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sexta-feira, outubro 11, 2013

A vida é feita de pequenos nadas, não é?

Hoje estive na escola em "sessão contínua" das oito da manhã às três da tarde. Só depois vim a casa almoçar.
Tomara, como é costume, o pequeno-almoçoas seis e meia da manhã. No primeiro intervalo da manhã, consegui respegar uma banana que tentei digerir discretamente enquanto uma colega me falava de uma ocorrência bem matinal entre alunos, ocorrência essa bem mais difícil de digerir.
Quando estava a chegar a casa, a enfiar o passe do Metro no bolso no pátio largo da saída da estação, em Chelas, tomei consciência de que a fome, difusa, fazia mossa no humor e na genica para me mexer dali.
Quando entro no corredor de acesso à escadaria da saída, vindo precisamente dele, reparo que vem de lá o Roman, que não via há tempos. Ele vê-me no mesmo momento em que eu o vejo. Mesmo à distância vejo que o rosto dele se abre num intenso sorriso - e se são lindos todos os sorrisos genuínos! Logo a seguir estávamos a trocar um valente abraço.
O Roman, assim que desfizemos um abraço, diz-me, muito alegremente: "Ó 'store' nem sabe o que eu vinha a pensar!... Vinha ali atrás e vinha a pensar se  o ia encontrar agora aqui!... E o 'store' aparece mesmo!..."
E pronto, dissemos aquelas coisas que se dizem nestas alturas, divertidas; depois falámos das aulas, do seu curso. Acabou o 1.º ano, está a acabar as férias; na próxima segunda-feira começa o 2.º ano. E depois virá o resto, foi-me ele dizendo com entusiasmo e confiança.
Repetimos, à despedida, o abraço.
A subir as escadas dei-me conta que o humor como eu gosto de sentir regressara; e a genica também. Afinal, mais cedo do que era a minha expetativa de três ou quatro minutos antes. E sem ingerir qualquer caloria, ainda por cima!
Olha se eu tivesse vindo a casa almoçar a horas!... Não teria saboreado este tão agradável momento!
É bom quando o mundá dá as voltas do jeito que a gente quer, não é caro Roman?

sábado, abril 20, 2013

Oa alunos-peixes das nossas escolas

http://fictionthatmatters.tumblr.com/post/23042909665/
techedblog-everybody-is-a-genius-but-if-you
Falei ontem, ao final do dia, ao telefone, com a mãe de um aluno de uma escola de Lisboa.
A senhora ligou-me, essencialmente queria desabafar a tensão em que a conversa que tivera com a diretora de turma do seu rapaz mais uma vez a deixara. Conheço a senhor e o rapaz já há tempo suficiente para se terem consolidado relações de amizade pessoal entre nós.
O rapaz anda no ensino básico; é muito inteligente, mas a escola, como se diz popularmente, tem sido madrasta para ele. Lembrei-me, enquanto conversava com a mãe dele, do peixe da história de Einstein.
A Internet, na complexidade espantosa de que tantos de nós se tornaram dependentes, divulga uma afirmação cuja autoria, como quase sempre, é disputada por vários cientistas e pensadores importantes, a maioria dos quais sem sequer saber como foram chamados para tal disputa. No caso da afirmação em questão, quem leva, por agora, a camisola amarela é Albert Einstein.
A frase é poderosa, a situação real que ilustra é dramaticamente verosímil - é mesmo uma situação comum nas nossas escolas. Eu diria, é cada vez mais comum nas nossas escolas, onde eu vejo a qualidade e a competência dos professores aproximar-se da apreciação geral que sempre, ao longo de toda a sua vida, Rómulo de Carvalho foi fazendo acerca dos professores; e que eu me tenho obstinado, até agora, a não aceitar.
Diz assim a frase:

“Everybody is a genius. But if you judge a fish by its ability to climb a tree, it will live its whole life believing that it is stupid.”

(Toda a gente é um génio. Mas se julgamos um peixe pela sua capacidade de subir uma árvore, ele passará toda a sua vida a pensar que é estúpido.)

