segunda-feira, abril 02, 2007

Ser professor, ontem, hoje e amanhã

Há um livro que descobri, ou redescobri (na verdade, já o conhecia, mas não o tinha como referência especialmente valorizada). É sobre a indisciplina e a violência na escola, de Feliciano H. Veiga. É da Almedina e vai na 3.ª edição (2007).
No final no livro, mesmo a acabar, ele apresenta uma narrativa que foi buscar e adaptou de um livro best-seller de um psicólogo israelita, Haim Guinott, que morreu em meados dos anos 70, com a idade que eu tenho agora.
Revi há pouco tempo "A Lista de Schindler", vi muito recentemente o "Hotel Ruanda" e estou a ler "J. M. Barrie and the lost boys", a biografia do autor de Peter Pan, carinhosamente retratado no filme que não me canso de ver e rever "À procura da Terra do Nunca".
Diz assim Feliciano Veiga nessa narrativa que transcreve:
"No primeiro dia de aulas, o Presidente de uma Institução Educativa fazia distribuir pelos professores uma folha onde se lia:
Caro colega,
Sou um sobrevivente de um campo de concentração. Os meus olhos chegaram a ver o que jamais algum homem deveria ter contemplado. Máquinas de guerra construídas por engenheiros sobredotados e eficientes; crianças envenenadas por médicos com muitos conhecimentos e talentos; recém-nascidos assassinados por enfermeiras muito entendidas; vi soldados de alta patente a matar e a queimar mulheres e crianças; muitos professores e alunos foram esperados às portas das escolas para serem fuzilados.
Enquanto Hitler pretendia levar a cabo a chamada solução final - exterminar os seus opositores e as raças ditas inferiores - a história dos homens sobre a terra pareceu parar. O número de pessoas assassinadas foi mais de 6 milhões. Parece inacreditável!... Mas... está gravado na história, a ferro e fogo!

Por tanto, mostro-me suspicaz cada vez que se pergunta o que significa a educação para o homem. Quero, por tanto, fazer-vos a seguinte petição: ajudem os vossos alunos, e os que vierem a ter, a tornarem-se seres mais humanos. Os vossos ensinamentos, a nossa comunicação não devem dirigir-se à produção de monstros de grande sabedoria, horrendos psicopatas, homens instruídos e educados como Eichman."

Sem comentários: