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terça-feira, fevereiro 10, 2026

DEMASIADA ESCOLARIZAÇÃO, INSUFICIENTE EDUCAÇÃO, 001

 DEMASIADA ESCOLARIZAÇÃO, INSUFICIENTE EDUCAÇÃO, 001

(apontamento, talvez um dia se torne um texto)

ABAIXO O CAPITAL HUMANO!

Comecei a minha vida de agente formal da Educação com Pestalozzi, Montessori, Freinet, Décroly; Sérgio Niza e, mais que todos, Pedro Onofre.


Mais que nunca, melhor que todos, o meu neto está a mostrar-me quanto a agrilhoante escolarização cerceia e empobrece a alegria de aprender, abafa o tremendo potencial de desenvolvimento das capacidades humanas — esse bem fascinantemente poderoso que devia estar na primeira linha dos líderes dos governos dos países de todo o mundo –—, e apaga a centelha que, renovadamente, em todos nós, quando a idade da juventude nos preenche intensamente o corpo e a mente e faz-nos desejar aprender, aprender, aprender; conhecer, conhecer, conhecer.

Tive a sorte, enquanto professor, de poder reduzir a escolarização e acrescentar educação. Ao longo dos anos, deixei de estar preso à obrigação de preparar os alunos para os exames nacionais; depois, para os exames de ingresso nos cursos de Psicologia das faculdades; finalmente, fiquei livre das amarras dos obcecados programas curriculares oficiais!... Livre!, finalmente livre! Preso apenas aos calendários, aos horários e às tradicionais avaliações trimestrais (algumas poucas vezes, semestrais).

Aulas alegres, dinâmicas. O manual adoptado na escola, que os alunos cuidadosamente punham em cima da mesa nas primeiras aulas, deixava de nela ocupar espaço, só se falava dele excepcionalmente para assinalar um ou outro erro que contivesse. Nas reuniões intercalares, por vezes, estranhezas e protestos mansos (curiosos, espantados, carinhosos) dos encarregados de educação: «Não sei o que se passa, mas o meu/minha filho/filha não faz outra coisa senão estudar Psicologia, diz que tem muito que estudar…»

É também precisamente nesta altura que começo a receber ecos de antigos alunos, por eles mesmos ou pelos seus pais (alguns deles, curiosamente, meus antigos alunos) o eco que me deixava contente, contente, contente, cada vez que o ouvia: «O professor Fernando Pinto é o único que nos prepara para o que nós depois encontramos na faculdade.» E não necessariamente nas faculdades de Psicologia. São ecos de exigência de empenho no trabalho escolar auto-induzidos.

Concordo com Guy Standing, no livro “Human Capital, the tragedy of the Education Commons” (Janeiro de 2026), em que faz uma crítica profunda ao actual sistema educativo dominado pela lógica do Capital Humano — isto é, focado apenas em resultados económicos e utilidade no mercado de trabalho, em vez de formar mentes críticas e cidadãos activos. Acrescento de minha lavra: que aprendam com prazer, com grande entrega pessoal, amando o Conhecimento e seguros das capacidades de aprendizagem pessoais de cérebros profundamente ricos da capacidade de descobrir, criar e realizar.

Desejo que cada vez mais colegas, mais professores como eu fui, possam acrescentar Educação e reduzir Escolarização às suas funções profissionais. A evolução das vicissitudes da disciplina de Psicologia no ensino secundário ao longo do meu percurso de professor são uma pista, são uma hipótese de transformação não necessariamente revolucionária — e é disso que os governantes têm medo: das revoluções nos sistemas e esquemas instalados.

Já agora, que se acabe de vez, na nossa terra, com a aberrante condição de atribuir a leccionação da disciplina de Psicologia apenas residualmente a licenciados e mestrados em Psicologia. Tem mais de 50 anos a aberração de continuar a dar prioridade à leccionação da disciplina de Psicologia a licenciados em Filosofia! E Portugal forma psicólogos nas universidades públicas desde 1980! No ISPA, um instituto privado de nível académico superior, há mais anos ainda.

O meu neto, que estuda na Suíça, tem uma curiosidade especial pelas matérias da Psicologia. Lá também a Psicologia está amarrada à Filosofia. O mal não é só em Portugal. Se ao menos a ideia de Filosofia fosse a que fez nascer tantas universidades e escolas de saber há muitas centenas de anos…

domingo, janeiro 04, 2026

A PERDA DO MAIS PROFUNDO GANHO CIVILIZACIONAL

 A PERDA DO MAIS PROFUNDO GANHO CIVILIZACIONAL

Foi com Konrad Lorenz, o chamado pai da Etologia, que aprendi, e depois aprofundei, que aquele que é o mais notável ganho civilizacional, aquele que da Lei da Morte nos foi libertando, como um dia cantou Luís de Camões; e que elevou o Homem da Animalidade para a Humanidade, foi sendo consubstanciado nos rituais que inibem a agressividade e a violência, dão primazia ao diálogo e à negociação, e afirmam o 'Homo politicus', que será o conceito da ciência política que descreve o ser humano como fundamentalmente político, interessado no bem comum e na justiça da comunidade. Aristóteles já falava do Homem como "animal político", não era?

Se os rituais de que falo foram conseguindo conter e manter a agressividade e a violência disruptiva e aniquiladora, humanamente desregrada, dentro da Caixa, a tal que se diz que era de Pandora (mesmo que com destapes ou fugas intermitentes aqui e ali), a Civilização criou nos tempos mais recentes, primeiro uma Sociedade das Nações, depois uma Organização das Nações Unidas; consensualizou uma regulação jurídica da ordem mundial chamada Direito Internacional; e, finalmente, com a terrível experiência humana e civilizacional que foi a 2.ª Grande Guerra, instituiu, também consensualmente entre os Povos, as formas jurídicas de Genocídio e Crime contra a Humanidade,

se tais rituais foram sendo capazes, repito, de ir aplacando a Lei do Mais Forte sobre o Mais Fraco — porque as filosofias e as ideologias, em geral, foram capazes de reconhecer que somos todos diferentes e, ao mesmo tempo, iguais, em direitos e deveres —, o que Donald Trump acaba de fazer na Venezuela vem absolutamente ao arrepio das convenções milenarmente ganhas e conquistadas pelas sociedades humanas.

Infelizmente, não foi um caso isolado, inesperado, ao arrepio duma dinâmica política e cultural que tem caminhado noutro sentido. Não, o que Donald Trump fez é apenas o culminar de fumarolas, tremores e pequenas emissões que anunciavam a iminência da grande explosão do vulcão. E agora?

Agora vamos ver o que milhares de anos de consolidação de rituais civilizacionais, de alguns anos de Direito Internacional, vão ser capazes de fazer. Que líderes políticos governam o mundo? Precisamos de 2 ou 3 especialmente notáveis.

Depois da crise climática, depois da depredação insaciável dos recursos naturais, depois do aquecimento global — tudo desafios que salta à vista de toda a gente que as sociedades humanas não estão a ser capazes de resolver — só nos faltava mais esta crise, a crise da parte mais nobre do animal humano: a que enfrenta e vai vencendo o desafio do relacionamento dos grupos humanos entre si.

