terça-feira, julho 22, 2008

Reciprocidade, falada por quem sabe o que verdadeiramente é




Raúl Iturra é uma daquelas pessoas cuja vida - procurada e acontecida - cria personagens de histórias de banda desenhada e de romances épicos, que se tornam exemplos para quem procura aquelas coisas que valem o sacrifício e o risco pessoal. Não por si próprios, mas pelos conjuntos de pessoas a que se pertence por língua, cultura, ideal ou, simplesmente, por condição huamana.
Ele traz-nos agora um novo livro, que se propõe falar de reciprocidade.
Hoje em dia, mais do que nunca, fala-se em educação inclusiva, educação intercultural; respeito pelo outro, respeito pela diferença; relações internacionais "em pé de igualdade", sem laivos de neo-colonialismo.
Ora, se calhar, o princípio comum a todos estes princípios pedagógicos e políticos é esse ovo de Colombo chamado reciprocidade. Boa proposta, Raúl, em boa hora!

quinta-feira, julho 10, 2008

Até Setembro!...

Vou aproveitar o abrandamento no ritmo e na intensidade de trabalho na escola (Cheira a férias!...) para me dedicar, praticamente em exclusividade, à minha valorização profissional e académica.
Assim, tirando uma ou outra vez, muito excepcional, se ocasiões para isso houver - e que não comprometam muito tempo, vosso e meu -, só aqui voltarei no início de Setembro, e desse regresso darei conta através de e-mail.
Se até lá, até Setembro, aqui escrever alguma coisa, também por e-mail anunciarei a publicação.
Entretanto, em qualquer altura poderei ser contactado pelo e-mail habitual.
Inté!...

Hoje é o melhor dia da minha vida, propõe-nos o vídeo

O vídeo que encontrei no YouTube, entre tantos outros - lindos de mensagens, lindos de imagens, lindos de sorrisos - é isso: é um vídeo lindo entre muitos outros, lindos também.
Reflecte um certo modo de estar na vida, não traz ensinamentos; propõe-nos, como hoje se diz muito, por influência dos nossos irmãos brasileiros, que se pense positivo, com optimismo, quando se começa o dia.
Mesmo que não se entenda o inglês, as imagens são bonitas, falam por si. Nelas conseguimos espelhar os nossos pensamentos e os nossos afectos, nas imagens lindas das paisagens, dos sorrisos e das acções das pessoas, dos comportamentos dos animais, e do sempre poderoso encantamento que fica dos olhos grandes de uma criança que nos fita directamente.
No fundo, parece-me que temos tendência a cuidar mais e melhor daquilo que gostamos. E a gostar mais daquilo que conhecemos. E a conhecermos mais profundamente o que observamos com mais atenção e mais dedicação. Finalmente, para observar com atenção e dedicação, é preciso parar um instante.
Como eu gosto repetidamente de citar, na forma simplificada de Marc Oraison, mais uma vez aqui deixo a velha recomendação bíblica: "Fala, ancião, porque isso te compete; mas com discrição, não perturbes a música."

Tradução livre:
(…)
… HOJE COMEÇA A MINHA NOVA VIDA...
(Sérgio Godinho canta há muito tempo: “Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida…”)
... VOU RECOMEÇAR HOJE…
… HOJE SÓ ME VÃO ACONTECER COISAS BOAS…
… DOU GRAÇAS POR ESTAR VIVO…
… DESCUBRO BELEZA EM TUDO À MINHA VOLTA…
… VIVO COM PAIXÃO E COM DETERMINAÇÃO…
… VOU RIR E BRINCAR TODOS OS DIAS…
… ESTOU DESPERTO, CHEIO DE ENERGIA. ESTOU VIVO…
… CONCENTRO-ME EM TODAS AS COISAS BOAS DA VIDA…
… E DOU GRAÇAS POR ELAS EXISTIREM…
… ESTOU EM PAZ E EM SINTONIA COM TODAS AS COISAS…
… SINTO O AMOR, A ALEGRIA E A ABUNDÂNCIA…
… SINTO-ME LIVRE PARA SER EU PRÓPRIO…
… O SER HUMANO É UMA COISA MAGNÍFICA…
… EU, COMO SER HUMANO, SOU A PERFEIÇÃO DA VIDA…
… EU… DOU GRAÇAS POR SER…
… QUEM SOU…