É essencialmente isto que, no meu entender, acontece em tantas escolas, com tantos professores: só têm a árvore para oferecerem aos seus alunos e quem não é macaco... pois é, está lixado!
Nem a malfadada Crise justifica o comodismo (agora não se diz comodismo, diz-se incapacidade de sair da sua zona de conforto), a falta de esforço - e de respeito! - dos professores pelos seus alunos e pela qualidade das suas aulas.
Lembro-me, agora de uma outra afirmação, que ouvi atribuída a Salazar, que diz mais ou menos assim:
"O grande problema nem é as coisas que se dizem ou que se fazem; o grande problema é as coisas que se inventam para justificar o que se diz ou o que se faz..."
É, é verdade, o que é confrangedor - e muito dramático! - é o que se inventa para justificar as coisas com que aos poucos vamos desgraçando a vida de tantos dos nossos alunos - que têm o azar de serem diferentes de nós e de não corresponderem imediatamente à imagem do que a gente quer que eles sejam.

sábado, março 12, 2011

O toque de Midas do Empreendedorismo

Também a especialista em Comunicação Social Felisbela Lopes, investigadora da Universidade do Minho, veio hoje à televisão bater no ceguinho (o ceguinho é a escola, os professores e os alunos) e dizer que começamos na escola a não ter a cultura do empreendedorismo, por isso é que as coisas estão como estão. Minha nossa! De repente, qual toque de Midas, onde o empreendedorismo toca nasce a solução de um problema. Como se os gravíssimos problemas em todo o mundo não tivessem resultado de esforços empreendedores! O que não tem faltado ao mundo é empreendedores. Mas empreendedor não é sinónimo de justo, nem solidário! O que fecha o futuro aos jovens não é a SUA falta de empreendedorismo, mas sim a ÉTICA (a falta dela) de tantos empreendedores que tomaram conta de todos os poderes na POLÍTICA, na ECONOMIA e na JUSTIÇA, SEM ÉTICA NENHUMA e gerem as nossas vidas a seu bel-prazer! Apesar de tudo, nas escolas, os professores ainda tentam que os alunos parem, escutem, olhem, pensem e criem valores! E os jovens estudantes continuam a ter uma apetência natural, instintiva, para uma sociabilidade saudável, amiga e solidária.

domingo, novembro 15, 2009

CHUVA DE CORES - espectáculo lindo!


Finalmente fui ver a representação desta peça, em que participam vários alunos meus. Lindo!...
A peça está muito bonita, e é muito bem dirigida pelo meu colega Onivaldo Dutra.
Pena só ter ido hoje... foi a última representação, por agora. Mais cedo eu tivesse ido, mais - seguramente! - eu teria colaborado na sua divulgação.
Para a posteridade, aqui fica a fotografia que quiseram tirar comigo, para grande alegria minha.
Não deixem de estar atentos ao trabalho deste grupo teatral.
Se clicarem no título deste apontamento, encontrarão a hiperligação para o blogue do grupo.

sexta-feira, dezembro 05, 2008

É a consciência do professor que o faz saber, não é a burocracia

O Professor Raúl Iturra não pára de de me prodigalizar provas de consideração e amizade (que dificilmente consigo agradecer-lhe como justo seria). E nessas provas ele renovadamente se mostra cidadão atento, activo e empenhado no país em que, por opção pessoal, tomou a sua mais recente nacionalidade.
Ele não podia deixar de olhar o que se passa no sistema educativo português, no que ao ensino secundário muito prementemente, nos dias de hoje, diz respeito.
É com a sua autorização que agora publico neste blogue um texto que escreveu muito recentemente. É um texto muito sério, que merece todo o nosso cuidado na leitura. É um texto em que o Professor Raúl Iturra procura levar-nos a tomarmos consciência do que é que está - ou do que é que faz - o âmago, a essência da educação, do acto educativo: está dentro da pessoa do professor.
As teias, as tramas das relações sócio-económicas, das tensões e dos conflitos entre os diferentes níveis da hierarquia social; e as lutas políticas e partidárias pelo controlo do poder legislativo e executivo - tudo isto constantemente exerce forte pressão sobre o sistema educativo, determinando os comportamentos dos pais, as decisões dos governantes... quais mares que, quando batem nas rochas, lixam o mexilhão. Os mexilhões - está-se já a ver - são os professors e os alunos.
Muitas das vozes que hoje se cruzam em brados estão, ou não estão (mas suspeita-se que estão), ao serviço de algum interesse ou conveniência menor, o que dificulta que se leia ou ouça, sem desconfiança, ideias, argumentos e propostas que consigam resolver os actuais - e graves - problemas do ensino secundário em Portugal.
Repito, o Professor Iturra esforça-se sinceramente por nos chamar a atenção para a necessidade de (quem realmente quiser ocupar-se com e resolver os problemas do ensino secundário, promovendo as condições indispensáveis para que os professores possam desempenhar satisfatoriamente a sua função social) não deixarmos de manter o debate, a discussão, a dialéctica e o conflito no âmago (ao mesmo tempo humano, social e político) do acto educativo.
Obrigado, Professor, por (mais) esta sua valiosíssima lição!