Que os deuses e os astros ajudem; e que a milenar sabedoria humana tenha ainda uma palavra moderadora e apaziguadora que seja ouvida pelos poderosos da Política, do Dinheiro e das Armas.

quarta-feira, dezembro 31, 2025

#TOLERÂNCIA367 - ACABOU O DIÁRIO DA TOLERÂNCIA. E AGORA?

 #TOLERÂNCIA367 - ACABOU O DIÁRIO DA TOLERÂNCIA. E AGORA?

Agora é aquela parte de passar da palavra, pensada e escrita, à acção.

Para já, sinto com uma clarividência que muito me agrada que algumas das minhas predisposições comportamentais, da minhas atitudes, se questionaram e se reajustaram em resultado do que fui descobrindo, do que fui conhecendo, do que fui modificando, do que se tornaram novas ou revistas opiniões e opções pessoais.

Mesmo que se tenha tornado banal dizer-se que procuramos o que queremos encontrar, o que nos dá razão, penso que consegui ser suficientemente honesto comigo mesmo para aceitar pôr-me à prova, pôr em questão os meus pontos de vista, as minhas perspectivas. Enquanto psicólogo, sei do que que que a casa gasta, tenho bem consciência do que digo às pessoas que procuram a nossa competência profissional, a nossa 'expertise'.

Tenho clara consciência de que foram essencialmente os meus amigos franceses, o Jean-Pierre Démange à cabeça, que me desafiaram para mostrar que a Tolerância vale a pena, seja enquanto valor,

seja enquanto atitude ou disposição pré-comportamental capaz de aproximar as pessoas e os grupos do diálogo, da negociação, da cedência e do entendimento, resistindo à impulsividade do confronto e do conflito agressivo, confronto e conflito que são, em última instância, nas actuais circunstâncias da vida dos grupos (dentro dos grupos e entre os grupos), sempre favoráveis a quem tem o poder do dinheiro, o poder das armas e o controlo da Comunicação Social e das Redes Sociais. A desconfiança visceral, ou melhor, a rejeição radical que o Jean-Pierre e os outros logo mostraram em relação à Tolerância por a considerarem um comportamento farisaico de quem tem o poder político e económico, por quem está na mó de cima e não quer abrir mão dos seus privilégios, foram, repito, desafio para eu escavar mais fundo, ir ao âmago, ao tutano do que alimenta a Tolerância (que nem sempre é boa, às vezes é má) e a Intolerância (que nem sempre é má, às vezes é boa).

Também devo um agradecimento especial à Zorka Domić, pelas achegas e pelo alento que sempre procurou dar ao que fui escrevendo e fazendo.

São 367 entradas (365 mais 2), 365 registos escritos de caminhadas diárias. Passadas a papel, cada uma ocupa, no mínimo, uma página; muitas delas, 2 ou 3 páginas. Juntando, em anexo, os 'rationales' das actividades, dos jogos e de alguns desenvolvimentos e esclarecimentos, a que tamanho impresso isto chegará o relato da viagem pela Tolerância...

Sei que muitos aperfeiçoamentos e revisões vou ainda produzir. E desejo muito ter críticas, correcções sugestões, achegas; e pedidos. Com todos eles eu ganharei, com todos eles a Educação e a Pedagogia da Tolerância ganharão. Para já, estou muito, mas mesmo muito contente com o que fiz, não fazia ideia que chegasse onde cheguei. Acho que o segredo foi não ter expectativas demasiadamente ambiciosas, ter sido humilde e não ter querido provar nada que antecipadamente escondesse como fito último — esta atitude de base permitiu-me manter a mente aberta, disponível e, pois claro, tolerante.

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terça-feira, dezembro 30, 2025

#TOLERÂNCIA366 - PORQUÊ ESCREVER SOBRE A TOLERÂNCIA?

 #TOLERÂNCIA366 - PORQUÊ ESCREVER SOBRE A TOLERÂNCIA?

A razão desta viagem, que se transformou num impulso para escrever, mantém-se tão clara agora quanto quando surgiu há exactamente 1 ano: ver por todo o lado, à minha volta, crescer a expressão das atitudes e dos comportamentos impulsivos, intolerantes, insultuosos, conflituosos.

Precisamos todos, em geral, de ser mais tolerantes. Precisamos de reduzir as reacções impulsivas aos estímulos que nos chegam, que são ou parecem dirigidos a nós, mesmo quando não temos dúvidas nenhumas de que a razão está do nosso lado. A razão e a justiça.

Quem tem nas mãos os cordelinhos que fazem de de todos nós marionetas têm clara consciência de que a reacção impulsiva, carregada de razão e justiça, dos cidadãos serve os seus interesses, os interesses dos donos disto tudo. A bem da razão e da justiça, precisamos todos de saber reagir adequadamente, o

mais sabiamente possível, aos estímulos-provocações que os poderosos do mundo sabem muito sofisticadamente lançar sobre os cidadãos para os manter em permanente estado de tensão psicológica, tomados por sentimentos de injustiça e por vontades de protestar, contestar e opor-se ao que sentem assim: injusto, ilegítimo, indigno, lesivo.

Percebemos, mais claramente que nunca, que os poderosos do Mundo sabem como manietar as redes sociais — que é onde cada vez mais cidadãos do mundo se encontram — e pôr todos a discutirem com todos. E se todos ralham e ninguém tem razão, cada um, na verdade, pensa que a tem.

Aprender a tolerar o estímulo invasivo-agressivo. Realço: aprender. Todos podem os aprender, é imperioso que todos aprendamos.

Tornou-se banal dizer que há muito ruído no mundo. É preciso reduzir o volume dos ruídos e é preciso reduzir o número de ruídos. É preciso aprender a ficar calado, a não responder imediatamente, impulsivamente. Entre a emoção que faz disparar a tentação da reacção impulsiva e essa mesma reacção impulsiva há que aprender a dar tempo e espaço mental para um pensamento, um pensamento que dê mais força à razão e à justiça; e à pessoa do interlocutor, às suas razões, às suas necessidades, às suas motivações, às suas forças e fraquezas, às suas idiossincrasias.

Para que assim se consiga ser há que ser tolerante; e há que ser intolerante.

O objectivo da viagem que decidi fazer durante 365 dias são uma peregrinação, mas uma peregrinação especial: não vou, nunca quis ir em busca do recolhimento pessoal interior, quis sempre, muito conscientemente, ir ao encontro da tolerância e da intolerância tal qual elas surgem no dia-a-dia da vida das pessoas e dos grupos humanos.

E desde a primeira hora eu quis outra coisa: produzir materiais pedagógicos que fossem de uso fácil por muita gente, em muitas escolas e grupos de jovens, de professores, de atletas, de profissionais de todo o tipo, de políticos.

Este grande texto não é tese, não é um ensaio, não é uma monografia, não é uma investigação, não é um manifesto, não é um tratado, não é um conjunto de meditações e confissões. Não resulta dum plano pré-estabelecido com marcação clara do princípio, do meio e do fim. A única determinação que me orientou foi observar e tomar contacto com a realidade de cada dia, de todos os dias, de espírito aberto, o mais consciente possível de que não escapo a estereótipos e preconceitos, quando muito posso controlá-los e impedir que eles distorçam ou criem demasiados vieses no que quero observar, comentar, reflectir e criar.