... HOJE É O MELHOR DIA DA MINHA VIDA...
(…)

domingo, junho 29, 2008

Um pouco mais sobre Al Gore e Marlo Lewis

No sítio da Ver, está publicada uma entrevista co Marlo Lewis, Jr, (http://www.ver.pt/conteudos/ver_mais_Geral.aspx?docID=529), da qual transcrevo uma pergunta e a respectiva resposta:

Contudo e por outro lado, a evidência do aquecimento global é avassaladora e inegável para a esmagadora maioria dos cientistas. O que tem a dizer sobre este facto?
A evidência do aquecimento global é inegável. Não há qualquer tipo de discussão quanto a isso. O mundo está muito mais quente do em 1975 e o século XX, no geral, foi mais quente do que o século XIX. E também não existem dúvidas de que a emissão de gases com efeito de estufa constitui um dos factores para o recente aquecimento global (embora alguns cientistas defendam que a variabilidade natural possa ser responsável até metade do aquecimento observado durante o século XX e que os registos da temperatura da superfície terrestre podem estar “contaminados” pelos efeitos do aquecimento em locais próximos das estações de monitorização. Mas o truque retórico de Gore é declarar que estes limitados pontos de concordância constituem prova de que o mundo está em perigo iminente e que os benefícios das soluções por ele propostas ultrapassam os custos. E é neste ponto que eu e muitos outros discordamos.

Lá deixei o seguinte comentário, automatica e imediatamente publicado, o que revela a boa fé dos responsáveis do sítio. A entrevistadora foi Helena Oliveira:

29-06-2008 14:34 - Fernando Pinto, Lisboa
Para além dos ódios que Marlo Lewis parece destilar (em todo o lado onde o tenho lido) em relação a Al Gore... Para além do drama que é para nós, professores com a responsabilidade de formar e informar adequadamente os nossos alunos, eu perguntaria:

Para Marlo Lewis, Jr.,
01- O aquecimento global, mesmo que absolutamente natural, é ou não é negativo (no sentido de que reduz espécies; reduz habitats; reduz recursos; etc.) para a vida, em geral; e para os biliões de seres humanos, em particular, que hoje povoam os países e o Planeta?
02- Há ou não há um consumo excessivo de recursos naturais, manufacturados e fabricados, sobretudo nos países desenvolvidos da Europa, da América, da Ásia, e dos países "emergentes" (a China e a Índia)?
03- Há ou não há que moderar consumos e modificar estilos de vida (pensando sobretudo nos países desenvolvidos)?
04- Há ou não há que estabelecer relações de maior ajuda e de menor exploração dos países pobres pelos países ricos?
05- Há ou não há uma crise cada vez maior de água potável, que tem tendência a acentuar-se nos próximos anos, a nível mundial?
06- São ou não os países pobres os que mais irão sofrer com a previsível falta de água?
Não sei se alguma vez Marlo Lewis, Jr. falou ou foi interrogado sobre isto... Alguém me pode ajudar a sabê-lo?... Obrigado!

Al Gore, anti-Algores. Mitos e contra-mitos.

O tema das alterações climáticas e o tema do aquecimento global são temas que não consigo (ainda) observar e pensar com aquela distância pessoal (cognitiva e afectiva) que me dê a segurança conveniente para os abordar da maneira que convém aos professores em face dos seus alunos.
Assim, tudo o que for dizendo, nestes tempos em todo o lado sobre-agitados, é provisório, insuficiente e "verdadeiro-até-ver".
Assumo claramente que poderei estar a ser "redutor", "sectário", "enviesador", sei lá que mais... mas não posso deixar de dizer o seguinte:
Pretenciosamente, na mais pura tradição do "eu"-habitante da estrela Sirius, de Augusto Abelaira, desco à Terra e o que vejo?...
Vejo que os políticos e governantes do mundo discutem o assunto do Aquecimento Global; vejo que os cinetistas especialistas e os jornalistas especializados discutem o assunto do Aquecimento Global; vejo que os interesses económicos e os lobbies discutem o tema do Aquecimento Global; vejo o cidadão comum virando a cabeça, ora olhando um deles, ora escutando outro, ora lendo um terceiro; vejo um professor - ao mesmo tempo, cidadão comum - a seguir para as suas aulas, apressadamente, tentando ler as últimas coisas que por aí se dizem sobre estes assuntos...
Vejo Al Gore de livro na mão, An Inconvenient Truth [Uma verdade inconveniente]; vejo Marlo Lewis, Jr, também de livro na mão, Al Gore's Science Fiction: A Skeptic's Guide to An Inconvenient Truth [A ficção científica de Al Gore]. Al Gore grita que a floresta atrás de Marlo Lewis está a arder e aponta um suspeito que corre ali à vista dos dois. Várias pessoas e os bombeiros correm para apagar o fogo, mas Marlo Lewis grita que parem, que se deixem estar onde estão, não há perigo, o criminoso não é de certeza aquele... que só a má intenção de Al Gore o elevou a bode expiatório...
Ora, há um absurdo nesta situação, não há?... A floresta está mesmo a arder, não está?...

