terça-feira, junho 14, 2011

Hoje, ao pôr-do-sol

Lá fora, bem ao longe, o brilho da lua alimenta-se, com a pressa (ou a lentidão, depende do estado de espírito de quem olha) intemporal dos astros que rodam uns à volta dos outros, da luz que o Sol quis fixar nos brancos, nos azuis, nos laranjas e nos verdes do horizonte da minha janela. É mentira, o Sol não quis fixar luz nenhuma sobre o que quer que fosse, eu é que queria que a luz se mantivesse ali para fazer as fotografias com calma. Por isso é que vi a lua alimentar-se à pressa com a luz que se espalhava por baixo dela.
As cómodas capacidades técnicas dos pequenos aparelhos fotográficos de hoje em dia ajudaram-me a galgar, em instantes, quilómetro sobre quilómetro, muitos!, mesmo se medidos em linha reta. Monto o frágil tripé, fixo a máquina, aponto a objetiva, puxo o zoom ao limite, corrijo o enquadramento; enquanto faço isto tudo, a luz evolui: esbatem-se os verdes das manchas de árvores; os azuis das vastidões das reentrâncias e dos largos do rio; os laranjas dos telhados; os brancos das paredes das casas. Aqui e ali já se podem reconhecer as luzes públicas da  iluminação noturna. Só mesmo a lua continua a encher-se de luz, tanta que até faz desaparecer a cara com que às vezes nos olha.
Mesmo assim, vale a pena! Minha nossa!... A nitidez das formas está hoje especialmente marcada. É claro que com máquina fotográfica mais sofisticada, outro galo cantaria, mas, como tantas vezes digo aos meus alunos, citando quem quer que seja, "O ótimo é inimigo do bom."
Aqui deixo uma muito imperfeita aproximação do que hoje vi. Do que vi há poucos instantes.






P.S. - Acabo de confirmar: amanhã é que é dia de lua cheia, mas a noite de hoje, de céu completamente limpo, já será espetacular.

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