quarta-feira, dezembro 23, 2009

Cadeia de poemas de Natal - 9, dos Açores ao Brasil

Cheguei ao Faial, já estou mesmo na Horta.
Assim que cheguei a casa, larguei a bagagem, abracei a minha mãe e tentei ir direitinho ao cemitério, junto à campa do meu pai. Só que chovia bastante.
Abriguei-me na Biblioteca Municipal, e fui passar os olhos pelas estantes. Lá descobri as "101 Noites de Natal, uma antologia literária".
À página 34 fui buscar o "Soneto de Natal", de Machado de Assis, que aqui reproduzo, dedicando-o a todos os brasileiros que conheço, e a todos os brasileiros que de vez em quando visitam este blogue.

Um homem, — era aquela noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno, —

Ao relembrar os dias de pequeno,

E a viva dança, e a lépida cantiga,


Quis transportar ao verso doce e ameno

As sensações da sua idade antiga,

Naquela mesma velha noite amiga,

Noite cristã, berço do Nazareno.


Escolheu o soneto . . . A folha branca

Pede-lhe a inspiração; mas, frouxa e manca,

A pena não acode ao gesto seu.


E, em vão lutando contra o metro adverso

Só lhe saiu este pequeno verso:

"Mudaria o Natal ou mudei eu?"



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