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sábado, julho 09, 2011

"Sou porque sonho" um filme de Ricardo de Sousa

Caro Ricardo,
sei muitas das montanhas e escarpas que tiveste de escalar para chegares aqui. Quando eu era criança, há mais de 40 anos, quis fixar esta letra do Música no Coração, uma das razões era esta: queria lembrar-me dos versos quando me mostrasses este filme. "Climb every mountain, / Ford every stream, / Follow every rainbow, / 'Till you find your dream. / A dream that will need / All the love you can give, / Every day of your life / For as long as you live." Um grande abraço, Ricardo de Sousa!

quarta-feira, dezembro 09, 2009

Mensagem de Natal 2009

Há pouco fui chamado a resolver um problema delicado. A pessoa com quem falei estava tensa, grave, muito preocupada. Quando a conversa acabou, estava já tranquila. Olhou-me, estendeu-me a mão, sorriu-me e desejou-me um bom Natal.
Nesse momento tomei consciência de que a festa grande desta época do ano acabava de voltar.
- O que é o Natal?... é a pergunta que vai e volta, todos os anos, mais ou menos por esta altura. E todas as vezes a gente tenta dar uma resposta nova, diferente.
- O Natal é sentirmo-nos em casa, à volta de memórias, do convívio e de sonhos, pensei eu.
Nos mais pequenos há mais sonhos do que memórias, nos mais velhos há mais memórias do que sonhos. O convívio de todos é o convívio possível, em que se fazem votos para que o possível seja igual ao desejo. O desejo é sempre cheio de paixão e de amor.
Tantas vezes que os sonhos dos mais pequenos são a alegria dos mais velhos e as memórias dos mais velhos fazem as delícias dos mais pequenos!...
Não sou nada original a dizer que escrevi esta (pretensiosa) mensagem de Natal “aos ombros de dois gigantes”: Fernando Pessoa e Eugénio de Andrade.
Fernando Pessoa escreveu “A minha pátria é a minha língua”.
Eugénio de Andrade, por seu lado, escreveu o poema que a seguir transcrevo:
O sal da língua
Escuta, escuta: tenho ainda
uma coisa a dizer.
Não é importante, eu sei, não vai
salvar o mundo, não mudará
a vida de ninguém - mas quem
é hoje capaz de salvar o mundo
ou apenas mudar o sentido
da vida de alguém?
Escuta-me, não te demoro.
É coisa pouca, como a chuvinha
que vem vindo devagar.
São três, quatro palavras, pouco
mais. Palavras que te quero confiar,
para que não se extinga o seu lume,
o seu lume breve.
Palavras que muito amei,
que talvez ame ainda.
Elas são a casa, o sal da língua.
Nas palavras cabem os sonhos, cabem as memórias e cabe o convívio. Cabem o entendimento e a tolerância.
E os votos de Feliz Natal!
Até p’ró ano!
Um xi-coração grande, grande, grande, do
Fernando Pinto