sexta-feira, maio 09, 2008
Sobre o Dia da Europa
Eu, abaixo-assinado, declaro, por minha honra, serem verdadeiras as afirmações que a seguir apresento:
· Que eu, nascido no Oriente, português da China, da antiga Macau, fui a Madrid de 16 a 22 de Abril passado com a incumbência de representar a portuguesa Escola Secundária Eça de Queirós no 4.º Encontro do projecto de Educação Intercultural PLURALIA;
· Que fui acompanhado pelo professor e colega Onivaldo Dutra, brasileiro de língua e nacionalidade; pelo aluno da escola Alexandru Marius Casota, romeno de nascimento, nacionalidade e língua;
· Que a colega Dolores Fonseca, nascida no lugar das Falcoeiras, freguesia do Montoito, concelho do Redondo, filha de pai e mãe nados e criados no mesmo concelho, parecia ser o único professor da comitiva lusa digno representante do velho húmus viriático que definiu há séculos as fronteiras portuguesas da ibérica península;
· Que o grupo de 19 jovens do grupo de teatro que connosco foi, todos alunos da escola, era maioritariamente de origem étnica e cultural africana, de tantos países quantas praticamente as colónias que um dia Portugal teve em África;
· Que fomos recebidos numa escola madrilena em que a colega professora responsável do PLURALIA em Espanha é argentina de nascença e de infância;
· Que os alunos que maioritariamente conhecemos na escola são africanos e americanos do sul, praticamente desconhecidos em Portugal, já que os africanos de Espanha são brancos, ao contrário dos nossos, que têm vincados matizes de castanhos brilhantes e sedosos nas suas peles; e os americanos do sul de lá, da Espanha, não dançam o samba nem falam o português do Brasil que os americanos do sul de Portugal falam; e – dizem os espanhóis nativos de Espanha – nem falam espanhol, o que é claramente uma demonstração de dificuldades auditivas dos espanhóis de Espanha, porque para nós, os portugueses, aqueles seres tão sorridentes com a nossa presença, de tez e perfil inca e azteca evidentemente falam espanhol!
· Que, quando preparava à noite a entrevista a que iria sujeitar-me no dia seguinte na escola, topei, no meu computador, com as fotografias que, no fim-de-semana anterior, tinha tirado em Coimbra, à frente da Igreja de Santa Cruz, em que, quando abordava um jovem ardina para lhe comprar o velho Borda d’Água, ele, ainda antes de me dar atenção, se virou para o outro ardina que a ele se juntara e perguntou-lhe “Tu não és português, pois não?”, e o outro respondeu “Não, sou romeno”. Quando depois o “meu” ardina ficou sozinho face a face comigo, e eu lhe perguntei “Tu não és português, pois não?”, ele me respondeu “Não, sou moldavo…”
· Que, quando a colega Olga me apresentou aos alunos que me iriam entrevistar, não quis deixar de saudar o aluno da turma que tinha acabado de ganhar um prémio internacional de Matemática. Quando todos olhámos para o jovem que ela acabou por apontar, vimos uns lindos e bem altos olhos em bico de um rapazinho cujas feições não deixavam quaisquer dúvidas, apenas traídos por um agradecimento em espanhol escorreito;
· Que, quando com este rapazinho falei no fim da entrevista, ele me confidenciou que nunca tinha estado na China, e – ao contrário de mim, que fui lá nascer para não ser chinês – nem sequer lá tinha nascido. Mas ele era chinês de nacionalidade.
· Que fiz a minha última intervenção numa reunião espontânea em que, numa escola espanhola, um professor português falou em francês e portinhol com uma vintena de alunos romenos que naquela escola estudavam; e que me perguntaram o que é que eu achava das mulheres romenas;
· Finalmente que, ao jantar festivo de despedida da última noite, depois do discurso da praxe do director da escola de Madrid ser traduzido do espanhol para a língua oficial do PLURALIA, o francês, um rapazito aluno daquela escola de hotelaria, com quem eu tinha metido conversa mesmo antes do jantar começar, e que estivera todo o tempo do jantar em aula, servindo-nos, levantou o braço direito, pediu licença para falar (assim se afastando completamente do rigor quase protocolar que a farda que vestia o obrigava) e ofereceu-se para traduzir o discurso do director da escola para português. É que o pai dele era espanhol, mas a mãe era portuguesa transmontana, de Bragança, e tinha-lhe ensinado a língua que conhecia e que amava.