Quando um dia estes escritos tomarem a forma dum livro, este texto será seguramente uma espécie de prefácio.

Gostei muito, mas mesmo muito, de fazer esta viagem! O 3.º Encontro Internacional Solidariedade Intergeracional, que se realizou na Amora em 10 e 11 de Julho e em Mação nos dias 11 e 12 foi o ponto alto da partilha da minha experiência de viagem pelo mundo da Tolerância. Por isso agradeço especialmente ao dr. João Batalheiro (médico de família) e ao dr. Luís Patrício (médico psiquiatra) a oportunidade que num e no outro lugar me deram para envolver colegas (de várias partes do mundo!) e públicos participantes nos caminhos fascinantes e desafiadores da viagem.

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segunda-feira, dezembro 29, 2025

#TOLERÂNCIA365 - TOLERAR O ISOLAMENTO PESSOAL

 #TOLERÂNCIA365 - TOLERAR O ISOLAMENTO PESSOAL

Em rigor, o ano da minha viagem pela geografia da Tolerância acaba hoje, os 365 dias dum ano normal têm todos um tempo de atenção dedicado à Tolerância. Os dias 30 e 31 de Dezembro terão ainda a mesma atenção, e deles falarei, naturalmente, amanhã e depois de amanhã.

O tema de hoje tem a ver com o isolamento e a solidão, mas não foi em isolamento ou solidão que fui escrevendo o que aqui guardei. Não, a MINHA tolerância, a tolerância que fazia sentido nesta viagem era a do encontro com os outros, era sempre no meio dos outros, tinha que ter a ver sempre com os outros. Penso que amanhã e depois vou voltar aqui. Sim, os dois textos que faltam, ao contrário da regra essencial que me impus nestes 365 dias, não se referirão a uma coisa do dia, mas serão uma espécie de prefácio e de posfácio, como se de um livro se tratasse — e quanto ao livro, a ele chegarei se a tanto me ajudar o engenho e a arte.

Em razão daquelas deambulações em que a internet é pródiga, fixei a atenção no livro "À beira-mar" (By the sea) de Abdulrazak Gurnah, escritor tanzaniano que ganhou o Prémio Nobel de Literatura em 2021. Na ficção encontrei uma fala que contém um pedacinho que tomo como desafiador para todos nós: «Talvez você tenha perdido a tolerância para com esse desejo de isolamento que a fé na ambição de um espírito tornou heróico.» Tolerar o isolamento... Associo logo solidão e silêncio ao isolamento...

Penso que, em geral, associamos a tolerância à aceitação de opiniões, pessoas, estilos de vida ou culturas diferentes, mas, na verdade, a tolerância é igualmente posta à prova perante o silêncio. Quando alguém manifesta um profundo desejo de isolamento, a nossa reação instintiva é frequentemente a de tentar "consertar" a pessoa, trazê-la para junto de nós ou trazer-lhe companhia, assumindo que estar só é algo negativo.

É fácil aceitar que, aqui ou ali, alguém queira estar sozinho, em silêncio, quantas vezes dizemos «Vá, deixa-o estar, ele quer estar agora ali sozinho, deixem-no...» Difícil é aceitar que alguém queira estar geralmente sozinho.

Nesta segunda situação, a verdadeira tolerância está na capacidade de, por muito empáticas, carinhosas e louváveis que sejam as nossas intenções, não invadir esse espaço de isolamento e silêncio, não sendo necessariamente de solidão. A verdadeira tolerância está na capacidade de aceitar que o recolhimento do outro não é uma afronta pessoal nem um defeito, mas sim uma necessidade legítima. Tolerar o

isolamento alheio é compreender que, por vezes, a forma mais elevada de respeito é simplesmente deixar o outro em paz, sem julgamentos e sem a exigência de que ele participe no ruído do mundo.

Nas sociedades e nos sistemas educativos — pensando bem, qual não é assim? — que premeiam a extroversão, a participação ruidosa e o trabalho de grupo constante, o desejo de isolamento é frequentemente diagnosticado como um problema a corrigir. Olhamos para a criança ou para o adulto que se retira como alguém a quem "falta algo" — faltam competências sociais, falta alegria, falta integração.

A Educação e as escolas, em particular, pedem uma pedagogia própria para o aluno que se isola, que, quem sabe, apenas deseja ser deixado em paz. Ao permitirmos que alguém «Ele só quer que o deixem em paz», sem o julgarmos, estamos a validar a sua vida interior certamente viva e intensa. Estamos a ensinar que não é preciso estar constantemente em palco para se ter valor. O segredo da sábia e prudente pedagogia será a de não é "mudar" a pessoa, mas sim adaptar o ambiente (na sala de aula, nas relações professor-alunos) para que ela possa contribuir com o seu melhor, sem se sentir obrigada, violentada.

Respeitar a idiossincrasia do Outro, tolerar e aceitar o seu desejo de isolamento é um desafio para as estratégias pedagógicas do trabalho de grupo e do trabalho individual. Vamos pensar nalgumas possíveis estratégias? Eu vou, e delas depois aqui darei conta.

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domingo, dezembro 28, 2025

#TOLERÂNCIA364 - "ET PUR SI INTOLERANTIA MALA CRESCIT."

 #TOLERÂNCIA364 - "ET PUR SI INTOLERANTIA MALA CRESCIT."

Bem espero que a minha fonte na Internet saiba mais latim do que eu. Pedi-lhe para escrever, inspirando-me na clássica afirmação que é atribuída a Galileu Galilei, "E no entanto a tolerância negativa cresce."

Lembrei-me da afirmação de Galileu Galilei a propósito da notícia da edição de hoje do Jornal de Angola, que tem por título "Obra do árbitro internacional, "Livro promove debate sobre valores sociais", sendo autor o jornalista Armindo Pereira (na página 29).

«O árbitro internacional angolano de basquetebol António Samuel pretende acrescentar valor ao debate em torno da ética desportiva com a obra intitulada "Entre Linhas e Regras" lançada oficialmente, ontem, num acto realizado no anfiteatro da Federação Angolana de Basquetebol (FAB),

em Luanda.

»Marcado por reflexões profundas sobre ética, autoridade e convivência no desporto e na sociedade, falando durante a cerimónia, António Samuel explicou que o livro, sendo dirigido ao público em geral, com especial enfoque em jogadores e treinadores de basquetebol, a obra nasce da sua inquietação
face à crescente normalização da intolerância no meio desportivo e à dificuldade em aceitar o erro.

»Na obra retratada em 99 páginas, o árbitro questiona a urgência em julgar sem compreender, vencer sem respeitar e responsabilizar sempre terceiros, atitudes que, no seu entender, fragilizam não apenas o desporto, mas também a vida em comunidade.»

"Normalização da intolerância [negativa]", não, não pode haver tolerância para tal. "dificuldade em aceitar o erro", pois, é preciso educar a aceitar o erro.»

