que já nasceu ensinado!
segunda-feira, outubro 26, 2009
Marc, we wish the best of luck for tomorrow at Carnegie Hall!
que já nasceu ensinado!
domingo, outubro 18, 2009
Ó ti Jóge, o mar dos Açores é grande?
"- Ó ti Jóge, o mar é grande, não é? perguntou-me lá do banco de trás, assim que eu parei o carro para me desembaraçar do toque do telemóvel, o J. H., 7 anos de idade, neto do Peter, que toda a sua vida viveu o mar como o rapazinho o começava a ver agora: grande, muito grande. Estávamos num ponto alcandorado da ilha, com o hospital da cidade por detrás de nós e a montanha do Pico a aparecer-nos sobre o lado esquerdo.
- É, J., é grande, e às vezes é mesmo muito grande…
- O mar dos Açores é grande, ti Jóge?
- Olha para ali, J., a gente olha lá para o fundo, vê sempre o mar e depois la no fundo a gente não vê mais, mas o mar continua ainda mais, parece que nunca mais acaba. Mas se tu olhares ali para o Pico, o mar fica pequenino; e se tu um dia quiseres e o mar estiver mansinho, tu podes ir o mar todo até ao Pico, a nadar.
- Ti Jóge, o mar tem um nome?
- Tem, tem muitos nomes, é que há muitos mares. E quando os mares ficam muito grandes já não se chamam mar, chamam-se oceanos.
O J. olhou lá para o fundo para onde eu dissera que o mar continuava e perguntou-me:
- O mar dos Açores é um oceano?
- O mar dos Açores ali para o fundo já se chama Oceano Atlântico. Ali em baixo – tu sabes – chama-se praia de Porto Pim; daquele lado ali, quando vamos para o Pico, chama-se Canal; onde tu estiveste ontem com o teu irmão e os vossos amigos chama-se Praia do Almoxarife…
- Quantos oceanos há no mundo?... interrompeu-me ele.
- Um dia, na escola, a tua professora vai mostrar-te num mapa grande o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico, o Oceano Índico, o Oceano Glacial Ártico e o Oceano Glacial Antártico.
- Este aqui dos Açores é o mais grande ou não, ti Jóge?
- É quase o mais grande. O mais grande de todos é o Oceano Pacífico.
- O oceano dos Açores não é o mais grande, ti Jóge? A voz e o rosto do J. traziam, nem era bem um desapontamento, era mesmo uma aflição.
- Não, não é… Mas tu já viste bem as coisas bonitas que o mar dos Açores tem? As baleias e os golfinhos; a doca onde tu, o teu pai e os teus irmãos tomam banho; os peixes que a gente pesca com o Chefe Jaime… não é, J.?...
- Ó ti Jóge, tu sabes tanta coisa…
A voz e o rosto do petiz recuperavam já o ar ruminativo e espantado que tomam nas crianças quando elas pensam intensamente. Parece que, quanto ao mar, por agora bastava.
O objecto da sua curiosidade passou a ser a sabedoria das pessoas.
- Ó ti Jóge, quem é que sabe mais, és tu ou é o avô?..."
É a esse avô e ao seu compadre Peter, que leram e se riram com esta pequena história, que eu envio, hoje, dia de Sol também lindo, que há bem pouco trouxe o brilho ao Tejo, que passa lá ao fundo, no horizonte da minha janela, como naquele dia passava o mar dos Açores, que eu mando um muito forte e carinhoso abraço. Um abraço manso, como fez o Sol num dia de Agosto, no Faial, no ano dois mil.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Marc Yu, um hino à natureza humana
domingo, setembro 27, 2009
Toda a verdade. E toda a verdade é a saudade dos pais.
Mais uma vez, apanhei por acaso, a passar na SIC Notícias, o documentário "Crianças no exílio", no programa "Toda a verdade".
A sinopse do documentário diz:
É a estrada da liberdade. O autocarro acaba de entrar na Índia. Vai a caminho de Dharamsala, onde Dalai Lama instalou o seu governo tibetano no exílio. Os 31 refugiados conseguiram passar e já não correm riscos.
Em 8 de Março escrevi aqui sobre uma criança que neste documentário muito me impressionou. E devo continuar a escrever. Todos os que puderem fazer o mesmo, devem fazê-lo: falar sobre este sofrimento. É impressionante nesta reportagem ver a intensidade das manifestações de fé e da humanidade do chefe espiritual, o Dalai Lama. É impressionante ver o valor que todos atribuem à escola e a aprender. É impressionante ver, com as tais palavras que "ferem como punhais", a força dos laços familiares, as crianças que querem os pais e os pais que querem os filhos; em todos a força de conter o sofrimento, sobretudo para poupar os outros (os que estão ali ao pé, e também os que ficaram lá longe, no Tibete) ao "egoísmo" da dor e da saudade pessoal.
