sexta-feira, janeiro 11, 2013

António Damásio, O Livro da Consciência

(Uma) apresentação de O Livro da Consciência (Self comes to mind), na comunicação social portuguesa, em outubro de 2010, com o próprio autor da extraordinária obra. A obra saiu em Portugal, em Língua Portuguesa antes da edição em Língua Inglesa, nos Estados Unidos da América.

quarta-feira, janeiro 09, 2013

ANTÓNIO DAMÁSIO E A VIOLÊNCIA DA POBREZA


ANTÓNIO DAMÁSIO E A VIOLÊNCIA DA POBREZA.
(António Damásio and the violence of Poverty)
(António Damásio et la violence de la Pauvreté)
O Professor António Damásio, hoje, na celebração festiva "Um dia com o Patrono", promovida pela Escola Secundária António Damásio, e liderada pelo distinto professor António Cruz, disse à grande plateia que o ouvia, que a forma de violência que mais o preocupa hoje em dia, violência essa que continua a crescer em diferentes pontos do Mundo, é a VIOLÊNCIA DA POBREZA, e que, para a combater, um papel determinante cabe à EDUCAÇÃO.
Professor António Damásio,
na Escola Secundária António Damásio, em Lisboa, em 09/jan/2013
Há praticamente 30 anos atrás, vieram 2 professores de uma Faculdade de Psicologia (mais propriamente, da Universidade de Vermont) conhecer o trabalho que eu liderava numa escola de ensino especial, em Lisboa, escola essa que recebia, predominantemente, crianças muito pobres. Ao fim de algumas horas de observação e conversa, honestamente eles me confessaram que, antes de falarem comigo, pensavam que estavam a fazer, lá nos EUA, um trabalho inovador, de ponta, na assistência a crianças muito carenciadas e suas famílias; mas que, depois de conhecerem o meu trabalho, chegaram à conclusão que eu ia 20 anos à frente deles. Assim que voltaram para os EUA, formalmente me apresentaram um convite "irrecusável" para ir trabalhar com eles. Recusei o convite irrecusável. Depois de procurar o sábio e ponderado aviso das minhas duas figuras de referência basilares: a Professora Maria Rita Mendes Leal e o Professo João dos Santos. Sem o saber, o Professor António Damásio hoje confirmou-me que eu fiz a opção correta. E renovou-me energias para continuar o que tenho feito ao longo destes 30 anos, antes com uns companheiros (n' Os Traquinas da Boa Vida) e hoje com outros, na Escola Secundária Eça de Queirós. Obrigado, Professor António Damásio!

terça-feira, janeiro 08, 2013

VENTOS DO FUTURO, COM ANTÓNIO DAMÁSIO, NO CCB, EM 7JAN13.

VENTOS DO FUTURO, COM ANTÓNIO DAMÁSIO, no Centro Cultural de Belém, em 7 de janeiro de 2013, na Grande Conferência Expresso 40 anos. Sim, é mesmo sobre o Futuro, como ele pode perfilhar-se no(s) nosso(s) horizonte(s).
Sou suspeito no meu apreço e no meu entusiasmo com António Damásio; mas os outros oradores também será útil ouvirmos. Nem que seja para negar ou contrariar algumas coisas que dizem. E a mim apetece-me muito fazê-lo! (A participação do Professor António Damásio começa por volta dos 51min50seg.)
Não posso deixar de dizer que, quando abriu a Conferência, o dr. Francisco Pinto Balsemão afirmou que pensa que hoje em dia a nossa vida política é marcada pela cultura do conservadorismo: quem chega ao poder não só faz tudo para lá se manter, como age de maneira a poder reforçar o seu poder. Isto é claro como água, não é verdade?

sábado, janeiro 05, 2013

De onde vem a consciência

Uma palestra muito interessante do neurocientista António Damásio, em que ele cristalinamente (não obstante a laringite) fala sobre a mente, a consciência, o Self; o que o ser humano partilha ou não com os outros animais. É um desafio muito interessante que nos lança! Por exemplo, se António Damásio levar o leitor (neste caso, o ouvinte) a pensar que o cão que se tem em casa se distingue essencialmente do seu dono porque não antecipa o futuro, como reage o leitor (ou o ouvinte)? Fala sobre a dinâmica do funcionamento cerebral e sobre a relação do Funcionamento Cerebral com a Cultura e a Educação. Grande responsabilidade deixa ele nas mãos de quem decide sobre os sistemas e os valores da Educação dos Povos!
A propósito de uma das suas apresentações de O Livro da Consciência.


