quinta-feira, janeiro 01, 2009

Carta aberta ao menino prodígio de Setúbal, o Miguel Guerreiro

Querido Miguel,

Vou tentar que esta carta tenha o teu tamanho, que seja pequena.
Ontem, na noite de passagem de ano fiz questão de te ver no espectáculo da TVI. Tinha-te visto no fim-de-semana e tinha ficado impressionado com a tua performance a cantares o “Sol de inverno”.
Miguel, a tua voz é um dom. O teu corpo canta todo contigo. E quando a canção te puxa ao limite do esforço, e a boca se abre em toda a sua expansão, parece que a gente consegue ver-te a alma, feliz, a trazer-nos as canções de ti para nós, cantadas em modulações deliciosamente harmoniosas.
Não gosto do género de espectáculos em que participaste, nunca os vejo. Mas era a oportunidade de te voltar a ouvir – já que da primeira vez te ouvi por mero acaso - , e não quis perdê-la.
A minha sobrinha Mariana, ao meu lado, perguntava-me como era possível uma criança ter a voz assim. Ela tem 13 anos, quase 14. E se a tua voz irá ser sempre assim, tão bonita. Eu disse-lhe, entre outras coisas, que, por exemplo, terás de passar pelo risco da puberdade, não sabemos o que ela fará à tua voz.
O resto… o resto é motivação pessoal e educação familiar e escolar. Este teu grande sucesso, tão precoce, pode virar-se contra ti. Gostei de ver os teus pais no espectáculo. Fico a desejar que eles venham a ser contigo o que penso que eles deverão ser: que te protejam do sucesso fácil e dos gananciosos dos espectáculos mediáticos; e te proporcionem a formação pessoal e a educação escolar e artística que a tua pessoa e o teu dom necessitam.
Parabéns, Miguel!
Muito obrigado pelos momentos deliciosos que me proporcionaste!
Desejo-te tudo de bom na vida. Não é nada de especial, toda a gente diz assim. Mas também, na verdade, que mais posso eu desejar agora para ti?...

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