terça-feira, julho 07, 2009

Ora aqui está um exemplo de ciência a mais e educação e bom senso a menos!

Ali perto da escola, pensava eu que estava a ver uma novidade e, afinal, pelos vistos, aquilo está lá desde 2005!... O que me pergunto é porque nunca reparei na "coisa" antes!...
Trata-se de um canteiro com duas plantas da mesma espécie, manas, com certeza. Arranjadinho por uma daquelas célebres empresas municipais ligadas à habitação social, com fins didácticos muito meritórios.
O que é certo é que as plantas me chamaram a atenção, vejam lá!... por causa das placazinhas que nelas estavam colocadas. Comecei por achar muito bem, parei mesmo o passo apressado para olhar as outras árvores em volta a ver se também estavam identificadas... Não, estavam só mesmo aquelas duas plantas.
Ora aqui está uma fotografia que lhes tirei:




E agora, outra fotografia, esta é das tais placas que me chamaram a atenção:


Depois de tirar a fotografia, li a placa... E li-a depois outra vez... Contornei este arbusto (não!, mais propriamente é uma "arvoreta", ui!..) e fui ao pé do outro. Talvez na placa ele tivesse o que eu procurava nesta e não encontrava. Não, era exactamente igual. Imaginei a situação no dia 21 de Março de 2005... E ri-me. Coitadinho do Pedro Silva de 8 anos!... Coitadinho do David Afonso!... Se calhar, eles e os seus colegas (e os pais, ali orgulhosos de verem os nomes dos seus filhos ali expostos para a posteridade!) tinham estado ali a bater palmas e a declamar algum poema às árvores... às plantas... aos arbustos... à Lagestroemia indica (ainda por cima mal (!) escrito, ao que parece: será Lagerstroemia). Ali comandados por professores, engenheiros e administradores da grande empresa promotora ou patrocinadora do evento que celebrava o Dia da Árvore.
Depois imaginei, num dia posterior ao do da comemoração bem feitinha, um avô passeando ali o seu netinho. O neto pára ali, como eu parei, e pergunta ao avô:
"- Ó avô, como é que se chama esta árvore?..."
Pode ser que esse netinho tenha sorte. Eventualmente, o avô até será analfabeto suficiente para não conseguir ler ana placa o nome científico L-a-g-e-s-t-r-o-e-m-i-a --- i-n-d-i-c-a. Mal escrito, não se esqueçam!... Mas saberá dizer:
"- É uma extremosa (ou flor-de-merenda... ou suspiro... ou árvore de Júpiter... ou resedá... No sítio do Centro Botânico do Faial chamam-lhe "crepe florido"). O avô, ali com uma das mãozitas do neto agarrada à sua, até será capaz de acrescentar, enquanto o petiz mantém a outra de indicador erguido, apontado fixo à árvore:
"- Olha... dizem que estas árvores não se deixam estragar com o fumo dos carros".
É verdade, isto já está ali assim há quase quatro anos e meio, com o nome comum a faltar e, ao que parece, com o nome científico mal escrito! Ainda vou ter de melhor esta coisa do nome...
E tudo isto, é para a gente se rir?... ou é para a gente ficar triste?...

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