Por serem verdadeiros todos estes factos relatados sobre a Europa, que assim me recebeu na semana supra identificada, numa exasperantemente chuvosa capital madrilena, vai esta declaração por mim assinada e autenticada com a memória saborosa guardada no pensamento e nos corações daqueles que comigo em Madrid estiveram e dos quais eu fiquei muito grato e orgulhoso.
A todos os que hoje aqui vieram e connosco estarão até ao fim da manhã, o meu muito obrigado!
domingo, maio 04, 2008
A Thayna e os Índios Tupi Guarani
Eu gostei um pouco das histórias índigenas dos Índios Tupi Guarani. Tenho três perguntas a dizer:
- primeira: Porque os índios comem coisas diferentes das outras espécies de pessoas?
- seguda: Porque existem chefes de tribo indígena?
- terceira: Porque os tribos indígenas vestiam roupas diferentes das outras pessoas?
Bem, Thayna, o que te posso dizer imediatamente é o seguinte:
- primeira pergunta: todos os grupos humanos que fixaram um espaço de vida, como fizeram os Índios Tupi Guarani, comem o que a Natureza nesse espaço lhes proporciona espontaneamente; depois, com as trocas com outros grupos humanos, podem acrescentar coisas à sua alimentação, normalmente alimentos que depois se dão bem com o clima e com os terrenos plantados por cada um dos grupos humanos. Portanto, os índios de que falas comem o que o seu espaço de vida mais naturalmente lhes põe à disposição. Além disso, as crenças espirituais e religiosas também influenciam o que as pessoas comem. Por exemplo, em certas partes da Índia, embora haja muitas vacas e haja muita necessidade de alimentos, por razões religiosas, as pessoas não podem matar as vacas; entretanto, em África, o povo Masai tem como um dos principais alimentos o sangue das vacas.
- segunda pergunta: os grupos humanos só conseguem sobreviver e manter-se se tiverem uma organização das pessoas umas com as outras. Assim, é preciso haver um chefe, que é normalmente um homem. Repito, para que as pessoas de um grupo humano possam ter uma organização social que defenda e fortaleça o grupo.
- terceira pergunta: quase que te poderia responder aqui como fiz na primeira pergunta. Mas neste caso é importante falar das temperaturas altas ou baixas, a humidade e a secura do ar, a presença de sol intenso ou de sol fraco, a latitude do lugar, etc.
Thayna, as minhas respostas servem-te para alguma coisa?...
sexta-feira, abril 25, 2008
25 de Abril, sempre!
Quando finalmente eu quis saber
Lamento que os anos a passarem uns sobre os outros nos tenham afastado, a todos nós portugueses, do 25 de Abril festivo, cada novo ano confirmando que valeu a pena.
Pela minha parte, continuo convictamente - com muita força, mesmo – a responder a responder a Fernando Pessoa que sim senhor, valeu a pena; que sempre que Abril aqui passar aqui estarei para o ajudar.
Os versos que comecei por escrever são de José Mário Branco. Escritos há pelo menos 25 anos.
Hoje, enquanto aquecia o café da manhã, fui à estante, peguei no cêdê e ouvi todo o tema, "Eu vim de longe, eu vou p'ra longe ("chulinha"). Do álbum "Ser solidário". É a minha sugestão de hoje.