Fica-me a apetecer ligar esta publicação angolana à publicação da portuguesa "Move-te por Valores", e à exposição "Move-te por Valores!". Sim, vou tentar fazer essa ligação, há muito que sabemos que juntos somos mais fortes. Depois virei aqui dar notícias do meu esforço.

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sábado, dezembro 27, 2025

#TOLERÂNCIA363 - TOLERÂNCIA E 'STRESS'

 #TOLERÂNCIA363 - TOLERÂNCIA E 'STRESS'

O pensamento é simples: se nos sentirmos bem no nosso corpo, a nossa mente também se sentirá bem; se mentalmente nos sentirmos bem, seremos certamente mais tolerantes.

A ideia de ligar o estado dos intestinos ao estado da mente não é nova, mas há épocas em que coisas velhas se vestem de roupas novas e tornam-se mais visíveis e atractivas para gentes também novas.

A conclusão na geografia desta viagem é simples: a educação da tolerância passa também pela educação do corpo, da saúde do corpo.

O texto que reproduzo encontrei-o na edição de hoje do Diário de Coimbra e foi escrito por Maria José Temido, gastroenterologista no Hospital CUF Coimbra e no Hospital CUF Viseu. Tem como título "Ansiedade e Intestino: uma ligação que não podemos ignorar".

«Quase todos conhecemos a sensação: um momento de 'stress' e, de repente, o intestino reage. Mas o que acontece quando estes sintomas deixam de ser pontuais e começam a interferir com a rotina? Quando nada do que tomamos melhora o desconforto? Ou quando nos apercebemos de que a

ansiedade piora os sintomas intestinais? Será que o nosso intestino alimenta a ansiedade?

»A ciência responde cada vez com mais clareza: o intestino e o cérebro comunicam intensamente entre si e alterações num influenciam o outro. Não somos um conjunto de órgãos independentes, mas um sistema integrado onde tudo está ligado.

»O tracto gastrointestinal e o cérebro formam aquilo a que chamamos eixo intestino-cérebro — uma rede de comunicação que utiliza nervos, hormonas, substâncias químicas e até as bactérias que vivem no intestino. Esta ligação explica porque sintomas emocionais podem ter reflexo directo no aparelho digestivo. Os estudos mostram que esta relação é muito comum. Cerca de 30 a 40% das pessoas com queixas digestivas, como dor abdominal, distensão, diarreia ou obstipação, têm também ansiedade significativa, e cerca de 25% apresentam sintomas depressivos. E a relação é bidireccional: a ansiedade aumenta o desconforto intestinal e os sintomas digestivos persistentes aumentam a ansiedade. Cria-se um ciclo que pode comprometer o bem-estar e a vida social.

»O 'stress' também desempenha um papel central. Quando estamos sob pressão, o organismo liberta hormonas como o cortisol e a adrenalina, que podem acelerar ou abrandar o trânsito intestinal, aumentar a sensibilidade à dor e tornar o intestino mais reactivo. Pelo contrário, alterações no intestino — como inflamação leve ou desequilíbrio da microbiota — podem influenciar o humor, reduzir a tolerância ao 'stress' e intensificar a percepção de dor.

»Por isso, tratar apenas o órgão que dói, muitas vezes, não basta. Num problema que resulta da interacção entre vários sistemas, a abordagem tem de ser global. Isso inclui avaliar hábitos de vida, sono, alimentação, níveis de 'stress', saúde mental e actividade física. Intervir nestas áreas pode aliviar os sintomas digestivos e, ao mesmo tempo, melhorar a saúde emocional.

»Compreender esta ligação não é apenas uma curiosidade científica. É um passo fundamental para uma medicina mais humana e mais eficaz — e para devolver às pessoas aquilo que procuram acima de tudo: uma vida melhor.»

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#TOLERÂNCIA362 - DEMOCRACIA E TOLERÂNCIA

 #TOLERÂNCIA362 - DEMOCRACIA E TOLERÂNCIA

A edição de hoje do Expresso traz um artigo de opinião que merece discussão atenta. Atenta e tolerante. A autora é a jurista constitucionalista Teresa Violante. O título do artigo é "A democracia que se defende".

«O Tribunal Cível de Lisboa ordenou a André Ventura a remoção de cartazes que atacam a comunidade cigana. O candidato presidencial já classificou a decisão como um ataque à liberdade de expressão. Terá razão? A resposta curta é: não. A jurisprudência do Tribunal Europeu dos Direitos Humanos é clara. Em ‘Féret c. Bélgica’ (2009), o TEDH considerou legítima a condenação criminal de um político por panfletos eleitorais que estigmatizavam imigrantes, sublinhando que os políticos têm um dever acrescido de evitar discursos que fomentem a intolerância. A jurisprudência é particularmente relevante quando se trata da comunidade cigana. Em ‘Boudinova e Chaprazov c. Bulgária’ (2021), o Tribunal condenou a Bulgária por falhar na protecção de cidadãos roma contra declarações públicas de um político de extrema-direita.

»A liberdade de expressão política, embora ampla, não protege generalizações discriminatórias dirigidas a grupos étnicos. Mais: o artigo 17.º da Convenção Europeia dos Direitos Humanos exclui da protecção discursos manifestamente contrários aos seus valores — a chamada cláusula de abuso do

direito.

»A decisão da juíza Ana Barão inscreve-se nesta lógica: cartazes que “agravam o estigma e o preconceito” contra uma minoria étnica, fomentando “intolerância, segregação, discriminação e, em última análise, ódio”, situam-se fora do âmbito protegido da liberdade de expressão. Não se trata de censurar críticas políticas ou opiniões incómodas. Trata-se de reconhecer que a democracia pode — e deve — defender-se de quem instrumentaliza as suas liberdades para minar a igual dignidade de todos.

»Karl Loewenstein cunhou o conceito de “democracia militante” nos anos 30, ao observar como a democracia de Weimar sucumbiu por se recusar a combater movimentos que usavam instrumentos
democráticos para destruí-la. A lição histórica é clara: a tolerância ilimitada do intolerante conduz à destruição da tolerância.

»Mas a democracia militante comporta riscos. O primeiro é a vitimização: Ventura explorará esta decisão como prova de que o “sistema” o persegue, reforçando a narrativa ‘anti-establishment’ que alimenta o seu eleitorado. O segundo é a tentação de reduzir a defesa democrática a proibições judiciais, esquecendo que os tribunais tratam sintomas, não causas.

»O Chega não surgiu no vazio. Surgiu num país onde o fosso entre Portugal urbano e interior se alarga, onde a classe média se sente pressionada, onde muitos encaram, com apreensão, mudanças que não compreendem. A democracia não se defende apenas nos tribunais. Defende-se com políticas que respondam às necessidades reais que os populistas exploram — habitação, saúde, segurança e integração.

»A democracia que se defende nos tribunais pode ganhar batalhas. Mas só a política conseguirá ganhar esta guerra.»

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sexta-feira, dezembro 26, 2025

#TOLERÂNCIA361 - PRESIDENTE APELA A MAIOR TOLERÂNCIA

 #TOLERÂNCIA361 - PRESIDENTE APELA A MAIOR TOLERÂNCIA

Assim que li o título e o subtítulo da capa do Jornal de Notícias, ri-me a perguntar-me a mim mesmo se o senhor Presidente Marcelo Rebelo de Sousa anda a ler os apontamentos desta minha viagem, que, é verdade, está quase a chegar ao fim.