Antonio Damasio is David Dornsife Professor of Neuroscience, Psychology, and Neurology, and director of the Brain and Creativity Institute at the University of Southern California. He is author several books including Descartes’ Error and, most recently, Self Comes to Mind: Constructing the Conscious Brain. Below, he takes our In The Green Room Q&A.
Q. What surprises you the most about your life right now?
A. Can I answer with a joke? I have this laryngitis and I’m still speaking.
Q. What is the last habit you tried to kick?
A. Not doing enough exercise.
Q. Who was your childhood hero?
A. Tin Tin.
Q. What do you consider to be the greatest simple pleasure?
A. Enjoying good weather by the seaside next to a forest of pines.
Q. Where would we find you at 10 a.m. Saturday morning?
A. Probably at home writing or reading.
Q. What do you wish you had the nerve to do?
A. Be an airplane pilot.
Q. Who is your favorite fictional character?
A. As a dramatic character, Gatsby. As a comedic character, Alvy Singer in “Annie Hall.”
Q. What is your most prized material possession?
A. Certain pieces of art.
Q. Who is the one person living or dead you would most like to meet for dinner?
A. Perhaps Goethe.
http://www.zocalopublicsquare.org/2010/12/10/antonio-damasio/personalities/in-the-green-room/

*Photo by Aaron Salcido. 
DECEMBER 10, 2010

quarta-feira, janeiro 02, 2013

Mudar ou não mudar, eis a questão. Uma espécie de "brainstorming" para entrar em 2013

José Pedro Cobra vem dizer, como muitos outros também andam a dizer, que a mudança começa em nós.  Pois é, dr. José Pedro Cobra, isso a gente já sabe!... Agora que o senhor o diz de uma maneira muito engraçada, isso não há dúvida nenhuma!... Vale a pena ouvi-lo! Muitas citações, muitas metáforas, algumas anedotas, todas sempre com muito a-propósito. Sim senhor, espero que os meus alunos, sobretudo os mais velhos, o oiçam. Enfrentar a rotina, os preconceitos, os automatismos acumulados, o negativismo visceral, etc..
A do outro (tinha de ser um português, claro!) que diz mais ou menos assim "Ó Barbas, sai daqui que eu estou de baixa e tu lixas-me isto tudo!..." está fabulosa!!!

terça-feira, janeiro 01, 2013

1 DE JANEIRO, DIA MUNDIAL DA PAZ.

1 DE JANEIRO, DIA MUNDIAL DA PAZ.
Ontem, ao despedir-se oficialmente de 2012, o Papa Bento XVI pediu mais espaço para o silêncio e as boas notícias, o que encaixa bem com a minha opção de destacar nos meus "momentos marcantes" de 2012 apenas os momentos positivos.
Hoje, na mensagem do Dia Mundial da Paz, Bento XVI fala das "crescentes desigualdades entre ricos e pobres", no "predomínio duma mentalidade egoísta e individualista" e no "capitalismo financeiro desregrado". Sim, concordo. Penso que a solidariedade é o único caminho que vale a pena percorrer; mas temos de ser sempre firmes com quem todos os dias o contraria, como é o caso de tantos governantes, do mundo e do nosso País.
É, seguramente, um caminho duro, cheio de obstáculos e oposições; mas - repito - é o único que vale a pena.
Da minha janela, o nascer do sol trouxe-me uma invulgar neblina sobre o Tejo, que não me deixou ver o aparecimento do astro rei. Mas eu sabia que ele estava lá e que surgiria por detrás das nuvens das aparências que toldam a nossa visão. Não será isso que o caminho da solidariedade nos pede? A confiança no que está para além do que estamos a ver agora? Ou melhor, do que não nos deixam ver agora?

Curiosamente, a minha querida amiga Maria Céu Barrosa, acabou de me mandar este vídeo muito interessante. É ou não verdade que as coisas estão lá, para além da neblina que as esconde? Sobre as dinâmicas e os mecanismos psicológicos subjacentes e em jogo, falarei deles aos meus alunos em próxima aula. Bjnh, Maria do Céu!
David Garibaldi: Jesus Painting from Thriving Churches on Vimeo.

domingo, dezembro 30, 2012

Mensagem de Ano Novo 2013 (no fundo, dá para qualquer ano...)


