quinta-feira, setembro 05, 2013

Estatuto do Ensino Particular e Cooperativo - será perverso o argumento de Nuno Crato?

Com um tom de voz esforçadamente sereno, apaziguador, seguro da sua própria sabedoria, Nuno Crato, depois de aduzir argumentos assim e antes de aduzir argumentos assado, diz que "estamos absolutamente convictos, SABEMOS (o destaque é da minha responsabilidade, tal como os que virão a seguir) que isto vai DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA, isto vai TORNAR MELHOR a escola PÚBLICA melhor e isto vai melhorar o SISTEMA no seu conjunto". Pois...

  1. SABEMOS. Hum... Parece-me que sabem com o mesmo tipo de certeza que Bush e os outros políticos que se juntaram na cimeira dos Açores tinham quando disseram que o Iraque tinha armas de destruição massiva. 
  2. DEFENDER A ESCOLA PÚBLICA. Será mesmo a escola pública que se está a defender?... Ou não será, ao invés, a "outra"?
  3. TORNAR MELHOR. Tornar melhor... a escola pública? E a escola particular é já boa?... Com tudo o que se sabe? Com tudo o que tem vindo ao conhecimento público? Com o que se sabe que é a vantagem dos alunos da escola pública no sucesso no Ensino Superior, não obstante a vantagem (pelos vistos, não relevante) do ensino privado/particular nas classificações finais dos alunos à saída do ensino secundário?
  4. SISTEMA. Hum... Não estará Nuno Crato, falando de "sistema", a DEFENDER, debaixo de um eufemismo, a escola não-pública, que ele reconhece implicitamente que é preciso "TORNAR MELHOR", mas que, por conveniência de identidade social e política ("dinâmicas" de grupos socialmente e politicamente dominantes...) , se disfarça assim... Tão engraçado!... Tanto que Nuno Crato escreveu e dissertou jocosamente sobre "aqueles" das Ciências da Educação que argumentavam com o "contexto" e com o "sistema"!...

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