"Marcelo quer fim de «novos muros» e lamenta «pobreza com envelhecimento imparável». Na habitual mensagem de Natal para o JN, o presidente da República evoca Jorge Sampaio e apela a maior tolerância." O senhor Presidente da República, digo-o com o mesmo espírito de abertura e tolerância

que tive há poucos dias com socialista Alexandra Leitão, merece que eu guarde nesta viagem a sua mensagem de Natal, que é, afinal, também uma mensagem de despedida, tal como era a de Alexandra Leitão.

Título: "Os nossos muros ou a lembrança de Jorge Sampaio"

«Todos os Natais, os cristãos acreditam mais na sua fé e todos, cristãos, outros crentes e não crentes, vivem a família, o encontro, o reencontro, a partilha possível para cada uma e cada um. Diferentes. Que não há duas pessoas iguais. E muitos de nós recordam — na sua solidão ou no meio dos abraços e beijos de Natal — aquelas e aqueles que não têm Natal, nunca tiveram e nunca terão. Porque a miséria, a guerra, a morte, a doença ou a distância dos seus entes queridos toldam de uma tristeza, saudade, melancolia, dor, a alegria, mesmo se só possível, de um tempo de esperança.

»As televisões recordam os que sofrem na Ucrânia, no Médio Oriente, no Sudão. Mais raramente, os que nasceram, vivem e morrem sem nunca ninguém saber que existem e quem são. Ainda assim, no Natal há quem pare um minuto para não se esquecer desses milhares de milhões sem Natal, ou milhões para quem o Natal em guerra passou a ser um modo de viver o Natal. Este ano, não sei porquê, lembrei-me de Jorge Sampaio. Estávamos em 1989. E concorríamos os amigos já antigos, filhos de pais amigos já antigos, à Câmara de Lisboa. Caiu o muro de Berlim. E eu sublinhei esse momento decisivo na História contemporânea e que viria a substituir as duas superpotências de décadas pelas duas superpotências de hoje, com a que deixou de o ser a nunca desistir do sonho do que fora. E converti o momento, em sinal para o futuro, também de Portugal.

»Aí, Jorge Sampaio respondeu a essa minha chamada de atenção diria de razão na mudança no Mundo, mas, igualmente, conveniente como arma eleitoral com um comentário muito simples e muito poderoso — "mais importantes do que o muro de Berlim são os muros que existem na nossa terra". Não garanto o rigor dos termos, mas ideia era essa. E, este ano, este Natal, lembrei-me de Jorge Sampaio e da sua frase, obviamente eleitoral, mas, essencialmente, justa e certeira. Quase quarenta anos depois, Natal que ignore os muros de Berlim de hoje, os de lá de fora, os das guerras, ódios, disputas, pobrezas do Mundo, não é Natal, nem é nada. Porque, mais do que nunca, somos um só planeta, um só Mundo, uma só Humanidade.

»Os muros dos outros são os nossos muros. As fronteiras, as opressões, os sofrimentos dos outros, são as nossas fronteiras, opressões, sofrimentos. E as suas esperanças, ainda que muito vagas, muito ténues, muito precárias, são s nossas esperanças. Para já o cessar-fogo no Médio Oriente, na Palestina, em Gaza. Ainda não na tão mais próxima Ucrânia.

»Eu tinha razão ao falar no muro de Berlim. Nos muros lá de fora, que são cá de dentro. Inevitavelmente. Só que Jorge Sampaio tinha razão ao evocar os muros nascidos e agravados cá dentro. E que, alguns deles, não pararam de se agravar.

A pobreza já foi mais grave e já foi menos grave. Mas nunca deixou ser grave demais para o todo nacional que somos. Antigos muros caíram. Novos muros se ergueram. Pobreza com envelhecimento colectivo imparável. Menos jovens a ficarem e mais gerações antigas a entrarem em becos sem saída. Mais leis a prometerem melhor futuro com mais abertura, tolerância, paz, segurança e, ao mesmo tempo, mais medos, reais ou imaginários, mas todos vividos como reais, a convidarem a mais muros, muros mais altos, tão altos que não se veja nada senão muros. Foi assim, veio-me à memória a frase de Jorge Sampaio, este ano, este Natal. Quer isto dizer que deixemos de estar atentos aos muros lá de fora? Claro que não. Eles são ou serão, mais dia menos dia, nossos. Quer isto dizer que desanimemos, desistamos da esperança, sempre, e, em especial, no Natal? Claro que não. Há muros que podem ser difíceis de demolir. Porém, não são impossíveis. Quer isto dizer que percamos a esperança neste Natal, e fora dele e sempre? Claro que não. Umas vezes, ajudamos a derrubar muros. Outras, fracassamos. E o mais avisado talvez seja, neste Natal, revermos o rol dos muros mais urgentes de superar. Sem respondermos a um muro com outro muro. Que os muros tendem a alimentar-se de outros muros. E isso não cria esperança, alimenta condomínios fechados de egoísmos em que só alguns têm direito ao Natal.»

O Jornal de Notícias, na página a seguir diz que o senhor Presidente Marcelo já tinha falado na Tolerência no discurso de Natal de 2024 e cita-o assim; «A liberdade determinando diversidade de ideias, pluralismo de modos de pensar e agir, tolerância, aceitação da diferençа, recusa do monopólio da verdade. A igualdade exigindo a superação das discriminações injustas, os guetos, as exclusões, a perpetuação da pobreza de geração para geração».

Tive uma ideia! Vou fazer um jogo de dinâmica de grupo em que cada participante tem um muro à sua frente. O objectivo será o de que os jogadores sejam capazes de derrubar o maior número possível de muros. Depois partilho o jogo aqui.

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terça-feira, dezembro 23, 2025

#TOLERÂNCIA359 - A TOLERÂNCIA NUM DIA ESPECIALMENTE EXIGENTE

 #TOLERÂNCIA359 - A TOLERÂNCIA NUM DIA ESPECIALMENTE EXIGENTE

Que dia o de hoje!... "Que a tua mão esquerda não saiba o que faz a tua mão direita" é um ensinamento bíblico de Jesus (Mateus 6:3-4). Como tantas vezes tenho dito, não sou crente em Deus, mas a influência da educação, directa e indirecta que recebi, está cá. Bronfenbrenner falaria em microssistema, mesossistema e macrossistema.

Estou carregadíssimo, hoje, de razões para dizer bem de mim e da min ha relação com o Mundo. Não é fácil, por exemplo, pôr em palavras os sentimentos que se cruzam dentro de nós quando tomamosconsciência de que, embora a grande distância, durante horas e horas se foi capaz de gerir a tensão, a espada por cima da cabeça de alguém, e tudo acabar em paz: conseguimos que uma vida voluntariamente determinada a terminar fora de tempo não o fizesse. E esta tensão difícil misturada com mais uma mão cheia de outras. Há dias assim.

