terça-feira, maio 20, 2014

PSICOLOGIA - TRABALHOS MONOGRÁFICOS, EDIÇÃO 2013/14 - 02

Iniciámos ontem a apresentação dos trabalhos monográficos dos estudantes de Psicologia lá da escola.
Hoje seguimos viagem do Reino Unido para a Coreia do Sul: fomos conhecer um caso notável de ir ao chão e levantar-se outra vez; e, inesperadamente, de vitória da vida sobre o espetro da morte.
O segundo registo:
O sujeito do trabalho: Yoon-Sung Young 
O autor: Nuno Rema

sábado, maio 17, 2014

PSICOLOGIA - TRABALHOS MONOGRÁFICOS, EDIÇÃO 2013/14

Iniciámos ontem a apresentação dos trabalhos monográficos dos estudantes de Psicologia lá da escola.
São, em geral, tesouros cheios de muita humanidade, de muita dedicação e enriquecimento pessoal. Partilhados com muito entusiasmo, carinho, companheirismo e solidariedade.
O primeiro registo:
O sujeito do trabalho: Tom Daley
O autor: André Pires
P.S. - A data da fotografia está errada, não é 15, é 16 de maio de 2014.

domingo, maio 11, 2014

Saving the Children HD - Nicholas Winton

Se 15 dias de férias - solitariamente, com risco de vida -, podem garantir a vida a 669 crianças, multiplicando as possibilidades de vida a mais de 15 mil nas gerações seguintes, o que não conseguiremos alcançar solidariamente, com muitos mais dias do ano?
Ah! Os "extraordinários" governantes americanos - os sempre presunçosos defensores da Liberdade - recusaram-se a receber as crianças! "The  United States Government is unable..." Afirma Sir Nicholas Winton que se os EUA tivessem aceitado as crianças, muitas mais crianças teriam sido salvas.

terça-feira, abril 15, 2014

A ansiedade do tempo: Há quanto tempo o homem ocidental se afasta da contemplação?

Há quanto tempo o homem ocidental se afasta da contemplação?
Há quanto tempo o germe da compulsão a estar a fazer qualquer coisa domina as vontades?
Quem sabe, este modo de estar no mundo associado ao valor da apropriação material trouxeram-nos a este estado de capitalismo frenético, individualista, egoísta e depredador.
"É mister limitar a correria sem rumo praticada pela maior parte dos homens, zunindo em direção às casas, teatros e mercados. Metem-se nos negócios alheios e aparentam sempre estarem ocupados. [...] Movem-se desnecessariamente e sem plano algum, como formigas trepando arbustos, indo até ao topo e de volta ao chão, sem nada alcançar. Muitos homens despendem a vida precisamente assim, naquilo que se poderia chamar de frenética indolência. Sentiria pena de alguns deles se os visse correndo apressados, como se as suas casas estivessem a arder." Séneca (século I)

domingo, março 30, 2014

A educação sexual não deve ser ativa

"A educação sexual não deve ser activa. Deve o adulto explicar à criança aquilo que ela quer saber e isso dizia-o Claparède e deve falar-se sempre seriamente nos assuntos. O adulto pode brincar com a criança, brincar com as palavras, fazer trocadilhos e toda a espécie de jogos verbais que entender. Mas quando trata de assuntos sérios deve-os tratar seriamente. Se o adulto for capaz de falar seriamente dos problemas sexuais e dos problemas que se deparam à criança, então, realmente ele está em condições de fazer a educação sexual. A educação sexual não é educação para ser feita a crianças, mas para ser feita a adultos, os pais é que devem ser educados sob o ponto de vista sexual para terem um comportamento capaz de inspirar uma atitude normal na criança." (João dos Santos, texto recolhido da gravação de uma conferência proferida no Porto, na Ordem dos Médicos, em 14 de março de 1957; texto não revisto pelo autor)
Não é por acaso que trago para aqui este pensamento do dr. João dos Santos no mesmo dia em que levei para o blogue "Mais Pessoa Pouco a Pouco" um pequeno apontamento sobre os três princípios da Educação tradicional romana, segundo Cícero -  http://maispessoapoucoapouco.blogspot.pt/2014/03/os-tres-imortais-principios-da-educacao.html

domingo, março 23, 2014

"Controlamos ou somos controlados pelo Facebook?"