São momentos de palavras simples, em que a câmara as regista apenas bem focalizadas no rosto de quem as pronuncia, sem aconchegos de sons ou quaisquer outros efeitos especiais; apenas captando o realismo daqueles instantes.
Aqui ficam outras imagens de um outro pequeno documentário:
Enquanto não posso trazer para aqui as imagens do documentário que a SIC Notícias passou, trago, pelo menos as palavras de Julien Bouissou, do Le Monde, traduzidas para português: estão aqui.
Deixo aqui a versão em francês. Vai ocupar muito espaço, mas é uma pequenina ajuda à divulgação do texto:
PUPILLES DU TIBET EN EXIL
Posté par cercletibetverite le 3 juin 2008
Pupilles du Tibet en exil
LE MONDE | 02.06.08 | 14h12 • Mis à jour le 02.06.08 | 14h12
DHARAMSALA (INDE) ENVOYÉ SPÉCIAL
Pendant quarante jours, Legphel a traversé l'Himalaya, depuis le Tibet jusqu'en Inde, blottie dans les bras de sa mère. “Elle m'a embrassée longuement avant de repartir dans les montagnes. Par la suite, j'ai oublié son visage”, raconte l'écolière de 12 ans, les mains agrippées à la jupe de son uniforme
Depuis son arrivée, il y a sept ans, au centre des réfugiés de Dharamsala, la capitale du gouvernement tibétain en exil, Legphel n'a plus reçu de nouvelles de ses parents. Un de ses camarades lui a rapporté que son oncle avait vu mourir sa mère sur le chemin du retour. “Mais une mère ne disparaît pas comme ça”, lâche la jeune réfugiée en haussant les épaules.
Désormais, Legphel étudie l'histoire et la culture tibétaines dans un village spécialement aménagé pour accueillir les enfants exilés du Tibet, construit à flanc de montagne à quelques kilomètres de Dharamsala. Ici, les 2 100 élèves ont droit au surnom d'”orphelins”. Non pas que leurs parents soient morts - ils habitent de l'autre côté des sommets enneigés qui dominent la vallée -, mais ces derniers ne leur donnent plus aucun signe de vie.
Envoyer une lettre ou passer un coup de téléphone serait trop risqué. En 2007, 50 jeunes réfugiés ont dû retourner chez leurs parents après que la police chinoise eut découvert qu'ils avaient fui le Tibet. “Alors, les enfants préfèrent oublier leurs parents plutôt que de supporter leur absence, même si tous n'y parviennent pas”, reconnaît le directeur de l'école. La nuit, Legphel se réveille parfois en croyant voir les siens, à côté d'elle, “tout près des yeux”.
Entre 700 et 1 200 enfants tibétains arrivent illégalement, chaque année, en Inde. Agés de 6 à 15 ans, ils sont confiés par leurs parents à des passeurs à quelques mètres des premiers postes-frontières du Tibet. Personne ne connaît le visage, ni le nom de ces intermédiaires qui préfèrent rester anonymes, de peur d'être dénoncés. Avec eux, les enfants exilés entreprennent une marche d'un mois, le plus souvent en hiver, la saison la plus sûre pour traverser l'Himalaya. “A cause du froid, les garde-frontières préfèrent rester dans leurs abris plutôt que de patrouiller”, explique Dhorjee, directeur du centre des réfugiés de Dharamsala.
La marche s'effectue toujours de nuit et, surtout, dans le silence. La moindre pierre qui tombe du sentier peut donner l'alerte. Certains enfants périssent sous les balles ou tombent dans des crevasses. Impossible de savoir combien meurent chaque année. Ceux qui arrivent au centre des réfugiés de Dharamsala sont les seuls à être comptabilisés. Ce vieux bâtiment, coincé entre des magasins de souvenirs, abrite dans la pénombre de son dortoir une cinquantaine de lits collés les uns aux autres, avec, à leurs pieds, quelques cartables remplis de vêtements chauds. Les enfants y lisent des biographies illustrées du dalaï-lama et apprennent à dessiner. D'abord le drapeau tibétain, puis des monastères bouddhistes. Pour tuer l'ennui, il leur arrive de jouer à l'entrée du bâtiment, le long d'un mur tapissé de photographies de cadavres gisant dans les rues de Lhassa, la capitale du Tibet. Puis arrive le jour de la bénédiction du dalaï-lama. Dès le lendemain, les enfants partent vivre chez leur nouvelle mère, dans le village tibétain.