O QUE É EDUCAÇÃO [?]

Para Daniel Índias Fernandes, filho de Graça e Rui, no dia do seu aniversário

A questão parece simples. Ou, melhor, a pergunta. No entanto, ela sempre foi complexa e heterogénea. Há vários tipos definições de educação. A mais simples é dizer que educação vem do latim[1] e significa o que está na nota de rodapé de esta página. No entanto, tem significado para discutir, como esse o de domesticar. Não tenho esquecidas três definições fornecidas por mím, em vários textos meus.

Um desses textos, é um livro meu que cito no pé de página[2], livro no qual, após ter analisado com uma larga equipa mais de 40 crianças da aldeia de Vila Ruiva em Portugal, Concelho de Nelas, concluí que educar era formar cidadãos para os subordinar às formas e costumes de ser do nosso país. Aliás, para fazer de eles pessoas impingidas de saber social. Nunca esqueço esses anos de 1988-1989, dias em que imensas crianças nos acordavam às seis da manhã para começar os nossos trabalhos entre as 9 e as 12 horas da manhã dos verões escaldantes do lugar. Eram crianças entre os cinco e dez anos, hoje em dia todos profissionais de alguma parte do saber cívico ou com profissões que eu denomino doutorais. Doutorais, por haver dois tipos de saberes, o da mente cultural, definida no texto citado, conceito sobre o qual tenho um direito de autor oferecido a mim pela Sociedade Portuguesa de Autores (ou SPA), conceito deduzido da minha observação de ver como os pais ensinavam as suas crianças: “pega no livro, vai ao quarto e lê, caraças”. Os pais mais nada podiam dizer, eles próprios nunca tinham ido à escola, ou se nela tivessem estado, era para se distrair a pensar no que mais amavam, semear batatas. O convite ao estudo não era por isso amável, era a ambição de progenitores de quererem ver os seus descendentes angariar a vida, impingindo o seu saber na interacção social. Objectivo bom, mas mal entendido, para que os pudesse orientar dentro das avenidas do saber doutoral, esse saber pretenso de ser conhecido por poucos mas solicitado a todos. Especialmente hoje em dia, ao ser mandado aos docentes de qualquer grau de ensino, avaliar a sua actividade, um dia após outro. Esta avaliação que acaba por esmorecer a actividade dos docentes: preparar aulas, estudar para saber o quê dizer, escrever ideias novas de academia, explicar cada palavra da sua aula e, no fim de um dia bem ganho com a canseira de falar o dia todo no intuito de fazer dos mais novos cidadãos sábios, ou pelo menos submetidos ao braço da lei, reunir todos eles para, como hoje está mandado, avaliar o desempenho do dia. Dia que começam às 8 da manhã e acabam tarde, quase noite, pelas 20 horas. É este modelo que tenho auscultado ao analisar crianças Picunche, no Concelho de Pencahue, Província de Talca, no Chile do falecido ditador. E é este mesmo modelo que manda aos municípios, homens de política, orientar as escolas primárias e secundarias de sua jurisdição, o que em Portugal, seria uma Freguesia. Parece-me que o conceito freguês é adequado: obediência, disciplina, ver, ouvir e calar. Formas ditatoriais de definir a transferência de saberes de uma geração a outra, sem um carinho que arrebite o cansaço dos mais novos ou premeie com mais um dúzia de tostões, o deboche imerecido da exaustão desse desmerecido fim de dia. Especialmente entre os docentes de ensino especial, que reúnem sempre, dia após dia, para comparar a metodologia de João de Deus, trazida para nós por essa grande minha amiga, antiga subsecretária da educação, Ana Maria Toscano de Bénard da Costa[3], que nem por isso tem sido ouvida. Ou a opinião dos que trabalham com os que sofrem do espectro de autismo, imensos em Portugal, o meu antigo orientado de doutoramento, José Manuel Pombeiro Cravo Filipe[4], educador especial.