O Facebook e o Twitter beneficiam ou prejudicam a nossa felicidade?
http://stewards.snre.umich.edu/sites/alumni.snre.umich.edu/
files/styles/large/public/articles/lama-spring08.jpg?itok=iiTSYrhQ
Dalai Lama: - "Depende do modo como os usamos. Se a pessoa tem uma certa força interior, uma certa confiança, não há problema. Mas se a mente de uma pessoa é fraca, então existe mais confusão. A culpa não é da tecnologia. Depende do utilizador da tecnologia."
(Em Portugal, ver revista Visão, n.º 1098, 20 a 26 de março de 2014, p. 106)


O Dalai Lama tem sido um muito ativo animador de encontros entre gentes de todo o mundo, de muitas especialidades científicas, para reflexão sobre o cérebro, a força das emoções e o poder da inteligência e a mente; na senda da promoção do bem-estar. Tem sido mesmo um esforço notável, por exemplo, no âmbito do Mind  Life Institute.


Do Facebook and Twitter help or hurt our happiness?
It depends on how you use them. If the person, himself or herself, has a certain inner strength, a certain confidence, then it is no problem. But if an individual’s mind is weak, then there is more confusion. You can’t blame technology. It depends on the user of the technology.

sexta-feira, fevereiro 14, 2014

Mudar o Mundo - será que está mesmo ao nosso alcance?

Ou é da minha vista, ou não há, hoje em dia, nonagenário, ou mesmo octogenário, de consensual respeitabilidade pública e reconhecida sabedoria humana, que escape à pergunta a que sujeitaram também Noam Chomsky. A pergunta aparece no livro que a Bertrand pôs hoje à venda:
- Tem netos. Que tipo de mundo prevê que herdem?
Parece-me que a resposta de Chomsky não traz o apaziguamento à angústia acerca do futuro que o jornalista e, por via dele, os leitores gostariam de receber:
- Uma projeção realista não seria muito atrativa. Mas muito depende da vontade humana, como sempre.
(A realistic projection would not be very attractive. But a lot depends on human will, as always. You cannot predict the course of social movements, of the efforts to change things. We can never do that.)
E pronto! Azar outra vez!... A sabedoria, a lucidez e os longos anos de vida deste homem muito especial não traz o tão desejado apaziguamento.
Antes, David Barsamian tinha questionado o tão politicamente incómodo cientista americano sobre que ação humana faz sentido nos tempos que correm:
- Marx disse que a tarefa não é compreender o mundo mas mudá-lo. O professor devotou grande parte da sua vida a isso.
Outra vez a prudência (e a dúvida?) aconselhou a resposta de Chomsky:
- Valha isso o que valer - caberá a outros decidi-lo. Mas, claro, julgo que é isso que todos deveríamos tentar fazer: mudar o mundo a curto prazo, superar problemas imediatos - alguns deles letais, como desastres ambientais e a guerra nuclear. Por isso, a curto prazo, pode-se trabalhar para isso a que se chama reformas. Outros tentam chegar ao cerne das formas de autoridade ilegítima, desmantelá-las e avançar em direção a uma maior liberdade e independência.
(For whatever it’s worth—that’s for others to decide. But sure, I think that’s what we should all be trying to do: change the world in the short term, overcoming immediate problems—some of them, like environmental disaster and nuclear war, lethal problems. Not small problems. The fate of the species depends on them. So, in the short term, you can work for what are called reforms. Others try to get at the heart of the forms of illegitimate authority, dismantle them, and move toward greater freedom and independence.)
(Noam Chomsky, "Mudar o Mundo", 2014. Bertrand Editora, p. 176)
Empenho pessoal, cidadania ativa, reunião de esforços - o conjunto dos grandes meios e estratégias para o grande remédio do (mau) estado do Mundo. Os governantes, os poderosos, os grandes decisores nunca deverão ter neles depositada a nossa confiança absoluta e boa fé. Dúvida metódica, vigilância constante, controlo efetivo. Estas terão de de ser sempre componentes da nossa "vontade humana".

sábado, janeiro 25, 2014

Um hino à bondade genuína que a educação natural cultiva

O texto é de Mia Couto.
"Texto ligeiro", como diz o autor, recolhido no Pensageiro Frequente, publicado pela Caminho. Em rigor, é uma parte do texto "As águas da terra" (p. 99), originalmente publicado na revista de bordo das Linhas Aéreas Moçambicanas, em abril de 2005.
Para mim, a ocorrência relatada, mesmo que literariamente, por Mia Couto, é um hino ao que as crianças, em geral (quer dizer, todos nós), são capazes de fazer a partir da sua natureza social ingénua, espontânea, discretamente apoiada ou reforçada por educação pessoal, familiar, simples, que valorize a comunhão e a partilha, mais que a competição, a apropriação individual e a maximização perfecionistas das ações.

