiables las pruebas y experimentos científicos que describe en su libro. Pero éste me da la impresión de ser riguroso y sensato, un llamado de atención que –para qué engañarnos– no será escuchado. Lo que significa, si él tiene razón, que la robotización de una humanidad organizada en función de la “inteligencia artificial” es imparable. A menos, claro, que un cataclismo nuclear, por obra de un accidente o una acción terrorista, nos regrese a las cavernas. Habría que empezar de nuevo, entonces, y a ver si esta segunda vez lo hacemos mejor.

quarta-feira, julho 27, 2011

A estética do falhanço, ainda a lamentável morte do rapaz que "toureava" carros

Ontem já, dia 26 de Julho, o padre José Luís Borga deixou, na sua página do Facebook, um comentário interessante sobre este assunto, centrando-se no caso do jovem que morreu quando, com outros, se entretinha a "tourear" os carros.
Hoje, a edição em linha do Diário de Notícias, traz um texto também muito interessante, do comentador cinéfilo João Lopes, sobre, não o caso de que fala o padre José Borga, mas sobre o fenómeno social em que o caso se insere.
No meu entender, sem conjunto, os dois textos são excelentes pontos de partida para "partir pedra" (há muita pedra para partir!) nas escolas, nas famílias, nas comunidades locais, na comunicação social; e, claro, entre os decisores políticos.
Tudo isto tem a ver com opções, com valores, com prioridades sociais. Com educação; com muita educação! Com a maneira como decidimos tecer as relações sociais (que começam em casa e na escola; com os governos a garantirem condições para que possa haver tempo - e valorização, repito! - para que tais relações aconteçam e deem frutos).

O texto do Diário de Notícias:
A estética do falhanço - Opinião - DN
Há uma narrativa mediática, de raiz televisiva, que nos leva a identificar uma "juventude-YouTube" que, enredada nas ambiguidades do mundo virtual, se compraz em encenar-se através dos dispositivos mais extremados: agredindo, desafiando a morte, morrendo...
É um facto que a imagem não é estranha a tais vertigens, envolvendo mesmo o poder radical de integrar a morte, superando os seus limites (será que já nos esquecemos que nascemos em berço católico?). Em todo o caso, vale a pena questionar a transparência daquela narrativa: será que podemos compreender esta paixão menor pelas imagens "perturbantes" como um mero reflexo das novas tecnologias e suas derivações? Ou ainda: que dizer de um mundo em que, todos os dias, se oferece à juventude o espelho de coisas tão medíocres como Morangos com Açúcar ou de inenarráveis anúncios em que a posse de um telemóvel se confunde com abrasivos êxtases sexuais?
Na verdade, quase ninguém (a começar pela esmagadora maioria da classe política) se mostra disponível para lidar com os valores da nossa cultura dominante. Que cultura é essa? A da celebração da festa obrigatória e da gratificação instantânea, logo de indiferença pela certeza indizível da morte. Não adianta, por isso, demonizarmos as imagens. Elas não são "boas" nem "más". Num mundo dominado pela fealdade das telenovelas e seus derivados, são apenas irrelevantes e intermutáveis. Os jovens limitam-se a prolongar o falhanço estético dos adultos que os criaram. A minha geração, por sinal.

Agora só falta o texto do padre José Luís Borga. Ele aqui está:
"O gosto de ser admirado é, quando não enquadrado numa acção meritória, um enorme risco de morte. Este jovem acabou "toureado" pela estupidez que, pelos vistos, um grupo de "amigos" estava disposto a registar. Deve ter registado mas... fugiu perante a tragédia e no contexto da desgraça. Mais uma prova de que são precisos amigos melhores e... aprendizagem do gosto pela vida! Que a dor destes pais seja remédio para muit (...)!


P.S. - Achega do Francisco Raposo (Obrigado, Francisco!), via Facebook:
A corrida para o vídeo famoso - Opinião - DN
Há limites para anedotas? Alguém, lúcido, disse: "Eu conto anedotas sobre tudo mas não conto é certas anedotas a toda a gente." Não nos rimos de anedotas racistas (e há-as, boas) com racistas. E vídeos? Aí, o critério é mais relaxado. Há dias que Portugal se ri com o Hélio, titubeante ao skate ("sai da frente Guedes!"), descendo uma estrada, lançando uma frase épica ("o medo é uma cena que a mim não me assiste"), cruzando um automóvel e espalhando-se na berma. O vídeo foi visto no YouTube em quantidades maiores que as enchentes do Estádio da Luz num ano, as televisões entrevistaram os pais do Hélio, rimo-nos todos. E, no entanto, o vídeo do Hélio é uma estupidez criminosa que acabou bem. Exemplo de uma estupidez criminosa que acabou mal: António, de 17 anos, foi de madrugada para uma auto-estrada tourear carros. Deveria haver também um Guedes com um vídeo a filmar, mas fugiu, sem coragem de mostrar o atropelamento e a morte do António. Sem coragem, e daí não sei... Talvez ainda apareça no YouTube - e nos online dos jornais - a morte do António. A estupidez das pessoas (e não estou a falar só do grupo do António) é infinita. Aqueles que têm a arma de propagação da estupidez nas mãos - dos grupos de popularização dos Hélios até ao YouTube, passando pelos jornais e televisões - deveriam pensar nos limites. O próximo passo é pôr o vídeo de um garoto a atirar um pedregulho, de uma ponte, para a auto-estrada?

domingo, março 21, 2010

A Unicef, a Poesia e a Pobreza

Este é um tema da agenda política mundial, se calhar o primeiro grande problema do Mundo.
O problema: a POBREZA.
A solução: a ERRADICAÇÃO da POBREZA.
Talvez por aqui haja uma grande oportunidade de produzir e partilhar energia pessoal, e tempo, como hoje em dia tantos dedicam à FARMVILLE do Facebook e a outras coisas semelhantes.
A gente ouve por todo o lado conversas do tipo: "Manda-me galinhas, não tenho galinhas...", "Tenho uma casa fechada porque não tenho janelas, não me arranjas janelas?...", "Tenho morangos a mais, alguém precisa de morangos?...".
Já viram esta concentração toda, este esforço do mundo virtual passado para o mundo real?... O que isto, na verdade, não permitiria!...
A farmeville do Facebook já deu prova sobejas de que há, em todos os lares, meios para dinamizar e partilhar esforços individuais, separados; e as farmevilles de todos já mostraram que se concertam entre todos acções em que todos ganham, ganham as pessoas e as acções. Quem alinha?...
Em Portugal, os compromissos oficiais passam por aqui: Objectivos 2015 - Campanha do Milénio.
Hoje comemora-se o DIA MUNDIAL DA POESIA.
Aprendi a dizer, com o 25 de Abril, que "A poesia está na rua".
E depois ouvi Natália Correia dizer que "A poesia é para comer".
E Thomas Mann, que "Não se pode ocupar com coisas do espírito quem tem a barriga vazia".
E... e... e...
Isto tudo é poesia, não é?...
Olha que grande oportunidade esta!... Já pensaram mesmo nas energias pessoais que hoje em dia estão dedicadas às farmevilles do Facebook?