Foi um acontecimento muito bonito, a passagem do Miguel Guerreiro pela Escola Secundária Eça de Queirós, no passado dia 25 de Novembro. Foram duas horas entusiásticas e empolgantes, que ninguém deu por passarem.
Depois do alegre e bem dinâmico evento, fui almoçar com o maestro Mário Rui, a amiga e companheira psicóloga Carla Andrino, o compadre Renato Pernadas e a colega Ana Cabaço, amiga de infância do maestro.
Estávamos quase eufóricos. Depois dos aperitivos, quando já estávamos um pouco mais calmos, comentámos aperformance do Miguel. A certa altura eu disse que seria sinal de alguma inibição do Miguel (o que era natural), no princípio da sessão, o facto de ele ter respondido à Carla Andrino, quando ela lhe perguntou o que ele tinha gostado menos no “Uma canção para ti”, que tinha sido ter ficado triste – Porquê? -, " porque os outros meninos não tinham ganho também", respondeu ele. Parece uma afirmação "politicamente correcta", pouco espontânea.
O maestro Mário Rui revelou-nos, então:
- Penso que não, Fernando, acredito que ele estivesse a ser absolutamente sincero… Quando foi a finalíssima, em que o David Gomes ganhou o prémio da viagem, o Miguel veio ao pé de mim e disse-me “Eu acho que devia ser outro menino a ganhar hoje. Eu já ganhei uma vez, o David também, agora devia ser outro”. E ele pareceu-me absolutamente sincero e espontâneo a dizer isto.
Como eu gostei de ouvir o meu amigo Mário Rui dizer isto do Miguel!...
Plagiando o título da canção que dá o nome ao CD do Miguel, eu quero que uma boa estrela guie sempre o Miguel ao longo da sua vida, que ele promissoramente parece ir alimentando com a mais ingénua e saudável naturalidade.
sábado, novembro 28, 2009
Um bocadinho da pessoa que é o Miguel Guerreiro. Reparem bem...
terça-feira, novembro 24, 2009
Dia do Patrono na Escola Secundária Eça de Queirós
Sinto muita alegria e sinto-me muito honrado por participar na organização deste evento.
Aqui, neste meu espaço pessoal, quero saudar com muito carinho o Zé Geadas, a criança/jovem prodígio que teve o jeito de me "prender" a "palmos de gente" tão entusiásticos e interessantes, que nos põem os sentidos e a curiosidade absolutamente dedicados ao encanto que são as capacidades humanas em desenvolvimento e expansão em gente assim pequena.
Conto trazer o Zé à minha escola ainda neste ano lectivo, nem que tenha de ir "roubá-lo" um dia à escola dele!...
No próximo dia 25, será com uma emoção muito especial que receberei o Miguel Guerreiro na sessão festiva da Escola, escola que este ano tem a particularidade de fazer a inauguração oficial das suas novas instalações.
Lá de longe, de Macau, o pequeno Marc Yu falará connosco através da Internet e, se calhar, vamos ouvi-lo dizer que virá à nossa Escola ainda durante este ano lectivo.
Na verdade, são as potencialidades humanas, o entusiasmo e a paixão de aprender e ser-se cada vez melhor que estas crianças expressam tão bem (e que estão sempre presentes na forma de capacidades escondidas em todas as crianças) que são a razão de ser do empenho sério - e apaixonado também - de tantos professores nas escolas.
Quando a gente os vê a expressar os seus dons, as suas aprendizagens - êh, pá! - é tão saboroso o que a gente sente cá dentro!...
São estes e os outros"putos" que fazem os professores esquecer tantas contrariedades, tantos escolhos ao seu trabalho. São eles que põem os professores a dizer em coro, como Fernando Pessoa, que "o melhor do mundo são as crianças".
Entretanto, a sessão será exclusiva aos membros da Escola (alunos, professores, encarregados de educação e funcionários) e a alguns convidados. Infelizmente, mesmo que estejamos todos muito contentes com o novo auditório, o espaço é limitado. Se todos os alunos quiserem estar presentes... bem, vai ser complicado...
domingo, novembro 22, 2009
E se acontecesse o mesmo com a nossa casa?
