quinta-feira, setembro 01, 2011

As insinuações vagas do discurso do senhor ministro da Educação

Assim que o ministro da Educação, o dr. Nuno Crato, tomou posse, aqui neste blogue dei pública conta da minha disponibilidade para alinhar com ele na (r)evolução do ensino.
Por isso, depois, já disse isto e aquilo. Não é verdade que da discussão nasce a luz?
E o que me apetece dizer agora?... Apetece-me dizer que depois que publicou o seu "Eduquês" (que li com muito interesse, até mesmo com algum entusiasmo), o senhor ministro da Educação parece que fixou fixado nalguns fantasmas mentais, que o perseguem em todo o lado. Não sei se ele tem pessoas concretas na cabeça, fantasmas, isso tem, seguramente, que parecem vir duma coisa vaga, que são as suas Ciências da Educação. O discurso público do senhor ministro começa a a encher-se de afirmações que, no meu entender, veem eivadas de alusões perigosas, enganadoras e - como gostariam de dizer muitos dos nossos políticos - sem substância.
É verdade, começo a pasmar que tenhamos chegado aos tempos a que chegámos para ouvir o ministro da Educação de Portugal a dizer que a escola não é para passar de ano, a escola é para aprender!... Como dá esta bota com esta perdigota? A escola não foi sempre para aprender? Aprender não se certifica com as passagens de ano? Vamos "oficializar" a desconfiança sobre a aprendizagem dos alunos, quanto mais passarem de ano, maior deverá ser a desconfiança?
O senhor ministro da Educação vai (31 de agosto de 2011) à universidade de verão do PSD e diz, no meio de risos irónicos, que  está bem, isso de desenvolver o espírito crítico é importante e, logo a seguir, praticamente põe isso como sinónimo de "passar de ano sem saber".
Depois diz que estudar é importante para ganhar mais dinheiro. Penso que já oiço isso desde que minimamente me conheço como pessoa, há 50 anos. As transformações sociais, culturais e civilizacionais, das últimas dezenas de anos, em todo o mundo, foram capazes de parir essa ideia?... Só isso?... Ou mesmo que não seja só isso, é isso o mais importante?... Numa época em que o mundo agonia como agonia precisamente por causa daqueles que querem ganhar dinheiro, muito dinheiro?
Dr. Nuno Crato, tem todo o direito de pensar o que quiser sobre quaisquer teorias que queiram largar postas de pescada sobre como deve ser a educação nas escolas. Como ministro da educação, para além desse direito, tem, como mais ninguém no País, a responsabilidade de tomar decisões sobre a maneira de fazer a educação das crianças e dos jovens desse mesmo País.
Em pequeno, quantas vezes na escola e fora da escola me falaram do velho "ler, escrever e contar" de Salazar. Era isso que bastaria na "sagrada oficina das almas" que formava "os bons meninos".
Deixo-lhe uma pergunta, senhor ministro Nuno Crato:
Na sua ideia (ideia de ministro, claro!), como pensa que se compatibilizam a necessidade de preparar os jovens para um mundo de trabalho em que a mudança é a constante; a tão apregoa capacidade de empreendedorismo; a menorização que o senhor faz do desenvolvimento do espírito crítico; e a bandeira que agita, cheio de alma, em que o senhor diz, muito vagamente, que a escola é para aprender; no fundo, aprender o quê?...

1 comentário:

Fernando Pinto disse...

Ó senhor ministro, dr. Nuno Crato, não sei se ouviu o Miguel Gonçalves, no Prós e Contras, em intervenções que já se notabilizaram. Afinal, o que pensa o senhor dessa coisa que é quase uma oposição ente o "bater punho" do estudante chegado ao mercado de trabalho, e o mandar para as empresas um CV cheio de certificações de aprendizagem?