Este "subtexto" chama-se MAPUTO.
Maputo tem uma dívida permanente com o rio Umbeluzi. A cidade bebe das suas águas. Subo de canoa, contra a corrente, e vou parando nas margens lodosas. Ali, em pleno estuário, o Umbeluzi é rio ou é mar? As águas são salobras, as marés comandam, a vegetação nas margens são típicos mangais. Estamos mais em ambiente marinho que fluvial.

Vejo, então, o pequeno pastor trazendo os bois que se apressam para a margem. Parecem conhecer o provérbio local que diz: “O boi que chega primeiro é o que bebe água mais limpa.” O menino senta-se sob uma sombra mais pequena que ele. De uma sacola encardida retira uma xigovia. Sopra na pequena cabaça e faz soar a improvisada flauta. A melodia, confesso, era monocórdica.

Para mim, naquele momento, soava como uma sinfonia. E acenei, da canoa. Não me respondeu. Não me percebeu o gesto. Entendeu, sim, que eu lhe pedia a cabaça. Ainda hesitou, por um momento. Mas, de súbito, fez lançar pelo ar a xigovia. Com algum esforço, juntei ambas as mãos e apanhei o fruto da nsala. Ainda hoje guardo a xigovia desse menino que não terá nome mas que, para mim, tem a história de um encontro.

sábado, janeiro 18, 2014

De volta ao TEMPO, com Mia Couto, Eusébio, Mário Soares e o régulo Evaristo Faife

Gungunhana (1891), provavelmente o
régulo mais famoso da História de Portugal
Quando Mia Couto tinha olhos de menino, os olhos que agigantam o mundo, um dos seus manos costumava chantagear os pais e os irmãos para dar satisfação às suas birras: dizia-lhes que fugiria para Inhaminga.
“Inhaminga situava-se numa inatingível bruma, era o lugar mais longínquo que nós, nascidos e vividos na Beira podíamos imaginar. (…) Quarenta anos depois regresso a esse percurso de encantamento. A primeira impressão quando fazemos essas incursões no passado é sempre de que o mundo ficou mais pequeno. Aquilo que eu retinha como grandes estradas de areia sempre foram, afinal, estreitas picadas. (…) À noite, conto ao régulo a história do meu irmão, usando Inhaminga como chantagem emocional. O homem ri-se. Depois, uma certa melancolia invade o seu rosto magro. Então, Evaristo Faife diz:
- Seu irmão tinha razão: isto aqui é mais longe que o estrangeiro.
- Não é verdade. Então não estamos aqui, juntos?
- Sim, mas quanto tempo demorou para que o senhor voltasse aqui?”

 (Mia Couto, 2010. Pensageiro Frequente, pp. 85-88. Editorial Caminho)
Mia Couto calou-se ao ouvir isto. Eu também me calei ao ler estas palavras. Confesso que não consegui evitar que me viesse ao pensamento, outra vez, o Eusébio (moçambicano de um bairro periférico de Lourenço Marques) e a “homenagem” que Mário Soares lhe fez quando evocou, no dia da morte do fantástico jogador de futebol, a sua “sem cultura”. É que me perguntei se a cultura de Mário Soares (muito mais parecida com a minha do que a de Eusébio) nos propicia a oportunidade e as condições para pensarmos desta maneira. Que questionamento notável, o do réculo! Quando o homem consagrado pela Cultura, Mia Couto – felizmente, humilde pessoa, amante do contacto pessoal -, tentava simbolizar a proximidade dos afetos por oposição à distância geográfica. O pensamento do extraordinário régulo apanhou, desprevenido, o escritor, no seu próprio terreno, jogando em casa…