Bem, depois desta receita, o que fica, realmente, de importante para dizer?...

RECEITA DE ANO NOVO, de Carlos Drummond de Andrade

Para você ganhar belíssimo Ano Novo 
cor do arco-íris, ou da cor da sua paz, 
Ano Novo sem comparação com todo o tempo já vivido 
(mal vivido talvez ou sem sentido) 
para você ganhar um ano 
não apenas pintado de novo, remendado às carreiras, 
mas novo nas sementinhas do vir-a-ser; 
novo 
até no coração das coisas menos percebidas 
(a começar pelo seu interior) 
novo, espontâneo, que de tão perfeito nem se nota, 
mas com ele se come, se passeia, 
se ama, se compreende, se trabalha, 
você não precisa beber champanha ou qualquer outra birita, 
não precisa expedir nem receber mensagens 
(planta recebe mensagens? 
passa telegramas?) 

Não precisa 
fazer lista de boas intenções 
para arquivá-las na gaveta. 
Não precisa chorar arrependido 
pelas besteiras consumadas 
nem parvamente acreditar 
que por decreto de esperança 
a partir de janeiro as coisas mudem 
e seja tudo claridade, recompensa, 
justiça entre os homens e as nações, 
liberdade com cheiro e gosto de pão matinal, 
direitos respeitados, começando 
pelo direito augusto de viver. 

Para ganhar um Ano Novo 
que mereça este nome, 
você, meu caro, tem de merecê-lo, 
tem de fazê-lo novo, eu sei que não é fácil, 
mas tente, experimente, consciente. 
É dentro de você que o Ano Novo 
cochila e espera desde sempre.

quarta-feira, dezembro 26, 2012

2013 - Ano Europeu dos Cidadãos

http://ec.europa.eu/portugal/comissao/destaques/20110817_2013_
ano_europeu_cidadaos_pt.htm
Celebrar na Europa ou no Mundo, ano após ano, tem - pode ter - o condão de alertar consciências, promover novas - ou renovadas - atitudes e congregar comportamentos de ajuda, solidariedade, numa palavra: humanidade.
2013, antecipado em 2012, quer trazer importância e valor à cidadania europeia - que bem precisados andamos, não obstante o recente Prémio Nobel da Paz.
Hoje fui adquirir o sempre muito interessante calendário "Celebração do Tempo", das Edições Paulinas, que recomendo vivamente.
Na capa, os editores condensam numa só duas afirmações de São Paulo, extraídas de duas das suas cartas, que agora aqui reproduzo integralmente, de acordo com a Bíblia de Jerusalém (Paulus, 2002):

  • (...) Não há judeu nem grego, não há escravo nem livre, não há homem nem mulher;pois todos vós sois um só em Cristo Jesus. (...) (Epístola aos Gálatas, 3, 28)
  • (...) Vós não vos desvestistes do homem velho com as suas práticas e vos revestistes do novo, que se renova para o conhecimento segundo a imagem do seu Criador. Aí não há mais grego e judeu, circunciso e incircunciso, bárbaro, cita, escravo, livre mas Cristo é tudo em todos. (...) (Epístola aos Colossenses, 3, 10-11)
No espírito ecuménico que tem orientado as sucessivas edições deste calendário, parece-me uma proposta muito interessante. Vamos a isso!

NOTA: Ver aqui (http://www.paulinas.pt/livro_detail.asp?idlvr=1268) a apresentação do "Celebração do Tempo", que - repito - recomendo vivamente!

terça-feira, dezembro 25, 2012

O Pai Natal usa brincos!