Fico com a curiosidade de ler este escrito daqui a um ano: é que penso que, se não fosse a aprendizagem da tolerância a que a mim próprio me dediquei ao longo deste ano, muito dificilmente suportaria com o sereno estado de espírito quer sempre encontrei em mim as coisas que fiz hoje — com familiares, com amigos, com pacientes.

É verdade, estou absolutamente convicto de que vale a pena a aprendizagem da tolerância. Para que tal aconteça, temos mesmo que nos dedicar a ela, dia-a-dia. Hoje sei que vale a pena; e que se consegue.

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segunda-feira, dezembro 22, 2025

#TOLERÂNCIA358 - TOLERÂNCIA E NATAL

 #TOLERÂNCIA358 - TOLERÂNCIA E NATAL

Hoje aproveitei — inesperadamente, tive uma folga de tempo — para, digamos, brincar um pouco: cheguei-me aos 'chatbots' e perguntei-lhes o que encontravam eles por aí que relacionasse Tolerância com Natal.

Perguntei ao Gemini, ao AskGPT, ao ChatGPT, ao Perplexity.AI e ao DeepSeek. Por esta ordem. Os que, aparentemente, menos se esforçaram foram o AskGPT e o ChatGPT, pelo menos tendo em conta o tamanho do texto e também, é verdade, o conteúdo. O DeepSeek foi o que mais escreveu, a seguir foi o Perplexity.Ai. A melhor resposta, a que mais me agradou, a que mais nos faz pensar, foi a do Gemini. Vou escrevê-la a seguir, integralmente. O pedido era este: "Quero saber se agora na época de Natal, no mundo inteiro, há mais notícias a falarem da tolerância do que no resto do ano. Responde em português de Portugal."

«A resposta curta é: provavelmente não. Na verdade, se analisarmos as notícias em Portugal, a palavra "tolerância" aparece muito mais nesta época, mas não com o sentido moral que estás à espera.

»Aqui está o que realmente acontece nas notícias durante o Natal, distinguindo a realidade dos factos da nossa percepção emocional:

  1. O "Falso Positivo" Português: "Tolerância de Ponto"
    Em Portugal, há um pico enorme de notícias com a palavra "tolerância" em Dezembro, mas refere-se quase exclusivamente à "tolerância de ponto" (a dispensa de trabalho para a função pública).

»Se pesquisares agora por "tolerância" nos jornais portugueses, a vasta maioria dos resultados será sobre os despachos do Governo para os dias 24, 26 ou 31 de dezembro, e não sobre aceitação ou respeito pelo próximo.

  1. A Palavra Real [no sentido de acção concreta], do Natal é "Solidariedade" (não Tolerância)
    Os 'media' e os discursos oficiais (do Papa, do Presidente da República, etc.) mudam de facto o tom, mas a palavra-chave não costuma ser "tolerância". As palavras que estatisticamente
    dominam a época são:

»Solidariedade: Campanhas de recolha de alimentos, apoio aos sem-abrigo e donativos.
Paz/Reconciliação: Especialmente em mensagens religiosas (como a 'Urbi et Orbi' do Papa) ou sobre conflitos internacionais (Gaza, Ucrânia).
Consumo/Preços: Este ano, em particular, muitas notícias focam-se na inflação, no preço do bacalhau e nas compras.

  1. Quando é que se fala mais de Tolerância?
    Curiosamente, é provável que haja mais notícias sobre "tolerância" (no sentido moral) em novembro do que no Natal.

»Isto acontece porque o Dia Internacional da Tolerância celebra-se a 16 de Novembro. Nessa data, há uma concentração real de artigos, 'workshops' e discursos focados especificamente nesse tema, algo que no Natal se dilui em mensagens mais genéricas de "amor ao próximo".

»Resumo da Análise
Embora tenhamos a sensação de que o mundo fica mais "tolerante" no Natal, as notícias não reflectem necessariamente isso. O jornalismo tende a focar-se no caos das viagens, no consumo e, no caso português, na burocracia das folgas. A "tolerância" é um tema de fundo, mas raramente é a manchete principal.»

Gostei do que li. Alarga-nos o pensamento sobre as coisas, não é?

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sábado, dezembro 20, 2025

#TOLERÂNCIA356 - QUE VENÇA A TOLERÂNCIA, A JUSTIÇA, E A SOLIDARIEDADE

#TOLERÂNCIA356 - QUE VENÇA A TOLERÂNCIA, A JUSTIÇA, E A SOLIDARIEDADE

Não gosto de Alexandra Leitão. Simplesmente, detestei a arrogância, prepotência, sobranceria e, sobretudo, as injustiças que cometeu com os professores enquanto foi Secretária de Estado Adjunta e da Educação no XXI Governo Constitucional entre 2015 e 2019, governo liderado por António Costa que também não gostava dos professores e também os tratou mal. Lembram-se de que ele ameaçou demitir-se se os outros partidos, nomeadamente os outros da Geringonça, aprovassem normas favoráveis à recuperação do tempo de serviço dos professores?

Foi tolerantemente que li o texto de despedida que a senhora escreveu na edição desta semana do

Expresso. Curiosamente, nele fala de tolerância — valor de que a senhora secretária de estado não deu mostras de possuir e usar.

Reconheço entre ela e mim um ideário político de Esquerda (já o disse várias vezes, o PS foi o meu limite, pela Direita, em qualquer votação nacional e europeia) — e tomo consciência de que isso me dá satisfação, se calhar, porque os ideários da Direita Liberal, Neo-liberal e de Extrema-Direita dominam e arrasam na avidez de apropriação de recursos e rendimentos tudo o poderia e deveria ser de jeito mais solidário, com repartição mais justa de tais recursos e rendimentos.

Por outro lado, os textos de despedida são geralmente tocados por uma emotividade especial e as pessoas confessam valores que, contudo, enquanto estiveram activas, não pugnaram como agora, no escrito derradeiro, dizem sempre terem defendido.

Vamos, então, à transcrição da minha leitura tolerante de um texto algo confessional em que a autora fala de tolerância. Tem por título "Até sempre".

«Na última crónica do ano de 2025 e também a última que escrevo nestas páginas, não poderia deixar de fazer um curtíssimo balanço do ano que agora acaba e deixar também votos para o ano de 2026.

»2025 foi um ano intenso, com duas eleições em Portugal (duas e meia, se contarmos com as presidenciais que já vão adiantadas), e no mundo sentem-se as consequências dos resultados das várias eleições que ocorreram em 2024, sendo claro que a vitória de Trump nos Estados Unidos da América (EUA) tem um impacto muito negativo a vários níveis.

»Vivemos hoje num mundo menos tolerante, menos humanista, menos solidário, menos pluralista e menos democrático.

»A guerra que começou com a invasão da Ucrânia pela Rússia não parece próxima do fim e, muito por causa da intervenção dos EUA no processo, o infractor pode sair beneficiado. Em Gaza o genocídio continua. Os EUA parecem ter voltado à doutrina Monroe e considerar a Europa qualquer coisa entre um parceiro menor e um inimigo declarado.

»Em Portugal, a extrema-direita continuou a crescer e as suas ideias parecem contaminar a direita tradicional.

