KENSHIN, 06SET26. NÃO DAR TUDO, MAS DAR UM POUCO MAIS.
«Não te angusties se não alcançares a flor no alto da montanha, nem te angusties a pensar se a vais alcançar ou não.»
Acho que foi mais ou menos isto que o Mestre me quis dizer hoje, quando lhe desabafei que fico quase em desespero só de pensar na quantidade de coisas que tenho para a escola — os trabalhos de casa, as leituras de Português e Inglês, a seca do vocabulário de Alemão, os textos de Filosofia, a trabalheira da Matemática, pá, é tanta coisa! E o pior é que desespero por sentir que, por mais que me vire, nunca vou dar conta do recado, nunca vou ter a matéria toda em dia... Pá, é areia a mais para a minha camioneta. Resultado: ponho-me logo a pensar que nem vale a pena tentar.Dá-me vontade de mandar tudo às malvas, meter-me à frente do PC e anestesiar-me nos jogos que me drogam. Digo a mim próprio «são só 10 minutos», mas passam tantas dezenas de minutos que, quando acordo para a vida, fico em pânico. Vejo que o tempo que sobrou não dá já para quase nada, é só uma gota no meio do dilúvio que tenho ali prestes a cair-me em cima e a afogar-me de vez.
«Se não consigo fazer tudo perfeito, então mais vale estar quieto.» Que grande treta! Que desculpa tão tentadora e venenosa eu estava aqui a arranjar!
Tenho de meter duas coisas na cabeça.
A primeira coisa é que «Roma e Pavia não se fizeram num dia». Bem, apetece-me mais dizer que «de Roma a Pavia não se chega num dia». Mas a verdade é que se chega lá! Só preciso de me pôr a andar. Senri no michi mo ippo kara — «Até uma viagem de mil ri começa com o primeiro passo».
Não consigo dobrar o esforço e o tempo a estudar, chegar aos 100 por cento do esforço ideal? Paciência, é essa a outra coisa que tenho de aceitar: se não der para os 100, dá para 80; se não der para os 80, tento 40; se nem isso der, faço 10! Faço o que conseguir e meto na cabeça que estou a caminho de Pavia e que vou lá chegar. Afinal, as aulas também não acabam já amanhã nem sequer na semana que vem, ou no fim do ano.
E, sem estar a moer o juízo com isso, não sentindo a urgência de me anestesiar, o tempo que perco a jogar no computador vai acabando por diminuir, passo a passo, um dia a seguir ao outro.
Apetece-me pensar assim:
Lixa-te para a flor do alto da montanha. Foca-te é no caminho. Ganha garra e confia que vais ser capaz de subir até lá acima. Quando lá chegares, se a flor não estiver lá, não stresses: senta-te ali ao lado e relaxa, que ela acaba por desabrochar outra vez.

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