Um filme pequenino, pequenino, pequenino; e uma mensagem grande, grande, grande.
Como diz no fim do filme, também eu tenho medo que quando a gente se der conta seja já demasiadamente tarde.
domingo, novembro 15, 2009
CHUVA DE CORES - espectáculo lindo!
A peça está muito bonita, e é muito bem dirigida pelo meu colega Onivaldo Dutra.
Pena só ter ido hoje... foi a última representação, por agora. Mais cedo eu tivesse ido, mais - seguramente! - eu teria colaborado na sua divulgação.
Para a posteridade, aqui fica a fotografia que quiseram tirar comigo, para grande alegria minha.

Não deixem de estar atentos ao trabalho deste grupo teatral.
Se clicarem no título deste apontamento, encontrarão a hiperligação para o blogue do grupo.
domingo, novembro 08, 2009
Pode haver igual, mas mais intenso não há! Seguramente!
Nas fotografias publicadas na rubrica "Your shot - Daily Dozen" da National Geographic, da primeira semana de Novembro, aparece uma fotografia (que eu bem gostaria de publicar aqui!) de Matt Townsend, que tem a seguinte legenda:
November 6, 2009
While traveling through the mountain countryside of Bali, Indonesia, I stopped for a quick break by a waterfall. Soon young Balinese boys were eager to have their pictures taken jumping off a waterfall. I happily obliged and came away with this shot of a youngster enjoying the warm day.
Tendo em conta o que por esta altura falo nas aulas de algumas das minhas turmas, à volta dos processos cognitivos, afectivos e motivacionais, esta fotografia é notável!...
Esta fotografia pode ser a fotografia de uma vida.
Não volta a haver no mundo um momento, um instante assim! E aquilo que ficou assim gravado para a eternidade é mesmo apenas um instante! Nada mais!
É o exemplo perfeito da harmonia do corpo e do espírito, a fazer lembrar a velha máxima da "Mente sã em corpo são".
Naquele instante - único, inigualável -, aquele rapazinho, que bem poderá ser uma criança de vida bem triste e sofrida, é seguramente a criança mais deliciada do mundo e o seu corpo, mesmo que franzino, tem toda a beleza do que só o que é espontaneamente natural pode ter.
O equilíbrio técnico da fotografia dá ênfase à posição perfeita do corpo do rapazinho; e o corpo, por sua vez, parece simplesmente reflectir o prazer intenso que o jovem ser saboreia, seguramente esquecido de tudo o mais que no mundo existia naquele instante.
Alguns de nós gostariam de ter sido espectadores directos ou o fotógrafo daquele momento, como é o meu caso.
Felizes daqueles que podem contar na sua experiência pessoal com um instante assim. Também a este grupo pertenço, por bênção, seguramente; se calhar, também por esforço; e oportunidade, claro, mesmo que inesperada.
Não se deixe de ver a fotografia (clicar no título deste apontamento).
domingo, novembro 01, 2009
O fundo da linha: SALVAR O MAR
A Língua Portuguesa, através do Brasil, já está na linha da frente desta luta. É hora de nós também entrarmos em acção!
Lindo!... Marc Yu, o Carnegie Hall, os deuses e as fadas
(fotografia da Daylife)


MUSIC REVIEW | 'LANG LANG AND FRIENDS'
Pianists of the Age to Put on a Show
Published: October 28, 2009
Moments after he made his Carnegie Hall debut on Tuesday night, Marc Yu, a 10-year-old pianist from Pasadena, Calif., faced a challenge nearly as daunting: Lang Lang, the Chinese superstar pianist, thrust a microphone into Mr. Yu’s hand and asked him how he felt about playing at Carnegie. “It’s one of those magical places where the gods live, or fairies,” Mr. Yu said. “And I would love to come back.” (In New York Times)
O que Marc Yu diz faz-me lembrar o filme sobre Neverland (a Terra do Nunca), o Peter e James Barry. Os meus alunos sabem porquê.
segunda-feira, outubro 26, 2009
Marc, we wish the best of luck for tomorrow at Carnegie Hall!
O Marc Yu terá amanhã o seu grande concerto com Lang Lang no Carnegie Hall.
