domingo, maio 01, 2011

Dia da Mãe

"Mãe! passa a tua mão pela minha cabeça!
Quando passas a tua mão na minha cabeça é tudo tão verdade!"
Que poderosos são estes versos de Almada Negreiros!
Felizes os que algum dia puderam sentir a mão de sua mãe afagando, com muito carinho, com amor infinito e indizível, a sua cabeça!... Um abraço de muita amizade a todos aqueles que nunca sentiram antes, nem sentem agora, esta magia, porque a vida não lhes deu a oportunidade de essa experiência única sentirem.
Há dois momentos destes, recentes, que conservo especialmente gravados na minha memória, que presenciei como testemunha:
o primeiro deles, foi quando a minha mãe, claramente sabendo o que fazia, se despedia do meu pai e, antes de o beijar com o mais terno beijo do mundo, o afagou na cabeça como tantas vezes fez aos filhos, temperando o sabor do gesto com o radioso sorriso da plenitude;
o segundo momento foi quando, quase três anos depois, pegou ao colo, pela primeira vez, a bisneta que nascera havia pouco mais de um mês. Foi um encontro que desejou com todas as suas forças, mas que duvidou que alguma vez pudesse acontecer. A mãe da bebé, que também tanto desejava este encontro, chorou convulsivamente: quão bem ela percebia a ternura profunda, oceânica, amniótica mesmo, contida no gesto da sua avó!... À volta das três, não havia par de olhos que não denunciasse a intensidade emotiva da ocasião.
O Dia da Mãe, celebração expressiva de uma cultura e tradição - ao mesmo tempo social e religiosa -, neste ano partilha o protagonismo do dia com a celebração do Dia do Trabalhador e o dia da Beatificação do Papa João Paulo II. Há alguém que está hoje em Roma, levado pela sua fé, levado pelo exemplo de vida de João Paulo II, que certamente não deixará de dedicar uma parte importante do seu pensamento à mãe que, quando ele era pequeno, multiplicava as oportunidades de levar, aos domingos, a roupa lavada ao seminário que tinha o seu filho em clausura. A senhora queria ver o filho. Tantas vezes o negaram! Como diz o filho, mais de 40 anos depois, num livro que todos podemos agora ler: "E aqueles miminhos sabiam melhor que tudo."

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