»Neste panorama, tivemos uma boa notícia esta semana com a decisão do Tribunal Constitucional que considerou inconstitucional, quase sempre por unanimidade, várias normas da Lei da Nacionalidade e a alteração ao Código Penal, que previa a possibilidade de perda da nacionalidade pela prática de certos crimes.

»A verdade é que o actual Governo parece apostado em governar contra a Constituição: foi assim na primeira versão da lei dos estrangeiros, em Agosto deste ano, e se o Governo porfiar na reforma laboral que anunciou também aí haverá seguramente inconstitucionalidades.

»Neste contexto, as futuras eleições dos juízes do Tribunal Constitucional e do provedor de Justiça no próximo ano afiguram-se decisivas para proteger o Estado de direito e o regime democrático consagrado na Constituição de 1976.

»O ciclo que vivemos é hostil para as ideias progressistas e pluralistas, descartadas sempre como "radicais”. Nesse contexto, o que modestamente desejo para 2026 é que não haja mais retrocessos nos direitos dos cidadãos, independentemente da sua origem, e que vença a tolerância, a justiça e a
solidariedade.

»Despeço-me agradecendo a todos os que durante três anos dedicaram algum tempo a ler o que fui escrevendo nesta coluna, concordando ou discordando. [Nestes 2 anos, eu nunca li qualquer texto de Alexandra Leitão, só mesmo este.] Agradeço também à Direcção do Expresso pelo convite para esta colaboração que agora termina.

»A todos muito obrigada e até sempre.»

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sexta-feira, dezembro 19, 2025

#TOLERÂNCIA355 - FICA A APETECER-ME VOLTAR JÁ À RUA DO BENFORMOSO

 #TOLERÂNCIA355 - FICA A APETECER-ME VOLTAR JÁ À RUA DO BENFORMOSO

O Público tem hoje, na página 12, uma notícia com este título: "O Benformoso esconde cicatrizes. “As pessoas fecharam-se por receio”; e sendo o subtítulo assim: "Há um ano, dezenas de pessoas de muitos países foram imobilizadas, encostadas à parede e revistadas numa operação policial que deixou marcas. Desde então, a sua situação piorou" O texto é da jornalista Ana Dias Cordeiro.

Pois, as acções públicas dos órgãos de poder não são inócuas.

A certa altura a gente lê assim: «“As regras mudaram” - “Muitas pessoas deixaram de vir. E as que vêm, não é com a mesma abertura”, diz Sohel Mia, recordando as noites, no seu restaurante, em volta de uma chávena de chá. “Primeiro porque desde Junho de 2024, há menos pessoas a entrar neste país.

»Mudaram-se as políticas [da imigração]. E depois porque, a partir de Dezembro, as pessoas começaram a sentir-se hostilizadas.” A hostilidade que se revelou perante elas nesse dia, 19 de Dezembro de 2024, há precisamente um ano, na Rua do Benformoso, ficou para sempre associada a este local. A acção policial obrigou a fechar a rua. A operação denominada Portugal Sempre Seguro, e coordenada pelo Sistema de Segurança Interna, tinha sido lançada a partir de Novembro desse ano. O que as pessoas imobilizadas e revistadas não sabiam — e, segundo Cláudia Pinto, da Associação Renovar a Mouraria, “ainda hoje não percebem por que aconteceu” — é que elas eram o alvo da suspeita que rapidamente viram extravasar para a esfera colectiva. Aos olhos de todos, eram suspeitos.

»“Desde essa altura, não há mês que as pessoas não sejam fiscalizadas”, diz Sohel Mia. “A polícia quer verificar se têm os documentos em dia. Eu nunca tinha visto uma coisa assim.”

»As ofensas no espaço público passaram a ser toleradas desde que os alvos sejam imigrantes e abriu-se
um espaço a insultos visando directamente comunidades estrangeiras, sustenta o homem de negócios de 45 anos, com um curso superior tirado na Dinamarca.

»“As regras mudaram. Como é possível um partido, o Chega, colocar aqueles cartazes a mandar-nos para a nossa terra? Portugal continua a ser um lugar bom, mas o sistema mudou muito para mim. As pessoas que vieram do Bangladesh estão a contribuir com o seu trabalho, os seus descontos e os seus

impostos para a economia de Portugal. Sem imigrantes a economia não vai crescer da mesma maneira. Porquê atingir as pessoas do Bangladesh? Porquê atingir o nosso país? Fazer isto é ser racista. Isto repugna-nos, e magoa-nos muito.”»

Dar um testemunho sincero não significa automaticamente ter razão. Por isso o diálogo e a tolerância são tão importantes. Também o acolhimento e a clareza das leis; e a burocracia, q.b. É fácil estigmatizar, desfazê-lo é bem mais complicado. Educar, deseducar, recomeçar de onde for preciso.

Mais uma vez se lembra que tolerar não é aceitar. Por isso é tão importante, como fui dizendo lá para trás, discutir e clarificar os conceitos, os seus limites e as implicações ao nível dos comportamentos.

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quinta-feira, dezembro 18, 2025

#TOLERÂNCIA354 - NEM SEMPRE É FÁCIL SER UM PAI PRESENTE!

 #TOLERÂNCIA354 - NEM SEMPRE É FÁCIL SER UM PAI PRESENTE!

QUANDO AS INSTITUIÇÕES DA PRIMEIRA INFÂNCIA SÃO UM OBSTÁCULO PARA OS PAIS

O texto tem por autor Kevin Hirdjee (Psicanalista clínico e psicólogo, exerce na maternidade e no Centro de Estudo e Conservação de Óvulos e de Esperma Humano (Cecos), e publicou “O que é um Pai?” (Fayard, 2024)), e foi publicado nas 'Sciences Humaines' no dia 8 de dezembro de 2025. Será mais um texto-gatilho para os grupos de discussão que na geografia da Tolerância encontrem fermento.

Nem sempre é fácil ser um pai presente! Por um lado, espera-se que eles estejam presentes em todas as circunstâncias, por outro, desconfia-se que são menos competentes do que as mães. Uma injunção

paradoxal contra a qual eles têm de lutar... desde a maternidade!

O texto tem por autor Kevin Hirdjee (Psicanalista clínico e psicólogo, exerce na maternidade e no Centro de Estudo e Conservação de Óvulos e de Esperma Humano (Cecos), e publicou “O que é um Pai?” (Fayard, 2024)), e foi publicado nas Sciences Humaines no dia 8 de dezembro de 2025.

Os pais vivem hoje sob o olhar de normas que não existiam antes. Normas que se revelam contraditórias: pede-se aos pais que sejam presentes, ternos, envolvidos, empenhados... mas, ao mesmo tempo, estes deparam-se com uma série de obstáculos insidiosos, pouco visíveis, mas muito poderosos, que tornam a sua tarefa difícil.

PROFISSIONAIS DE SAÚDE QUE EXCLUEM OS PAIS

Um local condensa estes paradoxos: a maternidade. Em “Da Nascença e dos Pais” (Les Éditions du remue-ménage, 2016), a historiadora quebequense Andrée Rivard traça a história longa e caótica da entrada dos pais nas salas de parto. Ela mostra como esta presença foi conquistada a pulso e permanece, ainda hoje, marcada por uma forte ambiguidade institucional.