Uma segunda ideia que aparece no meu pensar, é que educar é a ternura de transferir saber dos adultos aos mais novos. Um saber que não está em livro nenhum, que reside na mente do educador e que, por acaso, se pode encontrar na vida social e natural. Os textos estudados por mim para entender o processo de ensino-aprendizagem, têm-me ensinado esta ideia. Essa grande dúvida de todo o educador, que entende que ao ensinar, aprende com as perguntas colocadas pelos mais novos, questões com emotividade, racionalidade e erudição retirada da vida social e do saber histórico pragmático do sítio onde os mais novos moram. Todo o bairro, vila ou aldeia nos países do mundo, têm dois mapas: o que está no saber dos estudantes que andam pelo seu desenho de corta mato, desconhecido pelos docentes que têm a delicadeza de andar pelos passeios, pelas ruas e as cruzar por passadeiras. Passadeiras que muitos de nós nem respeitamos na infantilidade que fica sempre dentro de nós ao desafiar, de forma parva, os carros que vêm de longe, a alta velocidade, mais outro adulto infantil que faz das ruas, estradas... Não é por acaso que, ainda sem carros mecânicos, os sábios gregos definiam educação como processo que leva à democracia[5].

Estas são ideias que usamos com Paulo Freire, asilado no Chile ao ser perseguido pelo Ministério da Educação. A sua pedagogia é simples e a aprendi com ele na acção: todo o mundo sabe; é preciso retirar esse conhecimento e fazer razoar a mente que pensa. As escolas apenas precisam levar aos estudantes aos sítios materiais dos quais o saber é retirado, sem o indivíduo saber que sabe. Na segurança lógica do conhecimento, esta é a educação. É por isso que a denomino processo de ensino-aprendizagem. A cultura doutoral não é superior à prática pragmática de saber entender a vida natural. Aliás, digo eu, a cultura doutoral perverte os professores e as suas autoridades, que mandam avaliar o que se faz cada dia. Os mais novos precisam de adultos que os amem e, descansados, poderem raciocinar e, assim, ensinar. Toda outra actividade não é apenas ilegal, bem como anti-pedagógica. É a consciência do professor que o faz saber o que, como e quando dizer, e não a burocracia. Essa [orientação] ministerial mata o necessário amor ao ensino, pois quem nunca ensinou, nem faz ideia do que é o processo de ensino-aprendizagem. Esse processo é vivido, não decretado. Os decretos são os assassínios do saber, especialmente ao serem ditados pela afamada Sociologia Industrial, que, por vezes, nas suas práticas, dão cabo do saber das crianças, os proletários do saber, com a burguesia a possuir os meios de produção pedagógico nas suas mãos inexperientes.

Educar é saber com amor, sem perseguições, e controlos quotidianos que matam a quem sabe.

Raúl Iturra, português.

 Parede, 28 de Novembro de 2008.

