quarta-feira, julho 18, 2018

Afinal, o ser humano já é assim com a Natureza há muito tempo

Um notável documentário acerca do desenvolvimento das sociedades humanas ("The Making of Mankind", 1981, da BBC e Time-Life Films), apresenta as suas conclusões dizendo mais ou menos assim, como primeira grande constatação:
«Se há alguma coisa que desde sempre caracteriza os grupos e as sociedades humanas é que fazem muito lixo.»
 Na revista de Fevereiro 2018, da edição portuguesa, a National Geographic traz para a capa "O Despertar da Europa". E lá dentro diz:
«No entanto, aquela povoação [Bruszczewo]  morreu devido ao sucesso. Cortaram as árvores dos bosques. Os animais defecavam por todo o lado, os nutrientes desses excrementos chegavam ao lago e provocavam a proliferação de cianobactérias tóxicas. Nos excrementos, nasciam também fungos contendo ovos de vermes tricocéfalos, parasitas que em pouco tempo infestaram os alimentos e a água potável. Tudo indica que, por volta de 1650 a.C, após um incêndio e a degradação progressiva do ambiente circundante, os habitantes de Bruszczewo abandonaram o assentamento.»
Num raciocínio idêntico ao que há poucos dias fiz em relação à questão da bondade/maldade do ser humano, tenho por minhas estas convicções - até porque, sendo nós tantos, já não temos para onde deslocar mais os grupos humanos que estragaram os seus ambientes de vida:

  1. A questão não é se o desenvolvimento dos grupos humanos tem sempre de ser feita à custa do sacrifício do espaço natural, da apropriação dos bens naturais e da acumulação de bens materiais.
  2. A questão é que hoje em dia sabemos, com níveis de pormenorização bastante satisfatórios, que procedimentos devem os grupos humanos ter para compatibilizar os interesses humanos com o respeito e a preservação das condições naturais - antes de mais, amigas do Homem.
  3. Mas quem manda e tira proveito continua a, convenientemente, a fazer como a proverbial avestruz: a fugir, para não perder privilégios.

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