Como ele nos diz no seu sítio:
"PRACTICE, PRACTICE, PRACTICE"
AND YOUR DREAMS WILL COME TRUE TOO!
Trabalha, trabalha, trabalha, e os teus sonhos também se tornarão realidade!
Curioso ouvi-lo dizer isto... Quando a gente o vê,
parece que faz tudo sem esforço,
que já nasceu ensinado!
que já nasceu ensinado!
domingo, outubro 18, 2009
Ó ti Jóge, o mar dos Açores é grande?
Hoje, a arrumar papéis, recuperei o que considero ser um bem delicioso diálogo familiar, que aconteceu numa manhã em que o Sol irradiava um brilho como se tudo a que ele chegasse ele quisesse abençoar mansamente.
"- Ó ti Jóge, o mar é grande, não é? perguntou-me lá do banco de trás, assim que eu parei o carro para me desembaraçar do toque do telemóvel, o J. H., 7 anos de idade, neto do Peter, que toda a sua vida viveu o mar como o rapazinho o começava a ver agora: grande, muito grande. Estávamos num ponto alcandorado da ilha, com o hospital da cidade por detrás de nós e a montanha do Pico a aparecer-nos sobre o lado esquerdo.
- É, J., é grande, e às vezes é mesmo muito grande…
- O mar dos Açores é grande, ti Jóge?
- Olha para ali, J., a gente olha lá para o fundo, vê sempre o mar e depois la no fundo a gente não vê mais, mas o mar continua ainda mais, parece que nunca mais acaba. Mas se tu olhares ali para o Pico, o mar fica pequenino; e se tu um dia quiseres e o mar estiver mansinho, tu podes ir o mar todo até ao Pico, a nadar.
- Ti Jóge, o mar tem um nome?
- Tem, tem muitos nomes, é que há muitos mares. E quando os mares ficam muito grandes já não se chamam mar, chamam-se oceanos.
O J. olhou lá para o fundo para onde eu dissera que o mar continuava e perguntou-me:
- O mar dos Açores é um oceano?
- O mar dos Açores ali para o fundo já se chama Oceano Atlântico. Ali em baixo – tu sabes – chama-se praia de Porto Pim; daquele lado ali, quando vamos para o Pico, chama-se Canal; onde tu estiveste ontem com o teu irmão e os vossos amigos chama-se Praia do Almoxarife…
- Quantos oceanos há no mundo?... interrompeu-me ele.
- Um dia, na escola, a tua professora vai mostrar-te num mapa grande o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico, o Oceano Índico, o Oceano Glacial Ártico e o Oceano Glacial Antártico.
- Este aqui dos Açores é o mais grande ou não, ti Jóge?
- É quase o mais grande. O mais grande de todos é o Oceano Pacífico.
- O oceano dos Açores não é o mais grande, ti Jóge? A voz e o rosto do J. traziam, nem era bem um desapontamento, era mesmo uma aflição.
- Não, não é… Mas tu já viste bem as coisas bonitas que o mar dos Açores tem? As baleias e os golfinhos; a doca onde tu, o teu pai e os teus irmãos tomam banho; os peixes que a gente pesca com o Chefe Jaime… não é, J.?...
- Ó ti Jóge, tu sabes tanta coisa…
A voz e o rosto do petiz recuperavam já o ar ruminativo e espantado que tomam nas crianças quando elas pensam intensamente. Parece que, quanto ao mar, por agora bastava.
O objecto da sua curiosidade passou a ser a sabedoria das pessoas.
- Ó ti Jóge, quem é que sabe mais, és tu ou é o avô?..."
É a esse avô e ao seu compadre Peter, que leram e se riram com esta pequena história, que eu envio, hoje, dia de Sol também lindo, que há bem pouco trouxe o brilho ao Tejo, que passa lá ao fundo, no horizonte da minha janela, como naquele dia passava o mar dos Açores, que eu mando um muito forte e carinhoso abraço. Um abraço manso, como fez o Sol num dia de Agosto, no Faial, no ano dois mil.
O dia 18 de Outubro é o Dia Europeu de Luta contra o Tráfico de Seres Humanos.
