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terça-feira, janeiro 07, 2014

Gandhi deixou 2 dólares de bens materiais quando morreu

Menos de dois dólares

Um texto notável de José Tolentino Mendonça


A "pegada ecológica" diz muito acerca de nós: quantos recursos (e que recursos) hipotecamos para construir o que é o nosso estilo de vida, quais as necessidades que consideramos vitais e como as priorizamos, que tráfico de bens e serviços temos de colocar em funcionamento para realizar o nosso sonho (ou a nossa ilusão) de bem-estar. Os indicadores coincidem no seguinte: as sociedades avançadas geram uma inflação permanente de necessidades, indiferentes aos desequilíbrios que causam, e que são, em grande medida, não só de sustentabilidade ambiental mas de sustentabilidade espiritual. [o destaque é meu]

A verdade é que cada um de nós traz vazios por preencher, carências e interrogações submersas, desejos calcados que procura compensar da forma mais imediata. Não é propriamente de coisas que precisamos, mas, à falta de melhor, condescendemos. À falta desse amor que nem sempre conseguimos, desse caminho mais aberto e solitário que evitamos percorrer, à falta dessa reconciliação connosco mesmo e com os outros que continuamente adiamos... O consumo desenfreado não é outra coisa que uma bolsa de compensações. As coisas que se adquirem são, obviamente, mais do que coisas: são promessas que nos acenam, são protestos impotentes por uma existência que não nos satisfaz, são ficções do nosso teatro interno. Os centros comerciais apresentam-se como pequenos paraísos, indolores e instantâneos. Infelizmente, de curtíssima duração também.

Li há dias, e impressionou-me muito, que, quando Gandhi morreu, os bens materiais que deixou valiam menos de dois dólares. Voltei a ler para verificar se me tinha enganado: menos de dois dólares. Os bens espirituais e civis que legou ao futuro tinham, porém, uma dimensão incalculável. O que nos enfraquece não é, de facto, a escassez, mas a sobreabundância; não é a indagação, mas o ruído de mil respostas fáceis que conflituam; não é a frugalidade, mas sim o desperdício. O que nos enfraquece é não termos escutado até ao fim o que está por detrás da fome e da sede, da nossa urgência e da nossa fadiga, do atordoamento, dos medos ou da abstenção.

Há aquela cena do filme de Steven Spielberg "A Lista de Schindler". O ator Liam Neeson representa o papel do industrial alemão que salvou a vida a mais de mil judeus. Na cena final, os resgatados oferecem-lhe, expressando a sua gratidão, uma aliança com uma frase do Talrnude. «Aquele que salva uma vida, salva o mundo inteiro». E a resposta de Oskar Schindler é inesquecível: «Podia ter feito mais. Não sei, eu... Podia ter salvo mais. Desperdicei tanto dinheiro com futilidades. Não fazes ideia. Se soubesses... Não fiz o suficiente. Este carro... Porque fiquei eu com ele? Alguém o teria comprado. Teria salvo dez pessoas, mais dez pessoas. Este alfinete! Duas pessoas! É de ouro. Podia ter salvo mais duas pessoas. Por isto... eu poderia ter salvo mais pessoas... e não o fiz». Estamos condenados a uma dor assim?

Mas há finais felizes. Lembro-me dos meses que antecederam a partida do poeta Eugénio de Andrade. Ele ficou internado longo tempo no Hospital de Santo António, no Porto. Nessa altura, passei por lá algumas vezes a visitá-lo e só me recordo de ouvi-lo pedir uma coisa: que lhe trouxessem duas maçãs. Não para comer, obviamente, mas para ficar a olhá-las da cama, para sentir a cor, a textura, o perfume, para distinguir a sua forma no silêncio, para amá-las como se ama uma pintura de Cézanne. Acho que duas maçãs custam menos de dois dólares, não é verdade? (José Tolentino Mendonça, In Expresso, 4.1.2014)

domingo, março 07, 2010

Conselhos para reduzir a pegada ecológica

Daniel Goleman subscreve estes conselhos:

GoodGuide | Slideshow | 10 Ways to Reduce Your Environmental Footprint
(10 maneiras de reduzir a pegada ecológica de cada um)
  1. Coma menos carne de vaca, de porco e de carneiro
  2. Vá menos vezes aos restaurantes
  3. Coma menos produtos do dia
  4. Beba menos refrigerantes
  5. Coma mais fruta da época e, sempre que possível, produzida localmente
  6. Coma menos "comida de plástico"
  7. Mude para um frigorífico com melhor eficiência energética
  8. Coma peixe de mar e de rio, que não esteja em perigo de extinção
  9. Beba menos água engarrafada
  10. Faça compras na praça ao pé de si, prefira os produtos da sua região
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Convido à leitura complementar deste pequeno apontamento, que se refere claramente à contribuição específica que os psicólogos podem ter na reflexão sobre a chamada "Questão Ambiental":http://autoregulacaodocomportamento.blogspot.com/2010/03/daniel-goleman-fala-com-brilhantismo.html