Les “home mothers” sont des mères professionnelles. Formées pendant deux ans à la couture, à la cuisine et à la psychologie de l'enfant, elles accueillent les jeunes exilés dans des maisons tibétaines construites en pierres, en hauteur du village. “En élevant les enfants dans le respect de la tradition tibétaine, je sauve mon pays de l'oubli”, précise Tsering, une mère de 48 ans qui vit avec 36 enfants, au milieu des tapisseries de monastères bouddhistes et des portraits de famille du dalaï-lama. Son mari, discret, ne quitte pas des yeux l'écran de télévision, où défilent les dernières images d'émeutes en provenance du Tibet. “Il n'y a qu'une mère, ici, pas de père”, prévient Tsering en jetant un regard furtif en direction du portrait du dalaï-lama. Au lever du jour, pendant que les garçons arrosent des fleurs, les écolières peignent leurs longs cheveux noirs dehors, face à la vallée. Au son de la cloche, des centaines d'enfants dévalent les chemins escarpés qui mènent au terrain de basket-ball, transformé tous les matins en terrain de prière. Assis en tailleur sur des tapis, des centaines d'écoliers répètent, penchés sur leurs livres, les mantras récités par les moines.
“Les enfants deviennent tibétains en apprenant la culture, l'histoire et la religion de notre pays”, insiste Karma Trinley, superviseur de l'école, au pied d'un bâtiment qui affiche le slogan “Venez pour apprendre, partez pour servir”. Les livres d'histoire et de langue sont écrits par les professeurs eux-mêmes. Le manuel d'histoire commence au chapitre “Tibet et Chine” et se termine au chapitre “Exil”.
Sur le bureau soigneusement rangé de Karma Trinley, une pile de journaux intimes attendent d'être lus. Les confidences des écoliers, qui doivent tenir sur une page, sont lues chaque jour par un professeur avec, en priorité, celles qui portent la mention “A lire s'il vous plaît”.
“Il faut déceler les souffrances psychologiques de l'enfant avant qu'il ne soit trop tard”, explique le superviseur. “Je suis triste aujourd'hui car Sa Sainteté a de la fièvre”, écrit un écolier, à la date du 18 mars. Le même jour, un autre s'inquiète :“J'ai vu des Tibétains brûler les voitures des Chinois à la télévision. J'ai peur pour mes parents. Je ne peux rien faire pour eux sinon apprendre à être une bonne Tibétaine.” Pour apprendre à le devenir, l'école dispense des cours d'éducation civique. Y sont enseignés la Constitution tibétaine, rédigée en 1960, tout comme la règle selon laquelle chaque Tibétain doit verser 2 % de son salaire au gouvernement en exil.
“Il faut bien nous entraîner à la démocratie pour être prêts le jour de l'indépendance”, résume l'une des institutrices, qui souhaite garder l'anonymat. Elle-même a passé son enfance au village, avant de retourner chez ses parents, au Tibet, il y a quelques années. “Lorsque j'ai revu leurs visages, les souvenirs de mon autre vie me sont revenus. C'était insupportable pour moi. J'ai finalement décidé de rester en Inde, car c'est ici que j'ai vécu le plus longtemps”, dit-elle. En choisissant de vivre à Dharamsala, l'institutrice s'est fait une raison : “Ici, je suis peut-être orpheline de mes parents, mais pas du Tibet.”
Julien Bouissou
sábado, setembro 19, 2009
Boas-vindas aos alunos à entrada do novo ano escolar, 2009/10

- o cérebro humano e as coisas que ele é capaz de fazer
- a resiliência (ou capacidade de resistir) da Natureza, que ela consegue com tempo, ou com uma pequena ajuda.
- e o indomável espírito humano
"Todo a gente 'pensa' em deixar um planeta melhor para nossos filhos... Quando é que 'pensarão' em deixar filhos melhores para o nosso planeta?"
É preciso começar... JÁ!...
Uma criança que aprenda o respeito e a honra dentro de casa [e na escola] e receba o exemplo vindo de seus pais [e dos seus professores], torna-se um adulto comprometido em todos os aspectos, inclusivé, em respeitar o Planeta em que vive...
sexta-feira, setembro 18, 2009
Raúl Iturra, um grande amigo, um lutador da liberdade
É numa ambiência emocional de muita gratidão que saúdo o meu querido amigo Raúl Iturra e o seu querido Chile.quinta-feira, setembro 17, 2009
199 anos de reinado, dos quais 19 de alma em pena

Esta Sexta Feira, 18 de Setembro, a República do Chile está de aniversário.