Dedico este pequenino texto a todos os pequenos sobrinhos e a todos os tios e tias que por causa da violência de homens não podem fruir estes momentos encantadores de convívio humano, de carinho familiar.
"- Ó ti Jóge, o mar é grande, não é? perguntou-me lá do banco de trás, assim que eu parei o carro para me desembaraçar do toque do telemóvel, o J. H., 7 anos de idade, neto do Peter, que toda a sua vida viveu o mar como o rapazinho o começava a ver agora: grande, muito grande. Estávamos num ponto alcandorado da ilha, com o hospital da cidade por detrás de nós e a montanha do Pico a aparecer-nos sobre o lado esquerdo.
- É, J., é grande, e às vezes é mesmo muito grande…
- O mar dos Açores é grande, ti Jóge?
- Olha para ali, J., a gente olha lá para o fundo, vê sempre o mar e depois la no fundo a gente não vê mais, mas o mar continua ainda mais, parece que nunca mais acaba. Mas se tu olhares ali para o Pico, o mar fica pequenino; e se tu um dia quiseres e o mar estiver mansinho, tu podes ir o mar todo até ao Pico, a nadar.
- Ti Jóge, o mar tem um nome?
- Tem, tem muitos nomes, é que há muitos mares. E quando os mares ficam muito grandes já não se chamam mar, chamam-se oceanos.
O J. olhou lá para o fundo para onde eu dissera que o mar continuava e perguntou-me:
- O mar dos Açores é um oceano?
- O mar dos Açores ali para o fundo já se chama Oceano Atlântico. Ali em baixo – tu sabes – chama-se praia de Porto Pim; daquele lado ali, quando vamos para o Pico, chama-se Canal; onde tu estiveste ontem com o teu irmão e os vossos amigos chama-se Praia do Almoxarife…
- Quantos oceanos há no mundo?... interrompeu-me ele.
- Um dia, na escola, a tua professora vai mostrar-te num mapa grande o Oceano Atlântico, o Oceano Pacífico, o Oceano Índico, o Oceano Glacial Ártico e o Oceano Glacial Antártico.
- Este aqui dos Açores é o mais grande ou não, ti Jóge?
- É quase o mais grande. O mais grande de todos é o Oceano Pacífico.
- O oceano dos Açores não é o mais grande, ti Jóge? A voz e o rosto do J. traziam, nem era bem um desapontamento, era mesmo uma aflição.
- Não, não é… Mas tu já viste bem as coisas bonitas que o mar dos Açores tem? As baleias e os golfinhos; a doca onde tu, o teu pai e os teus irmãos tomam banho; os peixes que a gente pesca com o Chefe Jaime… não é, J.?...
- Ó ti Jóge, tu sabes tanta coisa…
A voz e o rosto do petiz recuperavam já o ar ruminativo e espantado que tomam nas crianças quando elas pensam intensamente. Parece que, quanto ao mar, por agora bastava.
O objecto da sua curiosidade passou a ser a sabedoria das pessoas.
- Ó ti Jóge, quem é que sabe mais, és tu ou é o avô?..."
É a esse avô e ao seu compadre Peter, que leram e se riram com esta pequena história, que eu envio, hoje, dia de Sol também lindo, que há bem pouco trouxe o brilho ao Tejo, que passa lá ao fundo, no horizonte da minha janela, como naquele dia passava o mar dos Açores, que eu mando um muito forte e carinhoso abraço. Um abraço manso, como fez o Sol num dia de Agosto, no Faial, no ano dois mil.
sexta-feira, outubro 02, 2009
Marc Yu, um hino à natureza humana
Nas aulas desta semana tive o prazer de partilhar com os meus alunos o fascínio das potencialidades humanas expressas no desenvolvimento feliz e cativante de algumas crianças. Com destaque especial para o José Geadas, o Marc Yu e o Miguel Guerreiro (por ordem alfabética dos seus nomes próprios).
Penso que os meus alunos gostaram. Eu adorei. Tenho o privilégio de conhecer pessoalmente o Zé e o Miguel.
No que diz respeito ao Marc Yu, bem que gostaria eu de poder estar no Carnegie Hall, no próximo dia 27, para o ouvir ao lado do assombroso Lang Lang!
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