domingo, dezembro 09, 2007

No simbolismo das saudações, África 1 - União Europeia 0



Olhava quase distraidamente a televisão, que transmitia, ontem de manhã, a chegada dos governantes à abertura da Cimeira União Europeia - África, até que qualquer coisa insidiosamente parecia querer tomar conta da minha atenção e da minha análise.


Finalmente percebi o que era. Ligava-se ao que foi o tema principal da maioria das minhas aulas na semana passada: a comemoração do Dia Internacional dos Direitos Humanos, no próximo dia 10. Falei aos meus alunos em diversidade cultural e, entre outras coisas, falámos sobre o que poderão ser os traços distintivos entre as etnias, as culturas, as sociedades. Por exemplo, a forma de saudação.


E o que ontem acabei por consciencializar ao assistir à chegada de presidentes, primeiros-ministros e outras individualidades foi a constatação que as saudações mais expressivas, mais calorosas, foram de líderes africanos. A mão direita que, depois de cada aceno, é docemente encostada ao coração [Esta sequência não é a mesma coisa que, por exemplo, os americanos e franceses fazem, em saudação aos símbolos nacionais, a bandeira ou o hino. Neste caso, é uma espécie de "continência civil"]; ou que, depois do mesmo aceno, se cola num abraço à mão esquerda, erguidas ambas à altura do rosto ou acima da cabeça. Tanto numa como na outra maneira, os olhos de quem saúda se mantêm fixos nas pessoas saudadas. Estes tipos de saudação são muito mais envolventes.


Sei que as boas e as más impressões que nos marcam têm valor absorvente, quer dizer, se as impressões são boas, buscamos o que as confirme. Se são más, fazemos o mesmo. Regressei da Tanzânia impressionado com a afectividade social que vi em muita gente, grandes e pequenos.


Sei que o que vi agora na passadeira vermelha por onde passaram tantos líderes políticos confirmam o que, se calhar, queria ver... Pois bem, vou continuar a olhar, tentando fazê-lo com isenção.


Para já, faço questão de que, no futuro, os meus cumprimentos a distância tenham a expressividade dos que vi em pessoas que têm África no sangue e em África lideram os destinos de tanta gente.

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