A 18 de Setembro de 1810, o Governante do Reyno do Chile, Mateo de Toro e Zambrano, intitulado Conde da Conquista, informa que o Rei de Espanha, Carlos IV de Borbon e Navarra e o seu filho Fernando, príncipe da coroa, estavam presos em França. Espanha estava sem Rei. Governava Napoleão Bonaparte através do seu meio-irmão José.
Vi o meu longo texto no blogue de Fernando Pinto, que ainda guardo, escrito no ano de 2008, para explicar o que era o Chile e como, pela inexistência do rei, a colónia passou, com orgulho, a governar-se a si própria. 199 anos menos 19, são 180 anos de glória, os restantes 19, todos do século XX, foram anos de ferozes perseguições, 19 anos de assassinatos e sequestros de chilenos no Chile e fora do Chile. Restituída a democracia, comemoramos, em 2009, 180 anos de independência.
No texto supra referido, lamentavelmente, esqueci-me dessa simples operação de subtracção, como acima também explicitei, simples operação dizia, mas simbólica e materialmente marcante. O ditador, cujo nome propositadamente, esse sim, esqueci definitivamente, foi derrubado pela democracia sempre imperante no Chile. O socialismo social-democrata e o socialismo cristão tornaram a repor a República dentro da paz dos grandes do mundo. Esse ditador faleceu, como eu esperei ao longo de 36 anos de exílio, réu de crimes por matar chilenos e por roubar à riqueza nacional o dinheiro que fez dele e da sua família, gente de bem: lucraram com as operações combinadas na América latina para matar opositores e iam à missa para mostrar a sua bondade. Alguns dos seus apoiantes, actualmente presos, estão a ser julgados. Finalmente honra-se a memória do assassinado Presidente Constitucional, juntando-se-lhe a defunção da nossa amiga Hortensia Bussi Soto de Allende, que faleceu como pretendia: 94 anos, no meio de uma frase para aconselhar a sua filha Maria Isabel, Deputada do Partido Socialista. A frase ficou inacabada, mas a sua memória não.
Este 18 de Setembro, que com alegria comemoro, junta o cúmulo dos factos mais bravos na base dos quais a República se construiu. Esta é a República, que retira da dor a glória dos outros anos, os acumula e faz dela uma democracia exemplar.
Raúl Iturra
Chileno – Português lautaro@netcabo.pt .
Os gramas, Chefe Hélio, os gramas!

terça-feira, setembro 01, 2009
Os preços dos livros escolares
quinta-feira, agosto 13, 2009
O toque de Midas do Pedro
Aos 7 anos, o pensamento de uma criança sã, viva e tranquila, tem o poder do toque de Midas: tudo aquilo em que a criança põe a mão se transforma em ouro, quer dizer, em imaginação, em criatividade, em desenvolvimento da inteligência, da sociabilidade e do prazer de fazer (a "industriosidade" de que fala Erik Erikson).
Companheiro de jornada extraordinário, o Pedro foi sempre uma criança muito afável, com um cuidado e uma solicitude quase "arrepiante"!, em relação ao forasteiro que eu era. Não se limitou a ser participante passivo nas voltas que demos, mas contribuiu activamente para o prazer e o sucesso da jornada.
O rapaz tem queda para a gestão e a liderança dos grupos: não rejeita sequer as pequenas provocações com que às vezes "picamos" os rapazinhos da idade dele; ouve, olha-nos, sorri e a seguir diz-nos qualquer coisa em que aceita a provocação ou o desafio que lhe fazemos, mas de modo a que conserve para ele margem de manobra para a sua decisão ou o seu comprometimento pessoal.
Parece uma criança que sustenta os passos num estimulante "chão" que avós, pais e os próprios irmãos têm adubado com o que de melhor pedem o afecto e a inteligência das crianças.
E se aquele Topo me deixa apreensivo, por exemplo, sobre o que possam ser as suas condições de cuidado atempado a uma criança sem saúde, não há dúvida que, pelo contrário, dispõe das condições fundamentais para o desenvolvimento de uma criança sã: a ambiência de uma natureza selvagem poderosa, imprevisível e infinita; a humanização dos espaços naturais de vida, de acordo com as necessidades dos grupos humanos e os recursos disponíveis; a presença da vida animal amansada a fazer parte rotineira da economia doméstica; os laços afectivos com a família nuclear e a família alargada; a suficiência básica dos recursos educativos; e a mágica Internet que a leva, à criança, dali, do fim do mundo aos seus antípodas, numa brevidade vertiginosa de tempo.
Pedro, sabes o que quer dizer "antípodas"? Se não sabes, pergunta ao Luís... ou vê na Internet...