Quando o avião aqui chegou
Quando o mês de Maio começou
Eu olhei p'ra ti
E então eu entendi
Foi um sonho mau que já passou
Foi um mau bocado que acabou
Tinha esta viola numa mão
Uma flor vermelha noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a fronteira me abraçou
Foi esta bagagem que encontrou
Eu vim de longe, de muito longe
O que eu andei p'ra aqui chegar
Eu vou p'ra longe, p'ra muito longe
Onde nos vamos encontrar
Com o que temos p'ra nos dar
E então olhei à minha volta
Vi tanta esperança andar à solta
Que não hesitei
E os hinos que cantei
Foram frutos do meu coração
Feitos de alegria e de paixão
(refrão)
Quando a nossa festa se estragou
E o mês de Novembro se vingou
Eu olhei p'ra ti
E então eu entendi
Foi um sonho lindo que acabou
Houve aqui alguém que se enganou
Tinha esta viola numa mão
Coisas começadas noutra mão
Tinha um grande amor
Marcado pela dor
E quando a espingarda se virou
Foi p'ra esta força que apontou
(refrão)
E então olhei à minha volta
Vi tanta mentira andar à solta
Que me perguntei
Se os hinos que cantei
Eram só promessas e ilusões
Que nunca passaram de canções
(refrão)
Quando eu finalmente eu quis saber
Se inda vale a pena tanto crer
Eu olhei p'ra ti
E então eu entendi
É um lindo sonho p'ra viver
Quando toda a gente assim quiser
Tenho esta viola numa mão
Tenho minha vida noutra mão
Tenho um grande amor
Marcado pela dor
E sempre que Abril aqui passar
Dou-lhe este farnel para o ajudar
(refrão)
E agora eu olho à minha volta
Vejo tanta raiva andar a solta
Que já não hesito
E os hinos que repito
São a parte que eu posso prever
Do que a minha gente vai fazer
(refrão, final)
E se as palavras que mais soarem nos nossos ouvidos forem dor, medo e raiva, peguemos nos buracos que o tempo foi roendo no grande manto da alegria e da paixão de que o poema também fala e façamos o seu remendo outra vez com as sementes das grandes utopias sociais.
No mesmo álbum, José Mário Branco repete a "Queixa das almas jovens censuradas", de Natália Correia. Vale a pena voltar a ouvir também este tema. Não resultou de um simples exercício literário, mas de uma realidade política e social que é preciso não deixar voltar, mesmo que disfarçada por todas as habilidades que as realidades virtuais de hoje em dia são capazes. A capacidade de manipulação dos grupos e das gentes é hoje mais forte do que nunca!
Dão-nos um lírio e um canivete
e uma alma para ir à escola
mais um letreiro que promete
raízes, hastes e corola
Dão-nos um mapa imaginário
que tem a forma de uma cidade
mais um relógio e um calendário
onde não vem a nossa idade
Dão-nos a honra de manequim
para dar corda à nossa ausência.
Dão-nos um prêmio de ser assim
sem pecado e sem inocência
Dão-nos um barco e um chapéu
para tirarmos o retrato.
Dão-nos bilhetes para o céu
levado à cena num teatro
Penteiam-nos os crânios ermos
com as cabeleiras das avós
para jamais nos parecermos
conosco quando estamos sós
Dão-nos um bolo que é a história
da nossa historia sem enredo
e não nos soa na memória
outra palavra que o medo
Temos fantasmas tão educados
que adormecemos no seu ombros
omos vazios despovoados
de personagens de assombro
Dão-nos a capa do evangelho
e um pacote de tabaco
dão-nos um pente e um espelho
pra pentearmos um macaco
Dão-nos um cravo preso à cabeça
e uma cabeça presa à cintura
para que o corpo não pareça
a forma da alma que o procura
Dão-nos um esquife feito de ferro
com embutidos de diamante
para organizar já o enterro
do nosso corpo mais adiante
Dão-nos um nome e um jornal
um avião e um violino
mas não nos dão o animal
que espeta os cornos no destino
Dão-nos marujos de papelão
com carimbo no passaporte
por isso a nossa dimensão
não é a vida, nem é a morte
domingo, março 23, 2008
Falar com sabedoria, respeito, bom-senso e tolerância
É sobre a actual situação no Ensino Secundário.
O Professor Adriano Moreira, no meu entender, conquistou o estatuto de ancião, velho e sábio. Que todos nós, mais novos, de renovadas e cíclicas responsabilidades sociais e educativas, ganhamos em ouvir.
Sem mais comentários, aqui deixo um pequeno excerto de entrevista. Está publicada noutros sites. Um só professor, educador, ou pai, que descubra esta entrevista neste blogue é razão para dizer que valeu a pena referenciá-la aqui.
Para ver o vídeo, basta clicar aqui ou no título deste apontamento.
terça-feira, março 18, 2008
Protesto!
Senhores,
Concordo com o senhor Emídio Rangel, no artigo que recentemente publicou no vosso jornal sobre a Manifestação de Professores, intitulado "Hooligans" em Lisboa, numa coisa, que passo a citar: "Felizmente ainda há milhares de professores (talvez a maioria) que exercem com dignidade a sua profissão".
É evidente que a Manifestação dos Professores, do passado dia 8, a dimensão que teve, por todos atestada e por ninguém negada, mexeu com a tranquilidade do senhor Emídio Rangel e levou-o a manifestar-se publicamente de forma tão ofensiva e tão infeliz.
