sábado, maio 02, 2009

Chimpanzé inteligente, chimpanzé castrado

As notícias que os meios de comunicação nos põem todos os dias à disposição são sempre em número tremendamente superior à capacidade humana individual até de simplesmente as seleccionar. Quer dizer, todos nós vamos apenas lendo, vendo ou ouvindo umas coisas!...
Foi assim que só hoje, ao ler mais um bocadinho da edição portuguesa de Maio do "Courrier internacional", que recebi na semana passada, por correio mesmo, dei atenção a uma notícia publicada na secção dos "insólitos" (capítulo "Destaques"), na página 110.
Na hiperligação que fiz no título deste apontamento remeto para a notícia que o Público (na altura em que a notícia foi divulgada pela comunicação social, em geral; ou seja, por volta do dia 10 de Março) deixou na sua edição on line. Mas podem ser pesquisadas na NET outras, até mais pormenorizadas.
O que está em causa é de nos deixar a pensar... pensar seriamente!...
Voltarei a este assunto, mas não quis deixar de dizer já qualquer coisa.
Basicamente, o que está em causa é o seguinte: um chimpanzé (animal que na cadeia evolutiva está meis perto do espécie humana) mostrou-se inteligente, como antes nunca tinha sido observado (Atenção! Altamente inteligente, altamente antecipatório, altamente sofisticado). Foi estudado, e tiraram-se logo conclusões sobre a sua inteligência, e sobre a inteligência de TODOS os chimpanzés. Objectivamente, do ponto de vista do visitante humano (não enjaulado, não o esqueçamos; e não motivo de visita ao Zoo) o seu comportamento era perigoso: atirava pedras aos visitantes.
A notícia no Courrier internacional acaba de maneira semelhante à grande parte das notícias que foram publicadas, em todo o mundo, no dia 10 de Março, citando Mathias Osvath, o investigador que estudou Santino, o chimpanzé:
"Castraram o pobre coitado. Esperam que o nível hormonal baixe e que, assim, se sinta menos tentado a lançar pedras. Já ganhou peso e está muito mais brincalhão do que antes. Mostrar-se agitado não lhe estava a dar bons resultados".
"Mais brincalhão"?... Será que querem dizer que  passou a fazer mais daquelas macaquices que os responsáveis dos Jardins Zoológicos e dos circos pensam que é (apenas) o que os visitantes gostam de ver?...
"Mostrar-se agitado"?... Será que querem dizer que  tentava preservar - como nós, os humanos, bem gostamos de fazer - um pouco de "privacidade pessoal", e livrar-se de tantos mirones que o querem ver todos os dias - durante todo o dia! - a fazer "macaquices"?...
"Não (lhe) estava a dar bons resultados"?... Não estava a dar bons resultados... a quem, mesmo: ao chimpanzé?... aos tratadores?... aos visitantes?... aos responsáveis do Zoo?...
E, reparem: nem uma palavra mais sobre a sua inteligência, sobre o seu comportamento inteligente! Então não valeria a pena continuar a observar e a estudar este comportamento inteligente do chimpanzé?... Não ganharíamos nós, os humanos, com isso?...
Não consigo deixar que o "Voando sobre um ninho de cucos" me venha ao pensamento.
Não vou dizer mais nada sobre este "insólito", nem sobre o que penso que se poderia ter feito em alternativa; nem sobre o imperialismo ditatorial do Homem sobre as outras espécies e o ambiente.
Convido os meus alunos, e todas as outras pessoas mais que o queiram, a pensarem sobre esta notícia e a deixarem aqui a sua opinião.
Pela minha parte, um dia destes, quando tiver mais vagar, voltarei a este assunto. 

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