quinta-feira, junho 12, 2008

Charles Darwin, Sigmund Freud e a origem da felicidade

Comentário a:
Charles Darwin ao Ciência Hoje: «Ao saber livresco sempre preferi os passeios de observação e da natureza»
Fernando Pinto, em 2008-06-05 às 20:25, disse:
Este estilo de relato biográfico tem geralmente boa receptividade junto dos jovens, informa-os de maneira descontraída, pouco exigente, o que facilita a entrega à leitura.
Pela minha parte, gostaria de dizer aos jovens duas coisas, que proponho como ajudas na reflexão sobre a pessoa, a vida e a obra de Charles Darwin:
- A primeira é que ele publicou a sua obra mais célebre (para mim, não é a que mais me marcou, do ponto de vista do rigor sistemático do estudo; prefiro o seu estudo sobre as emoções), aos 50 anos... apenas... Quero eu dizer, "Malta, não tenham pressa, deixem as coisas amadurecer, dêem-lhes o tempo que elas necessitarem".
- A segunda coisa é essa semelhança com outros autores que, depois de se tornarem famosos, foram vasculhados na sua infância por alguém, e isso permitiu que se encontrasse a mesma paixão pela observação e o contacto com a vida animal. Estou a lembrar-me, por exemplo, do pai da Etologia, Konrad Lorenz, que se ligou a patos e gansos ainda menino; e montou em sua casa um autêntico jardim zoológico à medida do seu tamanho de menino. E estou a lembrar-me também de Jane Goodall, que em menina se fechou no galinheiro, horas e horas seguidas, muito pacientemente, porque logo intuiu que seria assim a única possibilidade de ver por onde as galinhas punham os ovos; e isto enquanto a mãe, aflita, a procurava com a ajuda de polícias que entretanto chamara.
Parece que Sigmund Freud, o fundador da Psicanálise, disse um dia que a felicidade é a realização de um desejo de infância.
Pessoalmente penso que não é possível negar a importância da família na ideia ou no sentimento de felicidade.
Mas que a felicidade dos autores de quem agora falei se alimentou, mais do que dos livros que escreveram, da vida e do trabalho que estiveram na origem de tais livros, pois certamente que estaremos perante experiências de vida que conferem razão à ideia de Freud sobre a origem da felicidade.

terça-feira, junho 03, 2008

Nobel da Paz, Muhammad Yunus, DE ESCRAVIDÃO?

Sinto como que a obrigação de ajudar à divulgação destas palavras do Prémio Nobel da Paz de 2006:
Hoje, nos países do Norte, as crianças trabalham duramente na escola para obterem um bom emprego. Em adultos, irão trabalhar por conta de alguém. Ora, o ser humano não nasceu para servir outro ser humano.
Um trabalhador independente, que tem uma banca, por exemplo, trabalha quando tem necessidade. Se há dias em que não quer trabalhar, pode fazê-lo. Acaba o seu dia de trabalho e aproveita um pouco da vida. Não tem ninguém a avisar se se atrasa uma hora. Não fica aflito por ir perder parte do salário.
Quando éramos caçadores-recolectores, não éramos escravos, controlávamos as nossas existências. Há milhões de anos, perdemos esta liberdade. Levamos vidas rígidas, repetindo diariamente os mesmos ritmos de trabalho. Corremos para o trabalho, corremos de volta para casa. Esta vida robótica não me parece um progresso.

Com o regime assalariado, passámos da liberdade de empreender e de uma certa flexibilidade de vida para a maior rigidez. Tenho um salário, um patrão, tenho de fazer o meu trabalho quer me agrade quer não, porque sou uma máquina de fazer dinheiro. É esse o perigo global das estruturas económicas actuais, da teoria dominante. O homem é considerado apenas como um agente económico, um empregado, um assalariado, uma máquina. É uma visão unidimensional do humano. Ser assalariado deveria ser uma opção entre várias. (Frédéric Joignot, Le Monde, 25/04/08, em Courrier Internacional, Junho 2008, n.º 148)