Ontem à noite, na Consoada, entre outras histórias, contou-se esta, que se pode, com toda a propriedade, juntar-se aos argumentos que discutem se se deve, ou não, manter as crianças na ilusão da existência do Pai Natal.
Contou a minha comadre que uma das filhas, em pequenina, vivia intensamente a Noite de Natal, os Presentes e, claro, acima de tudo, o Pai Natal.
http://4.bp.blogspot.com/-VswD1QohWCg/UJw9nJbFMoI/
AAAAAAAAHYQ/kq8Z-OaQ9rY/s1600/Slide1.JPG
Num determinado ano, calhou à minha comadre a vez de aconchegar a chegada do Pai Natal, vestindo-se a rigor para esse efeito. Por isso, quando o Pai Natal dessa Noite de Natal chegou lá a casa, a mãe não estava ao pé da filha, que teve de o ficar a ver o hipnotizante senhor de barbas brancas, desamparada da segurança materna, de olhos espantados, fascinados, medrosos!... Assim que a menina, excitadíssima, voltou a ter a mãe por perto, foi contar-lhe tudo o que viu, tudo o que aconteceu, naquele breve momento da presença do Pai Natal.
A menina atropelava, com toda a pressa, pormenores da figura do Pai Natal, do que ele disse, do que ele fez. A determinada altura, na descrição do Velho de Barbas Brancas, a pequenita olhou a mãe, de um e do outro lado da face, e sem interromper o caudal do seu relato,  disse, olhando-a agora nos olhos: "... ele, mãe, tinha uns brincos iguais a esses que tu tens agora..." Depois, continuou a debitar pormenores, enquanto a mãe tentava recuperar, sem se dar por descoberta, do abalo que o delicioso pormenor do discurso da filha lhe causara.
Que coisa bonita!... Esta menina, certamente muito inteligente, arranjou uma maneira de proteger a fantasia excitante, saborosa, que ela gosta de experimentar - e que a mãe também gosta de viver! E, implicitamente, muito diplomaticamente, diz a si própria - e diz à mãe! - que a sua perceção da realidade é correta, se mantém íntegra e que, por sua livre decisão, opta por se deixar levar na "mentira" dos pais e avós porque lhe sabe muito bem a história e a fantasia, sobretudo naquela ambiência familiar em que todos se acarinham e aconchegam uns aos outros.
Por isso, e sem querer esgotar - ou sequer, discutir - o assunto, enquanto psicólogo, aconselharei a que, diga-se o que se diga sobre o Menino Jesus e o Pai Natal, ou diga-se o que se disser para os negar na celebração do Natal, o mais grave ou condenável é ofender a inteligência e o bom juízo percetivo das crianças. Negar rigidamente o que a criança consegue ver ou percecionar é deturpar-lhe a capacidade de observar e entender a realidade que a envolve; e fazer opções, de acordo com as suas motivações e valores. Se a criança quer brincar ao "frisson" da Noite do Pai Natal, porque não deixá-la?... Este tipo de fantasias não afastam as crianças para muitos fantásticos e irreais; pelo contrário, podem ser bons instrumentos para a ajudarem a envolver-se mais ativamente na sua cultura de pertença e a ser mais tolerante com culturas diferentes da sua.

O NATAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL

O PRIMEIRO NATAL NA PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL.
Agradeço ao meu amigo Luís Bettencout Moniz
a partilha desta  fotografia espantosa
Agradeço à minha colega Sofia Barros
a partilha desta fotografia
A primeira guerra mundial começou a 28 de julho, com a declaração de guerra do Império Austro-húngaro à Sérvia. Por isso, o Natal de 1914 veio já com a guerra a fazer-se. Contudo, aconteceu esta coisa espantosa: ao longo da frente ocidental, na Véspera de Natal, soldados de ambos os lados trocaram entre si cânticos de Natal. Na manhã do dia 25, contrariando ordens do comando, soldados alemães saíram para fora das trincheiras e aproximaram-se das tropas aliadas adversárias, entoando o "Merry Christmas" em inglês. Soldados ingleses saíram também das suas posições, e trocaram-se saudações, abraços e cigarros. Este extraordinário acontecimento, que mostra a força da celebração natalícia e a força da do jeito humano que nos põe a reconhecer os outros como iguais a nós próprios ficou guardado na história das guerras como "A trégua do Natal". Ao que parece, as versões oficiais das Histórias da Primeira Guerra Mundial tentaram manter escondido, ignorado, este episódio extraordinário de humanidade, mas, felizmente, sem sucesso.


Este acontecimento é recordado numa das mais recentes edições da Times, que junta mais 9 ocorrências invulgares da época natalícia.
http://www.time.com/time/specials/packages/article/0,28804,1868506_1868508_1868515,00.html