Catedrático de Etnopsicologia do ISCTE, Lisboa, Senador da Universidade de Cambridge, Membro de Honra do CNRS, Paris, Investigador do CEAS/CRIA/ISCTE, escritor e membro activo na primeira linha de Amnistia Internacional e dos Direitos Humanos.

lautaro@netcabo.pt


[1] Do lat educare v.educarev. Tr., desenvolver as faculdades físicas, intelectuais e morais a; instruir; doutrinar; domesticar; em: http://www.priberam.pt/dlpo/definir_resultados.aspx 

[2] A construção social insucesso escolar. Memória e aprendizagem em Vila Ruiva, 111 páginas, especialmente página do livro em formato de papel: p.87, Capítulo 8: “A sabedoria das crianças”, Escher (antes) Fim de Século hoje, 1990 a, em várias entradas Internet de: http://www.google.pt/search?hl=pt-PT&sa=X&oi=spell&resnum=0&ct=result&cd=1&q=Ra%C3%BAl+Iturra+A+constru%C3%A7%C3%A3o+social+do+insucesso+escolar&spell=1

[3] A sua biografia e opinião sobre o que eu denomino processo educativo, pode ser lido em: http://sinistraministra.blogspot.com/2008/03/entrevista-ana-maria-bnard-da-costa.html

[5] Aristóteles, 330 antes da nossa era, no seu texto: Ética a Nicómaco, diz, em síntese:A educação deveria inculcar o amor às leis – elaboradas com a participação dos cidadãos –, mas a lei perderia sua função pedagógica se não se enraizasse na virtude e nos costumes: "a lei torna-se simples convenção, uma espécie de fiança, que garante as relações convencionais de justiça entre os homens, mas é impotente para tornar os cidadãos justos e bons". Livro escrito para o seu filho Nicómaco, especialmente Livro I, capítulo X, em: http://www.analitica.com/bitblioteca/Aristoteles/nicomaco01.asp#l1c2, sítio para ler o texto inteiro. É assim que o livro e também denominado “...o da Educação”. Ideias usadas por Émile Durkheim para os seus textos de pedagogia. 

domingo, novembro 09, 2008

A avaliação e os professores - 3: Uma árvore conhece-se pelos seus frutos, não é?

Ora bem, vamos recapitular:
- Quem não concorda com a melhoria do ensino público? (Ninguém responde, silêncio total...)
- Quem não concorda que os professores devem ser avaliados? (Silêncio absoluto)
- Quem não concorda que os professores mais competentes e os mais capazes (provavelmente, os mais velhos, ou antigos) avaliem os mais novos? (Outra vez silêncio absoluto)
- Quem não concorda com a ministra da Educação que diz que uma ficha no princípio do ano, só três aulas assistidas ao longo do ano e uma ficha de avaliação no fim do ano, é pouco trabalho (Bem, ouviram-se uns sussurros, mas, verdadeiramente, ninguém se opôs)?
- Quem não concorda que é preciso separar o trigo do joio?
Pois é, postas as coisas assim, é difícil não concordar com tudo. Só que, na prática, como diz a cultura popular, de velha e sábia que é, de boas intenções está o inferno cheio.
Mas por aqui não vamos lá, quero dizer, por este lado, os professores pouco ou nada convencem a "opinião pública".
Sendo assim, vamos por outro lado:
- As reformas do Ministério da Educação (bem intencionadas, naturalmente) estão ou não a acelerar a saída, antes de tempo, das escolas dos professores mais velhos, mais próximos dos escalões superiores da carreira docente, assim já consagrados por estas mesmas reformas?
- Os rankings das escolas, que aí apareceram e por cá ficaram, para o bem e para o mal, estão ou não a mostrar o abaixamento das escolas públicas, em geral?
- Aumentou ou não o nível de insatisfação dos professores nas escolas, agora que se conta com duas manifestações públicas de mais de cem mil professores, em Lisboa, num período de oito meses?
- É ou não é verdade que a Confederação Nacional das Associações de Pais, que tão cedo saudou as decisões da Ministra da Educação agora já publicamente defende a necessidade de se fazer a revisão de decisões ministeriais, ou da sua aplicação, já que decisões há que estão a prejudicar o ensino e a aprendizagem nas escolas?
- Uma árvore conhece-se pelos seus frutos, não é?
- Que podemos nós dizer desta árvore que o Ministério de Maria de Lurdes Rodrigues e José Sócrates plantaram?
- Dá ou não dá por vezes a sensação que, afinal, se está a deitar trigo de muito boa qualidade fora?