#TOLERÂNCIA242 - TOLERÂNCIA, CÉREBRO, BIOLOGIA
Não significa nada, nem antecipei qualquer intenção de falar disto hoje. É apenas uma constatação que me apraz, nem sequer a classifico como coincidência: falar de mente, cérebro, fisiologia e biologia precisamente no dia em que atinjo os dois terços de caminhos diários pela geografia da Tolerância.
O parágrafo anterior tem a ver com o texto que encontrei na edição de hoje da revista Visão, "CIÊNCIA,
Como o cérebro dita as nossas ideologias". A seguir transcrevo algumas frases do texto, que é o primeiro capítulo do livro de Leor Zmigrod, livro esse que tem em português o título "O Cérebro Ideológico, uma ciência radical das mentes susceptíveis" (a partir da edição inglesa), mas eu prefiro usar a outra forma, doutra edição em língua inglesa: "O Cérebro Ideológico, a ciência radical do pensamento flexível" (The Ideological Brais, the radical science of flexible thinking — edição americana). Na sua página do Linkedin, a autora põe ambas as capas lado a lado, sem qualquer comentário. No vídeo em que se apresenta (vi-o no Youtube)(1) apresenta-se com aquele «Olá, eu sou a doutora Leor...», com aquele "doutora" de nome que, enfim, devemos aceitar tolerantemente...
Pelo que vi numa busca breve na Net, a jovem cientista, que se apresenta como autora e cientista de Psicologia e Neurociência, nasceu nos EUA, em pequena foi viver para Israel; parece ser cidadã norte-americana.
Do artigo da Visão destaco as seguintes passagens:
«Os nossos corpos não são impenetráveis às ideologias que nos rodeiam: aquilo em que acreditamos reflecte-se na nossa biologia.»
«Os nossos corpos aprendem a corporizar as convicções ideológicas de maneiras profundas e preocupantes.»
«As batalhas sobre as ideologias assemelham-se a jogos de linguagem. Lançam-se palavras, são
arremessados dispositivos retóricos contra oponentes, que se evitam à justa. Reaccionário, revolucionário, conservador, progressista, conspiracionista, supremacista, racista, radical, intolerante. Raramente sabemos o que significam esses rótulos ou a quem eles se referem propriamente. George Orwell observou que “a linguagem política… está concebida para fazer as mentiras parecerem verdadeiras e o crime respeitável, e para dar uma aparência de solidez ao puro vento.”»«Todavia, esses chavões linguísticos mascaram as realidades das ideologias tal como elas são vividas — desordenadamente, hipocritamente, orgulhosamente, autodestrutivamente — com perda, alegria,
humor, arrependimento, medo, com reversões, retratações, ruminações, intimidade e tristeza —, com lágrimas e lamentações, sorrisos radiantes e confusos olhares de soslaio.»
«Sejam elas nacionalistas, racistas ou religiosas, existem paralelos no modo como todas as ideologias se infiltram nas mentes humanas. Essas semelhanças não são coincidências; são inerentes à estrutura do pensamento ideológico.»
«Ao contrário da cultura – que pode celebrar excentricidades e reinterpretações –, na ideologia a não conformidade é intolerável e é essencial o alinhamento total. Quando o desvio das regras leva a punições severas e ao ostracismo, afastamo-nos da cultura e entramos na ideologia.»
«Do fascismo e do comunismo ao ecoactivismo e ao evangelismo espiritual, os grupos ideológicos oferecem respostas absolutas e utópicas para os problemas sociais, regras estritas de comportamento e uma mentalidade de grupo por meio de práticas e símbolos dedicados. Estes aspectos existem em todo o espectro das persuasões ideológicas. Tais características podem surgir mesmo quando a ideologia é guiada pelas intenções mais sinceras e pelos ideais mais nobres – mesmo que alegue proteger a dignidade ou o florescimento humanos.»
«As mentes individuais convertem as doutrinas sociais em pensamento ideológico, um estilo de pensamento que é governado por regras mentais estritas e por saltos mentais cuidadosamente controlados.»
«Se tivermos menor amplitude para a plasticidade e a mudança e menos acesso direto às nossas sensações, corremos o risco de nos desumanizarmos, a nós e aos outros. Tornamo-nos menos sensíveis, menos elásticos, menos autênticos.»
Tudo isto que li, e mais o que pesquisei da autora e do livro, deixou-me entusiasmado. Fico com a ideia de que no que à Pedagogia e à Educação diz respeito, a intenção da minha viagem na geografia da Tolerância foi, e está, bem dirigida: conhecer, conhecer, conhecer... Conhecer todos os matizes do conceito Tolerância e do conceito Intolerância: descascá-los, desenriça-los... Ir ao fundo deles, descobrir-lhes todos os matizes, os enredos, as formas, as fontes; onde eles estão, da nossa pele ao tutano dos ossos; nas nossas mentes, em pensamentos, preconceitos, estereótipos, percepções, aprendizagens, atitudes...
Mais! Que cada indivíduo, sendo respeitado na sua maneira de sentir, pensar, tomar consciência, optar, decidir, escolher, seja autor da sua própria mente flexível, a partir do treino e da aprendizagem auto-induzida da plasticidade das suas percepções, julgamentos e comportamentos.
É essa a grande razão das reflexões, actividades e jogos que tenho proposto por esta viagem fora: ajudar na autorregulação da aprendizagem das dinâmicas da Tolerância e da Intolerância.
Não sei se haveria melhor forma de fazer o ponto da situação da viagem no dia em que acontecem os dois terços da viagem... Pouco importa. Gostei muito de fazer hoje este balanço! Sim, estou em sintonia com o que a ciência que há praticamente 50 anos abracei, a Psicologia, está a ser capaz de produzir para ajudar a melhorar a vida dos indivíduos e das sociedades humanas.
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