terça-feira, junho 03, 2008

Nobel da Paz, Muhammad Yunus, DE ESCRAVIDÃO?

Sinto como que a obrigação de ajudar à divulgação destas palavras do Prémio Nobel da Paz de 2006:
Hoje, nos países do Norte, as crianças trabalham duramente na escola para obterem um bom emprego. Em adultos, irão trabalhar por conta de alguém. Ora, o ser humano não nasceu para servir outro ser humano.
Um trabalhador independente, que tem uma banca, por exemplo, trabalha quando tem necessidade. Se há dias em que não quer trabalhar, pode fazê-lo. Acaba o seu dia de trabalho e aproveita um pouco da vida. Não tem ninguém a avisar se se atrasa uma hora. Não fica aflito por ir perder parte do salário.
Quando éramos caçadores-recolectores, não éramos escravos, controlávamos as nossas existências. Há milhões de anos, perdemos esta liberdade. Levamos vidas rígidas, repetindo diariamente os mesmos ritmos de trabalho. Corremos para o trabalho, corremos de volta para casa. Esta vida robótica não me parece um progresso.

Com o regime assalariado, passámos da liberdade de empreender e de uma certa flexibilidade de vida para a maior rigidez. Tenho um salário, um patrão, tenho de fazer o meu trabalho quer me agrade quer não, porque sou uma máquina de fazer dinheiro. É esse o perigo global das estruturas económicas actuais, da teoria dominante. O homem é considerado apenas como um agente económico, um empregado, um assalariado, uma máquina. É uma visão unidimensional do humano. Ser assalariado deveria ser uma opção entre várias. (Frédéric Joignot, Le Monde, 25/04/08, em Courrier Internacional, Junho 2008, n.º 148)

Pelo menos na minha representação mental do mundo, Yunus, o banqueiro dos pobres, vem da mesma cultura, do mesmo outro lado do mundo, do mesmo ponto de vista diferente do dominante na cultura ocidental, que um dia nos trouxe também Mahatma Gandhi. Por isso, mesmo que algumas das suas afirmações nos possam parecer "simplistas", "redutoras", "questionáveis", bem merecem a atenção de todos. Ajudam-nos a apontar para um caminho que nos ajuda a sair do beco sem saída para onde a ideologia e o poder capitalistas dominantes na nossa cultura ocidental actual nos trouxe.

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