quarta-feira, fevereiro 06, 2013

XVII Colóquio Juvenil de Artes na E.S.E.Q.


PALAVRAS DE CIRCUNSTÂNCIA,
na qualidade de presidente do Agrupamento de Escolas Eça de Queirós:

A Arte, tal como a generalidade das produções e das formas de expressão humanas, é filha do seu tempo, seja na maneira como capta o presente, na maneira como recupera o passado ou antecipa o futuro.
Na verdade, por exemplo, seria impossível que Leonardo da Vinci inventasse um Eça de Queirós como o que temos junto ao quiosque do Cartão Escolar, ali todo composto de latas de coca-cola, vazias e despejadas para o lixo, e outras que tais, de outras marcas de refrigerantes. Não é que não houvesse Coca-cola e latas de Coca-cola no tempo de Leonardo da Vinci – bastaria que a Coca-cola decidisse que, sim senhor, que já havia, para, algures no mundo, um qualquer criativo da poderosa Publicidade atual, servindo-se de tantos e sofisticados aparelhos de transformação e composição das imagens que hoje existem, colocasse uma bem tradicional lata de coca-cola nas mãos desse artista e génio do Renascimento, com arrepiante verosimilhança à época, que até nós, sabedores da mentira, ficaríamos na dúvida se seria mesmo verdade ou não.
A única coisa que impede tal ousadia desse poderoso criativo do Marketing e dos Negócios é a gente conhecer a data de nascimento de Eça de Queirós. A data de nascimento do nosso Patrono é que a gente não consegue contornar. Pôr a lata de Coca-cola nas mãos de Leonardo da Vinci, isso é tarefa bem fácil para os poderosos construtores atuais de imagens vivas, não lhes custaria mesmo nada fazê-lo.
Seria essa composição adúltera – a figura de Leonardo da Vinci com uma lata de coca-cola nas mãos - considerada Arte?
Eu tenho uma resposta que me satisfaz, mas não a revelo aqui. A denunciar-me um pouco no que penso sobre este assunto, trago-vos um pequeno trecho de Fernando Pessoa – que alguns certamente conhecerão -, precisamente sobre a Arte. Escreve ele assim:
"Para que a arte possa ser arte, não se lhe exige uma sinceridade absoluta, mas algum tipo de sinceridade. Um homem pode escrever um bom soneto de amor sob duas condições - porque está consumido pelo amor, ou porque está consumido pela arte. Tem de ser sincero no amor ou na arte; não pode ser ilustre em nenhum deles, ou seja no que for, de outro modo. Pode arder por dentro, sem pensar no soneto que está a escrever; pode arder por fora, sem pensar no amor que está a imaginar. Mas tem de estar a arder algures. De contrário, não conseguirá transcender a sua inferioridade humana.” Fernando Pessoa, in 'Heróstato e a busca da imortalidade'. 
Mas, pronto, agora é certamente tempo de outras coisas. Agora é tempo de celebração e partilha.
Também eu sinto uma alegria muito grande pela realização deste colóquio na Escola sede do nosso Agrupamento, e estou disponível para toda a colaboração que estiver ao meu alcance.
Sei, com satisfação e orgulho, da capacidade dos alunos, dos professores e dos funcionários da  Escola envolvidos neste promissor evento para receber com cordialidade e respeito todos os nossos visitantes. A todos esses alunos, professores e funcionários apresento os meus mais vivos votos de parabéns por tudo o que já fizeram e por aquilo que ainda virá a acontecer nestes 3 dias do Colóquio.
Quanto a vós, caros visitantes, da nossa Escola, sejam todos bem-vindos à Eça de Queirós!...
Obrigado pela vossa presença!...
Que toquem as trombetas e que a festa comece!...
P.S. - E que comece com um abraço de parabéns a um jovem que muito porfiou para que este Colóquio acontecesse e possa tornar-se um êxito, o Fábio Fernandes.

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