Abstenho-me de comentar o fel que expele brutalmente contra, entre outros, o Partido Comunista (a que nunca qualquer compromisso formal ou informal me prendeu). Talvez o gabinete de um psiquiatra ou de um psicólogo o ajude a entender tanto aparente ódio e a vencer qualquer eventual trauma.
Quando puder ver os factos sem que a inteligência seja obnubilada pela irrupção brutal das emoções, verá o que todos puderam ver: que a maioria de professores de que fala esteve educada e ordeiramente presente na Manifestação. Os números, a sua crueza e objectividade, falam por si.
Eu fui um dos professores que esteve na Manifestação. Deixo aos meus colegas de profissão, aos meus alunos e aos encarregados de educação de quase vinte anos de aulas, o veredicto de fazer ou não parte do grupo de professores dignos de que Emídio Rangel fala.
Quanto ao Correio da Manhã e aos seus directores, penso que a dignidade e a honestidade jornalística permite (exige?...) também a expressão pública - no próprio jornal - de opiniões diversas e opostas à do senhor Rangel.
sábado, março 15, 2008
O dia europeu do consumidor - 2/2
Deixo aqui esta sugestão, sobretudo pensando naqueles que não possam ter acesso ao Courrier internacional, um pequeno excerto do artigo, que me parece conter os elementos-chave para se entender a ideia principal contida no artigo.
[...]Na Suécia, Jörgen Larsson, investigador e pai de dois filhos, é uma pessoa que adoptaram esta concepção de vida. Foi no fim dos anos 1990 que ouviu falar de "downshifting", também chamado "simplicidade voluntária". [...] Não se tratava de dizer adeus ao mundo do trabalho, antes de começar por fazer semanas de 30 horas em vez de 40. A perda de rendimentos é compensada por uma vida mais modesta e por uma forma de consumo revista em baixa, outra das ideias-chave do movimento. Comprar uma casa grande com alguns amigos. Utilização comunitária do automóvel. Para festejar um acontecimento, organizar uma refeição em que cada um leva um prato, em vez de ir ao restaurante. São estas as recomendações dos defensores da simplicidade voluntária [...]
É fácil pensar e dizer que é preciso ir muito mais longe, com mais comportamentos e mais criatividade. É verdade. Mas este é já um começo.
O dia europeu do consumidor - 1/2
Sinto quase como uma obrigação a necessidade de dizer, enquanto professor e cidadão, qualquer coisa sobre o dia que a União Europeia assinala hoje, designando-o como O Dia Europeu do Consumidor. Oficialmente, o site que a União Europeia dedica ao consumidor europeu pode ser encontrado em http://www.dolceta.eu/portugal/index.php, a versão portuguesa. domingo, março 09, 2008
O despotismo esclarecido
Bem... despotismo esclarecido é, se calhar, aquilo que a nossa Ministra da Educação pensa que é ou que está a fazer. É pensar que é boa pessoa, que sabe o que é bom para os outros; e pensar que mais ninguém sabe, só ela é que sabe, por isso tem de decidir tudo sozinha. E pensa que não há problema nenhum porque ela acredita piamente que sabe - sabe tudo! - e que é boa pessoa. Os outros é que não sabem. Já viste as vezes que a Senhora Ministra da Educação já disse "Os professores não sabem do que estão a falar"?...
E se depois o aluno me perguntasse se, como a pessoa é boa (ou, pelo menos, pensa que é boa), o despotismo esclarecido é uma coisa boa, eu talvez lhe respondesse desta maneira:
Não sei se a questão é o despotismo esclarecido ser uma coisa boa, ou não. A questão é saber se qualquer forma de despotismo esclarecido é legítima nos regimes políticos democráticos actuais. Será que o despotismo esclarecido é capaz de estimular o desenvolvimento dos comportamentos políticos amadurecidos dos cidadãos?...
O interesse dos alunos
Acaba assim uma notícia da edição on line do Diário de Notícias, publicada hoje certamente na sequência directa da Manifestação dos Professores de ontem, em Lisboa, e da entrevista que, à noite, a Senhora Ministra da Educação deu à SIC.