Pelo menos na minha representação mental do mundo, Yunus, o banqueiro dos pobres, vem da mesma cultura, do mesmo outro lado do mundo, do mesmo ponto de vista diferente do dominante na cultura ocidental, que um dia nos trouxe também Mahatma Gandhi. Por isso, mesmo que algumas das suas afirmações nos possam parecer "simplistas", "redutoras", "questionáveis", bem merecem a atenção de todos. Ajudam-nos a apontar para um caminho que nos ajuda a sair do beco sem saída para onde a ideologia e o poder capitalistas dominantes na nossa cultura ocidental actual nos trouxe.

segunda-feira, maio 26, 2008

Aquecimento global persistirá durante séculos mesmo com redução de emissões

Para além de toda a informação, contra-informação, verdades, mentiras e notícias convenientes e inconvenientes, o tema do AQUECIMENTO GLOBAL é, hoje em dia, incontornável.
No site Ciência Viva, li hoje esta notícia:
2008-05-25
Valdés alertou para a gravidade da situação
Cientistas reunidos num simpósio em Gijon, Espanha, manifestaram a convicção de que o aquecimento global persistirá durante vários séculos, mesmo que se reduzam substancialmente a emissões de gases com efeito de estufa. Os cientistas, que estão a participar desde segunda-feira num seminário sobre os efeitos da mudança climática nos oceanos consideraram que o processo "é praticamente irreversível".
Como dizia uma velha canção revolucionária, cantada pelo padre Fanhais:
"Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar..."

domingo, maio 25, 2008

Para pensar, sobre a publicidade

Parece que numa conferência que um dos maiores neurologistas actuais - e de sempre! - fez no passado dia 20, em Lisboa, ele disse uma coisa sobre a publicidade que nos deverá pôr a pensar. Pensar muito, uns com os outros.
O neurologista é António Damásio que escreve sobre o cérebro, a mente e a consciência como mais ninguém: com encantamento, com poesia, com um fluir de palavras que parecem pedaços de água da mais pura e linda cascata a cair docemente no regaço do mais tranquilamente convidativo e hipnotizante lago. E a defesa intransigente que ele faz da língua portuguesa, sempre nela procurando encontrar a palavra ou a expressão vernácula que correctamente traduzam as palavras da língua inglesa!... Um orgulho e um assombro!...
A conferência foi "A anatomia do comportamento na era da comunicação".
A frase que uma jornalista lhe atribui é a seguinte: “Tão cedo o indivíduo não aprenderá a defender-se da publicidade.”
Como disse, é uma frase para pensarmos uns com os outros. Em voz alta, e trocando pensamentos e opiniões uns com os outros.

domingo, maio 18, 2008

17 de Maio, Dia Mundial contra a Homofobia, a liberdade individual e a família

JS afixa cartazes contra a homofobia e espera pelo BE para avançar com leis
18.05.2008, Leonete Botelho
Casamento com pessoas do mesmo sexo vai sendo trabalhado no plano dos argumentos. Lei vai esperar...

É assim que começa uma notícia da edição de hoje do jornal Público, que diz ainda que o Dia Mundial contra a Homofobia ainda não é oficialmente reconhecido pelo governo português.

No dia 13 levei uma das minhas turmas a participar numa sessão de esclarecimento, na escola, sobre a prevenção do cancro do colo do útero. Foi uma sessão muito interessante e muito conseguida. Falou-se com inteligência e entusiasmo sóbrio do que era importante falar. E mais uma vez se falou em métodos contraceptivos, em geral, e no preservativo, em particular.

No dia 16 aconteceu fazer com essa mesma turma um pequeno exercício em que as alunas tinham de escolher as "suas" sete maravilhas do mundo, em seguimento de um pequeno trabalho que um colega de uma escola grega, de Kalamata, me enviou pela Internet. Surpreendentemente para mim, a maravilha mais vezes escolhida, a que mais nitidamente recebeu o maior número de votos, foi a família.

O direito à diferença. Seja.
A edição desta semana da revista Visão fala do aumento de casos em que jovens homens se ligam maritalmente a mulheres claramente mais velhas. Seja.
A defesa e a educação das liberdades individuais. Seja.
O casamento entre pessoas do mesmo sexo. Seja.

A família, maravilha rainha numa breve aula de sexta-feira de manhã de uma escola secundária de Lisboa, é a família tradicional que todos conhecemos. O casamento, mesmo o casamento tradicional, não é sinónimo de família.

Tenho ideia que temos de agarrar a defesa do valor da família com a mesma força com que agora se pugna por outras coisas.