Por detrás das proclamações igualitárias, as maternidades permanecem bastiões duma concepção tradicional da diferença entre os sexos: os pais são mais tolerados do que acolhidos. Basta interrogá-los: quantos se sentiram a mais, deslocados ou mal julgados por terem querido passar a primeira noite ao lado da sua companheira? Quantos não encontraram nem cama, nem refeição, nem espaço pensado para a sua presença?

Um estudo etnográfico conduzido por Gérôme Truc (“La paternité en Maternité. Une étude par observation”, Ethnologie française, vol. 36, 2006/2) numa maternidade parisiense traça um panorama preocupante. O autor revela a forma como a própria organização dos espaços e dos horários mantém indiretamente os homens à margem da criança, como se fossem considerados menos "competentes" do que as mulheres.

Este estado de coisas é tanto mais perturbador quanto assenta numa crença errónea: a de um instinto materno "inato", em virtude do qual as mães não teriam de "aprender" a cuidar de uma criança, mas apenas de "reactivar" nelas uma competência latente. Inversamente, os pais, logo à partida julgados menos competentes, não mereceriam uma atenção igual por parte dos profissionais de saúde. Gérôme Truc conclui que as maternidades funcionam segundo um regime "matrifocal", em que a mãe ocupa uma posição central em detrimento ou na ausência do pai.

UM DÉFICE DE INFORMAÇÃO

Estes entraves à integração dos pais aparecem também nas instituições da primeira infância. Os estudos sobre as visitas domiciliárias após o nascimento ensinam-nos, por exemplo, que as parteiras (Marleen Baker et al., “Entre la sage-femme et le père, des espaces coconstruits : étude exploratoire”, Enfances, Familles, Générations, n° 11, 2009) podem negligenciar os sinais da depressão pós-natal dos pais.

Outra investigação realizada em creches e escolas (France Frascarolo-Moutino et al., “La fonction de garde-barrière (le ‘gatekeeping’) des professionnels envers les pères : une puissante influence sur le développement de l’enfant et sur la famille”, Devenir, vol. 29, 2017) invoca a noção de ‘gatekeeping’ para descrever a tendência de algumas cuidadoras para restringir o acesso do pai à criança. As informações transmitidas aos pais durante as reuniões de final do dia nas creches são parciais, decisões terapêuticas são tomadas sem eles, e a sua competência é frequentemente presumida inferior à das mães. A hiperfeminização dos estabelecimentos e as crenças pessoais das profissionais sobre a repartição dos papéis de género criam fenómenos de entre-si feminino que dão aos homens a impressão de que não têm lugar nestes dispositivos.

HOMENS FACE A UMA INJUNÇÃO PARADOXAL

Vê-se bem que os obstáculos à implicação dos pais não são apenas fruto da má vontade dos principais interessados. Quando os homens se empenham junto dos seus filhos, deparam-se com contrafogos poderosos. As maternidades e as instituições da primeira infância fazem viver a alguns homens uma injunção paradoxal. Por um lado, espera-se que eles estejam presentes, e a sua ausência ou negligência são severamente criticadas.

Por outro, faz-se-lhes sentir através de sinais indiretos que não estão no seu lugar. Pior, recusa-se-lhes a aprendizagem dos saberes-fazer parentais que se concede às mães, como se só existisse uma única maneira legítima de cuidar de uma criança: a das mulheres.

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quarta-feira, dezembro 17, 2025

#TOLERÂNCIA353 - PODE-SE TOLERAR ISTO? NÃO, NÃO E NÃO!

 #TOLERÂNCIA353 - PODE-SE TOLERAR ISTO? NÃO, NÃO E NÃO!

Fiz questão de ouvir toda a intervenção(1) do sr. Ministro da Educação, Fernando Alexandre, a intervenção que provocou grandes reacções, polémica e oposições. Sim, o sr. Ministro pôs-se a jeito, não foi claro, acho legítimos os protestos de desrespeito e discriminação social e cultural dos estudantes universitários de condição económica mais baixa.

A meio do discurso, o sr. Ministro diz de maneira muito enfática que é defensor da escola pública. Mas o melhor estava mesmo guardado para o fim. E desse fim, tanto quanto me parece, nenhum partido político e nenhum órgão de comunicação social fez eco!

Vou transcrever:

«Vamos implementar e depende do governo aquilo que vai acontecer às residências, depende das universidades e dos politécnicos de todos, não é só de reitores e dos Presidentes. E também muito dos

estudantes, porque aquilo que eu estou a dizer sobre o meu cepticismo em relação à capacidade com este modelo de gestão universitária de transformar verdadeiramente aquelas residências em espaço de bem-estar. Pode ser que eu me engane, porque se há alguma coisa em que eu acredito é de facto nos jovens e nos estudantes e as sessões académicas têm aqui uma oportunidade para mais uma vez mostrarem que têm que ter, têm que ser exigentes. Eu já vos disse, eu gostava de vos ouvir falar mais sobre a ação social, porque é a acção social que faz a diferença, a acção social.»

Aqui vou dobrar o eco: «É a acção social que faz a diferença.»

Continua o sr. Ministro da Educação: «Nós em Portugal discutimos muitas vezes temas que não interessam nada, que são completamente laterais. E aquilo que faz a diferença, aquilo que conta para o acesso ao ensino superior é a acção social. O resto... Vejam aquela discussão que o Professor Nicolas Bar apresentou aqui é uma discussão que nós nem queremos ter em Portugal. Não vale a pena... não vale a pena...»

E com o que o sr. Ministro da Educação vai dizer a seguir, eu pergunto se pode haver alguma tolerância para o estado de coisas que ele diz. Não, não pode haver qualquer tolerância! Nenhuma! Vai alguém pegar nestas palavras, desafiá-las e resolver a profundamente injusta situação? Qual partido? Qual organização de estudantes? Qual movimento cívico? Mas estas palavras, as verdadeiramente importantes, foram abafadas, quem sabe, intencionalmente pelas outras, as da polémica das residências de estudantes.

Oiça-se bem o sr. Ministro da Educação:

«Nós não conseguimos sequer falar de propinas com a desigualdade que temos em Portugal, com a desigualdade que nós temos no nosso sistema de ensino superior, em que as famílias que não colocam os filhos no ensino superior andam a pagar as propinas, andam a pagar os estudos dos das famílias mais ricas. É isto que nós temos em Portugal! Nós somos um país profundamente desigual, porque nós somos extremamente insensíveis à desigualdade! Não tenham dúvidas sobre isso. Obrigado!»

Apetece-me escrever este parágrafo mais 1000 vezes: «As famílias que não colocam os filhos no ensino superior andam a pagar as propinas, andam a pagar os estudos dos das famílias mais ricas. Nós somos extremamente insensíveis à desigualdade!»

(1) https://cnnportugal.iol.pt/fernando-alexandre/estratos-sociais/isto-foi-o-que-o-ministro-da-educacao-disse-na-integra-sobre-os-estudantes-dos-meios-socioeconomicos-mais-desfavorecidos-e-as-residencias-degradadas/20251217/694273ecd34e2bd5c6d531b9

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