Sendo correcta e justa a citação destacada pelos jornalistas, pessoalmente considero que as palavras da Senhora Ministra sobre a posição dos sindicatos e "os interesses dos alunos" são pura demagogia, são imorais e resultantes de intenções desonestas e eticamente reprováveis. A Senhora Ministra recorre a um argumento, a uma imagem de forte impacto social que, mais uma vez, tem implícita uma ideia que, no meu entender, constitui o pecado original da Ministra da Educação: que os professores são essencialmente maus, egoístas, apenas preocupados com interesses pessoais acomodados, que tratam os alunos de forma despersonalizada, movidos apenas por razões mercantis.
É a chantagem, é o agitar do papão do "superior interesse das crianças", "os homens e mulheres de amanhã", "indefesos nas mãos de quem tem a faca e o queijo na mão para os avaliar", "coitadas das crianças!..."
A Senhora Ministra sabe claramente que, pela própria natureza dos diplomas ministeriais presentemente em discussão, não são "os interesses dos alunos" que estão em causa. A Senhora Ministra sabe, porque o tem afirmado constantemente, que o que está em causa é pedir aos professores "muitos sacrifícios", tal como para a generalidade do povo português. Aceito, é legítimo, não está em discussão. Não irei agora por aí.
A Senhora Ministra da Educação sabe que defender os interesses dos alunos implica, antes de mais, garantir, entre outras coisas, que os professores se encontrem tranquilos, disponíveis para o ensino e a relação pedagógica com os seus alunos; disponham de tempo para os professores troquem impressões e experiências para melhorar as aulas, os procedimentos pedagógicos, as dinâmicas de sala de aula, a resolução de problemas de indisciplina e a gestão de conflitos; que os professores mais novos possam beneficiar da experiência dos professores mais velhos. A Senhora Ministra sabe que a generalidade dos professores, que cuidam dos alunos com o respeito e o cuidado com que cuidam os seus próprios filhos, estão sempre prontos e disponíveis para "fazerem das tripas coração", sem que quem quer que seja mande que assim façam. Basta que reconheçam a sua necessidade. É tão fácil que isso aconteça com o professor português, que tem o coração sempre muito perto da boca e do pensamento.
Por isso, mais uma vez, no meu entender, com o que insinua desonestamente acerca da atitude dos sindicatos (que, quer queira quer não queira, são representantes legítimos dos professores; e são uma das manifestações sociais mais representativas dos regimes democráticos. E eu não sou professor sindicalizado; e sou muito crítico em relação às actuações da generalidade dos sindicatos que representam a minha classe profissional), a Senhora Ministra toca maldosamente no pouco que resta (porque muito, entretanto, já tirou) da dignidade de professor.
Sejam os professores - sejamos nós, todos os professores - capazes, mais uma vez, de fazer das tripas coração e lidar com mais esta adversidade. A bem da nossa dignidade pessoal, a bem do valor social da nossa profissão, que exige respeito humano e prazer de ensinar e aprender, hora a hora, nas aulas.
Quanto aos interesses dos alunos, seja: a cada um (a Assembleia da República, o Ministério da Educação, os Pais, Outros e os Professores; os próprios Alunos) o que lhe cabe. Com discrição, honestamente, sem bandeiras moralmente e eticamente chantagistas, reprováveis.
sexta-feira, março 07, 2008
Se amanhã o repórter me perguntasse... 3
Sabe, o esforço e o empenho dos pais na vida escolar é muito importante. Os pais são os primeiros responsáveis pela educação dos seus filhos e não devem aceitar nunca que seja de maneira diferente. E, independentemente do que tenham para ensinar às crianças e jovens, os professores não devem esquecer isso nunca, também.
Daí que seja muito importante a existência de estruturas de congregação de esforços de alguns pais mais mobilizados, estruturas essas que distribuam muita ajuda e apoio àqueles pais que, quaisquer que sejam as razões, os professores nas escolas nunca chegam a conhecer, anos a fio. Se há coisa que entristece muitos directores de turma é a sala vazia de pais na hora das reuniões de encarregados de educação.
Portanto, para nós, professores, é um estímulo muito grande ver pais empenhados em mobilizar outros pais para a actividade escolar dos filhos.
No fundo, é sempre um pequeno grupo de pais esclarecidos que sabem que não deve ser pedido aos professores que dêem aos seus [dos pais] filhos a educação que cabe por direito e obrigação aos pais.
Só quem não é professor é que não tem ideia do estímulo que é para os professores a constatação de que têm junto a si alguns pais a ajudar os educadores dos seus filhos a trazer os outros pais à escola!...